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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Início do ano tem estreia de favoritos ao Oscar; veja lançamentos de 2014

 
O início de 2014 será um prato cheio para os cinéfilos. A safra de filmes favoritos ao Oscar que estrearam no segundo semestre nos Estados Unidos chega entre janeiro e fevereiro ao Brasil, com longas de diretores como Martin Scorsese, Spike Jonze e Joel e Ethan Coen.
"O Lobo de Wall Street", filme de Scorsese estrelado por Leonardo DiCaprio, e "Trapaça", de David O. Russell, com Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper e Jennifer Lawrence no elenco, têm previsão de estreia para o dia 24 de janeiro.

Já "Philomena", de Stephen Frears, "Ela", de Spike Jonze, "12 Anos de Escravidão", de Steve McQueen, e "Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum", dos irmãos Coen, devem chegar aos cinemas brasileiros em fevereiro (veja abaixo a lista completa com os principais lançamentos de filmes previstos para 2014).

Os seis longas concorrem a Globos de Ouro, sendo fortes candidatos a uma indicação para Oscar de melhor filme. Cinco deles também estão na lista dos dez melhores filmes de 2013 feita pelo Instituto Americano de Cinema (AFI, na sigla em inglês) --a exceção é "Philomena", coprodução britânica, norte-americana, e francesa.

Além da corrida pela indicação de melhor filme --nove longas serão candidatos ao Oscar nesta categoria--, as produções que estreiam no começo do ano também devem concorrer em outros quesitos.

Não há muitas dúvidas entre os especialistas em Hollywood de que o britânico Chiwetel Ejiofor será indicado ao Oscar de melhor ator por "12 Anos de Escravidão", assim como o guatemalteco Oscar Isaac por "Llewyn Davis". O veterano Robert Redford também é forte candidato por sua performance solitária em "Até o Fim", de J. C. Chandor, que tem estreia no Brasil prevista para o dia 7 de março.

Já as britânicas Judi Dench e Emma Thompson devem conseguir indicações ao Oscar de melhor atriz por, respectivamente, "Philomena", e "Walt nos Bastidores de Mary Poppins" (este com estreia prevista para 14 de fevereiro).

As produções que vão estrear a partir de agora se juntam a outros favoritos a indicações ao Oscar que já haviam chegado ao Brasil em 2013, como "Capitão Phillips", "Gravidade", "Rush: No Limite da Emoção" e "Álbum de Família". "Fruitvale Station: A Última Parada", com estreia prevista para 31 de janeiro, corre por fora.

No campo da animação, a principal estreia prevista para o início do ano --também com chances de receber indicações ao Oscar-- é "Frozen: Uma Aventura Congelante", de Chris Buck e Jennifer Lee. O longa gelado da Disney tem previsão de chegada aos cinemas brasileiros já para o dia 3 de janeiro.

Já entre os concorrentes a uma indicação de Oscar de melhor filme estrangeiro, chega ao Brasil "O Grande Mestre", de Wong Kar-Wai (previsto para fevereiro, mas sem data definida). "O Passado", de Asghar Farhadi, também deve chegar em fevereiro, mas não se classificou entre os nove finalistas que buscam indicação.

Fora da corrida pelo próximo Oscar, também há opções interessantes, como "Ninfomaníaca", de Lars von Trier (estreia da primeira parte prevista para 10 de janeiro e da segunda para março), e a refilmagem de "Robocop" do brasileiro José Padilha.

Os indicados ao Oscar 2014 serão anunciados no dia 16 de janeiro. A cerimônia ocorre no dia 2 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Veja o calendário dos principais lançamentos previstos para 2014 (sujeito a alterações)

