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sexta-feira, 4 de março de 2011

O Oscar é a patetice banhada em ouro

Por Marcelo Carneiro da Cunha, em 04/03/2011, no link http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4972714-EI8423,00-O+Oscar+e+a+patetice+banhada+em+ouro.html

Estimados milhões de leitores, cá estamos, firmes, fortes, e, no caso de quem mora em São Paulo, encharcados. E muitos de nós, ainda pensando no que aquele cara fazia ao lado da lindinha Anne Hathaway, enquanto ela quase se matava tentando salvar as aparências da festa, sem ganhar nada além de um milhão e meio de dólares por tamanho esforço. Dureza esse tal de Oscar.

Nada que se compare, no entanto, à dureza de aguentar as horas e horas de tapete vermelho, piadas feitas de isopor, músicas mesozoicas e a pior parte, o discurso dos vencedores de alguma categoria. Aquilo, estimados leitores, é o equivalente áudio-visual do que o Kadafi tenta fazer com os ex-suditos, na Líbia, e que a ONU considera tortura.

No entanto, o Oscar é compreensível, se a gente entender que premiação de cinema, é uma coisa, Oscar, é outra. Oscar não é prêmio de cinema nem aqui nem na Conchinchina. Oscar, estimados leitores, é premiação por comportamento.

O cinema começou, como forma de contar histórias, lá por 1908, tirem ou coloquem alguns anos. Nessa época, os Estados Unidos eram uma explosão de atividade econômica, e os imigrantes que chegavam do mundo inteiro eram uma parte importante da equação. E eles eram do mundo todo, e o mundo, naqueles tempos, ainda não falava inglês. Muitos eram analfabetos, ou quase. A única coisa que podiam fazer, para entretenimento, era consumir alguma forma de contar histórias que não precisasse do inglês. E o cinema, era mudo, lembram? Portanto, já pelo ano de 1908, se vendiam algo como 60 milhões de entradas para ver filmes, nos Estados Unidos. Por semana.

Uma arte de massa requer uma indústria, caros leitores, e os americanos criaram a primeira e mais poderosa delas. Para poderem produzir filmes em série, e onde havia mais luz, os estúdios foram para a Califórnia, para um lugarejo chamado Hollywood. Mas, se a produção foi para lá, o financiamento continuou onde sempre esteve, em Wall Street, e essa sempre foi a lógica por trás do cinema americano. Industrial, capitalista, comercial, ou pelo menos querendo ganhar dinheiro, e muito dinheiro ele ganhou. Esse sistema, criado pelo status quo, também serviu ao status quo, e a ideologia fez com que os americanos criassem o star system, no qual atores, transformados em estrelas, eram o que havia de mais importante e bem pago. Atores, normalmente, não são quem cria os filmes ou escrevem as suas falas. Assim, são menos perigosos do que escritores, roteiristas, diretores, cujas simpatias poderiam até mesmo estar - horror - com as esquerdas. Precisavam ser neutralizados, e foram.

Isso não significa que o sistema americano não pudesse produzir grande cinema. Ele sempre fez isso, e o faz hoje, quase como ninguém. A única questão é que esses não são os filmes que o Oscar premia, por todos os motivos descritos nessa coluna. Um exemplo, nesse ano de 2011, foi que o insípido, mesmo que bonito, Discurso do Rei foi o grande vencedor. Do outro lado, tínhamos ótimos filmes como a Rede Social, Bravura Indômita ou Inverno da Alma, todos muito melhores do que o vencedor. Não ganharam, e nunca iriam ganhar, porque a lógica é outra. Hollywood premia uma estética, e ela é, acima de tudo, comportada, e não deve estragar o seu dia ou a sua pipoca, enquanto assiste.

O que Hollywood representa é a monarquia transposta para telas e tapetes. Ela oferece o intangível. Ela cria os seres maiores do que eles mesmos, os chama de estrelas e coloca a todos no tapete, uma vez ao ano, para que bilhões de espectadores possam perder o fôlego diante deles. Iluminação, fotografia, cinematografia, produção, tecnologia, tudo se une na criação desses deuses, que são trazidos à Terra de tempos em tempos para serem melhor adorados. Isso, e isso sim, é Hollywood.

