terça-feira, 31 de julho de 2012

Como enlouquecer seu chefe

Mais um filme que parte de uma ideia interessante, reúne alguns nomes razoáveis em seu elenco, mas o que segue é uma conjunção de trapalhadas sem sentido e, praticamente, nenhuma graça. Apesar de insistirem em classificar alguns tipos de filmes de comédias, Como enlouquecer seu chefe, com algum esforço do espectador, consegue no máximo arrancar um par de sorrisos amarelos.

Não é o tipo de produção que se utiliza de efeitos especiais esplendorosos. É basicamente um elenco, e uma história que deveria ter algum sentido ou, pelo menos, se fazer entender. É o tipo de humor americano, com uma mensagem de fundo, que nem sempre vale o quanto seus produtores imginavam.

Em seu elenco, Ron Livingston e Jennifer Aniston encabeçam a lista de protagonistas. Talvez, principalmente por causa de Aniston, esperava-se que o filme se transformasse em uma comédia romântica. Mas não é nada disso. Embora role essa intenção, mais no sentido de aproveite a sua vida, a produção também não tem nada de romântica.

O ponto fraco é mesmo sua história. Não tem liga, não tem apelo, não tem força suficiente para se tornar interessante. Abusa de diálogos metidos a inteligentes, e o resultado final é punhado de bobagens sem graça e desnecessárias. Talvez tenha dado origem à ideia do roteiro de Quero Matar meu Chefe, mas diferentemente deste, que também conta com Jennifer Aniston em seu elenco, Como Enlouquecer seu Chefe é mais fraco, previsível e sonolento.

No filme, Peter Gibbons (Ron Livingston) é um programador de computadores que está insatisfeito no emprego. Após uma sessão de hipnose, o rapaz extravasa sua frustração e seu comportamento muda totalmente: não cumpre mais os horários, não faz a maioria das coisas que lhe são que pedidas e, quando faz, faz a sua maneira. Com isso espera ser demitido, mas, quanto mais transgride as leis, mais é elogiado e promovido. O problema é que enquanto seus chefes fazem isso, a empresa entra numa política de corte de funcionários, o que cria um mal estar no escritório.
Comédiazinha com cara de Sessão da Tarde de uma quinta-feira, dia de rodízio, com muita chuva, com geladeira e armários vazios, e controle remoto sem pilhas. Se não há outra opção, vale a intenção, mas se a bateria do seu controle der algum sinal de vida, fuja. História fraca, diálogos desnecessários, elenco com algumas estrelas, mas sem estrelismo, tenta dar ao espectador uma moral da história, mas não tem conteúdo suficiente para tornar interessante sua trama. Se não quer perder seu tempo, fique longe.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Mike Judge
Elenco: Ron Livingston, Jennifer Aniston, David Herman, Ajay Naidu, Gary Cole, Stephen Root, Richard Riehle, Alexandra Wentworth, Joe Bays.
Produção: Daniel Rappaport, Michael Rotenberg, Mike Judge.
Roteiro: Mike Judge
Fotografia: Tim Suhrstedt
Trilha Sonora: John Frizzell
Duração: 89 min.
Ano: 1999
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Assalto em Dose Dupla

Tudo em um grande filme tem início com uma grande ideia. E em Assalto em Dose Dupla, aparentemente, seus produtores tiveram um insight brilhante. Soma-se a isso, a presença de um elenco com nomes bastante razoáveis. O galã Patrick Dempsey, Ashley Judd, e também Tim Blake Nelson, Octavia Spencer, Beau Brasseaux, Jeffrey Tambor e Mekhi Phifer.

Mas o que aparentemente esqueceram, foi que uma grande ideia e um elenco com bons nomes não salvam nenhum filme. E é o que acontece nessa fraca produção, metida a comédia. A ideia inicial parece sensacional. Teria tudo para se tornar uma comédia engraçada, ou no mínimo uma produção bastante interessante e atrativa, mas o roteiro fraco se perde e transforma a boa ideia em uma sequência de escolhas erradas.

O resultado é um filme bagunçado, cansativo, e que apela para o humor negro, sem necessariamente ser engraçado. Pra ser honesto, em algumas passagens é possível ter aquela sensação de "vergonha alheia" pelos atores, não por seus personagens, mas pelas situações ridículas às quais se expõem.

