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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Comcast compra Time Warner Cable por US$ 45,2 bilhões



A Comcast, maior operadora de cabo dos EUA, anunciou nesta quinta, 13, que irá adquirir a Time Warner Cable, segunda maior operadora.  O negócio foi confirmado pelas duas companhias após ter sido antecipado pelo canal CNBC(do grupo Comcast) na noite de quarta, 12.

Se o negócio se concretizar, já que há necessidade de aprovação regulatória, será a maior operadora de cabo dos EUA, em uma transação que resultará em uma mega-operadora de 30 milhões de assinantes (22 milhões da Comcast e 12 milhões da TWC, mas a Comcast anunciou que deve abrir mão de cerca de 3 milhões de clientes). A oferta da Comcast para a Time Warner Cable seria bem acima da oferta feita recentemente pela Charter, mas seria apenas em uma troca de ações, ou seja, os acionistas da TWC não receberiam dinheiro em troca da transação. A avaliação feita pela Comcast estabeleceu um valor de US$ 159 por ação, ou US$ 45,2 bilhões no total de participação adquirida (100% das ações).
Naturalmente, o negócio só sai depois de passar pelo crivo das autoridades norte-americanas. Apesar da grande concentração do mercado como um todo, os problemas concorrenciais imediatos não seriam tão grandes, já que nos EUA não existem duas operadoras de cabo operando nas mesmas cidades. Assim, a cobertura da Comcast se complementaria à da TWC. Mas existem preocupações em relação ao poder de mercado que pode se estabelecer na negociação de conteúdos (inclusive porque a Comcast é uma grande programadora de TV paga e também controladora da rede aberta NBC), na definição de preços para o mercado de banda larga e na compra de equipamentos. Segundo o relato da CNBC, a transação teria como cronograma final o segundo semestre deste ano.
Também favorece a intenção da Comcast o fato de que a Time Warner Cable, apesar de ser a segunda maior operadora de cabo, é apenas a quarta maior operadora de TV paga, atrás da DirecTV (20 milhões de assinantes) e da Dish (14 milhões de assinantes. As duas operadoras de DTH são as maiores competidoras das empresas de cabo, e há ainda, em algumas cidades, concorrência com as empresas de telefonia Verizon (4,7 milhões de clientes de IPTV) e AT&T (4,5 milhões).
A nova companhia será dirigida por Neil Smit, atual CEO da Comcast Cable.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Netflix não é mais o inimigo número um da TV por assinatura

Em 2011, o principal evento de TV por assinatura dos EUA foi pautado pelo significado do que representava uma empresa como a Netflix para o modelo tradicional de TV paga. Era o inimigo mais comentado e temido em todas as palestras.

Esse ano, durante a Cable 2012, que acontece esta semana em Boston, o medo se foi e praticamente não se fala mais em Netflix como uma ameaça. Para Craig Moffett, analista de TV paga da Sanford C. Bernstein, entre o evento de 2011 e o deste ano foi possível colocar a ameaça dos serviços over-the-top (OTT) em uma perspectiva melhor, "até por conta dos resultados ruins da Netflix".

Por outro lado, para Peter Stern, principal executivo de estratégia da Time Warner Cable, existe ainda uma questão a ser explorada que é por quê 8 milhões dos 25 milhões de usuários da Netflix não são assinantes de TV a cabo.

"Existe alguma coisa ai, talvez uma oportunidade". Para ele, a migração dos serviços para plataformas IP é uma realidade, e "a resposta das operadoras em uma nova política de empacotamento é crítica para evitar a perda de mercado com os cable cutters. Quando isso for uma ameaça concreta já será tarde". Para ele, o Netflix e outras plataformas over-the-top têm um grande desafio, que é "ocupar todas as TVs da casa", diz Stern. Mas para ele, "nós (operadoras de cabo) temos o desafio de ocupar os espaços fora da casa".

