segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

'O discurso do rei' vence filme, ator, diretor e roteiro original no Oscar


O filme "O discurso do rei" foi o grande vencedor da 83ª edição do Oscar, realizada na noite deste domingo (27) em Los Angeles. Indicado em 12 categorias, o longa-metragem de Tom Hooper saiu da cerimônia com quatro das principais estatuetas, incluindo a mais cobiçada: melhor filme, ator, diretor e roteiro original.

Principal rival de "O discurso do rei" na premiação, "A rede social", de David Fincher, recebeu três troféus: roteiro adaptado, trilha original e edição.

Como já se esperava, "A origem", de Christopher Nolan, dominou os chamados prêmios técnicos da noite, levando os Oscars de efeitos visuais, fotografia, mixagem e edição de som. O longa também estava indicado ao prêmio de melhor filme e direção, entre outros.

Concorrendo na categoria documentário, a coprodução Brasil/Reino Unido "Lixo extraordinário", sobre o trabalho do artista Vik Muniz com catadores do aterro do Gramacho, não levou a estatueta. O troféu ficou com "Trabalho interno" ("Inside job", no original), que joga luz sobre a grave crise financeira dos Estados Unidos de 2008.

'Meus homens e minha mãe'Ao receber o prêmio como melhor diretor, Hooper agradeceu aos "homens de meu triângulo amoroso: Colin Firth, Geoffrey Rush e eu". "Só estou aqui por causa de vocês... espero que essa referência não a deixe com ciúmes", completou dirigindo-se a Helena Bonham Carter, que faz o papel da Rainha Mãe em "O discurso do rei".

O diretor também agradeceu a seus pais, em especial à mãe. "Em 2007, minha mãe, que é australiana, foi convidada para ir a uma leitura de uma peça em Londres que não tinha sido produzida nem ensaiada de 'O discurso do rei'. Ela quase não foi, mas graças a Deus acabou indo e quando voltou para casa falou: 'Tom, eu acho que encontrei o seu próximo filme'. Com isso dedico [este prêmio] a você. E a moral da história é: escute a sua mãe."

O gago e a bailarina

" O discurso do rei" também garantiu o prêmio de melhor ator a Colin Firth, por sua interpretação do rei gago George VI. Aparentemente emocionado, o ator britânico não gaguejou em seu discurso de agradecimento, mas brincou: "Estou com um mal-estar no estômago, uma coisa que parece que está dançando na minha barriga. Talvez isso seja problemático, se isso descer para minhas pernas e eu ainda estiver no palco."

Natalie Portman confirmou o favoritismo e venceu a estatueta de melhor atriz por "Cisne negro". Grávida de seu primeiro filho e chorando muito, a atriz agradeceu à toda equipe do filme e principalmente a seu companheiro, o coreógrafo Benjamin Millepied, que a treinou para o filme. "Ele me deu o papel mais importante da minha vida", disse.

As categorias de ator e atriz coadjuvantes foram ambas de "O vencedor", para Melissa Leo e Christian Bale.A animação "Toy story 3", outra que concorria à estatueta de melhor filme, venceu o prêmio de longa-metragem animado e também canção original, por "We belong together". A versão de Tim Burton para "Alice no País das Maravilhas" também levou dois: figurino e direção de arte.




Confira a seguir a lista completa de vencedores do 83º Oscar:

Melhor direção de arte- "Alice no País das Maravilhas"
Melhor fotografia- "A origem"
Melhor atriz coadjuvante:- Melissa Leo – “O vencedor”
Melhor curta-metragem de animação- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman
Melhor longa-metragem de animação:- "Toy story 3"
Melhor roteiro adaptado- “A rede social”
Melhor roteiro original- “O discurso do rei”
Melhor filme de língua estrangeira- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)
Melhor ator coadjuvante- Christian Bale – “O vencedor”
Melhor trilha sonora original- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross
Melhor mixagem de som- "A origem"
Melhor edição de som- "A origem"
Melhor maquiagem- "O lobisomem"
Melhor figurino- "Alice no País das Maravilhas"
Melhor documentário em curta-metragem"Strangers no more"
Melhor curta-metragem- "God of love"
Melhor documentário (longa-metragem)- "Trabalho interno"
Melhores efeitos visuais- "A origem"
Melhor edição- "A rede social"
Melhor canção original- "We belong together", de "Toy story 3"
Melhor diretor- Tom Hooper – “O discurso do rei”
Melhor atriz- Natalie Portman – “Cisne negro”
Melhor ator- Colin Firth – “O discurso do rei”
Melhor filme- “O discurso do rei”