Existe ainda a intenção de imitar, muito de longe, diga-se de passagem, o longa Assassinato no Expresso Oriente, mas nem isso funciona bem na trama. O filme fica preso dentro de uma agência bancária o tempo inteiro, e mesmo que saísse, é provável que as coisas não mudassem de rumo. Tenta ser engraçado, fica muito longe disso, e o resultado disso é uma produção sonolenta e muito chata.

No filme, Tripp (Patrick Dempsey) caminha em um banco, quando duas gangues diferentes, uma claramente formada por profissionais e a outra por uma dupla de palhaços, aparecem para um assalto. Ao notar o que está prestes a acontecer, Tripp aborda a bela caixa do banco Kaitlin (Ashley Judd) com a intenção de protegê-la. Quando a ação é iniciada, o sistema de segurança do banco tranca as portas e mantém todos dentro do prédio. Durante a noite, um jogo de gato e rato segue, enquanto Tripp e Kaitlin tentam salvar o dia.


Obviamente, o resumo pode ser mais interessante do que todo o filme. Uma produção que se baseia em uma ideia interessante, mas que fica por aí. O elenco não agrega valor à trama, e a história é cheia de diálogos sem sentido e sem nenhum pingo de humor. Definitivamente, uma grande perda de tempo. Se puder, fique longe. Caso contrário, assista sem investir muitas expectativas. 



FICHA TÉCNICA

Diretor: Rob Minkoff
Elenco: Patrick Dempsey, Ashley Judd, Tim Blake Nelson, Octavia Spencer, Beau Brasseaux, Jeffrey Tambor, Mekhi Phifer, Pruitt Taylor Vince
Produção: Mark Damon, Patrick Dempsey, Moshe Diamant, Peter Safran
Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore
Fotografia: Steven Poster
Trilha Sonora: John Swihart
Duração: 90 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Califórnia Filmes
Estúdio: Endgame Entertainment / Maguire Entertainment / Ram Bergman Productions
Classificação: 14 anos

sexta-feira, 27 de julho de 2012

HBO e Telecine disponibilizam conteúdo dos canais pela internet


O controle remoto corre o risco de se tornar obsoleto. Para reverter a situação, a TV paga resolveu fazer um "upgrade" de programação.

A televisão vai dividir agora espaço com qualquer outra tela conectada à internet.

Os dois principais canais de filmes e séries do país, a rede Telecine e a HBO --que disputam os cerca de 14 milhões de assinantes de TV por assinatura do Brasil-- disponibilizarão seu conteúdo na web para o público assistir às atrações quando quiser.

A lógica de ambos (Play e Go) é ampliar as plataformas de quem paga para assistir aos filmes e séries na TV.

Em agosto, os cerca de 2 milhões de assinantes dos pacotes de dez canais HBO na televisão vão poder assistir às produções originais deles em qualquer computador pelo serviço HBO Go.

A tecnologia para acessar o serviço em outros dispositivos, como iPad, iPhone e iPod ou aparelhos que têm o Android como sistema operacional, será disponibilizada até o fim do ano.

O cardápio do Go inclui cerca de 1.000 títulos, desde o último episódio de "True Blood" --que estará disponível sempre na manhã seguinte à exibição na TV-- ao acervo de filmes próprios da HBO, que tem produções como "Game Change", em que Julianne Moore ("Ensaio sobre a Cegueira") interpreta a política americana Sarah Palin, ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos.

"É um serviço adicional para agregar valor à assinatura dos nossos canais", explica à Folha Miguel Oliva, diretor da HBO.

O Brasil será o primeiro país da América Latina a testar o Go, já disponível nos Estados Unidos e em alguns países da Ásia.

Segundo Oliva, a ideia do serviço, restrito aos assinantes do pacote de TV, nunca foi desvincular os conteúdos do canal, mas responder a uma mudança de hábito entre seus consumidores, também usuários de internet.

CONCORRÊNCIA

Os 3 milhões de assinantes dos seis canais Telecine vão ter outros 1.000 títulos disponíveis para do menu de programação na internet, no serviço chamado de Telecine Play, lançado nesta quarta (25).

Por enquanto, o acervo só estará acessível para computadores --ainda não há data para outros dispositivos.

Essa é uma tendência mundial que desembarcou no país no ano passado com o crescimento do site brasileiro Netmovies e a chegada do americano Netflix.