Para Doug Mitchelson, analista do Deutsche Bank, as pessoas estão deixando de ter TV por alguma razão. "E quanto mais se quebra o modelo, mais os custos aumentam", disse. Ele lembrou que os investimentos em rede estão feitos e que é preciso apresentar os novos modelos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Hollywood prepara o enterro definitivo do DVD

A pirataria e o consumo de cinema on-line dobraram os estúdios de Hollywood que, de má vontade, preparam o lançamento de uma plataforma para a distribuição de filmes pela internet em detrimento do DVD.

Fox, Paramount, Sony, Universal e Warner lideram um consórcio de empresas tecnológicas e audiovisuais denominado Digital Entertainment Content Ecosystem (DECE), nascido para discutir a transição do setor do entretenimento do universo rígido dos suportes físicos à flexibilidade do mundo digital.

A resposta de Hollywood ao desafio de internet se chamará UltraViolet e nascerá em meados deste ano, primeiro nos Estados Unidos e depois no Reino Unido e no Canadá, sem que se saiba ainda quando estará disponível em outros países.

Mais que filmes ou programas de televisão em si mesmos, esta plataforma venderá ao usuário uma série de licenças que lhe darão direito de ver os conteúdos que adquirir, que estarão hospedados na nuvem e serão acessíveis a partir de dispositivos conectados à internet.

O comprador poderá também descarregar os filmes, armazená-los no suporte que desejar e fazer cópias sem custo adicional, apesar de o UltraViolet só autorizar um máximo de 12 dispositivos para os clientes, ou seja, o usuário unicamente poderá desfrutar de sua videoteca nos aparelhos que informar ao sistema.

Uma medida que limita a liberdade de desfrutar dos conteúdos e com a qual se pretende dificultar a pirataria. Todo o software associado ao UltraViolet trará incorporado um sistema de proteção para impedir seu uso ilegítimo.

A princípio está previsto que o UltraViolet permita que até seis pessoas associem suas contas de cliente e compartilhem conteúdos de forma legal.

O consórcio Dece, integrado também por multinacionais como Microsoft, IBM, Nokia, Intel, Motorola e Samsung, anunciou a chegada do UltraViolet no marco da maior feira internacional da eletrônica, a Consumer Electronics Show (CES), realizada este mês em Las Vegas, em Nevada.

A ideia dessas companhias é criar um formato padrão para a distribuição digital de conteúdos, como aconteceu então com a fita de VHS, o DVD ou mais recentemente com o blu-ray, embora nem todos os grandes nomes do setor apeoiem a iniciativa.

Os estúdios Disney e a Apple, cujo diretor-executivo Steve Jobs é um importante acionista da empresa do Mickey, decidiram adotar suas próprias estratégias.

A Disney tem um projeto chamado Keychest com características parecidas ao UltraViolet.
A indústria do cinema se viu forçada a tomar estas medidas após negar durante um tempo a assumir uma mudança de tendência no consumo de cinema em casa, com a esperança de que a queda das vendas do lucrativo negócio do DVD fosse um episódio passageiro, ou se conseguisse pôr fim à pirataria pela internet.

A realidade é que a comercialização de DVD continuou caindo durante 2010, com baixa de vendas de 16% nos EUA em relação ao ano anterior.

Esta trajetória decadente, que em 2009 foi inclusive mais pronunciada com queda de 17%, começou em meados da década passada e já parece irreversível, apesar de que em termos absolutos o DVD continue arrecadando mais de US$ 8 bilhões ao ano.

A venda de filmes na internet é outra vertente.

Embora os catálogos de filmes on-line ainda seja reduzido, o negócio cresceu 17% em 2010 nos EUA até superar os US$ 680 milhões, enquanto a receita da televisão a cabo pelo aluguel de filmes subiu 21%, para US$ 1,8 bilhão.

O UltraViolet é o primeiro grande passo de Hollywood para enterrar o DVD, algo que no entanto não teria que representar o final dos suportes físicos.

Segundo dados do Digital Entertainment Group, a receita com a venda de Blu-ray, formato de maior qualidade e preço que o DVD, aumentaram em 2010 53% nos EUA, para US% 2,3 bilhões, um sintoma claro de que os espectadores continuam gostando de comprar cinema enlatado.

