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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Para evitar downloads ilegais, canais pagos tentam encurtar atraso de séries


Para combater downloads ilegais e atrair mais público para seus programas, canais brasileiros cada vez mais encurtam o espaço de tempo entre a exibição de séries nos Estados Unidos e no Brasil.

Em janeiro, a HBO repete a estratégia do seriado "Game of Thrones" e estreia duas novas séries simultaneamente nos dois países: "True Detective", em 12 de janeiro, e "Looking", no dia 19.

Além delas, o canal exibe nos EUA e no Brasil, no mesmo dia, a terceira temporada de "Girls", premiada série de Lena Dunham sobre quatro jovens amigas que moram em Nova York, também no dia 12.

O canal diz que é um "compromisso" trazer simultaneamente ao país suas maiores produções. Por causa da diferença de horário, elas irão ao ar aqui após a meia-noite.

No Warner Channel, séries que estrearam em 2013, como a ficção "Almost Human", o suspense "Hostages" e as comédias "Mom" e "Super Fun Night", são exibidas com no máximo duas semanas de atraso em relação aos EUA.

A gerente do canal, Vicky Zambrano, confirma que a janela de exibição cada vez menor é uma preocupação.

"Entendemos que a tecnologia permite que conteúdos de TV viajem rápido e não queremos nem podemos ficar para trás", diz a executiva. Mas ela lembra que transmissões quase simultâneas não são fáceis de conseguir.

"Leva-se tempo para preparar o material de transmissão, adaptando-o aos diferentes mercados, com seus idiomas e especificidades."

Legendagem e dublagem são processos que atrasam a exibição, de acordo com os executivos ouvidos pela Folha. Outro motivo é o preço que se paga para ter a primeira janela de exibição no país.

"O quanto mais próximo da exibição no país de origem, melhor. O que embasa a minha opinião é justamente o valor que se cobra por essas primeiras exibições", diz Paulo Franco, vice-presidente de programação da Fox.

O canal exibe "The Walking Dead", sucesso sobre zumbis, com dois dias de diferença em relação ao canal norte-americano. O mesmo ocorre com "American Horror Story". Já a nova "Sleepy Hollow", de terror, não teve o mesmo tratamento.

"Perdemos a concorrência para a [divisão do canal na] América Latina. Às vezes, a concorrência é interna."

Franco diz que quanto maior a base de fãs, menor tem de ser a janela entre exibições. "Nas séries mais antigas, que têm mais fãs, quanto mais longe estrear, pior. O pessoal fica chateado."
Para a Sony, encurtar a distância é importante, mas às vezes o atraso é estratégico.

"Com 'Breaking Bad', por exemplo, a crítica foi um chamariz importante. Outro parceiro fantástico foi a web. Resolvemos passar a série de novo desde o começo", afirma Alberto Niccoli, gerente geral da Sony no Brasil. "Queremos é que fortaleça o canal."

A TV sob demanda também tenta encurtar a distância. O Netflix anunciou há duas semanas que disponibilizará "Better Call Saul", série originada de "Breaking Bad", que conta a vida pregressa do advogado trambiqueiro Saul Goodman, logo após a exibição nos Estados Unidos pelo canal AMC.

Por Isabelle Moreira Lima, para o jornal Folha de São Paulo, em 02/01/2014.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um em cada 10 assinantes da TV paga faz pirataria de canal premium



Ao menos 10% dos cerca de 17 milhões de assinantes da TV paga no Brasil em todas as modalidades usa um aparelho "decoder" pirata com o objetivo de ter acesso a mais canais do que paga em seu pacote com a operadora.

A constatação é da ABTA (Associação Brasileira de TVs por Assinatura). A "pirataria" se faz por meio de equipamentos que são instalados na casa dos assinantes, em conexões legalizadas.

Em outras palavras: o assinante paga, por exemplo, o pacote mais básico de qualquer operadora. Em seguida, compra na rua ou na internet um aparelho "decoder" que consegue romper a proteção e o sinal que ele recebe em sua casa. Instalado o aparelho por um "técnico" enviado pelo vendedor e "voilà"!

Como mágica, o assinante passa a ter acesso a todo o cardápio da operadora, por mais premium que seja: dos caros canais esportivos Premiere ao pacote HBO; dos mais fechados canais pornôs até os que exibem lutas de UFC mediante pagamento. E tudo isso pelo valor da assinatura básica.