De troco, os americanos, e Hollywood, produzem o que é, longe, a melhor qualidade técnica e narrativa, a maior gama de temas e abordagens, mesmo que o Oscar premie conflitos contidos, mensagens de paz entre o mundo e o capital, e ordem, acima de tudo.

Atores e atrizes, regiamente pagos, topam participar, felizes com o resultado e com suas imagens multiplicadas pelo mundo todo. Produtores se divertem quase tanto quanto os banqueiros que os financiam. Diretores não têm lá muita escolha, é pegar ou largar, e, a maioria, pega. O resultado é o que deve ser: perfeição a la Hollywood , onde ninguém vai ao banheiro, ilhas não têm mosquitos e, durante o sexo, todos chegam ao orgasmo ao mesmo tempo. Igualzinho ao mundo real e é disso que o Oscar gosta; isso é o que é celebrado. Arte é coisa muito menos confiável do que beldades sobre um tapete vermelho. Arte, quando se vê, é na exceção americana e nos filmes estrangeiros, que seguem outra lógica e são premiados de maneira segura.

E a verdade é que não vivemos mais a época dos grandes festivais, onde se debatia e definia o cinema. Hoje, os sistemas de aprovação, de legitimação do que seja a arte no cinema parecem ter se deslocado para longe dos festivais, e para mais perto da internet.

O Oscar permanece como a grande festa da indústria - que poderia ser bancária, aeroespacial, e é cinema por detalhe e por isso a festa tem o jeito que tem. Hollywood é um espaço para a criação do real mais real do que a realidade, e nem a realidade, nem os filmes, devem atrapalhar a perfeição construída em 83 anos de Oscar. A nós, cabe o papel de sempre, de admirar, comentar, debater quem vai vencer nesse ano, ou no ano que vem, quando isso, na verdade, não faz, e como poderia fazer - a menor diferença.

quinta-feira, 3 de março de 2011

As influências do Oscar


Acho curioso o efeito causado pelo Oscar nas pessoas. Antes de mais nada é importante deixar claro que o evento, em anos anteriores, era muito mais charmoso. Não que tenha perdido seu glamour. Apenas tornou-se mais comercial do que deveria, com muitas paradas desnecessárias e divulgação explícita de bens de consumo (moda e joalheria), quase que parecendo um canal de compras.

De qualquer forma, quando um filme ganha o Oscar, ele ganha mais do que isso, como uma condição especial. Como se fosse um dever assisti-lo. E os espectadores caem nessa. Ganhou? Então é bom!

Claro que muitos filmes premiados são interessantes, mas a crítica deve servir para incitar as pessoas a assitirem uma produção, apresentando argumentos que justifiquem essa decisão, e não exigir que todos já o julguem como um ótimo filme ou um longa imperdível. O vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2010, Guerra ao Terro, por exemplo, é um dos filmes mais sem graça que vi nos últimos tempos, porém ganhou o prêmio, e com isso se tornou um daqueles filmes que deve ser assistido.

O que acontece, é que as pessoas justificam a audiência de um filme ao fato de ele ter ganho o prêmio. Todos estão assistindo... por que? Porque ganhou o Oscar. Mas afinal de contas, o filme realmente é bom?

Com isso, a distribuição de DVDs também agradece. O que se percebe é que locadoras e lojas enchem seus espaços com filmes vencedores, e quase não sobra lugar para aqueles que nem sequer competiram. O mesmo acontece nas salas de cinemas. Aquele filme que ganhou o Oscar fica semanas em cartaz, enquanto alguns outros quase passam despercebidos.

Por fim, é criado um culto ao filme do caneco, mas os bons filmes, de fato, muitas vezes não são comentados e acabam esquecidos no limbo da sombra do Oscar. Para o evento, sobra o espetáculo cheio de pessoas lindas e exuberantes, com discursos prontos, piadas desajeitadas, e em muitas das vezes, um exagerado sentimentalismo, sem contar a cara de surpresa daqueles que nem imaginavam que poderiam ganhar o prêmio. Será?