Janeiro

03 – "Frozen: Uma Aventura Congelante", de Chris Buck e Jenifer Lee. Animação da Disney que se passa em um reino de gelo.
10 – "De Repente Pai", de Ken Scott. Vince Vaughn vive doador de sêmem que descobre ter 533 filhos.
10 – "Ajuste de Contas", de Peter Segal. Robert De Niro e Sylvester Stallone se enfrentam no boxe.
10 – "Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal", de Christopher Landon. Quinto título da franquia de terror.
10 – "Confissões de Adolescente", de Daniel Filho e Chris D'Amato. Filme baseado na famosa série homônima da TV Cultura.
10 – "Ninfomaníaca (Parte 1)", de Lars Von Trier. Filme sobre uma viciada em sexo estrelado por Charlotte Gainsbourg.
24 – "O Lobo de Wall Street", de Martin Scorsese. Filme estrelado por Leonardo DiCaprio sobre financista de Nova York.
24 – "Trapaça", de David O. Russell. Grupo de trapaceiros é obrigado a trabalhar com o FBI. Com Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper e Jennifer Lawrence.
31 – "Fruitvale Station: A Última Parada", de Ryan Coogler. História real de jovem negro assassinado nos Estados Unidos.
31 – "47 Ronins", de Carl Rinsch. Keanu Reeves como samurai.

Fevereiro

07 – "Ela", de Spike Jonze. Joaquin Phoenix se apaixona por um programa de computador que tem a voz de Scarlett Johansson.
07 – "Philomena", de Stephen Frears. Judi Dench busca o filho desaparecido.
07 – "Uma Aventura Lego", de Phil Lord e Chris Miller. Animação feita com os brinquedos de montar.
14 – "Caçadores de Obras Primas", de George Clooney. Quinto filme dirigido pelo galã cinquentão, mostra um grupo de soldados que tem como missão recuperar obras de arte roubadas por nazistas. Com Cate Blanchett, Matt Damon, Bill Murray e o próprio Clooney.
14 – "Walt Disney nos Bastidores de Mary Poppins", de John Lee Hancock. Filme com Emma Thompson e Tom Hanks mostra curiosidades da produção da clássica comédia da Disney.
21 – "Robocop", de José Padilha. Remake do clássico policial dos anos 80, dirigido pelo cineasta brasileiro de "Tropa de Elite".
28 – "12 Anos de Escravidão", de Steve McQueen. Nos Estados Unidos pré-Guerra Civil, negro livre de Nova York é sequestrado e vendido como escravo.
28 – "Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum", de Joel e Ethan Coen. Músico perdedor sofre sucessão de derrotas em período de uma semana.
Sem data (em fevereiro) – "O Grande Mestre", de Wong Kar-Wai. História do mestre de artes marciais que foi professor de Bruce Lee.
Sem data (em fevereiro) – "O Passado", de Asghar Farhadi. Iraniano vai à França para após sua ex-mulher requerer divórcio.

Março

07 – "Até o Fim", de J. C. Chandor. Robert Redford é o único ator deste drama sobre marinheiro que tenta manter controle do barco após choque com navio.
07 – "300: A Ascensão do Império", de Noam Murro. Segundo filme da franquia que tem Rodrigo Santoro no papel do deus Xerxes.
14 – "Need For Speed – O Filme", de Scott Waugh. Baseado na franquia de videogame, é estrelado por Aaron Paul (o Jesse de "Breaking Bad").
Sem data – "Ninfomaníaca (Parte 2)", de Lars Von Trier. Segunda parte do filme sobre uma viciada em sexo estrelado por Charlotte Gainsbourg.

Abril

04 – "O Grande Hotel Budapeste", de Wes Anderson. Novo filme do diretor famoso por "Os Excêntricos Tenenbaums" (2001) e "Viagem a Darjeeling" (2007).
04 – "Noé", de Darren Aronofsky. Épico bíblico do diretor de "Cisne Negro", com Russel Crowe no papel título. O elenco conta ainda com Jennifer Connelly, Emma Watson e Anthony Hopkins.
04 – "Não Pare na Pista", de Daniel Augusto. Cinebiografia de Paulo Coelho com Júlio Andrade no papel do escritor.
11 – "Capitão América 2 – O Soldado Invernal", de Anthony Russo e Joe Russo. Segundo filme da franquia.
18 – "Alemão", de José Eduardo Belmonte. Filme sobre policiais e traficantes que se passa no morro carioca com Antonio Fagundes, Cauã Reymond, Caio Blat e Milhem Cortaz.