Os dois oferecem um menu com filmes e séries on-line, a partir de assinatura mensal. Em nove meses de atuação no país, o Netflix, que tem o Brasil como principal mercado na América Latina, alcançou 1 milhão de assinantes latinos.

Para Nelson Hoineff, presidente do Instituto de Estudos de Televisão, o Brasil demorou para entrar na nova onda de programação televisiva fora da televisão.

Agora, então, seria o momento da TV paga fidelizar seus novos consumidores em outras plataformas.

"As operadoras tiveram um crescimento neste primeiro semestre de 14,8%. E elas estão 'amarrando' os clientes ao oferecer sinal de TV, telefone e internet ao mesmo tempo", ele explica.

Ao oferecer serviços múltiplos, esse tipo de iniciativa fez mudar o consumo de conteúdos audiovisuais.

"A organização da TV, com a grade fixa, é engessada, ultrapassada e anacrônica. A geração virtual vê o que quer, na hora que quer e como quer. A internet é a ferramenta do novo consumidor", diz o especialista.

No caderno Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo, edição de 25/07/2012.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Fiscalização e banda larga levam pirataria para computador de casa


A intensificação do combate aos principais pontos de venda de produtos piratas em São Paulo e o aumento do número de pessoas com acesso a internet em casa vêm mudando o perfil da pirataria de filmes e músicas.

Até o ano passado, era fácil encontrar em ruas ou lojas da região da rua 25 de março, no centro da capital, cópias dos principais lançamentos antes mesmo da estreia desses filmes nos cinemas brasileiros.

Hoje, a situação mudou. Locais como a Galeria Pagé já não atraem mais consumidores em busca de DVDs de filmes e seriados pirateados.

"Segundo as polícias Civil e Federal, a cidade está deixando de ser um entreposto da pirataria no país. Houve migração do comércio ilegal para Campinas, ABC, Guarulhos e Osasco", disse Edsom Ortega, secretário municipal de Segurança Urbana.

Operações promovidas pelo gabinete de segurança de São Paulo, que reúne órgãos que atuam nas esferas municipal, estadual e federal, levaram à apreensão de 60 milhões de produtos ilegais (avaliados em R$ 2 bilhões) desde dezembro de 2010.

Principais produtos de contrabando do país, os CDs e DVDs tiveram queda nas apreensões entre 2000 e 2010.

No entanto, as indústrias cinematográfica e fonográfica (que estima ter 65% do seu mercado tomado pela pirataria) sabem que a batalha ainda está longe do fim.

Para autoridades e especialistas ouvidos pela Folha, o aumento do número de pessoas com computador no país acelerou a troca, por parte dos consumidores, do comércio ilegal físico de CDs e DVDs pelo download ilegal de filmes e músicas via internet.

Em 2000, apenas 10,5% dos domicílios brasileiros (4,7 milhões) tinham computador. Dez anos depois, esse número chegou a 38,3% (21,9 milhões), segundo o IBGE.

Já o Comitê Gestor da Internet no Brasil aponta que 86% dos usuários usam banda larga (o que facilita os downloads) e que 48% deles quer aumentar a velocidade de sua conexão, mas o custo é elevado ou não há disponibilidade do serviço onde ele mora.

"PIRATAS ON-LINE"

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), publicado em maio passado, traçou o perfil das pessoas que usam a internet para baixar cópias ilegais de filmes e músicas (ou seja, sem pagar por elas).

Segundo o estudo, 27,8 milhões dos 68 milhões de usuários de internet do país (ou 41% do total) podem ser considerados "piratas on-line".

"É um fenômeno generalizado. Independe de faixa etária, nível de renda ou escolaridade", afirmou Rodrigo Abdalla, coautor da pesquisa.

Segundo ele, a principal dificuldade do combate à pirataria on-line é a ideia disseminada entre os usuários de que o download ilegal de um filme não financia o crime organizado, tal como o comércio de DVDs e CDs piratas.

"Existe uma percepção generalizada de que, como não se está pagando por aqueles filmes ou álbuns piratas a ninguém, essa atividade não é aética, amoral ou ilegal."

Na Europa e nos EUA, é crescente o número de usuários e donos de sites ou serviços processados principalmente por causa de downloads ilegais de filmes e músicas. No Brasil, os casos ainda são raros.