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Estúdios de Hollywood reclamam dívidas da Blockbuster


Os estúdios de Hollywood começaram a reclamar as dívidas contraídas pela multinacional de locação de filmes Blockbuster, que está afundando financeiramente, informou nesta quinta-feira "The Hollywood Reporter".

A companhia se declarou em quebra no final de 2010 e depois que os acionistas não entraram em acordo sobre um plano para sua reestruturação se optou por colocar a empresa à venda, um operação que está prevista para ser concluída antes do final de abril.Enquanto isso, Universal Pictures, 20th Century Fox e Summit Entertainment exigiram que a Blockbuster pague as dívidas pendentes associadas à comercialização de seus filmes.

A soma total superaria os US$ 23 milhões, apesar de a Universal ter proposto que a Blockbuster devolvesse os DVDs de sua propriedade em lugar do dinheiro. Atualmente, a empresa de locação de filmes conta com uma oferta de compra de US$ 290 milhões por parte de fundos de investimento que, se for concretizada, resultaria no fechamento de mais de 600 lojas das cerca de de 3,3 mil que ainda tem em funcionamento.




Rede de videolocadoras americana entrou em concordata com o avanço da internet e a queda no aluguel de filmes



A Blockbuster, rede americana de locadoras de vídeos que entrou em concordata no ano passado, iniciou o processo de venda e já encontrou um possível comprador, segundo informou a Reuters. A Cobalt Video Holdco, empresa controlada por fundo de investimentos, apresentou uma oferta inicial de US$ 290 milhões (R$ 485 milhões aproximadamente).

Esse tipo de proposta ( chamada em inglês de “stalking horse”, ou pretexto) é utilizado como um valor mínimo e outros possíveis interessados terão de oferecer um preço maior para iniciar as negociações.

A Blockbuster também pediu autorização da Justiça para conduzir um leilão de venda.
Além dos EUA, a rede de videolocadoras possui negócios no Canadá, na Dinamarca, Itália, no México e Reino Unido. No Brasil, as operações da Blockbuster foram vendidas para a rede brasileira Lojas Americanas, que hoje apenas detém o direito de utilizar a marca no País. A varejista transformou as videolocadoras em lojas Americanas Express, um formato de lojas mais compactas.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A maldição do Oscar de ator e atriz

Para um ator, ganhar um Oscar nem sempre é sinônimo de sucesso na indústria do cinema. Enquanto para uns pode significar boas propostas de trabalho e um cachê polpudo, para outros a realidade pode ser bem mais cruel.

No caso de Henry Fonda e Geraldine Page, o prêmio significou a despedida das telas e de Hollywood – ambos morreram pouco tempo depois da vitória. Em outros casos, trouxe uma série de escolhas erradas e a consequente bancarrota profissional.

Como não lembrar de Cuba Gooding Jr, que fez um discurso emocionante ao receber o Oscar e nunca mais conseguiu outro papel à altura? Ou de Faye Dunaway, saindo do auge da carreira com "Rede de Intrigas" para a mais completa irrelevância?

Relembre abaixo alguns casos famosos de atores que não conseguiram superar a maldição do Oscar e se reerguer.

Tatum O'Neal – O Oscar

Tinha apenas dez anos em 1974, quando recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel em "Lua de Papel", de Peter Bogdanovich, tornando-se a pessoa mais jovem a ganhar uma estatueta.

