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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Paramount focará no digital e não irá mais produzir filmes em película



A Paramount, um dos estúdios de cinema mais importantes de Hollywood, irá parar de produzir filmes em película. A partir de 2014, a empresa trabalhará apenas com o formato digital. De acordo com o portal Filme B, 92% das salas de cinema dos Estados Unidos são digitais.

No Brasil, esta porcentagem cai para 45%, o que pode levar a problemas de distribuição em um futuro próximo, principalmente quando se trata de blockbusters, cuja distribuição vai além dos centros urbanos. Só para citar alguns exemplos, filmes como Homem de Ferro, Missão Impossível e Titanic são da Paramount.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Com ou sem Oscar, Hollywood comemora boas bilheterias em 2012

Os magnatas de Hollywood podem dar mais tapinhas nas costas do que o habitual na cerimônia do Oscar no próximo domingo (24), e não será, necessariamente, por causa das estatuetas douradas.
Os chefes dos estúdios de cinema podem se gabar de um número extraordinariamente elevado de filmes de sucesso em 2012, que elevou as vendas de ingressos pela primeira vez em três anos e interrompeu sete anos de queda livre nas vendas de DVDs e outros produtos de entretenimento em casa.

Mas eles também podem mostrar progresso crucial na sua estratégia de entretenimento em casa, downloads digitais e mídias sociais, além dos acordos de conteúdo de longo prazo lucrativos com novos participantes em cena.

Hollywood pode estar encontrando o equilíbrio certo entre fazer o que as pessoas querem ver, levar até elas de uma maneira que funcione e deixá-las compartilhar sua visão nas mídias sociais.
A indústria do cinema é um ramo cíclico que pode sofrer queda mesmo nos melhores tempos econômicos. Mas a recente onda de sucessos colocou a indústria em alta.

"Os Vingadores", uma reunião de super-heróis dos quadrinhos da Marvel lançado pela Walt Disney Co, arrecadou 623 milhões de dólares em vendas internas e foi um dos cinco filmes de 2012 cuja venda de ingressos superou 300 milhões de dólares, um recorde da indústria, de acordo com a unidade de bilheterias da Hollywood.com. O filme custou cerca de 220 milhões de dólares para ser feito.

Dois outros filmes --o primeiro Batman da Warner Brothers em quatro anos, "O Cavaleiro das Trevas Ressurge", e "Jogos Vorazes", da Lionsgate Entertainment-- superaram cada um 400 milhões de dólares, mais do que qualquer filme lançado em 2011.

Estes três filmes não receberão muita atenção da Academia no domingo e só "Os Vingadores" recebeu uma indicação, de melhores efeitos visuais. Mas, em outro sinal do ano vencedor de Hollywood, seis dos nove concorrentes a melhor filme levantaram ao menos 100 milhões de dólares cada nos cinemas dos EUA e Canadá.

James Bond também retornou de uma ausência de quatro anos e conseguiu cinco indicações ao Oscar. "Skyfall", feito em conjunto pela MGM e Sony Pictures, arrecadou 304 milhões de dólares em vendas de ingressos domésticos e 1,1 bilhão de dólares internacionalmente --mais do que qualquer um dos 24 filmes de James Bond acompanhados pelo Box Office Mojo, e quase o dobro do que o segundo filme do ranking, "Quantum of Solace", arrecadou em 2008.

"Foi um ano fantástico", disse o presidente da Universal Pictures, Adam Fogelson, cujo estúdio fez "Ted" e "Lorax", do Dr. Seuss, ambos com vendas de bilheteria de mais de 200 milhões de dólares. "Dê aos consumidores algo que seja interessante e você ainda pode fazê-los sair de suas casas."
Os cinemas dos Estados Unidos e do Canadá venderam mais de 1,3 bilhão de ingressos em 2012, um aumento de 5,3 por cento e a segunda vez em cinco anos que a venda de ingressos subiu. Isso impulsionou as bilheterias para um recorde de 10,8 bilhões de dólares, alta de quase 5,8 por cento.
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Estúdios monitoram atores-mirins para que eles não falem demais nas redes sociais

Jovens atores de Hollywood têm um novo obstáculo a enfrentar em suas carreiras: executivos de estúdios que patrulham o Twitter, o Facebook e outras redes sociais, ameaçando processar artistas iniciantes que falem demais.

Canais como Disney Channel, Nickelodeon e Cartoon Network costumam monitorar posts do seu elenco para evitar mensagens que atrapalhem seus programas junto às instáveis plateias juvenis, segundo agentes de casting e empresários de atores.