Em tempo... vale o destaque (não necessariamente positivo) para a dupla responsável pelos comentários, Rubens Ewald Filho e Chris Nicklas e a tradutora oficial na versão brasileira (me perdoe, mas não consegui encontrar o nome dela). Será que não é hora de uma reciclagem? Ou quem sabe dar uma mudada? Não sei quanto a vocês, mas na minha opinião, a já cansativa premiação do Oscar fica ainda mais chata com esse trio. Mesmo sendo grande fã do trabalho de Rubens, acho que ele poderia ser mais solto e fugir um pouco do roteiro quadrado do evento.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

'O discurso do rei' vence filme, ator, diretor e roteiro original no Oscar


O filme "O discurso do rei" foi o grande vencedor da 83ª edição do Oscar, realizada na noite deste domingo (27) em Los Angeles. Indicado em 12 categorias, o longa-metragem de Tom Hooper saiu da cerimônia com quatro das principais estatuetas, incluindo a mais cobiçada: melhor filme, ator, diretor e roteiro original.

Principal rival de "O discurso do rei" na premiação, "A rede social", de David Fincher, recebeu três troféus: roteiro adaptado, trilha original e edição.

Como já se esperava, "A origem", de Christopher Nolan, dominou os chamados prêmios técnicos da noite, levando os Oscars de efeitos visuais, fotografia, mixagem e edição de som. O longa também estava indicado ao prêmio de melhor filme e direção, entre outros.

Concorrendo na categoria documentário, a coprodução Brasil/Reino Unido "Lixo extraordinário", sobre o trabalho do artista Vik Muniz com catadores do aterro do Gramacho, não levou a estatueta. O troféu ficou com "Trabalho interno" ("Inside job", no original), que joga luz sobre a grave crise financeira dos Estados Unidos de 2008.

'Meus homens e minha mãe'Ao receber o prêmio como melhor diretor, Hooper agradeceu aos "homens de meu triângulo amoroso: Colin Firth, Geoffrey Rush e eu". "Só estou aqui por causa de vocês... espero que essa referência não a deixe com ciúmes", completou dirigindo-se a Helena Bonham Carter, que faz o papel da Rainha Mãe em "O discurso do rei".

O diretor também agradeceu a seus pais, em especial à mãe. "Em 2007, minha mãe, que é australiana, foi convidada para ir a uma leitura de uma peça em Londres que não tinha sido produzida nem ensaiada de 'O discurso do rei'. Ela quase não foi, mas graças a Deus acabou indo e quando voltou para casa falou: 'Tom, eu acho que encontrei o seu próximo filme'. Com isso dedico [este prêmio] a você. E a moral da história é: escute a sua mãe."

O gago e a bailarina

" O discurso do rei" também garantiu o prêmio de melhor ator a Colin Firth, por sua interpretação do rei gago George VI. Aparentemente emocionado, o ator britânico não gaguejou em seu discurso de agradecimento, mas brincou: "Estou com um mal-estar no estômago, uma coisa que parece que está dançando na minha barriga. Talvez isso seja problemático, se isso descer para minhas pernas e eu ainda estiver no palco."

Natalie Portman confirmou o favoritismo e venceu a estatueta de melhor atriz por "Cisne negro". Grávida de seu primeiro filho e chorando muito, a atriz agradeceu à toda equipe do filme e principalmente a seu companheiro, o coreógrafo Benjamin Millepied, que a treinou para o filme. "Ele me deu o papel mais importante da minha vida", disse.

As categorias de ator e atriz coadjuvantes foram ambas de "O vencedor", para Melissa Leo e Christian Bale.A animação "Toy story 3", outra que concorria à estatueta de melhor filme, venceu o prêmio de longa-metragem animado e também canção original, por "We belong together". A versão de Tim Burton para "Alice no País das Maravilhas" também levou dois: figurino e direção de arte.