Antes

Filha do ator Ryan O'Neal, Tatum nunca havia trabalhado num longa antes de "Lua de Papel", o que tornou ainda mais impressionante sua escolha para o prêmio.

Depois

Tatum nunca conseguiu repetir o feito de "Lua de Papel". Um dos culpados pela fraca carreira teria sido o próprio pai, que, de acordo com ela, a teria abusado física e psicologicamente por causa do uso de drogas. Em sua adolescência, a própria atriz foi viciada em heroína e, em 2008, foi presa comprando crack em Nova York.


Whoopi Goldberg – O Oscar
Recebeu em 1991 a estatueta de melhor atriz coadjuvante pelo papel de uma médium no drama sobrenatural "Ghost - Do Outro Lado da Vida".

Antes

Cinco anos antes da vitória, Whoopi já havia sido indicada ao prêmio por "A Cor Púrpura", de Steven Spielberg, de 1985.

Depois

Após protagonizar as comédias "Mudança de Hábito", em 1992, e "Mudança de Hábito 2", em 1993, participou de uma série de filmes menores em pontas quase imperceptíveis. A volta de Whoopi ao Oscar só ocorreu anos mais tarde, mas como apresentadora do evento.

Faye Dunaway – O Oscar

A estrela ganhou o Oscar de melhor atriz em 1977 por seu papel no filme "Rede de Intrigas", dirigido por Sidney Lumet. A atriz, na época com 36 anos, estava no auge da carreira.

Antes

Dunaway já havia sido indicada por papéis memoráveis nos longas "Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas", em 1967, e "Chinatown", em 1974. Antes deles, a atriz trabalhou no filme-catástrofe "Inferno na Torre", de 1974, ao lado de Steve McQueen e Paul Newman.

Depois
Cinco anos após ganhar a estatueta, a atriz recebeu o Framboesa de Ouro, paródia do Oscar que premia os piores filmes, atores e atrizes, por sua atuação em "Mamãezinha Querida", de 1981. Depois disso, nunca mais conseguiu um papel decente em Hollywood, tendo atuado em produções como "Don Juan DeMarco", de 1995, e filmes menores para a TV.


Henry Fonda – O Oscar
Recebeu em 1982 o Oscar de melhor ator por seu trabalho no filme "Num Lago Dourado", uma adaptação da peça teatral de Ernest Thompson.

Antes

O artista é patriarca de uma família de atores norte-americanos, que inclui seus filhos Jane e Peter Fonda, e sua neta Bridget Fonda. Além disso, seu currículo contém clássicos como "As Vinhas da Ira", de 1940, "Era Uma Vez no Oeste", de 1968, e "A Batalha de Midway", de 1976.

Depois

Quando recebeu o Oscar, Henry tinha 77 anos e viria a morrer meses depois.


F. Murray Abraham – O Oscar

O norte-americano F. Murray Abraham ganhou o Oscar de melhor ator em 1985 por "Amadeus", em que interpretou o compositor italiano Antonio Salieri.

Antes

Murray Abraham havia feito papeis menores nos cultuados "Todos os Homens do Presidente", de 1976, e "Scarface", de 1983.

Depois

Logo após receber o prêmio, o ator conseguiu o papel do vilão de "O Nome da Rosa", estrelado por Sean Connery em 1986. Depois disso, a carreira de Murray Abraham voltou aos papéis menores, em filmes como "O Último Grande Herói", de 1993, e "Jornada nas Estrelas: Insurreição", de 1998. Um desperdício para alguém que ganhou o prêmio máximo do cinema norte-americano.

Geraldine Page – O Oscar

Aos 62 anos, Geraldine Page recebeu o Oscar de melhor atriz em 1986 por seu papel em "O Regresso para Bountiful", batendo colegas como Jane Fonda e Kathleen Turner. Ela já havia sido indicada oito vezes ao prêmio.

Antes

Page já havia ganhado o Globo de Ouro e o BAFTA, além de ter trabalhado em filmes como "O Estranho que Nós Amamos", de 1971, com Clint Eastwood, e "Interiores", de 1978, dirigido por Woody Allen.