Maio

02 – "O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro", de Marc Webb. Segundo filme da nova trilogia do super-herói aracnídeo.
16 – "Godzilla", de Gareth Edwards. Monstro radioativo gigante ataca novamente.
23 – "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido", de Bryan Singer. Wolverine viaja ao passado em tentativa desesperada de mudar a história.
30 – "Malévola", de Robert Stromberg. Vilã da Bela Adormecida ganha filme próprio estrelado por Angelina Jolie.

Junho

19 – "Como Treinar o Seu Dragão 2", de Dean DeBlois. Segundo filme da franquia de animação.
27 – "The Zero Theorem", de Terry Gilliam. Novo filme do diretor "Os 12 Macacos" sobre um hacker que procura a razão da existência humana, é estrelado por Christoph Waltz.

Julho

18 – "Tranformers: A Era da Extinção", de Michael Bay. Quarto filme da franquia de robôs-carros.
18 – "Planeta dos Macacos: O Confronto", de Matt Reeves. Humanos e símios se enfrentam na disputa pela Terra.

Agosto

15 – "Magic in the Moonlight", de Woody Allen. Novo filme do famoso diretor norte-americano, teve partes rodadas no sul da França.
22 – "Guardiões da Galáxia", de James Gunn. Novo filme com personagens da Marvel tem Vin Diesel, Bradley Cooper, Benicio Del Toro e Zoe Saldana no elenco.
22 – "Os Mercenários 3", de Patrick Hughes. Novo filme da série terá Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Antonio Banderas, Wesley Snipes, Mel Gibson, Harrison Ford e Arnold Schwarzenegger.

Setembro

26 – "Sin City 2", de Frank Miller e Robert Rodriguez. Segundo título da série baseada nos quadrinhos de Miller terá Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Jessica Alba, Ray Liotta e Mickey Rourke no elenco.

Novembro

07 – "Big Hero 6", de Don Hall. Grupo de seis super-heróis é recrutado pelo governo.
14 – "Jogos Vorazes: A Esperança Parte 1", de Francis Lawrence. O começo do fim da franquia, com Jennifer Lawrence, Julianne Moore e Philip Seymour Hoffman.
14 – "Débi e Lóide 2", de Bobby Farrelly e Peter Farrelly. Jim Carrey e Jeff Daniels juntos novamente 20 anos após primeiro título.

Dezembro

07 – "Interestelar", de Christopher Nolan. Nova superprodução do diretor da recente franquia de Batman se passará no espaço e terá  Matthew McConaughey, Anne Hathaway e Jessica Chastain.
19 – "O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez", de Peter Jackson. O fim da trilogia. O fim das filmanges de Jackson baseadas na obra de Tolkien.

Sem mês definido:

"Oldboy", de Spike Lee. Refilmagem de Lee para o clássico coreano sobre vingança, foi massacrado pela crítica nos Estados Unidos.
"Only Lovers Left Alive", de Jim Jarmusch. Dois vampiros se apaixonam no novo filme do diretor de "Daunbailó".
"Dallas Buyers Club", de Jean-Marc Vallée. Eletricista luta para que portadores do vírus HIV tenham acesso a medicamentos. Com Matthew McConaughey, Jennifer Garner e Jared Leto (que chocou os Estados Unidos com sua interpretação de uma travesti).
"Trash", de Stephen Daldry. Novo filme do diretor de "As Horas" teve filmagens no Rio e conta no elenco com Rooney Mara, Selton Mello, Wagner Moura e Martin Sheen.
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Com ou sem Oscar, Hollywood comemora boas bilheterias em 2012

Os magnatas de Hollywood podem dar mais tapinhas nas costas do que o habitual na cerimônia do Oscar no próximo domingo (24), e não será, necessariamente, por causa das estatuetas douradas.
Os chefes dos estúdios de cinema podem se gabar de um número extraordinariamente elevado de filmes de sucesso em 2012, que elevou as vendas de ingressos pela primeira vez em três anos e interrompeu sete anos de queda livre nas vendas de DVDs e outros produtos de entretenimento em casa.

Mas eles também podem mostrar progresso crucial na sua estratégia de entretenimento em casa, downloads digitais e mídias sociais, além dos acordos de conteúdo de longo prazo lucrativos com novos participantes em cena.

