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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Tron - O Legado



Acho que das pessoas que conheço, eu sou o único que deve ter gostado do filme Tron de 1982. Adorava aquelas cenas malucas das motos que se estropiavam em paredes que surgiam da "fumaça" do inimigo. E o filme, tirando esse detalhe técnico engraçadinho, nem era tão grande coisa. O mesmo acontece com a sua pseudo continuação. Tirando um detalhe gráfico mais eficiente aqui ou ali, o filme não acrescenta muita coisa. E para piorar, as fantásticas motos viraram mero detalhe na produção.

Creio que seja uma questão de trama, que vamos falar honestamente, não existe. A história é fraca, e sem elementos que a enriqueçam, só tende a piorar. Elementos gráficos e efeitos especiais ajudam. Mas em um filme sem cor, com elenco pequeno e personagens sem apelo, pouco podem fazer pela produção.

O resultado disso é um filme repetitivo, lento, chato, e que não consegue se destacar em quase nada. Claro, um efeito mais interessante sempre se destaca em algum ponto, mas nada que já não tenha sido utilizado em outras produções.

O filme conta que depois do desaparecimento de Kevin Flyyn (Jeff Bridges), seu filho Sam (Garret Hedlund) cresceu criado pelos avós e longe da empresa de tecnologia que havia herdado - tentando boicotá-la, liberando segredos da empresa para uso gratuito na internet. Certo dia, na sala onde Kevin costumava guardar videogames, Sam descobre uma passagem secreta que o leva ao mundo cibernético. Sam terá de travar lutas com programas de computação para garantir a própria sobrevivência e tentar encontrar seu pai.

Não é uma produção fantástica, em nada. Jeff Bridges, em seus dois papéis no filme não empolga. E essa bobagem de filho que segue o legado do pai é uma grande idiotice. As cenas de batalha ou luta são visualmente bonitas, mas totalmente previsíveis.

Enfim, se você já não gostava do primeiro, dificilmente se sentirá satisfeito com essa continuação. E se você não conhece ou conheceu a versão de 82, também não se empolgará com essa versão atualizada. O filme é fraco, sem sentido, lento, e desnecessário. Para os curiosos, vale a dica para assistirem de coração e mente abertos. Mesmo assim, o resultado poderá decepcionar.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Joseph Kosinski
Elenco: Michael Sheen, Jeff Bridges, Olivia Wilde, John Hurt, Garrett Hedlund, Serinda Swan, James Frain, Bruce Boxleitner.
Produção: Sean Bailey, Steven Lisberger, Jeffrey Silver
Roteiro: Edward Kitsis, Adam Horowitz
Fotografia: Claudio Miranda
Trilha Sonora: Daft Punk
Duração: 127 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Ficção Científica
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney
Classificação: 10 anos

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

OSCAR 2011: Sai lista dos candidatos a Efeitos Visuais

Foi divulgada a lista dos 15 possíveis candidatos a uma vaga aos indicados ao Oscar 2011 na categoria Efeitos Visuais.

No início de janeiro, uma comissão dos membros da Academia escolherá os sete semifinalistas.
Os cinco indicados para concorrer a uma estatueta serão conhecidos no dia 25 de janeiro.

A cerimônia do 83o Oscar será realizada em 27 de fevereiro, em Los Angeles, no teatro Kodak.

Confira a lista dos 15 concorrentes nesta primeira etapa:

- Alice no País das Maravilhas
- As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
- Fúria de Titãs
- Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1
- Além da Vida
- A Origem
- Homem de Ferro 2
- O Último Mestre do Ar
- Percy Jackson e o Ladrão de Raios
- Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo
- Scott Pilgrim contra o Mundo
- Tron: O Legado
- O Aprendiz de Feiticeiro
- Ilha do Medo
- Incontrolável

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

'Tron: O Legado' consegue romper as fronteiras da imagem

Muito antes da Matrix, havia o Grid. Muito antes do play, havia o bit. E muito, muito tempo antes de tudo que entendemos hoje como realidade virtual, havia Tron. A gênese do nome conta que ele nasceu para batizar um software de segurança. Este programa terminou servindo de condutor para a encruzilhada em que nos encontramos hoje, aquela que coloca frente a frente, como num filme de faroeste, o mundo do lado de fora e de dentro de um circuito de computador. Mas Tron virou algo maior. Não era só um filme em 1982, quando chegou aos cinemas. E não é só um filme em 2010, quando retorna às telas. Tron sempre foi, e sempre será, uma marca (ideia que costuma ser decodificada como "experiência"). E é assim que a Disney, proprietária dessas poderosas quatro letras, vem divulgando aquele que promete ser seu mais rentável lançamento das férias de fim de ano.

Tron: O Legado é mais um produto dessa marca que pressupõe tecnologia de ponta e expressões publicitárias como "rompimento de fronteiras digitais", palavras que, ditas na voz grave de Jeff Bridges, parecem ecoar como profecia em nossos ouvidos. Teoricamente, estamos falando de uma sequência do Tron que estreou em 1982. Naquela época, quando foi introduzido ao público a ideia de que havia um mundo de vontades próprias entre programas de computador, os games eram uma construção gráfica bidimensional, a internet era um conceito distante aos usuários civis e, portanto, toda essa nossa vivência online era algo de ficção científica.