As emissoras ordenam a retirada de postagens que revelem muito sobre personagens, reviravoltas dramáticas e escalação de elenco, ou que ofendam anunciantes. O mesmo vale para jovens atores que buscam a carreira sobre o palco ou no cinema.

Lynn Sher Carol, agente de atores-mirins em Hollywood e na Broadway, afirmou que uma cliente sua perdeu um trabalho depois de divulgar, antes do anúncio oficial, sua escalação para um papel na Broadway.

"Eles retiraram a oferta. Foi devastador", contou. "Enviei um aviso a todos os meus clientes por causa das preocupações dos estúdios e agências de publicidade sobre as redes sociais."

Contratos

Essas restrições na internet valem, naturalmente, também para artistas adultos. A entidade de classe SAG-Aftra, que abrange 150 mil atores, tornou as limitações temas de suas negociações contratuais coletivas, segundo um advogado de agências de propaganda que trabalha com os canais.

"Tentamos ver os tuítes deles. Se vemos coisas que nos preocupam, as abordamos com (os atores)", admitiu a vice-presidente de talentos e elenco do Cartoon Network, Sharon Lieblein, da Time Warner Inc. Ela diz que frequentemente pede a artistas-mirins que apaguem postagens do Facebook ou Twitter.

Um desses casos, disse Lieblein, envolveu uma mensagem em que um jovem astro chamava de "nojenta" a rede de casas de sucos Jamba Juice. "Achei que poderia ser um patrocinador importante", disse ela.

Já o Disney Channel nega ter uma política impositiva, e diz que prefere atuar no treinamento para o uso das redes sociais. "As crianças são o nosso negócio. Sabemos que seu primeiro instinto é ir para as redes sociais", disse a vice-presidente de talentos, elenco e relações com talentos, Judy Taylor.

Recentemente, a Disney instruiu os atores de "Good Luck Charlie" a não darem pistas sobre os planos para a chegada de um novo bebê à família de protagonistas. Taylor disse que a emissora sempre repete sua orientação de "pensar antes de tuitar". "Essas coisas já aconteceram no passado, e por isso têm acontecido cada vez menos agora."

O Nickelodeon, do grupo Viacom, afirmou que suas políticas evoluíram conforme as redes sociais se popularizaram. "Esperamos que nossos talentos exerçam a discrição em todos os aspectos da sua vida", disse o porta-voz do canal, George Cabico.

Por Sue Zeidler, em 12/09/2012, no link http://cinema.uol.com.br/ultnot/reuters/2012/09/12/estudios-monitoram-atores-mirins-para-que-eles-nao-falem-demais-nas-redes-sociais.jhtm

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Estamos à beira de uma revolução da mídia", diz James Cameron, sobre a produção 3D

James Cameron brinda com chineses a parceria entre a Cameron Pace Group (CPG) e empresas chinesas (8/8/2012)

O cineasta James Cameron disse nesta quarta-feira (8) que vai abrir uma joint-venture na China para fornecer tecnologia de filmagem em 3D, no mais recente movimento de Hollywood para garantir uma posição na crescente indústria de filmes do país.

As receitas com bilheteria – crescendo aos trancos e barrancos na China graças à classe média em rápida expansão – têm aberto o apetite de Hollywood, apesar das queixas sobre restrições do governo ao acesso a telas, controle de conteúdo e pirataria.

A CPG China Division, novo braço do Grupo Cameron Pace, vai oferecer aos cineastas chineses a tecnologia de câmera tridimensional, mas não estará imediatamente envolvida na produção de filmes, contou Cameron à Reuters em uma entrevista.

"Nós não vamos dizer aos cineastas chineses como fazer filmes. Nós vamos ajudá-los a fazer uma transição para a tecnologia de produção 3D da forma mais eficaz em custos quanto possível, e de uma maneira que não inibe a criatividade", disse ele.

Os filmes tridimensionais, que melhoram a percepção de profundidade por serem feitos a partir de duas perspectivas, ganharam popularidade durante a década de 2000 e tiveram um grande avanço com o sucesso de "Avatar", de Cameron, em 2009, um filme sobre alienígenas azuis que estabeleceu um recorde de bilheteria mundial de US$ 2,8 bilhões.

Cameron disse que o acordo era "enorme", embora não tenha dado detalhes sobre o montante do investimento ou a divisão do empreendimento com duas entidades estatais – a distribuidora de filmes Tianjin North Film Group e a Tianjin Hi-Tech Holding Group.

O Grupo Cameron Pace, formado há 12 anos com o guru das câmeras Vince Pace, ganhou US$ 58 milhões no ano passado com o aluguel de suas câmeras 3D para equipes de produção de filmes, vídeos de shows e transmissões esportivas.