Hollywood pode estar encontrando o equilíbrio certo entre fazer o que as pessoas querem ver, levar até elas de uma maneira que funcione e deixá-las compartilhar sua visão nas mídias sociais.
A indústria do cinema é um ramo cíclico que pode sofrer queda mesmo nos melhores tempos econômicos. Mas a recente onda de sucessos colocou a indústria em alta.

"Os Vingadores", uma reunião de super-heróis dos quadrinhos da Marvel lançado pela Walt Disney Co, arrecadou 623 milhões de dólares em vendas internas e foi um dos cinco filmes de 2012 cuja venda de ingressos superou 300 milhões de dólares, um recorde da indústria, de acordo com a unidade de bilheterias da Hollywood.com. O filme custou cerca de 220 milhões de dólares para ser feito.

Dois outros filmes --o primeiro Batman da Warner Brothers em quatro anos, "O Cavaleiro das Trevas Ressurge", e "Jogos Vorazes", da Lionsgate Entertainment-- superaram cada um 400 milhões de dólares, mais do que qualquer filme lançado em 2011.

Estes três filmes não receberão muita atenção da Academia no domingo e só "Os Vingadores" recebeu uma indicação, de melhores efeitos visuais. Mas, em outro sinal do ano vencedor de Hollywood, seis dos nove concorrentes a melhor filme levantaram ao menos 100 milhões de dólares cada nos cinemas dos EUA e Canadá.

James Bond também retornou de uma ausência de quatro anos e conseguiu cinco indicações ao Oscar. "Skyfall", feito em conjunto pela MGM e Sony Pictures, arrecadou 304 milhões de dólares em vendas de ingressos domésticos e 1,1 bilhão de dólares internacionalmente --mais do que qualquer um dos 24 filmes de James Bond acompanhados pelo Box Office Mojo, e quase o dobro do que o segundo filme do ranking, "Quantum of Solace", arrecadou em 2008.

"Foi um ano fantástico", disse o presidente da Universal Pictures, Adam Fogelson, cujo estúdio fez "Ted" e "Lorax", do Dr. Seuss, ambos com vendas de bilheteria de mais de 200 milhões de dólares. "Dê aos consumidores algo que seja interessante e você ainda pode fazê-los sair de suas casas."
Os cinemas dos Estados Unidos e do Canadá venderam mais de 1,3 bilhão de ingressos em 2012, um aumento de 5,3 por cento e a segunda vez em cinco anos que a venda de ingressos subiu. Isso impulsionou as bilheterias para um recorde de 10,8 bilhões de dólares, alta de quase 5,8 por cento.
 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Valente

Existem algumas situações, ou acontecimentos que transformam uma produção e fazem dela algo especial. Na parceria entre Disney e Pixar (ambos Disney, agora), o histórico é positivo. Foram grandes e atraentes animações, que reciclaram e transformaram o gênero. Mas ultimamente, ou desde que a Disney comprou a Pixar, as coisas não funcionam tão bem assim.

Valente é uma animação maravilhosa. Desenho de primeiríssima qualidade, com detalhes riquíssimos, cores vibrantes, e que agrega à história, personagens ricos e divertidíssimos. Mas quem vê o trailer, ou mesmo a capa do filme, imagina uma situação completamente diferente. É possível confundir a trama com a de Mulan, desenho animado, também da Disney, que conta a história de uma garota que cresce em um mundo masculino e quer mudar as tradições. Quer fazer parte do exército, e batalhar. Ok, as histórias não se parecem nem um pouco, talvez apenas pelo desejo de mudar as tradições, mas era de se esperar que Valente fosse uma produção com mais força, com mais apelo, com um roteiro muito mais intenso.

Não, a história não é ruim. O filme segue uma narrativa mais lenta e cansativa. Demora para engrenar. Se apega a detalhes e ao valor da mensagem. Mensagem de muito valor, diga-se de passagem. Perde a oportunidade de envolver e investir nas tiradas mais engraçadas, comum nas animações, e ganhar de vez o seu público. Como aconteceu em Enrolados. Mas essa lentidão, essa falta de graça e, até mesmo da valentia que dá nome à produção, torna o filme um pouco confuso. A ponto de assustar algumas das crianças da sala de cinema, pela força de certos personagens e passagens mais intensas. E fazer com que alguns adultos perguntem se o filme quer vender a ideia de que os filhos devem enfrentar seus pais. Nenhuma das duas situações está correta. O filme é muito mais profundo do que é possível imaginar, e por isso mesmo perde um pouco daquela ligação com as animações que comumente assistimos. Não é um primor, mas tende a ter características de muitas produções Disney. Daquelas que preferem vender uma mensagem positiva, a um momento de puro entretenimento.