Por Fernando Mexía, em 10/01/2011, para a Folha.com.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Justiça dos EUA aprova plano para reestruturação dos estúdios MGM

Um juiz de Nova York deu nesta quinta-feira o sinal verde para o plano de reestruturação apresentado pelo estúdio Metro Goldwyn Mayer (MGM) para sair da situação de quebra declarada há quase um mês.

O juiz Stuart Bernstein aprovou a proposta durante uma audiência realizada nesta quinta-feira e que permitirá que o estúdio saia dessa situação e realize as mudanças em seu quadro de acionistas.

A proposta para a reestruturação da MGM, que tem dívidas avaliadas em US$ 4 bilhões, se baseia em um acordo com a produtora Spyglass Entertainment, cujos executivos passarão a dirigir o estúdio assim que este sair da situação de quebra.

A operação foi possível após ser aprovada pelos credores da empresa, que concordaram em transformar sua participação na dívida em ações da nova MGM. A reforma reduzirá drasticamente o tamanho da companhia, com a função de produtora suplantando a de distribuidora.

A origem dos problemas financeiros da MGM está no ano de 2004, quando a Sony, a empresa de telecomunicações Comcast e as financeiras Providence Equity e TPG Capital lideraram uma operação para comprar o estúdio por US$ 5 bilhões.

Posteriormente, o valor foi considerado excessivo, já que sofrera influência da alta de preços em meio a uma bonança econômica mundial e do declive das vendas em DVD.

Ao optar pelo procedimento da Lei de Quebra, a MGM rejeitou uma oferta de US$ 2 bilhões apresentada pelo conglomerado India Pariwar e outra de US$ 1,5 bilhão da Time Warner.
A MGM, dona dos direitos da franquia James Bond, possui um catálogo de cerca de quatro mil filmes, entre eles clássicos como "O Mágico de Oz", "E o Vento Levou" e "Ben-Hur".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A novela MGM...


O estúdio de cinema MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), que passa por graves dificuldades financeiras, está concluindo as formalidades para enquadrar-se na lei americana de falências, com o objetivo de realizar uma reestruturação de sua dívida de mais de US$ 4 bilhões, informou o "The Wall Street Journal" nesta sexta-feira.

O estúdio optou por fazer um acordo prévio com seus credores, permitindo que seu caso seja apresentado ao tribunal já na próxima semana e evitando o caminho tradicional do processo, que pode levar meses, segundo o jornal.

A MGM já apresentou seu plano de reestruturação aos credores. Se aprovado, o estúdio poderá submetê-lo ao acordo da justiça para que seja enquadrado na lei de falências.

O plano prevê que os credores, principalmente os fundos de especulação, renunciem ao conjunto da dívida em troca de ações da companhia, explicou o jornal.

Para ser aprovado, o plano deve obter o aval da metade dos 100 credores e donos de dois terços da dívida, que têm até o dia 22 de outubro para se pronunciar.

Se conseguir ser incluída na lei, a empresa pode passar até dois meses sem pagar sua dívida.
A MGM possui o maior catálogo de filmes do mundo, com 4.000 títulos.

Vários projetos de filmes importantes já foram suspensos em função das dificuldades financeiras do estúdio, incluindo o próximo filme de James Bond e dois filmes baseados no livro "O Hobbit", de J.R.R. Tolkien. Outros projetos que estão em suspenso incluem um filme planejado dos "Três Patetas" e um remake de "Robocop".

Antes das negociações para uma reestruturação, a MGM solicitou ofertas de compra da empresa. Mas a oferta máxima -- feita pela Time Warner, no valor de US$ 1,5 bilhão -- foi considerada insuficiente.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/811750-estudios-mgm-recorrerao-a-lei-de-falencias-para-reestruturar-divida.shtml

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Metro Goldwyn Mayer, um leão que agoniza em sua dívida



O estúdio Metro Goldwyn Mayer (MGM) agoniza ante uma dívida multimilionária e procura desesperadamente uma solução financeira que mantenha o leão mais famoso de Hollywood rugindo nos cinemas do século XXI.