Confira a seguir a lista completa de vencedores do 83º Oscar:

Melhor direção de arte- "Alice no País das Maravilhas"
Melhor fotografia- "A origem"
Melhor atriz coadjuvante:- Melissa Leo – “O vencedor”
Melhor curta-metragem de animação- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman
Melhor longa-metragem de animação:- "Toy story 3"
Melhor roteiro adaptado- “A rede social”
Melhor roteiro original- “O discurso do rei”
Melhor filme de língua estrangeira- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)
Melhor ator coadjuvante- Christian Bale – “O vencedor”
Melhor trilha sonora original- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross
Melhor mixagem de som- "A origem"
Melhor edição de som- "A origem"
Melhor maquiagem- "O lobisomem"
Melhor figurino- "Alice no País das Maravilhas"
Melhor documentário em curta-metragem"Strangers no more"
Melhor curta-metragem- "God of love"
Melhor documentário (longa-metragem)- "Trabalho interno"
Melhores efeitos visuais- "A origem"
Melhor edição- "A rede social"
Melhor canção original- "We belong together", de "Toy story 3"
Melhor diretor- Tom Hooper – “O discurso do rei”
Melhor atriz- Natalie Portman – “Cisne negro”
Melhor ator- Colin Firth – “O discurso do rei”
Melhor filme- “O discurso do rei”

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Saiba como entrar na Academia e vencer o Oscar de melhor filme

Política e matemática. Os flashes e as lágrimas são o que todo mundo vê no tapete vermelho e no palco do Oscar 2011, mas, nos bastidores da festa, o que norteia a premiação são a frieza dos números e o corporativismo dos profissionais da indústria do cinema. No segundo ano em que 10 concorrentes disputam o prêmio de melhor filme, muita gente ainda não conhece a fórmula complexa que permite que o segundo colocado favorito da maioria, por exemplo, ganhe a principal estatueta da noite.

Antes, no entanto, é preciso entender quem faz parte desse time da Academia de Hollywood, responsável por organizar e entregar o Oscar. Formada por mais de 6 mil membros, a entidade é um clube de "notáveis" e não tem tanto peso corporativo (para isso servem os sindicatos). Ela é dividida em 15 setores, de acordo com cada área da indústria cinematográfica, como atores, diretores, documentaristas e técnicos de efeitos especiais. Não é possível ser sócio de mais de um setor – se o sujeito é ao mesmo tempo ator, diretor e roteirista, será escolhido para participar de apenas um desses times particulares.

Ser indicado a um Oscar ajuda muito, mas não é garantia da carteirinha de sócio. Para entrar na Academia, o primeiro passo é ter uma boa relação com os colegas. Isso porque o processo de seleção é sempre o mesmo: o candidato precisa ter dois "padrinhos" em sua área, que defendam seu nome e o apresentem à diretoria do setor.

Se apoiada, a candidatura vai adiante e é avaliada pelo Conselho da Academia, uma espécie de Senado formado pela presidência – encabeçada atualmente pelo executivo Tom Sherak e seu vice, Sid Ganis, que já foi quatro vezes presidente – e por representantes eleitos. Esse pequeno grupo (menos de 10% do total de associados) avalia se o candidato representa os "altos padrões" da Academia ou tem uma contribuição importante ao cinema. Se for o caso, parabéns, o convite chega às mãos do felizardo (que talvez nem estivesse a par desse processo todo), assim como a cobrança da anuidade de 250 dólares.

Em 2011, coincidentemente, a diretora da área de atores da Academia – a mais populosa, com 1.183 sócios – é uma das indicadas a melhor atriz: Annette Bening, protagonista de "Minhas Mães e Meu Pai". Uma votação em massa dos associados pode fazer com que ela surpreenda a favorita Natalie Portman, de "Cisne Negro", e leve para casa a estatueta. Uma manobra política, portanto, que tem peso ainda maior no momento de definir os indicados.

No final de dezembro, cada associado envia uma lista de cinco concorrentes, em ordem de preferência, de sua área de atuação: roteiristas votam em roteiro, atores nos prêmios de interpretação, maquiadores em maquiagem e assim por diante. Todos os associados, no entanto, informam seus preferidos a melhor filme. A partir disso, chega-se à lista final de indicados que disputam a estatueta – a exceção fica por conta de melhor filme estrangeiro e longa-metragem de animação, selecionados por comitês específicos.