Tecnicamente o filme é maravilhoso. Detalhes riquíssimos e personagens que agradam em cheio. Algumas tiradas engraçadas são, de fato, muito boas, e fazem todos rirem. Outras, que poderiam ser melhor exploradas, perdem força, e deixam o filme lento e desanimado. É o caso dos irmãos da princesa Mérida. Três garotos endiabrados que poderiam gerar muitos momentos de muitas risadas, mas que são pouco explorados na história. Têm um importante papel, mas os produtores, ou o diretor, perdem a oportunidade de lhes dar uma chance de transformar a trama.

No filme, Mérida (Keely Macdonald) é uma habilidosa e impetuosa arqueira, filha do rei Fergus (Billy Connolly) e da rainha Elinor (Emma Thompson). Determinada a trilhar o próprio caminho, ela desafia um antigo costume considerado sagrado pelos ruidosos senhores da terra: o imponente lorde MacGuffin (Kevin McKidd), o carrancudo Lorde Macintosh (Craig Ferguson) e o perverso lorde Dingwall (Robbie Coltrane). Involuntariamente, os atos de Mérida desencadeiam o caos e a fúria no reino e, quando ela se volta para uma velha feiticeira (Julie Walters) em busca de ajuda, tem um desejo mal-aventurado concedido. Os perigos resultantes a forçam a descobrir o significado da verdadeira valentia para poder desfazer o brutal curso dos acontecimentos, antes que seja tarde demais.


Uma animação interessante, diferente daquelas que costumam pulular pelos cinemas. Parece investir na mensagem da história, e perde pelo menos metade do filme explicando e dando detalhes que são desnecessários e chatos. Técnica perfeita, com muitos detalhes e cores enriquecem a produção, que perde força com sua história cheia de firulas que não valeriam tanta intensidade. Ainda assim, com boas sacadas de graça e com uma moral da história de muito valor. Pra assistir, mas sem a pretensão de ser como outras animações atuais, como Shrek, Madagascar, A Era do Gelo, entre outros.


Ainda em tempo, em Walt Disney - O triunfo da Imaginação Americana, Neal Gabler coloca em um dos capítulos, que Disney não se preocupava em fazer filmes para as crianças (já falei um pouco a respeito disso no blog). Creio ser o caso de Valente. Claro que Walt Disney já se foi, mas parece que sua influência cultural ainda é muito forte em algumas das produções que levam a assinatura de seus estúdios. Valente parece mesmo não ser um desenho para as crianças.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Mark Andrews, Brenda Chapman
Elenco: Kelly Macdonald, Emma Thompson, Kevin McKidd, Billy Connolly, Robbie Coltrane, Julie Walters, John Ratzenberger, Craig Ferguson
Produção: Katherine Sarafian
Roteiro: Brenda Chapman, Irene Mecchi
Trilha Sonora: Patrick Doyle
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Animação
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Estúdio: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Faça bons filmes, pede Disney a novo chefe do estúdio

Alan Horn é o novo presidente dos estúdios Walt Disney e ele recebeu uma importante missão ao assumir o cargo: fazer bons filmes.

Mesmo depois das recentes catástrofes de grande orçamento em Hollywood, como John Carter, da própria Disney, que causou a queda do CEO anterior, Rich Ross, e Battleship - Batalha dos Mares, da Universal Pictures, Horn diz não estar intimidado com os grandes orçamentos.

Segundo ele, o presidente-executivo da Disney, Bob Iger, não falou nada sobre controlar os gastos. "Tudo que Bob disse foi 'faça bons filmes'", disse Horn, de 69 anos, em entrevista por telefone à Reuters.