A ameaça da quebra iminente sobrevoa a produtora de clássicos com "O Mágico de Oz" (1939), "E o Vento Levou" (1939), "Ben-Hur" (1959), a saga do agente secreto 007, além de ser recentemente encarregada de desenvolver a esperada série da obra literária "O Hobbit", originalmente escrita por J. R. R. Tolkien, mesmo autor de "O Senhor dos Anéis".


A MGM acumula atualmente dívida de US$ 3,7 bilhão e, apesar de seu grandioso catálogo de filmes, sua renda tem sido duramente prejudicada pela crise, especialmente na divisão de DVDs. Incapaz de tapar o rombo financeiro, o estúdio está a meses tentando ganhar tempo para encontrar uma alternativa ao fechamento, cogitando desde uma fusão ou até a - pouco provável - venda.


A MGM informou ontem que conseguiu uma nova prorrogação para pagar parte da dívida de US$ 3,7 bilhões que ameaça levá-la à quebra. É o sexto adiamento dado pelos credores. O objetivo é que a MGM apresente um plano de reestruturação que evite seu desmantelamento.
Se a concessão não fosse feita, o estúdio teria que pagar US$ 500 milhões hoje, entre devolução do valor principal e os juros. O prazo está agora adiado para 15 de setembro. Em junho de 2011 vence o prazo para o pagamento de US$ 1 bilhão. Até 2012, se as datas de pagamento estiverem cumpridas, a dívida estará liquidada.


Para entender a origem do problema, é preciso voltar a 2004, ano em que a Sony, a empresa de telecomunicações Comcast e as financeiras Providence Equity e TPG Capital lideraram uma operação para comprar a MGM a crédito por cerca de US$ 5 bilhões.


Uma estimativa posterior considerou a operação supervalorizada, consequência da alta de preços em meio a um bom momento da economia, mas que serviu para a Sony garantir que os filmes da MGM adotassem o seu formato de reprodução digital Blu-Ray - até então brigando com o HD -DVD da Toshiba.


A explosão da bolha financeira e a consequente seca do crédito no mercado pôs uma corda no pescoço do estúdio fundado em 1924, cuja sobrevivência parecia irremediavelmente fadada a se fundir com produtoras menores, como Spyglass, Summit ou Lionsgate.


O trâmite, que precisa da aprovação dos acionistas e dos credores, ajudaria a MGM em uma reestruturação que, no caso da Spyglass ("O Sexto Sentido", 1999) implicaria em demissões, na eliminação do departamento de distribuição e na mudança da sede para instalações mais baratas, como foi divulgado no jornal "Los Angeles Times".


Pouco se sabe da proposta da Summit, companhia que vive um bom momento com o sucesso da saga "Crepúsculo", mas especula-se que os diretores fariam cortes menos drásticos na MGM que os propostos pela Spyglass.


Já o Lionsgate ("Jogos Mortais", 2004) foi um dos primeiros entre os pequenos estúdios de Hollywood a se mostrar interessados no estúdio. No começo do ano, a produtora fez uma oferta de compra de US$ 1,4 bilhão, mas a retirou devido a um desacordo entre seus acionistas majoritários.


Como até hoje as disputas internas pelo poder na Lionsgate continuam sem resolução, a possibilidade de um resgate à MGM parece mais complicada.


Outra proposta veio, segundo o blog "Hollywood Deadline.com", da produtora Relativity Media, que estaria disposta a investir US$ 500 milhões na MGM para que comecem a rodar projetos rentáveis, como a nova aventura de James Bond ou os dois outros filmes da saga "O Hobbit".
Uma opção mais improvável é a proposta de compra da gigante midiática News Corporation, que, através da filial Time Warner, ofereceu US$ 1,5 bilhão pela MGM, uma quantia considerada insuficiente, mas que não foi formalmente rejeitada pelos credores.