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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Brasileiro mais pobre passa mais de um quarto do dia vendo televisão

O consumo individual de televisão cresceu 13 minutos por dia no país ao longo do ano passado e bateu recorde, revela estudo inédito do Ibope. Na média nacional, o brasileiro passou 5 horas e 45 minutos por dia assistindo televisão. Ficou quase um quarto do dia sentado na frente do televisor.

Foi o maior aumento de consumo de TV nos últimos cinco anos. Em 2012, o brasileiro viu três minutos a mais de TV do que em 2011, quando assistiu dez minutos a mais do que em 2010 (veja tabela abaixo).

O consumo de televisão cresceu em todas as segmentações (sexo, idade e renda), mas continua sendo bem maior entre os mais velhos e mais pobres. Pessoas com mais de 50 anos já vêem 6 horas e 26 minutos de novelas, noticiários e programas de auditório por dia. Entre as pessoas das classes D e E, o tempo de permanência com o televisor ligado já atinge 6 horas e 40 minutos por dia, 27 minutos a mais do que em 2012, o maior crescimento entre todos os segmentos.

As pessoas com mais de 50 anos e os mais pobres já passam mais de um quarto do dia assistindo televisão.

Os dados do Ibope revelam que, apesar das novas mídias, a televisão continua inabalável. Os mais jovens não deixam de ver TV para navegar exclusivamente na internet, pois fazem as duas coisas ao mesmo tempo. Além disso, o aumento da renda nos últimos anos está permitindo que mais gente tenha acesso à televisão, e isso justifica o maior aumento entre os mais pobres.

O brasileiro está vendo mais TV, mas não necessariamente televisão aberta. A audiência das grandes redes está caindo. No ano passado, a sigla OCN (de outros canais, que junta todos os canais pagos e UHF) cresceu 33%, de 6,1 para 8,1 pontos no Ibope nacional. Isso quer dizer que a audiência somada de canais pagos e pequenas TVs abertas já é maior do que a de Record e Band juntas.



Por Daniel Castro, em 13/01/2014, no link http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/audiencias/brasileiro-mais-pobre-passa-mais-de-um-quarto-do-dia-vendo-televisao-1840

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Fiscalização e banda larga levam pirataria para computador de casa


A intensificação do combate aos principais pontos de venda de produtos piratas em São Paulo e o aumento do número de pessoas com acesso a internet em casa vêm mudando o perfil da pirataria de filmes e músicas.

Até o ano passado, era fácil encontrar em ruas ou lojas da região da rua 25 de março, no centro da capital, cópias dos principais lançamentos antes mesmo da estreia desses filmes nos cinemas brasileiros.

Hoje, a situação mudou. Locais como a Galeria Pagé já não atraem mais consumidores em busca de DVDs de filmes e seriados pirateados.

"Segundo as polícias Civil e Federal, a cidade está deixando de ser um entreposto da pirataria no país. Houve migração do comércio ilegal para Campinas, ABC, Guarulhos e Osasco", disse Edsom Ortega, secretário municipal de Segurança Urbana.

Operações promovidas pelo gabinete de segurança de São Paulo, que reúne órgãos que atuam nas esferas municipal, estadual e federal, levaram à apreensão de 60 milhões de produtos ilegais (avaliados em R$ 2 bilhões) desde dezembro de 2010.

Principais produtos de contrabando do país, os CDs e DVDs tiveram queda nas apreensões entre 2000 e 2010.

No entanto, as indústrias cinematográfica e fonográfica (que estima ter 65% do seu mercado tomado pela pirataria) sabem que a batalha ainda está longe do fim.

Para autoridades e especialistas ouvidos pela Folha, o aumento do número de pessoas com computador no país acelerou a troca, por parte dos consumidores, do comércio ilegal físico de CDs e DVDs pelo download ilegal de filmes e músicas via internet.

Em 2000, apenas 10,5% dos domicílios brasileiros (4,7 milhões) tinham computador. Dez anos depois, esse número chegou a 38,3% (21,9 milhões), segundo o IBGE.

Já o Comitê Gestor da Internet no Brasil aponta que 86% dos usuários usam banda larga (o que facilita os downloads) e que 48% deles quer aumentar a velocidade de sua conexão, mas o custo é elevado ou não há disponibilidade do serviço onde ele mora.

"PIRATAS ON-LINE"

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), publicado em maio passado, traçou o perfil das pessoas que usam a internet para baixar cópias ilegais de filmes e músicas (ou seja, sem pagar por elas).

Segundo o estudo, 27,8 milhões dos 68 milhões de usuários de internet do país (ou 41% do total) podem ser considerados "piratas on-line".

"É um fenômeno generalizado. Independe de faixa etária, nível de renda ou escolaridade", afirmou Rodrigo Abdalla, coautor da pesquisa.

Segundo ele, a principal dificuldade do combate à pirataria on-line é a ideia disseminada entre os usuários de que o download ilegal de um filme não financia o crime organizado, tal como o comércio de DVDs e CDs piratas.

"Existe uma percepção generalizada de que, como não se está pagando por aqueles filmes ou álbuns piratas a ninguém, essa atividade não é aética, amoral ou ilegal."

Na Europa e nos EUA, é crescente o número de usuários e donos de sites ou serviços processados principalmente por causa de downloads ilegais de filmes e músicas. No Brasil, os casos ainda são raros.

Por Matheus Magenta, para a Folha de São Paulo, caderno Ilustrada, edição de 25/07/2012.