"Nós achamos que estamos à beira de uma espécie de revolução da mídia. E certamente temos a tecnologia que permite, temos a metodologia, temos aperfeiçoado nossas habilidades."

Outros acordos com a China

 Cameron segue uma série de outros anúncios importantes de Hollywood no país asiático. O próximo "Homem de Ferro" será coproduzido na China, sob um acordo conjunto entre a Walt Disney Co, a Marvel Studios e a DMG Entertainment.

Produtores de cinema dos EUA se animaram com um acordo estudado durante a visita do vice-presidente chinês, Xi Jinping, em fevereiro aos Estados Unidos, que abriu o caminho para a importação de 14 filmes de formato premium, como IMAX ou 3-D.

Se o acordo for implementado, os filmes serão isentos da cota anual de importação da China, de 20 filmes estrangeiros por ano, uma concessão oferecida pelo governo chinês depois de perder uma disputa na Organização Mundial do Comércio sobre a distribuição de mídia em 2009.

Por Michael Martina, em 08/08/2012, no link http://cinema.uol.com.br/ultnot/reuters/2012/08/08/entrevista-cameron-abre-joint-venture-de-filme-3d-na-china.jhtm

terça-feira, 29 de maio de 2012

Bollywood versus Hollywood: veja como é ser um astro ou estrela do cinema indiano

Salman Khan: notoriedade nos quatro cantos da Índia
Os atores e atrizes retratados nesta página não são novatos em busca de uma chance no cinema. São astros e estrelas consagrados, idolatrados por milhões de fãs e a presença de qualquer um deles num filme é sinônimo de sucesso de bilheteria. A carreira e vida pessoal desses ídolos da telona movimenta um rico mercado de publicações e programas de TV sobre celebridades e, aos seus cachês milionários, somam-se grandes somas em dinheiro vindas da publicidade. Se não os está reconhecendo, não se sinta desatualizado. Estes deuses do cinema são reverenciados em Bollywood, a meca do cinema indiano.

A Índia tem a maior indústria de cinema do mundo, produzindo ao todo cerca de mil filmes por ano. Para se ter uma ideia, Hollywood produz metade disso no mesmo espaço de tempo. Naturalmente, estamos falando de produção em massa. Em termos de faturamento, claro, o cinema norte-americano continua imbatível. Mas quem pensa que os astros e estrelas do cinema indiano só são conhecidos na Índia, engana-se. Nomes como Aamir Khan, Salman Khan, Aishwarya Rai, Kajol e Shahrukh Khan são reverenciados no país e em outras nações onde os filmes indianos são consumidos, como Turquia, Marrocos, Egito, China e Grécia.

Deuses de fato
Na Índia, no entanto, termos como reverência e idolatria tomam outro sentido quando nos referimos ao culto a celebridades do cinema. Se atores como Brad Pitt, Robert De Niro, Julia Roberts e Angelina Jolie são astros em boa parte do mundo, em Bollywood os ídolos do cinema transitam alguns degraus acima: são deuses, e não se trata de uma força de expressão.

No país, atores e atrizes no auge da carreira são vistos como divindades de fato. Alguns têm templos de veneração construídos em sua homenagem, onde os fãs se reúnem para rezar por eles e venerar suas imagens. São espaços muito bem cuidados, limpos quase que diariamente e com imagens de cenas de filmes que consagraram o ator em questão.
 Kajol: uma das estrelas mais disputadas de Bolywood
E como não se pode abandonar um deus, deve-se se acompanhá-lo em todos os seus filmes, o que significa que contratar um desses atores para um longa-metragem pode custar caro ao produtor, mas é garantia de rentabilidade alta.

No livro Diários de Bollywood, do jornalista Franthiesco Ballerini, o professor Kishore Namit Kapoor, criador de uma das escolas de atuação mais famosas do país, compara essa idolatria à paixão do brasileiro por futebol: “No Brasil há intermináveis discussões entre amigos que torcem por times diferentes. Em algumas regiões da Índia acontece o mesmo. Em outras palavras, seu você é fã de Shahrukh Khan e eu sou fã de Aamir Khan, passaremos horas numa mesa de bar discutindo porque meu ator é melhor que o seu e vive-e-versa”.