"Nós calculamos que operadoras e canais tenham hoje no Brasil por volta de R$ 100 milhões em prejuízo com essa prática", diz Antonio Salles Neto, 60, vice-coordenador de antipirataria da ABTA.
"Estamos muito atentos e preocupados com a curva de assinantes que adquirem esses aparelhos. Ela está crescendo de forma veloz."

PIRATARIA ASIÁTICA

A compra e a venda das caixas "decoder" são proibidas no Brasil desde 2012. Muitas são projetadas na Coreia do Sul e montadas na China.

Elas foram importadas durante muito tempo sob a chancela de serem "decoders" para antenas parabólicas. Mas os técnicos da ABTA descobriram um desvio de finalidade para os aparelhos.

Apesar da proibição, vários estabelecimentos e comerciantes que ficam na rua Santa Ifigênia, região central de São Paulo, vendem o equipamento sem muitas perguntas e ainda indicam um técnico para fazer a instalação.

Salles calcula que haja entre 1,6 milhão e 2 milhões de caixas em operação no país.

"Se a curva da pirataria continuar no ritmo atual, em cinco anos metade das assinaturas já fará uso dela."

O custo desses aparelhos "piratas" caem vertiginosamente. Uma caixa AZbox "topo de linha", vendida por até R$ 899 há um ano e meio, hoje é comercializada por R$ 299.

Para Salles, a pirataria não é estimulada pelos altos preços dos serviços e pelo atendimento ao cliente. "A indústria passou, sim, por um mau momento, mas ela agora está em um nível ascendente, e os preços também estão melhores", afirma.

COMO FUNCIONA A PIRATARIA

Opção A:

1- Usuário vai a um centro de comércio pirata ou na internet e adquire um decoder (caixa) ilegal; é preciso ter uma conexão de Internet no local de instalação;

2- O vendedor da caixa envia um funcionário que instala o aparelho, conectando-o à Internet e à fonte de sinal de TV por assinatura usando "portas" diferentes

3- Pela porta conectada à Internet, a rede pirata fornece, graças a seu software próprio, a chave de abertura ilegal da programação. Por meio da rede de uma das operadoras de TV, o usuário recebe o sinal ilegal de qualquer canal que não faça parte do seu pacote. O usuário recebe o sinal de TV paga, mas fica online com uma rede privada de dados ilegal

Opção B:

Usuários que não têm acesso à Internet podem "piratear" com a modalidade de caixa conectada aos satélites por duas antenas. A primeira antena é apontada ao satélite de serviços de TV por assinatura e uma segunda antena - menor e dedicada a dados - é conectada a um satélite.

Esse caminho é usado alternativamente para fornecer as chaves de acesso extraídas pela rede pirata. Essa ação, porém, é mais fácil de ser descoberta e combatida. Operadoras do mundo já conseguem tirá-las do ar.

Opção C:

A caixa pirata usada exclusivamente no caso de TV a acabo similar à anterior, só que em vez de se conectar à antena de satélite, conecta-se na rede de cabo. Muitos usuários, para disfarçar, mantêm o pagamento de um pacote mínimo com acesso à Internet.

Opção D:

A caixa que desbloqueia HD funciona de forma similar, apenas recebendo a chave correspondente ao serviço.

Informações importantes. Todo usuário de decoder (decodificador) ilegal está conectado a uma rede legal e isso o expõe à Justiça e corre o risco de ser indiciado por associação para produzir danos a alguém; trata-se de um crime.
 
Fonte: ABTA (Associação Brasileiras das TVs por Assinatura)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Fiscalização e banda larga levam pirataria para computador de casa


A intensificação do combate aos principais pontos de venda de produtos piratas em São Paulo e o aumento do número de pessoas com acesso a internet em casa vêm mudando o perfil da pirataria de filmes e músicas.

Até o ano passado, era fácil encontrar em ruas ou lojas da região da rua 25 de março, no centro da capital, cópias dos principais lançamentos antes mesmo da estreia desses filmes nos cinemas brasileiros.

Hoje, a situação mudou. Locais como a Galeria Pagé já não atraem mais consumidores em busca de DVDs de filmes e seriados pirateados.

"Segundo as polícias Civil e Federal, a cidade está deixando de ser um entreposto da pirataria no país. Houve migração do comércio ilegal para Campinas, ABC, Guarulhos e Osasco", disse Edsom Ortega, secretário municipal de Segurança Urbana.

Operações promovidas pelo gabinete de segurança de São Paulo, que reúne órgãos que atuam nas esferas municipal, estadual e federal, levaram à apreensão de 60 milhões de produtos ilegais (avaliados em R$ 2 bilhões) desde dezembro de 2010.