Por sinal, Horn é especialista neles, já que estava á frente da Warner Bros durante os bombásticos lançamentos da série Harry Potter. Na Disney, pretende concentrar-se em fazer de seis a oito filmes por ano voltados para o público alvo do estúdio: famílias e jovens adultos.

Mas ele não está isento do fracasso e procura aprender com eles. "Fiz filmes caros que fracassaram, e, cara, como eles doem", contou.

"Mas eu sou guiado por roteiros, por personagens", acrescentou. "Se você começa com uma ideia excelente, o orçamento vai se resolver. E este orçamento pode ser substancial", explicou.

Os maiores sucessos recentes da Disney vieram da Pixar e de sua fábrica de super-heróis Marvel. Só com Os Vingadores, a Disney já arrecadou mais de 1,3 bilhão de dólares nas bilheterias do mundo. O filme custou mais de 220 milhões de dólares e já tem a quarta maior bilheteria da história de Hollywood, de acordo com o Box Office Mojo.

O maior desafio de Horn será colaborar com os executivos da Pixar e da Marvel, que têm muita liberdade de criação, mesmo fazendo parte da Disney.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Desenhos e animações



A pergunta que me fez pensar o post de hoje é: desenhos animados e animações são dirigidas única e exclusivamente (ou em grande parte) ao público infantil? Essa semana participei de uma conversa atribulada, e também constatei que o assunto havia sido discutido em outros fóruns. Afinal de contas, desenhos só servem para o público jovem?

A grande maioria das pessoas com quem conversei exaltaram o fato de que esses tipos de produção só são dirigidos ao público infantil ou juvenil e que, de tabela, chegam ao público de marmanjos. O interessante é que esse tipo de raciocínio não tem muito embasamento científico (se é que eu posso chamá-lo assim). O pensamento é bem simples... tem personagens coloridos e, muitas vezes, fofinhos? Então só serve para crianças. O fato de ter incorporado ao nome "desenho" e "animado" simplesmente remetem ao universo infantil.

A partir daí, tudo bem se não existe uma história inteligível, uma mensagem, uma trama que exija qualquer raciocínio. O ideal é que esse tipo de filme sirva a um único propósito, entreter. Tomar o tempo das crianças. Para que os pais tenham sossego.

Alguns ainda apontaram (num momento de puro devaneio freudiano, eu receio), que esse tipo de filme só agrada o público adulto por provocar as memórias de outrora. Ou, se preferir, faz com que você se sinta criança de novo.

Prefiro pensar o contrário de tudo isso. Também não é nenhum método matemático, mas me baseio em elementos históricos importantes. Primeiramente, devo destacar que essa associação de desenhos a crianças é feita por nós adultos e, mais do que isso, foi somente a partir dos anos 1980 que os grandes estúdios (ou outros interessados) passaram a investir em desenhos e animações para o público infantil. Muitas vezes por associação a brinquedos de sucesso.

Desde o início, quando os desenhos animados passaram a fazer parte das apresentações nos cinemas (mais ou menos final 1920), sempre foram voltados ao público adulto. Essa realidade só foi mudada com a criação de apresentações especiais para crianças, principalmente após o lançamento de Mickey Mouse (o Clube do Mickey), nos anos 1950, e mesmo assim, Walt Disney sempre diria que nunca havia pensado em produzir desenhos ou animações para crianças.

Tudo no roteiro de um desenho animado era dirigido aos adultos (e, em muitos casos, ainda é). O tipo de piada. O tipo de mensagem. O tipo de comportamento dos personagens. Era comum ver caracterizações do fumo ou da bebida, ou até mesmo de sexo. Mensagens políticas, de guerra, para que as pessoas gastassem mais (ou menos) dinheiro, enfim, um conteúdo nada infantil.

Claro que esse mercado mudou, e muito do que existe hoje é voltado para as crianças, mas como avaliar uma produção que utiliza referências de filmes antigos, para um público que deveria ser, ao menos de acordo com o pensamento de alguns, infantil? Não acho que isso seja possível, e acredito que ainda hoje, esse tipo de produção valorize muito mais o público adulto. Mesmo que "desenho animado" pareça coisa de criança. E você, leitor, o que pensa a respeito disso?