Depois

Após receber a estatueta, a atriz participou de apenas mais três filmes. Morreu em 1987, vítima de uma parada cardíaca.


Cuba Gooding Jr. – O Oscar

Foi o papel de um jogador de futebol americano temperamental em "Jerry Maguire - A Grande Virada" que rendeu a Cuba Gooding Jr. o Oscar de melhor ator coadjuvante em 1997, ocasião em que protagonizou um dos discursos mais memoráveis da premiação.

Antes

Apesar de iniciante, Gooding Jr. havia conseguido papeis em filmes interessantes antes de ser premiado, como "Os Donos da Rua", de 1991, e "Questão de Honra", de 1992.

Depois

Conseguiu papeis menores em raros bons filmes, como "Melhor É Impossível", de 1997, e talvez por isso tenha optado em protagonizar uma série de comédias de gosto duvidoso, como "Cruzeiro das Loucas", de 2003, e "Acampamento do Papai", de 2007.


Halle Berry – O Oscar

Ganhou o prêmio de melhor atriz em 2002 por "A Última Ceia", tornando-se a primeira mulher negra a ganhar a estatueta nessa categoria.

Antes

Com uma longa carreira em filmes pequenos, Halle seguia uma curva ascendente, participando de produções como "O Brilho de Uma Estrela", de 1999, e da série cinematográfica "X-Men", em que interpretava a heroína Tempestade.
Depois

Pouco tempo após o Oscar, conseguiu estar em um dos piores filmes da história, a fraca adaptação da personagem de quadrinhos "Mulher-Gato", que lhe rendeu o Framboesa de Ouro, paródia do Oscar para os maiores fracassos do ano. Depois de tamanho tropeço, sua carreira não voltou aos trilhos.


Adrien Brody – O Oscar

O quase desconhecido Adrien Brody recebeu em 2003 o Oscar de melhor ator por sua atuação no drama "O Pianista", dirigido por Roman Polanski.

Antes

Brody perseguia o sucesso fazendo papeis menores em filmes como "Além da Linha Vermelha", de 1998, "O Verão de Sam", de 1999, e "As Flores de Harrison", de 2000.
Depois

Com o Oscar nas mãos e o reconhecimento após um papel de enorme carga dramática, o ator conseguiu desperdiçar seu talento em filmes severamente criticados como "A Vila", de 2004, "King Kong", de 2005, e "Predadores", de 2010.


Renée Zellweger – O Oscar

Uma das novas queridinhas da América, Renée Zellweger ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2004 por seu papel no drama histórico "Cold Mountain".

Antes

O rosto de Zellweger ganhou notoriedade em Hollywwod após a atriz interpretar o interesse romântico de Tom Cruise em "Jerry Maguire". Mas a fama chegou anos depois, com o papel da jornalista atrapalhada de "O Diário de Bridget Jones" (2001). Sua performance no musical "Chicago" (2002) garantiu o reconhecimento da crítica e sua segunda indicação ao Oscar.

Depois

Zellweger se perdeu em tentativas de firmar-se como atriz dramática, participando de produções fracas como "A Luta Pela Esperança" (2005) e "Miss Potter" (2006). Ao mesmo tempo, tentou manter-se na seara das comédias, tropeçando na sequência "mais do mesmo" "Bridget Jones no Limite da Razão" (2004). O fundo do poço foi o terror "Caso 39" (2009), cuja bilheteria não consegui pagar seu orçamento.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Saiba como entrar na Academia e vencer o Oscar de melhor filme

Política e matemática. Os flashes e as lágrimas são o que todo mundo vê no tapete vermelho e no palco do Oscar 2011, mas, nos bastidores da festa, o que norteia a premiação são a frieza dos números e o corporativismo dos profissionais da indústria do cinema. No segundo ano em que 10 concorrentes disputam o prêmio de melhor filme, muita gente ainda não conhece a fórmula complexa que permite que o segundo colocado favorito da maioria, por exemplo, ganhe a principal estatueta da noite.