Principais produtos de contrabando do país, os CDs e DVDs tiveram queda nas apreensões entre 2000 e 2010.

No entanto, as indústrias cinematográfica e fonográfica (que estima ter 65% do seu mercado tomado pela pirataria) sabem que a batalha ainda está longe do fim.

Para autoridades e especialistas ouvidos pela Folha, o aumento do número de pessoas com computador no país acelerou a troca, por parte dos consumidores, do comércio ilegal físico de CDs e DVDs pelo download ilegal de filmes e músicas via internet.

Em 2000, apenas 10,5% dos domicílios brasileiros (4,7 milhões) tinham computador. Dez anos depois, esse número chegou a 38,3% (21,9 milhões), segundo o IBGE.

Já o Comitê Gestor da Internet no Brasil aponta que 86% dos usuários usam banda larga (o que facilita os downloads) e que 48% deles quer aumentar a velocidade de sua conexão, mas o custo é elevado ou não há disponibilidade do serviço onde ele mora.

"PIRATAS ON-LINE"

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), publicado em maio passado, traçou o perfil das pessoas que usam a internet para baixar cópias ilegais de filmes e músicas (ou seja, sem pagar por elas).

Segundo o estudo, 27,8 milhões dos 68 milhões de usuários de internet do país (ou 41% do total) podem ser considerados "piratas on-line".

"É um fenômeno generalizado. Independe de faixa etária, nível de renda ou escolaridade", afirmou Rodrigo Abdalla, coautor da pesquisa.

Segundo ele, a principal dificuldade do combate à pirataria on-line é a ideia disseminada entre os usuários de que o download ilegal de um filme não financia o crime organizado, tal como o comércio de DVDs e CDs piratas.

"Existe uma percepção generalizada de que, como não se está pagando por aqueles filmes ou álbuns piratas a ninguém, essa atividade não é aética, amoral ou ilegal."

Na Europa e nos EUA, é crescente o número de usuários e donos de sites ou serviços processados principalmente por causa de downloads ilegais de filmes e músicas. No Brasil, os casos ainda são raros.

Por Matheus Magenta, para a Folha de São Paulo, caderno Ilustrada, edição de 25/07/2012.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Meus dois centavos sobre o assunto

Essa questão de pirataria é mais complexa do que fazem parecer. Mais do que "patrocinar" o crime, ou prejudicar autores e direitos autorais, a discussão deveria ser muito mais abrangente do que tentam fazer. Não que esses argumentos não sejam suficientes, até acho que são, mas não representam toda a verdade.

A questão aqui, como podem imaginar, é lucro. Simples e direto, assim. Não há vínculos com criação, direitos, crime, ou qualquer outra bobagem que queiram empurrar guela abaixo. Fazem propaganda nos trailers iniciais do cinema, dos DVDs que compramos, alugamos e, ironicamente, até nas cópias piratas. A ameaça impera sobre a razão.

A lógica, em muitos países, é a da liberdade de uso. Eles copiam ilegalmente pois acreditam que deveria haver algo que permitisse essa liberdade. Claro que existem leis internacionais muito mais sérias, e duras, que mostram o contrário. E a pirataria na Europa, e América do Norte, arrisco dizer, é mais um ato de rebeldia do que um fenômeno social.

No restante do globo, a questão é puramente (fria e calculadamente) financeira. Traga esse pensamento à nossa realidade. Não estou questionando o trabalho de produtores, diretores, atores, e toda uma equipe envolvida na produção de um filme, sua distribuição, e demais fases para fazer um DVD chegar às mãos de seu usuário final.

O ponto aqui é o custo que isso gera a esse usuário final. Um DVD nos EUA sai por até 10 dólares (sem contar as edições especiais, edições de colecionadores, edições de diretores, e mais algumas). Num cálculo grosseiro, isso significaria que um DVD por lá alcança os patamares de 17 reais. Aqui, um DVD lançamento, sai por algo entre R$39,90 e R$49,90. Em alguns casos, o triplo do valor cobrado por lá. Ah, mas você está se achando esperto por comprar o DVD alguns meses após seu lançamento por R$10,00. Ok. Mas lembre-se que alguns filmes nunca chegam a esse patamar de preço por aqui, independente do tempo de lançamento e que, assim como ele desvaloriza por aqui, desvaloriza em todos os cantos do planeta também.

Se isso não fosse suficiente, uma entrada para o cinema custa entre 15 e 25 reais (dependendo do cine de sua preferência). Custo que aumenta ainda mais se você levar um acompanhante, e se decidirem comer uma pipoquinha.