Já na hora de escolher os vencedores, dois meses depois, os membros votam em todas as categorias, apesar de nenhuma delas ser obrigatória – a princípio, é possível deixar algumas em branco, embora dificilmente isso aconteça. Assim, um maquiador pode opinar em outros prêmios técnicos, como edição e direção de fotografia, além dos principais. Em apenas cinco categorias é preciso comprovar ter visto todos os concorrentes: curta-metragem e curta de animação, documentário em longa e curta-metragem e filme estrangeiro.

A grande mudança do ano passado, com dez finalistas ao Oscar de melhor filme, é que, em vez de apenas marcar um "X" em seu favorito, o votante numera por ordem de preferência, de 1 a 10, todos os indicados, começando por seu filme predileto (1) e terminando com aquele que menos gostou (10).

As últimas cédulas foram enviadas aos eleitores no dia 02 de fevereiro e recebidas até o dia 22. Tudo é feito de forma manual, tanto o voto dos membros quanto a apuração: a Academia continua abrindo mão da tecnologia para garantir que os resultados finais, manejados por auditores, estejam ao alcance de poucos.

Sistema preferencial: o quebra-cabeças

Até 2009, ganhava o Oscar o indicado com o maior número de votos. Isso continua valendo para todas as categorias, exceto para o prêmio de melhor filme, o mais importante da festa. Com dez candidatos no páreo, a Academia achava arriscado que uma produção com apenas 11% de apoio pudesse, apesar de bastante improvável, ganhar a estatueta. Assim, a empresa responsável pela auditoria do prêmio decidiu adotar o complexo sistema de preferências.

Grosso modo, funciona da seguinte forma: na apuração, a empresa monta dez pilhas de votos, separando-as de acordo com os filmes que tiveram a nota máxima, ou seja, uma pilha para as cédulas com "O Discurso do Rei" na primeira posição, outra com "Cisne Negro", outra com "A Rede Social", até todas estarem divididas.

O próximo passo é eliminar a pilha com o menor número de cédulas, redistribuindo os votos a partir do filme na segunda posição em cada uma delas. Caso um filme que tenha sido descartado esteja na segunda posição, usa-se aquele que está na terceira, e assim por diante. Esse procedimento se repete até que a pilha de um dos filmes tenha 51% do total de cédulas recebidas, que será o ganhador.

Essa técnica permite, por exemplo, que o filme na segunda posição da maioria dos votantes seja o grande vencedor da noite – é só ir eliminando as pilhas que se chega lá. Pode parecer complexo e até injusto, mas o sistema preferencial é utilizado atualmente nas eleições municipais de algumas cidades dos Estados Unidos e de forma geral na Austrália. Muita gente defende sua efetividade, em especial os auditores da PricewaterhouseCoopers, que zelou pela segurança do Oscar em 77 de seus 83 anos.

"Quando há 10 concorrentes para um prêmio específico, a vantagem do sistema preferencial é que ele realmente mede a profundidade do apoio entre os todos votantes", garantiu o auditor Rick Rosas à Associated Press. "A chave é sempre ter o maior número de votos na primeira posição, porque isso dá uma probabilidade maior de vitória. Os votos em segundo ou terceiro lugar podem nunca vir à tona, dependendo de quem ficou em primeiro."

Por Marco Tomazzoni, em 23/02/2011, no link http://ultimosegundo.ig.com.br/oscar/saiba+como+entrar+na+academia+e+vencer+o+oscar+de+melhor+filme/n1238096874423.html

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Oscar 2011: Bom-humor e ansiedade marcam tradicional almoço

Los Angeles (EUA.), 7 fev (EFE).- O ambiente descontraído marcou o tradicional almoço dos indicados ao Oscar, realizado na segunda-feira em Los Angeles.

O espanhol Javier Bardem foi um dos primeiros a chegar ao hotel Beverly Hilton, onde aconteceu o encontro, no qual estiveram presentes os principais favoritos ao prêmio que será entregue em 27 de fevereiro, entre eles Colin Firth, Natalie Portman e Melissa Leo.