Por Matheus Magenta, para a Folha de São Paulo, caderno Ilustrada, edição de 25/07/2012.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

HBO e Telecine lançam filmes na internet de olho na evolução das tecnologias

Os dois maiores canais de filmes da TV por assinatura brasileira lançarão, nesta semana, serviços independentes do aparelho de televisão.

O Telecine Play (anunciado nesta quarta, 25/7) e o HBO Go (a ser divulgado na quinta) permitem que os assinantes dos canais a cabo assistam, via internet, a seus filmes e séries seja no computador, no tablet ou na telinha do celular.

A iniciativa amplia o conceito tradicional de TV que se tem até hoje no Brasil -com o conteúdo limitado a um aparelho de televisão.

Trata-se de uma tentativa de fidelizar quem já é assinante do Telecine (cerca de 3 milhões) ou da HBO (cerca de 2 milhões), evitando que migrem para serviços "pay-per-view" ou sites que vendem filmes e séries na internet.

Por isso, para ter acesso ao conteúdo que estes canais disponibilizarão na rede, é preciso ser assinante de operadoras como a Sky ou a Net.

JANELA DE LANÇAMENTO

Ao disponibilizar na internet filmes exibidos há pouco tempo nos cinemas, reduzindo a chamada janela de lançamento, estes serviços pretendem desestimular, com uma só estratégia, tanto a migração para serviços como iTunes e "pay-per-view" como a pirataria doméstica.

Janela de lançamento é o tempo que o filme leva para fazer o percurso dos cinemas para o DVD/Blu-ray e deste para a exibição na TV paga, o "streaming" na internet e as sessões em TV aberta.

Em cinco anos, o tempo entre a estreia no cinema e o lançamento em DVD/Blu-ray caiu de seis para quatro meses.

"Em geral, a redução das janelas é um combate à pirataria, mas visa também aproveitar o lançamento aquecido no cinema", diz Carla Fuertes, gerente de marketing da Warner Home Vídeo.
Com o aumento de brasileiros com acesso à banda larga e de apreensões de CDs e DVDs piratas, a pirataria está migrando do camelô da esquina para o computador de casa.

"As pessoas não encontram mais DVDs piratas no centro de São Paulo com a mesma facilidade e hoje baixam filmes ilegalmente pela internet", diz Edsom Ortega, secretário municipal de Segurança Urbana de SP.

(ALBERTO PEREIRA JR., ELISANGELA ROXO, MATHEUS MAGENTA E RODRIGO SALEM)

Editoria de Arte/Folhapress


Publicado na edição de hoje, 25/07/2012, no Jornal Folha de São Paulo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A antiga e a moderna

Você gosta de clássicos? Daqueles que além serem em preto e branco, ainda são completamente mudos? Se é fã do gênero, e conhece o trabalho de Buster Keaton, então A antiga e a moderna é um filme com a sua cara. Mas se você não gosta, ou nunca teve a experiência, então não pode perder tempo e apreciar essa pérola do cinema.

Buster Keaton é um tipo de ator fantástico. Tão bom, ou até melhor que o próprio Charles Chaplin. Mesmo correndo o risco de ser imensamente criticado. Não que eu não goste de Chaplin, muito pelo contrário, sou um grande fã, mas acredito que Keaton abria uma possibilidade diferente em suas produções. Ele era a ação do filme.

E em A Antiga e a moderna, apesar de ser uma produção de 1923, é impossível não se encantar com toda a combinação oferecida. O roteiro é fantástico. Com uma história que ainda se mantém atual. Que prende a atenção de seu espectador, não somente pela dinâmica de sua trama, mas pela ação promovida por seu elenco. Sim, o filme é movimento do começo ao fim. E mesmo que a tecnologia tenha avançado tremendamente, ainda assim, o filme dá um banho em muitas produções atuais.

Tudo se encaixa perfeitamente. Até o toque de piano, cuja velocidade da música dita o ritmo de muitas das cenas, ele não te abandona em nenhum instante. E diversão, toneladas de diversão. Há uma mistura de comédia, ação, romance, terror, todos esses elementos, em eletrizantes sequências.