Um aparelho de DVD (daqueles bons, simpáticos, e baratos) custa menos de 150 reais. Então, por que é que eu vou gastar em 3 filmes, ou 3 idas ao cinema, o valor de um equipamento que está lá na minha sala, pronto para dar todo o entretenimento que eu sempre quis na minha vida, desde que eu me descabelava frente à TV com a Sessão da Tarde?

A pessoa vai querer comprar o filme de 2 ou 3 reais que está no ponto de ônibus, na saída do seu serviço. E nem vai ficar com a consciência pesada por isso. Além do mais, e se o filme não for grande coisa? Alugar? E por que não? Mas com preços entre 7 e 10 reais no aluguel de cada filme, volto a dar preferência aos amigos que distribuem versões genéricas.

Não é qualidade. Não é quantidade. Não é enganação. Não é bancar o esperto. As pessoas querem divertir-se, e pagar pouco por isso. E eu concordo com isso. Se em outros países isso pode acontecer, por que não por aqui?

O custo do entretenimento no Brasil é muito alto. A ida ao cinema é cara, e engloba toda uma série de fatores, como transporte, alimento, escolha da sala, escolha do horário, que acaba desgastando até o mais animado dos espectadores.

O DVD original é ótimo. Vem com extras (alguns piratas também), tem uma caixinha bonitinha, tem até uma impressão no próprio disco (alguns piratas também), a qualidade é muito melhor, isso não há o que questionar, e provavelmente não dará problemas a você ou ao seu equipamento. Mas isso tudo não justifica o custo final.

São numerosos impostos, mesmo que comissões especiais tenham votado a isenção deles desde 2009. E mesmo assim, as pessoas consomem. No cinema, a mesma coisa (sem a isenção), e hoje o cinema é um artigo de luxo. O mercado percebeu isso e investiu pesado. Cada vez mais chegam ao mercado filmes novos e diferentes, pra todos os gostos, e quem não assistir, acaba excluído na roda de conversa com os amigos. O gasto de uma ida ao cinema, ao menos uma vez por semana, não é para qualquer bolso.

As opções? Você reduz os preços e vende mais, minimizando a pirataria, ou mantém os altos valores e continua incentivando o crime. Variações de embalagens (mais econômicas). Mídias fabricadas a partir de material reciclado. Promoções por quantidades diferenciadas (boxes, combos, ou o nome que preferir). Os filmes acabam lotando as lojas, mas os preços não diminuem, e o espectador recorre a outros mercados.

Novas tecnologias? Ótimo! Temos o Blu-ray, que nem surgiu como um vilão no combate à pirataria, mas imaginava-se que seria mais difícil a sua cópia. O custo de um filme? Mais de 200 reais. Hoje, quase dois anos após seu lançamento, já é possível encontrar variações entre 29 e 79 reais. Melhor qualidade de som e imagem, mais extras, opções de jogos, mas tudo isso interferindo no preço final. O consumidor assustou e, percebo, a tecnologia não pegou como deveria (e já cogitam novas linguagens, o que não justificaria a aquisição de um blu-ray nesse momento).

Outras tecnologias serão criadas. Muitas. E ao mesmo tempo em que são criadas, milhares de pessoas trabalham em soluções para desbloqueá-las. Novamente, pela sensação de liberdade, ou pela fácil comercialização e aceitação do público. E o custo disso tudo fica para o usuário que tenta ser correto e adquire DVDs ou outras mídias originais. Agora a pessoa terá que cadastrar os aparelhos onde executará tal disco. Se o equipamento der problema... pepino para o consumidor. Ou a mídia virá com a programação de quantas vezes poderá ser executada. Após isso deixa de funcionar. Para o colecionador, não acaba sendo uma boa saída.

Por isso, insisto, por que não reduzir de vez os preços das mídias originais e observar como o mercado se comporta? Tenho certeza que a surpresa será muito agradável, e o consumidor não terá que se preocupar com novas tecnologias por um bom tempo (assim como seus custos e exigências de conhecimento), e os produtores terão sua polpuda fatia dos lucros.

As pessoas não são tão intolerantes. Entre pagar 5 reais numa falsificação e 10 num original, ou mesmo num ingresso de cinema, as pessoas optariam pelos 10 reais. Mas enquanto ninguém sério percebe isso, vamos acompanhando o show de ameaças e novas tentativas surgirem a cada ano, e o tempo que se leva até alguém descobrir como burlar as novas geringonças.

