quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O príncipe dos games na telona


Príncipe da Persia – As Areias do Tempo é mais um daqueles filmes adaptados dos games, mas dessa vez parece que acertaram na dose. Particularmente, destaco poucos filmes de games como fiéis à sua história (já expliquei isso neste blog), e achei que Príncipe da Persia poderia se perder em um enredo genérico e sem sentido.

Ledo engano, o filme supera as expectativas, em todos os detalhes. São excelentes doses de ação, belíssima e bem cuidada fotografia, uma trilha sonora perfeita, e um elenco que funciona muito bem sem apostar em estrelas super ultra consagradas.

Com boas doses de ação, uma trama bem estruturada, um tempero de romance, além de personagens bem definidos, o filme agrada bastante. Sem exagerar na dose e deixando no ar aquela sensação de continuação (que virá em breve, com certeza).

O filme conta a história do príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal) que precisa ajudar seu pai na luta contra inimigos que ameaçam seu reinado. Mas tudo se complica, porém, quando ele encontra uma adaga mágica, capaz de mudar a história. Induzido por um feiticeiro moribundo, Dastan acaba transformando todo o reino em um lugar demoníaco e agora somente ele poderá desfazer a maldição.

Um super filme para ser assistido e repetido até cansar por toda a família. Diversão garantida com direito a gostinho de quero mais. Não foi tão explorado pelos marketeiros, mas ainda assim deve se transformar num dos destaques do ano. Grande pedida.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Mike Newell
Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Toby Kebbell, Richard Coyle.
Produção: Jerry Bruckheimer
Roteiro: Carlo Bernard, Jordan Mechner, Doug Miro, Boaz Yakin
Fotografia: John Seale
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams
Duração: 116 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Buena Vista Pictures
Estúdio: Jerry Bruckheimer Films / Walt Disney Pictures
Classificação: 12 anos

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Shrek: A Evolução


Falar de um personagem que fez (e ainda faz) tanto sucesso é bastante complexo. Ainda mais quando a sua sequência não consegue acompanhar a qualidade de suas edições anteriores. Na verdade, percebo em muitas continuações uma perda de qualidade. Talvez, mais por não conseguir acompanhar fatos e detalhes iniciais, e ter que partir para uma nova trama, muitas vezes alterando a personalidade dos seus personagens, enfraquecendo assim as histórias seguintes.

Shrek conseguiu se tornar sinônimo de diversão. Principalmente por ironizar tantas outras produções, e associar de forma tão competente sua história à trilha sonora.

Neste quarto episódio, o último, de acordo com os seus produtores, Shrek sai um pouco dessa zona rebelde e de crítica ao padronizado, e assume uma postura mais leve, numa trama que não repete a dose de ação anterior, e exagera nos detalhes enfadonhos.

Não, Shrek para Sempre não é o pior episódio da série, mas ficou longe das duas primeiras versões, que causaram mais espanto e tinham muito mais qualidade.

Na quarta aventura do ogro verde nas terras do reino do Tão Tão Distante, Shrek está em crise por não ser mais o ogro assustador de sempre. Para recuperar sua fama de malvado, ele firma um pacto com Rumpelstiltskin. Tudo dá errado, Rumpelstiltskin assume o reino e Shrek tem de enfrentar como seria a vida em Tão Tão Distante se as pessoas não o tivessem conhecido.

Ainda é uma produção divertida, mas perde bastante qualidade e assume uma posição de despedida, que se salva com as excelentes tiradas do burro e do gato de botas.

Vale assistir, principalmente para ver o prometido desfecho da série. Nem pelo tom de despedida a qualidade da animação foi perdida. Continua sendo uma grande pedida para o público de qualquer idade e para ser assistido a qualquer momento.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Mike Mitchell
Elenco: Vozes no original de: Cameron Diaz, Antonio Banderas, Eddie Murphy, Mike Myers, Julie Andrews, Justin Timberlake.
Produção: Teresa Cheng, Gina Shay
Roteiro: Josh Klausner, Darren Lemke
Fotografia: Yong Duk Jhun
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams
Duração: 93 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Animação
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: DreamWorks Animation / DreamWorks SKG / Pacific Pictures SRL
Classificação: Livre

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um duro golpe no telespectador


O Golpista do Ano choca. Mas o seu objetivo era esse desde o início. Causar desconforto em seus telespectadores, no meio artístico e, até mesmo, entre as grandes produtoras de cinema. Fato é que nenhuma das grandes produtoras aceitou ter o seu nome associado à distribuição do filme, por considerá-lo apelativo e muito exagerado.

Se você é muito conservador, esta não é uma produção para você. No entanto, se você quer dar algumas boas risadas, se surpreender com um roteiro bastante diferente, e assistir a mais uma grande interpretação de Jim Carrey, então esse pode ser um bom filme.