Antes, no entanto, é preciso entender quem faz parte desse time da Academia de Hollywood, responsável por organizar e entregar o Oscar. Formada por mais de 6 mil membros, a entidade é um clube de "notáveis" e não tem tanto peso corporativo (para isso servem os sindicatos). Ela é dividida em 15 setores, de acordo com cada área da indústria cinematográfica, como atores, diretores, documentaristas e técnicos de efeitos especiais. Não é possível ser sócio de mais de um setor – se o sujeito é ao mesmo tempo ator, diretor e roteirista, será escolhido para participar de apenas um desses times particulares.

Ser indicado a um Oscar ajuda muito, mas não é garantia da carteirinha de sócio. Para entrar na Academia, o primeiro passo é ter uma boa relação com os colegas. Isso porque o processo de seleção é sempre o mesmo: o candidato precisa ter dois "padrinhos" em sua área, que defendam seu nome e o apresentem à diretoria do setor.

Se apoiada, a candidatura vai adiante e é avaliada pelo Conselho da Academia, uma espécie de Senado formado pela presidência – encabeçada atualmente pelo executivo Tom Sherak e seu vice, Sid Ganis, que já foi quatro vezes presidente – e por representantes eleitos. Esse pequeno grupo (menos de 10% do total de associados) avalia se o candidato representa os "altos padrões" da Academia ou tem uma contribuição importante ao cinema. Se for o caso, parabéns, o convite chega às mãos do felizardo (que talvez nem estivesse a par desse processo todo), assim como a cobrança da anuidade de 250 dólares.

Em 2011, coincidentemente, a diretora da área de atores da Academia – a mais populosa, com 1.183 sócios – é uma das indicadas a melhor atriz: Annette Bening, protagonista de "Minhas Mães e Meu Pai". Uma votação em massa dos associados pode fazer com que ela surpreenda a favorita Natalie Portman, de "Cisne Negro", e leve para casa a estatueta. Uma manobra política, portanto, que tem peso ainda maior no momento de definir os indicados.

No final de dezembro, cada associado envia uma lista de cinco concorrentes, em ordem de preferência, de sua área de atuação: roteiristas votam em roteiro, atores nos prêmios de interpretação, maquiadores em maquiagem e assim por diante. Todos os associados, no entanto, informam seus preferidos a melhor filme. A partir disso, chega-se à lista final de indicados que disputam a estatueta – a exceção fica por conta de melhor filme estrangeiro e longa-metragem de animação, selecionados por comitês específicos.

Já na hora de escolher os vencedores, dois meses depois, os membros votam em todas as categorias, apesar de nenhuma delas ser obrigatória – a princípio, é possível deixar algumas em branco, embora dificilmente isso aconteça. Assim, um maquiador pode opinar em outros prêmios técnicos, como edição e direção de fotografia, além dos principais. Em apenas cinco categorias é preciso comprovar ter visto todos os concorrentes: curta-metragem e curta de animação, documentário em longa e curta-metragem e filme estrangeiro.

A grande mudança do ano passado, com dez finalistas ao Oscar de melhor filme, é que, em vez de apenas marcar um "X" em seu favorito, o votante numera por ordem de preferência, de 1 a 10, todos os indicados, começando por seu filme predileto (1) e terminando com aquele que menos gostou (10).

As últimas cédulas foram enviadas aos eleitores no dia 02 de fevereiro e recebidas até o dia 22. Tudo é feito de forma manual, tanto o voto dos membros quanto a apuração: a Academia continua abrindo mão da tecnologia para garantir que os resultados finais, manejados por auditores, estejam ao alcance de poucos.

Sistema preferencial: o quebra-cabeças

Até 2009, ganhava o Oscar o indicado com o maior número de votos. Isso continua valendo para todas as categorias, exceto para o prêmio de melhor filme, o mais importante da festa. Com dez candidatos no páreo, a Academia achava arriscado que uma produção com apenas 11% de apoio pudesse, apesar de bastante improvável, ganhar a estatueta. Assim, a empresa responsável pela auditoria do prêmio decidiu adotar o complexo sistema de preferências.