No filme, o amor de um homem por uma mulher visto em três épocas diferentes: na Idade da Pedra, na Roma Antiga e nos tempos modernos.Em seu primeiro filme produzido independentemente, Buster Keaton vive aventuras e mostra que o relacionamento amoroso entre homens em mulheres não mudaram muito desde a Idade da Pedra, passando pela Idade romana até a Idade Moderna 

Uma produção fora de série, mesmo para quem não é fã das produções mais antigas. Todos os elementos do filme garantem entretenimento de altíssima qualidade para seu espectador. Elenco de primeiríssima, liderado pelo excelente Buster Keaton, grandes sequências de ação, comédia, romance, que garantem toda a movimentação desse delicioso longa. Um filme delicioso, para ser curtido com toda a família. Garantia total de entretenimento.

Ficha técnica:
  • Filme / Comédia
  • Nome Original: The Three Ages
  • Direção: Buster Keaton
  • Elenco: Margaret Leahy, Wallace Beery, Buster Keaton, Lillian Lawrence, Joe Roberts
  • País: EUA
  • Ano: 1923
  • Duração: 54 min
  • Cor: Preto e Branco
  • Classificação: Programa permitido para menores acompanhados dos pais

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A noiva de Frankenstein

Você já se pegou completamente entretido e preso em um filme das antigas? Pois é isso o que acontece a cada vez que resolvo dar uma espiadinha em A noiva de Frankenstein. A espiadinha faz com que eu queira ver o filme inteirinho. E, cá entre nós, para um filme de 1935 conseguir algo assim, é porque existe algo muito especial por ali.

Claro que um filme como esse não pode ser cobrado por efeitos especiais mirabolantes, ou montagens com técnicas visuais modernas e computadorizadas. E nem precisa. O que precisa é que o espectador se transporte para a época de seu lançamento, e imagine como um filme como esse pode ter sido assustador para a audiência da época.

Isso deve ter ocorrido com todos os filmes de terror da época, e até anteriores, mas aí é que está a diferença. A noiva de Frankenstein é especial por mais do que alguns simples detalhes. Primeiramente, apesar do excelente uso de sombras e iluminação, o filme é inteiramente suportado na força do seu elenco. E existe um ator em especial, que se especializou nesse estilo de produção, o excepcional Boris Karloff. Difícil pensar em um filme de terror sem Boris.

O roteiro também apresenta uma novidade. Uma história de Frankenstein que o coloca de uma maneira muito mais "humana", e o coloca como um protagonista secundário. A história ainda é sobre ele, e depende totalmente da existência do monstrengo, mas usa elementos de fora, como o surgimento do Dr. Pretorius, que quase rouba o lugar do Dr. Frankenstein como o criador da vida após a morte. E, também, do surgimento da parceira do monstro, a noiva Frankenstein, que dá nome ao título.

No filme, ao contrário do que todos pensavam, Dr. Frankenstein (Colin Clive) e seu monstro (Boris Karloff) não estão mortos. Estão vivos, juntos, mas o cientista resolveu parar suas experiências. Tudo muda quando surge outro cientista, Dr. Pretorius (Ernest Thesiger), que sequestra a esposa (Valerie Hobson) de Dr. Frankenstein e o obriga a ajudá-lo a criar uma nova criatura, uma mulher (Elsa Lanchester) para ser companheira da criatura feita pelo Dr. Frankenstein.

Um clássico, não somente pelo tempo de seu lançamento, mas por ter se tornado uma referência entre os títulos de filmes de terror. Não se trata de um filme assustador, mas que usa com maestria o poder da história, com o mito do monstro, dando margem ao surgimento de um casal. Chega a ser engraçado, e é difícil não se pegar durante o filme torcendo para que o pobre Frankie encontre uma musa para viver ao seu lado. A produção usa e abusa das mudanças de planos de câmera para retratar o sentimento de cada momento. Somado a isso tem-se um espetacular elenco, que consegue agregar muito valor aos personagens. Não é daqueles filmes que assusta por si só, mas que promove o pensamento e a imaginação do seu espectador. Uma excelente pedida para quem curte clássicos, filmes de terror, ou quer simplesmente assistir um filme que garante boas doses de entretenimento.

FICHA TÉCNICA
Diretor: James Whale
Elenco: Boris Karloff, Colin Clive, Valerie Hobson, Ernest Thesiger, Elsa Lanchester, Gavin Gordon, Douglas Walton, Una O'Connor, Lucien Prival.
Produção: Carl Laemmle Jr.
Roteiro: William Hurlbut
Fotografia: John J. Mescall
Trilha Sonora: Franz Waxman
Duração: 75 min.
Ano: 1935
País: EUA
Gênero: Terror
Cor: Preto e branco
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Universal Pictures