O difícil acesso ao Olímpo
Se no star system Hollywoodiano muitos tentam chegar ao estrelato, mas pouco conseguem, em Bollywood as coisas podem ser ainda mais difíceis. Num mercado que produz mil filmes por ano há milhares de atores e atrizes, mas são muito poucos os que alcançam a glória. E isso tem relação direta com a prática de idolatria quase religiosa a astros e estrelas. Da mesma forma que um devoto de São Judas Tadeu não será devoto de São Jorge, ou, voltando à analogia com o futebol, dificilmente alguém torce para dois times, tentar se tornar um deus do cinema na Índia não é nada fácil. Se consegue chegar ao Olimpo, no entanto, a consagração é eterna.
Aamir Khan: indianas sonham com o galã número 1 do cinema indiano
Senhores das bilheterias
Como é de se esperar, essa devoção aos astros e estrelas reflete diretamente nas bilheterias dos filmes indianos. Embora o fanatismo se dê em cidades menores ao norte do país e em zonas rurais, mesmo em metrópoles como Mumbai e Nova Déli a disputa dos fãs é acirrada. Para se ter uma ideia, quando a venda de ingressos ou DVD de um filme está menor que outro, fãs promovem campanhas para tentar “vencer” a disputa e ver seu ídolo em vantagem.

A força de um deus do cinema indiano é tanta, que quando está no elenco de um filme todo o resto é dispensável. Não são necessários bom roteiro, efeitos especiais convincentes ou coadjuvantes talentosos. Tudo gira em torno dele e isso basta para fazer da produção um sucesso. Originalidade de roteiro e capricho técnico muitas vezes são vistas como compensações para longas que não têm uma grande estrela no elenco.

Neste status quo do cinema indiano por alterado ao longo de anos, apenas um detalhe vem mudando recentemente. O espectador vem exigindo não só beleza e carisma de seus candidatos a deuses, mas também talento. Esse aspecto vem revolucionado a nova geração de atores do país, que busca aperfeiçoamento numa das muitas escolas de formação de atores abertas nas última décadas no país.
 Aishwarya Rai: beleza que rivaliza com estrelas de Hollywood

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Oscar é a patetice banhada em ouro

Por Marcelo Carneiro da Cunha, em 04/03/2011, no link http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4972714-EI8423,00-O+Oscar+e+a+patetice+banhada+em+ouro.html

Estimados milhões de leitores, cá estamos, firmes, fortes, e, no caso de quem mora em São Paulo, encharcados. E muitos de nós, ainda pensando no que aquele cara fazia ao lado da lindinha Anne Hathaway, enquanto ela quase se matava tentando salvar as aparências da festa, sem ganhar nada além de um milhão e meio de dólares por tamanho esforço. Dureza esse tal de Oscar.

Nada que se compare, no entanto, à dureza de aguentar as horas e horas de tapete vermelho, piadas feitas de isopor, músicas mesozoicas e a pior parte, o discurso dos vencedores de alguma categoria. Aquilo, estimados leitores, é o equivalente áudio-visual do que o Kadafi tenta fazer com os ex-suditos, na Líbia, e que a ONU considera tortura.

No entanto, o Oscar é compreensível, se a gente entender que premiação de cinema, é uma coisa, Oscar, é outra. Oscar não é prêmio de cinema nem aqui nem na Conchinchina. Oscar, estimados leitores, é premiação por comportamento.

O cinema começou, como forma de contar histórias, lá por 1908, tirem ou coloquem alguns anos. Nessa época, os Estados Unidos eram uma explosão de atividade econômica, e os imigrantes que chegavam do mundo inteiro eram uma parte importante da equação. E eles eram do mundo todo, e o mundo, naqueles tempos, ainda não falava inglês. Muitos eram analfabetos, ou quase. A única coisa que podiam fazer, para entretenimento, era consumir alguma forma de contar histórias que não precisasse do inglês. E o cinema, era mudo, lembram? Portanto, já pelo ano de 1908, se vendiam algo como 60 milhões de entradas para ver filmes, nos Estados Unidos. Por semana.

Uma arte de massa requer uma indústria, caros leitores, e os americanos criaram a primeira e mais poderosa delas. Para poderem produzir filmes em série, e onde havia mais luz, os estúdios foram para a Califórnia, para um lugarejo chamado Hollywood. Mas, se a produção foi para lá, o financiamento continuou onde sempre esteve, em Wall Street, e essa sempre foi a lógica por trás do cinema americano. Industrial, capitalista, comercial, ou pelo menos querendo ganhar dinheiro, e muito dinheiro ele ganhou. Esse sistema, criado pelo status quo, também serviu ao status quo, e a ideologia fez com que os americanos criassem o star system, no qual atores, transformados em estrelas, eram o que havia de mais importante e bem pago. Atores, normalmente, não são quem cria os filmes ou escrevem as suas falas. Assim, são menos perigosos do que escritores, roteiristas, diretores, cujas simpatias poderiam até mesmo estar - horror - com as esquerdas. Precisavam ser neutralizados, e foram.