Bardem, candidato à láurea de melhor ator por seu papel em "Biutiful", declarou que foi "um presente incrível" o apoio dado por Julia Roberts, Sean Penn e Michael Mann ao filme nos Estados Unidos.

Apesar de ter experiência no Oscar, já que foi indicado em outras duas oportunidades, Bardem confessou que a candidatura é especial nesta ocasião pelo fato de ser um trabalho realizado em sua língua materna.

O britânico Colin Firth ("O Discurso do Rei") brincou sobre a importância do Oscar na carreira dos atores, e Natalie Portman ("Cisne Negro") criticou a demasiada importância atribuída à sua gravidez.

"É deprimente que isso tenha se transformado no tema de conversa em lugar do próprio filme", se queixou a favorita para o prêmio de melhor atriz.

Já a mais jovem entre as atrizes candidatas, Hailee Steinfeld ("Bravura Indômita"), reconheceu à imprensa que não esperava concorrer ao Oscar um dia.

"Nunca pensei que estaria aqui, isto é incrível", comentou a atriz de 14 anos, demonstrando sentimento semelhante ao de Jesse Eisenberg, que concorre a melhor ator por "A Rede Social".


Tenho a sensação de que não pertenço a este lugar, mas falo com gente que acho que merece estar aqui e me dizem que sentem o mesmo", disse Eisenberg.

O mesmo nervosismo não tomou conta de Jeff Bridges, que chega na edição 2011 do Oscar à sua sexta indicação, desta vez por "Bravura Indômita".

Por sua parte, James Franco, candidato a melhor ator por "127 Horas" e apresentador da gala de 27 de fevereiro junto a Anne Hathaway, aproveitou para antecipar que a cerimônia combinará "o novo e o velho" para atrair os espectadores de todas as idades.

O menu degustado pelas estrelas de Hollywood nesta segunda-feira teve como aperitivo uma salada de queijo de cabra, uma variedade de entradas, entre elas batatas recheadas com caviar, e bacalhau como prato principal.

Em 08/02/2011, da Agência EFE, no link http://cinema.yahoo.net/noticia/carregar/titulo/bom-humor-e-ansiedade-marcam-tradicional-almo-o-pr-oscar/id/29567

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OSCAR 2011: Nolan puxa a fila de esquecidos



Desde que o sucesso internacional de "Amnésia" (2000) fez sua carreira decolar, o diretor e roteirista inglês Christopher Nolan repaginou a franquia Batman, em "Batman Begins" (2005) e "O Cavaleiro das Trevas" (2008), e conjugou efeitos de última geração a uma história espiralada em "A Origem" (2010), um dos grandes sucessos da última temporada. De quebra, ainda dirigiu um roteiro alheio (e um excelente trio de atores -- Al Pacino, Robin Williams, Hilary Swank) no lúgubre "Insônia" (2002).

Por esse currículo expressivo, Nolan é um dos principais diretores em atividade na indústria dos Estados Unidos, certo? Para a Academia de Hollywood, a resposta ainda é "mais ou menos". Somados, os cinco filmes acima receberam 19 indicações para o Oscar -- duas para "Amnésia" (uma para Nolan, pelo roteiro original), uma para "Batman Begins", oito para "O Cavaleiro das Trevas" (que levou dois Oscar) e mais oito para "A Origem" (duas para Nolan, pelo roteiro original e como co-produtor).

A nova ausência de Nolan entre os diretores que disputam o Oscar chama a atenção por demonstrar como a Academia, embora rejuvenescida na última década, continua a tratar espetáculos de diversão com algum preconceito. Curiosamente, um dos três indicados pela primeira vez nessa categoria é Darren Aronofsky ("Cisne Negro"), que começou a trabalhar na repaginação de Batman e foi dispensado. Os outros dois, Tom Hooper ("O Discurso do Rei") e David O. Russell ("O Vencedor"), têm carreira bem mais discreta do que a de Nolan.

