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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Até que os parentes nos separem


Você já deve ter esbarrado neste filme em algum momento da sua vida. Ele não é nenhum grande lançamento, ou um clássico do cinema, mas é um filme com 9 anos de estrada, com cara de produçõa para a sessão da tarde. Divertido, com alguma graça, mas nada fora de série.

Na verdade, só fui saber que se trata de uma refilmagem agora, ao escrever esse post. Ele é baseado no filme de 1979, Casamento de Alto Risco, com Peter Falk, Alan Arkin, Ed Begley Jr., James Hong e David Paymer.

A nova versão conta com Michael Douglas, Michael Boudnar, Albert Brooks, Boyd Banks e Vladimir Radian em seu elenco. E eles até que vão bem em seus papéis. Conseguem agregar valor à trama, que é totalmente dependente da relação entre seus personagens.

Trata-se de uma produção leve, com boas piadas, roteiro inteligente, com ação e comédia bem delineados. Uma produção que aposta na moral da história e nas confusões criadas por seus personagens. Tudo mais é dispensável e só serve como pano de fundo da trama. Não é um filme que se perde em detalhes desnecessários, sendo bastante dinâmico e que flui de maneira leve e rápida.

No filme, Jerry (Albert Brooks) está envolvido com o casamento da única filha, vivendo dias conturbados. Depois de conhecer os pais do noivo, descobre que Steve (Michael Douglas), o pai, trabalha secretamente para a CIA e está sempre disposto a envolver qualquer um que atravesse seu caminho na resolução dos casos mais perigosos. Sem querer, Jerry acaba se metendo em uma série de confusões.


Uma produção que garante boas risadas e o entretenimento de toda a família. Elenco que funciona bem, com boas atuações. Sem exagerar nos detalhes e deixando o filme fluir de maneira natural e rápida, é uma ótima pedida para qualquer matinê de vídeo. É um filme que entrega exatamente o que promete, boas doses de graça, com um pé em alguns clichês, mas sem exageros.
FICHA TÉCNICA

Diretor: Andrew Fleming
Elenco: Michael Douglas, Michael Boudnar, Albert Brooks, Boyd Banks, Vladimir Radian.
Produção: Bill Gerber, Elie Samaha, Joel Simon, Bill Todman Jr.
Roteiro: Andrew Bergman, Nat Mauldin, Ed Solomon
Fotografia: Alexander Gruszynski
Trilha Sonora: Klaus Baldet, James S. Levine, Paul McCartney, John Powell
Duração: 95 min.
Ano: 2003
País: EUA/ Alemanha
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Franchise Pictures / Further Films

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Wall Street: O dinheiro nunca dorme





Mais um daqueles casos em que a continuação não consegue ter a mesma qualidade de seu filme original. Nesse caso, estamos falando de Wall Street - O dinheiro nunca dorme, continuação de Wall Street - Poder e cobiça. Embora seja uma "continuação", a história não segue a tendência de seguir acontecimentos de seu antecessor, na verdade, mesmo que faça várias menções à outra história, e tenha como um de seus protagonistas o velho Gordon Gekko (Michael Douglas), com suas peripécias capitalistas, a nova versão não pode ser tratada exatamente como sendo uma continuação.


Como em todo filme de Oliver Stone, prepare-se para um show de direção, com uma bela fotografia, e um elenco que vai bem do começo ao fim. Os únicos absurdos são os diálogos longos e algumas vezes desinteressantes, além de alguns acontecimentos excessivamente inocentes (vai me dizer que você transferiria 100 milhões de dólares para o nome de outra pessoa esperando que ela investisse em um novo tipo de energia ecológicamente responsável???).


No mais, é um filme envolvente, pesado, mas com uma trama atual e real. Tenta ainda dar alguns pitacos a respeito da crise financeira que atingiu o planeta em 2008, mas no fundo, mais uma vez se arrisca no campo do politicamente (in)correto, ao trazer a público muitas das sacanagens que rolam em bolsas de valores ou que são feitas por alguns grandes empresários.


No filme, Jacob "Jake" Moore (Shia LaBeouf) é um novato corretor da Bolsa de Valores norte-americana, que está namorando Winnie (Carey Mulligan), a filha de Gordon Gekko (Michael Douglas). Jake acredita que seu chefe, Bretton James (Josh Brolin), teve alguma ligação com a morte de seu mentor. Gekko decide, então, ajudar o jovem Jake em seus planos de vingança.


Destaque mesmo para as grandes interpretações de seu elenco repleto de estrelas. Michael Douglas, Shia LaBeouf, Susan Sarandon, John Brolin, Javier Bardem, e até mesmo Charlie Sheen (protagonista de Wall Street - O poder e cobiça) dão um show durante todo o filme.