Portanto, em teoria, essa é uma continuação. Na prática, este é o Tron que o diretor Steven Lisberger quis fazer em 1982, mas no contratempo da tecnologia que ainda não existia, teve que esperar a virada de milênio para convencer a Disney a produzir "a" imagem, "a" luz, "a" trilha que iria, de fato, romper as tais "fronteiras digitais" ou, se preferir, a sua pupila e tímpano.
Portanto, ao fechar das cortinas, o filme Tron: O Legado será lembrado como uma incrível experiência visual e sonora, com cenas de ação de fazer muita gente se contorcer na cadeira, uma trilha virtuosa e impactante do Daft Punk, e uma trama repleta daquelas explicações científicas que soam como klingon aos ouvidos humanos.

Desconhece o significado de klingon? Não tem problema, para entender o conflito desse filme, basta saber identificar a índole dos personagens segundo a cor da luz que eles vestem. Portanto, ainda que tenha um roteiro coeso com um certo sentido de ser e, vá lá, uma sutil mensagem sobre nossa relação com a tecnologia - algo fresco lá no começo dos anos 1980, mas já bastante gasto em 2010 -, Tron: O Legado, co-produzido por Lisberger, mas dirigido por um jovem diretor que tinha apenas 8 anos quando o primeiro filme foi lançado, será para sempre lembrado como um filme-design. E não, não há nada de mal nisso.

Joseph Kosinski, o diretor desta superprodução, estreia no comando de um longa-metragem. A categórica escolha de seu nome se deve ao fato de que seu currículo é meritório em dirigir trailers de games badalados como Halo 3 e Gears of War. Em outras palavras: Kosinski não é muito acostumado a contar histórias, mas sabe lidar com computação gráfica como poucos profissionais do mundo. A trama em si é toda construída pelos roteiristas Edward Kitsis e Adam Horowitz (autores de vários episódios de Lost) e, claro, por essa entidade maior chamada Disney que, talvez prevendo que Tron: O Legado possa se transformar em algo próximo à saga Star Wars (despretensão não é o forte aqui), coloca como fundamento da história a o desenvolvimento da relação pai-e-filho.

Jeff Bridges, que lá nos anos 1980 ainda dava pinta de garotão com seus cabelos levemente cacheados, faz uma paródia de si mesmo como o "mestre zen" preso em uma realidade virtual que, apesar de ter sido sua cria, não mais lhe diz respeito. Aliás, há uma conveniente piada com a "coisa zen" do "Dude" que serve como ótimo deslocamento do ator diante de seu personagem, e alivia um pouco a pressão de toda a seriedade pós-apocalíptica do filme. Mas Bridges, além de Obi-Wan Kenobi, é também Darth Vader. Explica-se: o ator se duplica no filme como Kevin Flynn, o usuário que programou aquele universo, e Clu, um programa codificado por Flynn, criado à sua própria imagem para, tal qual um Jesus, construir ele próprio o sistema perfeito, sem bugs, vírus ou pecados. Não sabe ele que a procura pela perfeição está a sempre um passo do desvio de conduta.

Sam (um Garrett Hedlung que cumpre bem seu papel) é, portanto, o novo Luke Skywalker cuja força interna ele só vai descobrir no momento certo. Ao cruzar esse portal meio buraco de Alice, meio Caverna do Dragão, ele vai logo conhecer uma moça de impactantes olhos azuis. Na sequência do raciocínio, Quorra (uma Olivia Wilde que sabe brigar com estilo), a única personagem feminina relevante da trama, se projeta como uma possível candidata a Princesa Léia do gênero ficção científica - ainda que sua performance de combate esteja mais próxima da Trinity de Carrie Anne Moss em Matrix. Discípula e única aliada de Kevin Flynn, Quorra surge em cena como mais um programa, mas logo se revela como peça-chave de todos os conflitos da trama.

Kevin envelheceu tal como Jeff Bridges. Já Clu tem a mesma idade que o ator tinha no filme de 1982. E não há botox, cápsulas de colágeno e Dr. Hollywood que consiga fazer o que a computação gráfica faz. Eis então que, graças a softwares, vemos o oscarizado Bridges interpretando ele mesmo em seus 30 e poucos anos, sem rugas, marcas do tempo e com uma expressão um tanto travada pelas limitações de tudo aquilo que no lugar de criar, emula. Clu é Jeff Bridges sem vícios e, portanto, reproduz bem essa ideia de estamos diante de um ator que perdeu sua alma ao se transformar em um programa de computador.

O inevitável reencontro entre pai e filho se dará, portanto, nesse ambiente desenhado por luzes, um tipo de Império Romano com arquitetura de laboratório espacial, se é que tal coisa existe. Nessa terra cuja interação se dá apenas entre programas, Clu é imperador e, fazendo jus ao posto,se entretém assistindo a duelos desses novos gladiadores digitais, cujas espadas e escudos são motos e discos de memória que vão e voltam como bumerangues em batalhas sempre fatais para algum dos envolvidos.

Não é preciso ser um perito em cinema para saber que são justamente essas cenas que farão computar a esperada boa bilheteria do filme. Nesse aspecto, Tron: O Legado acerta lindo em seu objetivo. E lindo aqui não é apenas um adjetivo que caiu de pára-quedas no meio da sentença. O filme é belo e, como pontua o filósofo Umberto Eco, belo é um conceito que há séculos vem sendo incrustado em nosso inconsciente como sinônimo de bom. Portanto, sem medo de incorrer em um erro socialmente histórico, Tron: O Legado, é bom porque é belo. Ou, como diria outro teórico da modernidade, Marshall McLuhan, se "o meio é a mensagem", o roteiro deste novo título da Disney é sua própria e bem trabalhada imagem.

Por Carol Ameida, em 06/12/2010, no link http://cinema.terra.com.br/interna/0,,OI4829399-EI1176,00-Tron+O+Legado+consegue+romper+as+fronteiras+da+imagem.html