Não há problema entre os próprios colegas: Nolan já disputou o prêmio do DGA (Directors Guild of America), o sindicato dos diretores, por "Amnésia" e "O Cavaleiro das Trevas", e está novamente na briga por "A Origem" (ocupando vaga que, no Oscar, ficou com os irmãos Coen por "Bravura Indômita"). Se ele vencer, será apenas a sétima vez desde a criação do prêmio do sindicato, em 1948, que o eleito pelo DGA não coincide com o vencedor do Oscar -- a mais recente foi em 2002, quando Rob Marshall ("Chicago") teve a preferência do sindicato e Roman Polanski ("O Pianista"), a da Academia.

Nolan, 40 anos, sabe que o Oscar de direção tem seus caprichos. Steven Spielberg estava com 47 anos quando finalmente levou a estatueta para casa, na quinta indicação, por "A Lista de Schindler" (1993), e 52 anos quando repetiu a dose, por "O Resgate do Soldado Ryan" (1998). Martin Scorsese estava com 64 anos quando se emocionou ao receber afinal o prêmio, na sexta indicação, por "Os Infiltrados" (2006). Alfred Hitchcock, Howard Hawks e Stanley Kubrick, três dos maiores cineastas na história de Hollywood, jamais receberam o Oscar da categoria em que foram mestres incontestáveis.

Por falar em Scorsese, "Ilha do Medo" -- que teve boa recepção de público, em 19º no ranking de bilheteria da temporada -- ficou sem nenhuma indicação. Dos 20 maiores sucessos do ano nos Estados Unidos, apenas três disputam o Oscar em categorias importantes: "Toy Story 3", o número 1, deve faturar o Oscar de longa de animação; "A Origem", o quinto no ranking, e "Bravura Indômita", o 17º, disputam o Oscar de melhor filme.

"Um Lugar Qualquer", de Sofia Coppola, que recebeu o Leão de Ouro em Veneza e deve estrear no Brasil na próxima sexta-feira (28), também passou em branco nas indicações, assim como o francês "Carlos", de Olivier Assayas, que alguns críticos norte-americanos gostariam de ver entre os 10 candidatos a melhor filme, além de apostarem na indicação do venezuelano Édgar Ramírez para o Oscar de melhor ator. Mas, se havia uma "vaga latina" nessa categoria, ela foi ocupada por um vencedor do Oscar, o espanhol Javier Bardem ("Biutiful").

Aliás, as 20 vagas para atores e atrizes são as que costumam criar, inevitavelmente, a maior lista de esquecidos. Neste ano, a imprensa dos Estados Unidos acreditava em indicação para Michael Douglas (por "O Solteirão" ou "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme"), que enfrenta problemas graves de saúde, quase sempre um apelo ao qual a Academia não resiste. Leonardo DiCaprio ("Ilha do Medo" e "A Origem"), Matt Damon ("Bravura Indômita"), Barbara Hershey ("Orquídea Negra"), Pierce Brosnan ("O Escritor Fantasma"), Robert Duvall ("Get Low"), Vincent Cassel ("Inimigo Público nº 1") e Halle Berry ("Frankie e Alice") também estavam entre os possíveis candidatos que não chegaram à relação final.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

OSCAR 2011: Sai lista dos candidatos a Efeitos Visuais

Foi divulgada a lista dos 15 possíveis candidatos a uma vaga aos indicados ao Oscar 2011 na categoria Efeitos Visuais.

No início de janeiro, uma comissão dos membros da Academia escolherá os sete semifinalistas.
Os cinco indicados para concorrer a uma estatueta serão conhecidos no dia 25 de janeiro.

A cerimônia do 83o Oscar será realizada em 27 de fevereiro, em Los Angeles, no teatro Kodak.

Confira a lista dos 15 concorrentes nesta primeira etapa:

- Alice no País das Maravilhas
- As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
- Fúria de Titãs
- Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1
- Além da Vida
- A Origem
- Homem de Ferro 2
- O Último Mestre do Ar
- Percy Jackson e o Ladrão de Raios
- Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo
- Scott Pilgrim contra o Mundo
- Tron: O Legado
- O Aprendiz de Feiticeiro
- Ilha do Medo
- Incontrolável