Isso não significa que o sistema americano não pudesse produzir grande cinema. Ele sempre fez isso, e o faz hoje, quase como ninguém. A única questão é que esses não são os filmes que o Oscar premia, por todos os motivos descritos nessa coluna. Um exemplo, nesse ano de 2011, foi que o insípido, mesmo que bonito, Discurso do Rei foi o grande vencedor. Do outro lado, tínhamos ótimos filmes como a Rede Social, Bravura Indômita ou Inverno da Alma, todos muito melhores do que o vencedor. Não ganharam, e nunca iriam ganhar, porque a lógica é outra. Hollywood premia uma estética, e ela é, acima de tudo, comportada, e não deve estragar o seu dia ou a sua pipoca, enquanto assiste.

O que Hollywood representa é a monarquia transposta para telas e tapetes. Ela oferece o intangível. Ela cria os seres maiores do que eles mesmos, os chama de estrelas e coloca a todos no tapete, uma vez ao ano, para que bilhões de espectadores possam perder o fôlego diante deles. Iluminação, fotografia, cinematografia, produção, tecnologia, tudo se une na criação desses deuses, que são trazidos à Terra de tempos em tempos para serem melhor adorados. Isso, e isso sim, é Hollywood.

De troco, os americanos, e Hollywood, produzem o que é, longe, a melhor qualidade técnica e narrativa, a maior gama de temas e abordagens, mesmo que o Oscar premie conflitos contidos, mensagens de paz entre o mundo e o capital, e ordem, acima de tudo.

Atores e atrizes, regiamente pagos, topam participar, felizes com o resultado e com suas imagens multiplicadas pelo mundo todo. Produtores se divertem quase tanto quanto os banqueiros que os financiam. Diretores não têm lá muita escolha, é pegar ou largar, e, a maioria, pega. O resultado é o que deve ser: perfeição a la Hollywood , onde ninguém vai ao banheiro, ilhas não têm mosquitos e, durante o sexo, todos chegam ao orgasmo ao mesmo tempo. Igualzinho ao mundo real e é disso que o Oscar gosta; isso é o que é celebrado. Arte é coisa muito menos confiável do que beldades sobre um tapete vermelho. Arte, quando se vê, é na exceção americana e nos filmes estrangeiros, que seguem outra lógica e são premiados de maneira segura.

E a verdade é que não vivemos mais a época dos grandes festivais, onde se debatia e definia o cinema. Hoje, os sistemas de aprovação, de legitimação do que seja a arte no cinema parecem ter se deslocado para longe dos festivais, e para mais perto da internet.

O Oscar permanece como a grande festa da indústria - que poderia ser bancária, aeroespacial, e é cinema por detalhe e por isso a festa tem o jeito que tem. Hollywood é um espaço para a criação do real mais real do que a realidade, e nem a realidade, nem os filmes, devem atrapalhar a perfeição construída em 83 anos de Oscar. A nós, cabe o papel de sempre, de admirar, comentar, debater quem vai vencer nesse ano, ou no ano que vem, quando isso, na verdade, não faz, e como poderia fazer - a menor diferença.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Site lista jovens promessas para o ''primeiro time'' de Hollywood

Jovens rostos de Hollywood foram apontados pelo site Cinema Blend nesta segunda-feira (25) como promessas dos próximos anos. Trata-se de uma "A-list", ou seja, uma lista dos atores e atrizes que poderão chegar ao "primeiro time" do estrelato no cinema norte-americano. Em outras palavras, poderão se tornar os astros e estrelas cujos nomes e rostos têm destaque nos pôsteres. "As outras pessoas do elenco ficam em algum lugar em segundo plano", explica o texto na introdução (em tradução livre).

No Brasil, alguns destes nomes estão mais longe de serem reconhecidos num nível, digamos, de Julia Roberts ou Tom Cruise, do que nos EUA. Mas fica a dica para os observadores de filmes e pôsteres.

Segue a lista:
- Amber Heard
- Anton Yelchin
- Donald Glover
- Emma Stone
- Terry Crews
- Tom Felton
- Anna Kendrick
- Keiran Culkin
- Chloe Moretz
- Gillian Jacobs
- Clark Duke
- Michael Pitt
- Mia Wasikowska
- Aziz Ansari
- Joel McHale
- Ben Foster
- Aaron Paul
- Jaden Smith
- John Francis Daley
- Justin Timberlake

Em 25/10/2010, no link http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/10/25/site-lista-jovens-promessas-para-o-primeiro-time-de-hollywood.jhtm