Grosso modo, funciona da seguinte forma: na apuração, a empresa monta dez pilhas de votos, separando-as de acordo com os filmes que tiveram a nota máxima, ou seja, uma pilha para as cédulas com "O Discurso do Rei" na primeira posição, outra com "Cisne Negro", outra com "A Rede Social", até todas estarem divididas.

O próximo passo é eliminar a pilha com o menor número de cédulas, redistribuindo os votos a partir do filme na segunda posição em cada uma delas. Caso um filme que tenha sido descartado esteja na segunda posição, usa-se aquele que está na terceira, e assim por diante. Esse procedimento se repete até que a pilha de um dos filmes tenha 51% do total de cédulas recebidas, que será o ganhador.

Essa técnica permite, por exemplo, que o filme na segunda posição da maioria dos votantes seja o grande vencedor da noite – é só ir eliminando as pilhas que se chega lá. Pode parecer complexo e até injusto, mas o sistema preferencial é utilizado atualmente nas eleições municipais de algumas cidades dos Estados Unidos e de forma geral na Austrália. Muita gente defende sua efetividade, em especial os auditores da PricewaterhouseCoopers, que zelou pela segurança do Oscar em 77 de seus 83 anos.

"Quando há 10 concorrentes para um prêmio específico, a vantagem do sistema preferencial é que ele realmente mede a profundidade do apoio entre os todos votantes", garantiu o auditor Rick Rosas à Associated Press. "A chave é sempre ter o maior número de votos na primeira posição, porque isso dá uma probabilidade maior de vitória. Os votos em segundo ou terceiro lugar podem nunca vir à tona, dependendo de quem ficou em primeiro."

Por Marco Tomazzoni, em 23/02/2011, no link http://ultimosegundo.ig.com.br/oscar/saiba+como+entrar+na+academia+e+vencer+o+oscar+de+melhor+filme/n1238096874423.html

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Illy... Billy... Wall-E...



Essa é uma daquelas animações mais do que especiais. Na minha modesta opinião, se destaca entre as 3 melhores dos últimos tempos. Mais do que a tecnologia, que permite que as animações apresentem coisas inimagináveis, a divisão Disney/Pixar consegue dar a um robozinho características quase humanas, e apresentar sentimentos que muitos atores reais não conseguem em suas atuações.

Wall-E é fantástico. Fora de série. Daquelas animações que divertem e emocionam, com seus personagens fortes e sua mensagem atual e real.

A boa trilha sonora, se une à qualidade da produção, e uma narrativa que faz com que o espectador nem perceba o tempo passar, e quando o filme acaba deixa a sensação de quero mais.

Uma das cenas mais tocantes é quando Wall-E encontra a robozinha Eva, e se apaixona à primeira vista. Falar assim pode ser estranho, mas quando você observa a cara do pequeno autômato, o brilho nos seus olhos é de derreter o coração.

Assisti esse filme quando foi lançado no cinema, e pude presenciar a reação de uma criança que estava próxima de mim que não via há muito tempo. Não quero estragar a surpresa de quem ainda não o assistiu, mas a emoção da criança é justificada pela grande qualidade dessa maravilhosa produção. Emoção sem apelar para algum detalhe triste.

O filme conta que cerca de 700 anos no futuro, a Terra está infestada por poluentes. Por isso, os humanos vivem numa nave que percorre a atmosfera do planeta. Um robô que vive na Terra coletando lixo se apaixona por uma máquina que está na companhia dos humanos, no espaço. Assim, ele sai numa jornada para se juntar a ela.