Em tempo... não sou a favor da pirataria e, confesso, nem sou contra. Acho que independente de haver cópias ilegais, os produtores (e todos os envolvidos) continuam tendo seu lucro, bastante razoável, havendo oportunidade também para esse mercado paralelo, voltado às camadas mais populares. Já me dei mal com falsificações, mas já vi gravações perfeitas antes mesmo de o filme ser lançado nos cinemas. Escolher entre o original e a falsificação depende de vários elementos (independente de isso ser considerado crime). É um assunto complexo, com opiniões distintas e, em alguns casos, radicais. No fundo, acredito que se houvesse um ajuste nos valores, todos os lados sairiam felizes e satisfeitos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Hollywood prepara o enterro definitivo do DVD

A pirataria e o consumo de cinema on-line dobraram os estúdios de Hollywood que, de má vontade, preparam o lançamento de uma plataforma para a distribuição de filmes pela internet em detrimento do DVD.

Fox, Paramount, Sony, Universal e Warner lideram um consórcio de empresas tecnológicas e audiovisuais denominado Digital Entertainment Content Ecosystem (DECE), nascido para discutir a transição do setor do entretenimento do universo rígido dos suportes físicos à flexibilidade do mundo digital.

A resposta de Hollywood ao desafio de internet se chamará UltraViolet e nascerá em meados deste ano, primeiro nos Estados Unidos e depois no Reino Unido e no Canadá, sem que se saiba ainda quando estará disponível em outros países.

Mais que filmes ou programas de televisão em si mesmos, esta plataforma venderá ao usuário uma série de licenças que lhe darão direito de ver os conteúdos que adquirir, que estarão hospedados na nuvem e serão acessíveis a partir de dispositivos conectados à internet.

O comprador poderá também descarregar os filmes, armazená-los no suporte que desejar e fazer cópias sem custo adicional, apesar de o UltraViolet só autorizar um máximo de 12 dispositivos para os clientes, ou seja, o usuário unicamente poderá desfrutar de sua videoteca nos aparelhos que informar ao sistema.

Uma medida que limita a liberdade de desfrutar dos conteúdos e com a qual se pretende dificultar a pirataria. Todo o software associado ao UltraViolet trará incorporado um sistema de proteção para impedir seu uso ilegítimo.

A princípio está previsto que o UltraViolet permita que até seis pessoas associem suas contas de cliente e compartilhem conteúdos de forma legal.

O consórcio Dece, integrado também por multinacionais como Microsoft, IBM, Nokia, Intel, Motorola e Samsung, anunciou a chegada do UltraViolet no marco da maior feira internacional da eletrônica, a Consumer Electronics Show (CES), realizada este mês em Las Vegas, em Nevada.

A ideia dessas companhias é criar um formato padrão para a distribuição digital de conteúdos, como aconteceu então com a fita de VHS, o DVD ou mais recentemente com o blu-ray, embora nem todos os grandes nomes do setor apeoiem a iniciativa.

Os estúdios Disney e a Apple, cujo diretor-executivo Steve Jobs é um importante acionista da empresa do Mickey, decidiram adotar suas próprias estratégias.

A Disney tem um projeto chamado Keychest com características parecidas ao UltraViolet.
A indústria do cinema se viu forçada a tomar estas medidas após negar durante um tempo a assumir uma mudança de tendência no consumo de cinema em casa, com a esperança de que a queda das vendas do lucrativo negócio do DVD fosse um episódio passageiro, ou se conseguisse pôr fim à pirataria pela internet.

A realidade é que a comercialização de DVD continuou caindo durante 2010, com baixa de vendas de 16% nos EUA em relação ao ano anterior.

Esta trajetória decadente, que em 2009 foi inclusive mais pronunciada com queda de 17%, começou em meados da década passada e já parece irreversível, apesar de que em termos absolutos o DVD continue arrecadando mais de US$ 8 bilhões ao ano.

A venda de filmes na internet é outra vertente.

Embora os catálogos de filmes on-line ainda seja reduzido, o negócio cresceu 17% em 2010 nos EUA até superar os US$ 680 milhões, enquanto a receita da televisão a cabo pelo aluguel de filmes subiu 21%, para US$ 1,8 bilhão.

O UltraViolet é o primeiro grande passo de Hollywood para enterrar o DVD, algo que no entanto não teria que representar o final dos suportes físicos.

Segundo dados do Digital Entertainment Group, a receita com a venda de Blu-ray, formato de maior qualidade e preço que o DVD, aumentaram em 2010 53% nos EUA, para US% 2,3 bilhões, um sintoma claro de que os espectadores continuam gostando de comprar cinema enlatado.

Por Fernando Mexía, em 10/01/2011, para a Folha.com.