Confesso que eu esperava um pouco mais da história, principalmente por causa do seu primeiro episódio. Mesmo assim, se você busca um filme com uma trama envolvente, grandes atuações e diálogos que exigem bastante da sua atenção, esse filme é feito especialmente pra você. Uma grande pedida para quem busca um filme mais "cabeça". Fique longe se espera puro e simples entretenimento.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Oliver Stone
Elenco: Michael Douglas, Susan Sarandon, Shia LaBeouf, Charlie Sheen, Javier Bardem, Frank Langella, Carey Mulligan, Vanessa Ferlito, John Brolin.
Produção: Oliver Stone, Edward R. Pressman, Eric Kopeloff, Michael Douglas
Roteiro: Allan Loeb, baseado na história de Bryan Burrough
Fotografia: Rodrigo Prieto
Trilha Sonora: Craig Armstrong
Duração: 127 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Edward R. Pressman Film
Classificação: 12 anos

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OSCAR 2011: Nolan puxa a fila de esquecidos



Desde que o sucesso internacional de "Amnésia" (2000) fez sua carreira decolar, o diretor e roteirista inglês Christopher Nolan repaginou a franquia Batman, em "Batman Begins" (2005) e "O Cavaleiro das Trevas" (2008), e conjugou efeitos de última geração a uma história espiralada em "A Origem" (2010), um dos grandes sucessos da última temporada. De quebra, ainda dirigiu um roteiro alheio (e um excelente trio de atores -- Al Pacino, Robin Williams, Hilary Swank) no lúgubre "Insônia" (2002).

Por esse currículo expressivo, Nolan é um dos principais diretores em atividade na indústria dos Estados Unidos, certo? Para a Academia de Hollywood, a resposta ainda é "mais ou menos". Somados, os cinco filmes acima receberam 19 indicações para o Oscar -- duas para "Amnésia" (uma para Nolan, pelo roteiro original), uma para "Batman Begins", oito para "O Cavaleiro das Trevas" (que levou dois Oscar) e mais oito para "A Origem" (duas para Nolan, pelo roteiro original e como co-produtor).

A nova ausência de Nolan entre os diretores que disputam o Oscar chama a atenção por demonstrar como a Academia, embora rejuvenescida na última década, continua a tratar espetáculos de diversão com algum preconceito. Curiosamente, um dos três indicados pela primeira vez nessa categoria é Darren Aronofsky ("Cisne Negro"), que começou a trabalhar na repaginação de Batman e foi dispensado. Os outros dois, Tom Hooper ("O Discurso do Rei") e David O. Russell ("O Vencedor"), têm carreira bem mais discreta do que a de Nolan.

Não há problema entre os próprios colegas: Nolan já disputou o prêmio do DGA (Directors Guild of America), o sindicato dos diretores, por "Amnésia" e "O Cavaleiro das Trevas", e está novamente na briga por "A Origem" (ocupando vaga que, no Oscar, ficou com os irmãos Coen por "Bravura Indômita"). Se ele vencer, será apenas a sétima vez desde a criação do prêmio do sindicato, em 1948, que o eleito pelo DGA não coincide com o vencedor do Oscar -- a mais recente foi em 2002, quando Rob Marshall ("Chicago") teve a preferência do sindicato e Roman Polanski ("O Pianista"), a da Academia.

Nolan, 40 anos, sabe que o Oscar de direção tem seus caprichos. Steven Spielberg estava com 47 anos quando finalmente levou a estatueta para casa, na quinta indicação, por "A Lista de Schindler" (1993), e 52 anos quando repetiu a dose, por "O Resgate do Soldado Ryan" (1998). Martin Scorsese estava com 64 anos quando se emocionou ao receber afinal o prêmio, na sexta indicação, por "Os Infiltrados" (2006). Alfred Hitchcock, Howard Hawks e Stanley Kubrick, três dos maiores cineastas na história de Hollywood, jamais receberam o Oscar da categoria em que foram mestres incontestáveis.

Por falar em Scorsese, "Ilha do Medo" -- que teve boa recepção de público, em 19º no ranking de bilheteria da temporada -- ficou sem nenhuma indicação. Dos 20 maiores sucessos do ano nos Estados Unidos, apenas três disputam o Oscar em categorias importantes: "Toy Story 3", o número 1, deve faturar o Oscar de longa de animação; "A Origem", o quinto no ranking, e "Bravura Indômita", o 17º, disputam o Oscar de melhor filme.

"Um Lugar Qualquer", de Sofia Coppola, que recebeu o Leão de Ouro em Veneza e deve estrear no Brasil na próxima sexta-feira (28), também passou em branco nas indicações, assim como o francês "Carlos", de Olivier Assayas, que alguns críticos norte-americanos gostariam de ver entre os 10 candidatos a melhor filme, além de apostarem na indicação do venezuelano Édgar Ramírez para o Oscar de melhor ator. Mas, se havia uma "vaga latina" nessa categoria, ela foi ocupada por um vencedor do Oscar, o espanhol Javier Bardem ("Biutiful").

Aliás, as 20 vagas para atores e atrizes são as que costumam criar, inevitavelmente, a maior lista de esquecidos. Neste ano, a imprensa dos Estados Unidos acreditava em indicação para Michael Douglas (por "O Solteirão" ou "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme"), que enfrenta problemas graves de saúde, quase sempre um apelo ao qual a Academia não resiste. Leonardo DiCaprio ("Ilha do Medo" e "A Origem"), Matt Damon ("Bravura Indômita"), Barbara Hershey ("Orquídea Negra"), Pierce Brosnan ("O Escritor Fantasma"), Robert Duvall ("Get Low"), Vincent Cassel ("Inimigo Público nº 1") e Halle Berry ("Frankie e Alice") também estavam entre os possíveis candidatos que não chegaram à relação final.