Vencedor do Oscar de Melhor Animação, Wall-E realmente o faz por merecer. Consegue ser atual e divertido, sem insistir na mensagem que reprova a maneira como vivemos nos dias de hoje. Um filme para as crianças e para os adultos curtirem muitas vezes. Vale repetições e repetições, e a cada vez você consegue observar novidades e se encantar ainda mais.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Andrew Stanton
Elenco: Vozes na versão original de: Fred Willard, Jeff Garlin, Ben Burtt, Kim Kopf, Garrett Palmer, Sigourney Weaver.
Produção: Jim Morris
Roteiro: Andrew Stanton
Fotografia: Jeremy Lasky
Trilha Sonora: Thomas Newman
Duração: 105 min.
Ano: 2008
País: EUA
Gênero: Animação
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Pixar Animation Studios
Classificação: Livre

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Esse francesinho era demais...


Esse é um daqueles casos de filmes clássicos e deliciosos. Não é uma produção muito comum, e o estilo de humor europeu não pode ser comparado às produções norte americanas da época. Também não acredito que seja possível algo parecido nos dias de hoje, talvez nos momentos mais egocêntricos de Jim Carrey, mas sem os trejeitos forçados de seu protagonista.


As Aventuras de Rabbi Jacob é um filme diferenciado, principalmente por causa do seu ator, o francês Louis de Funès, um mestre do humor da sua época. Confesso que depois de ter assistido esse longa fui obrigado a garimpar mais algumas pérolas desse ator e, como não poderia ser diferente, a qualidade do seu humor é mantida em outras obras (vejam também O Gendarme, e O Gendarme em St. Tropez).

Embora exista toda uma preocupação com a caracterização das locações, o forte do filme é o seu elenco, que garante muitas doses de boas risadas, em momentos que algumas vezes não esperamos ser possível fazer graça. Mesmo assim, o filme mescla a boa fotografia com uma narrativa envolvente.

No filme, Victor Pivert (Louis de Funès) é um homem que não tem nada contra imigrantes, desde que negros, judeus e árabes não se aproximem dele. Durante a viagem para o casamento da filha, ele se mete em diversas aventuras que o fazem mudar seus preconceitos. Para sair das confusões Victor precisa se passar por rabino, sendo até mesmo confundido com um negro quando o escapamento de seu carro estoura em seu rosto e o deixa coberto de fuligem.

Uma excelente pedida para quem curte um filme das antigas. Boas doses de humor, um elenco bastante coeso, além da boa história que retrata deliciosamente os anos 70. Se você busca uma comédia animada e diferente, esse é o seu filme. Vale a locação e muitos repetecos.

Ficha Técnica
título original:Les Aventures de Rabbi Jacob
gênero:Comédia
duração:1 hr 40 min
ano de lançamento: 1973
estúdio: Les Films Pomereu / Horse Film
distribuidora: 20th Century Fox Film Corp.
direção: Gérard Oury
roteiro: Josy Eisenberg, Gérard Oury e Daniéle Thompson
produção: Bertrand Javal
música: Vladimir Cosma
fotografia: Henri Decaë
edição: Albert Jurgenson

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

MGM planeja reinício de Robocop, Poltergeist e Hercules

Após se recuperar da falência, o estúdio MGM está com diversos planos para revigorar seus produtos. Segundo a Variety, a empresa pretende reiniciar três das franquias sobre as quais possui os direitos: Robocop, Poltergeist e Hercules.

Darren Aronofsky (Cisne Negro) era o diretor mais cotado para assumir o quarto filme de Robocop, que não é visto no cinema desde 1993. O último filme de Poltergeist também foi feito há mais tempo ainda: 1988.

Hercules é um caso à parte, por se tratar de um projeto antes trabalhado pela Spyglass - cujos donos assumiram a presidência da MGM nos últimos meses. Peter Berg (A Garota Ideal) está cotado para a produção da história, que será "centrada na figura mítica que virou as costas para os deuses, tornando-se um mercenário e treinador de um impiedoso exército".

Os quartos episódios de Robocop e Poltergeist estão previstos para 2013. Hercules estava planejado para sair ainda em 2011 pela Spyglass, mas deve sofrer leve atraso pela mudança de estúdio.