Jim Carrey mescla um pouco dos seus papéis de O Mentiroso, As Loucuras de Dick e Jane, O Pentelho, e suas combinações de caras engraçadas de quase todas as outras produções. O resultado disso, embora às vezes pareça já termos visto a cena, é um personagem envolvente e muito bem construído. De fato, fenomenal!

No filme, Steven Russel (Jim Carrey), um ex-oficial e pai de família, foge constantemente da prisão. Em uma das fugas, conhece Philip Morris (Ewan McGregor), colega de cela. Quando este é liberto, Russel tenta de todas maneiras encontrar Morris fora da prisão e passa por situações inusitadas, como se tornar diretor financeiro de uma companhia.

A produção, que fez bastante sucesso fora do círculo comercial dos cinemas, é interessante. Não chega a ser um hit de sucesso, nem se caracteriza como um filme imperdível, mas ainda assim cumpre com o seu objetivo de entreter e chocar por sua temática homossexual. Boa pedida, se você procura um bom filme com boa atuações.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Glenn Ficarra, John Requa
Elenco: Jim Carrey, Ewan McGregor, Rodrigo Santoro, Leslie Mann, Jessica Heap, Michael Wozniak, Tony Bentley, Nicholas Alexander, Michael Beasley, Marcus Lyle Brown.
Produção: Andrew Lazar, Luc Besson
Roteiro: Glenn Ficarra, John Requa
Fotografia: Xavier Pérez Grobet
Trilha Sonora: Nick Urata
Duração: 97 min.
Ano: 2008
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Mad Chance / Europa Corp.
Classificação: 16 anos

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Site lista jovens promessas para o ''primeiro time'' de Hollywood

Jovens rostos de Hollywood foram apontados pelo site Cinema Blend nesta segunda-feira (25) como promessas dos próximos anos. Trata-se de uma "A-list", ou seja, uma lista dos atores e atrizes que poderão chegar ao "primeiro time" do estrelato no cinema norte-americano. Em outras palavras, poderão se tornar os astros e estrelas cujos nomes e rostos têm destaque nos pôsteres. "As outras pessoas do elenco ficam em algum lugar em segundo plano", explica o texto na introdução (em tradução livre).

No Brasil, alguns destes nomes estão mais longe de serem reconhecidos num nível, digamos, de Julia Roberts ou Tom Cruise, do que nos EUA. Mas fica a dica para os observadores de filmes e pôsteres.

Segue a lista:
- Amber Heard
- Anton Yelchin
- Donald Glover
- Emma Stone
- Terry Crews
- Tom Felton
- Anna Kendrick
- Keiran Culkin
- Chloe Moretz
- Gillian Jacobs
- Clark Duke
- Michael Pitt
- Mia Wasikowska
- Aziz Ansari
- Joel McHale
- Ben Foster
- Aaron Paul
- Jaden Smith
- John Francis Daley
- Justin Timberlake

Em 25/10/2010, no link http://cinema.uol.com.br/ultnot/2010/10/25/site-lista-jovens-promessas-para-o-primeiro-time-de-hollywood.jhtm

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mostra de SP: Megaevento, Mostra de Cinema exige disposição e paciência


A história da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo teve início em 21 de outubro de 1977, quando o auditório principal do Masp (Museu de Arte de São Paulo) exibiu, em duas sessões noturnas, "O Enigma de Kaspar Hauser", do alemão Werner Herzog. Nos dez dias seguintes, o público assistiu no mesmo local a outros 18 filmes. O voto popular foi caseiro e premiou "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia", de Hector Babenco.
A 34ª edição da Mostra, que será aberta ao público nesta sexta-feira (22) e se estenderá até 4 de novembro, lembra apenas vagamente aquele evento de dimensões modestas criado pelo crítico Leon Cakoff, então responsável pela programação de cinema do Masp. Cakoff continua à sua frente, mas agora o festival programa cerca de 450 títulos em 25 salas (incluindo uma instalada no terreiro "A Pele do Invisível", na Bienal de São Paulo) e no vão livre do próprio Masp.
Não há como acompanhar por inteiro um megaevento dessa natureza. Cada espectador é obrigado a fazer o seu recorte da programação, com base nas sugestões da imprensa, nas indicações de amigos, nos comentários trocados nas filas das salas e, por que não, em apostas -- calibradas ou cegas. A oferta combina longas que serão lançados em breve no circuito comercial com outros que talvez jamais sejam exibidos outra vez por aqui, em espécie de mosaico gigantesco do estado das coisas no cinema internacional hoje.
Inicialmente organizada em torno de uma única seleção, a Mostra divide-se agora em seções. Na competição Novos Diretores, cineastas que estejam no máximo em seu terceiro longa-metragem disputam os prêmios do júri oficial, que faz suas escolhas a partir de recorte determinado pelo voto do público. Os títulos estrangeiros fora de competição compõem a Perspectiva Internacional. A Mostra Brasil engloba três subseções: Competição (com o voto popular também restringindo o universo de candidatos), Perspectiva e Curtas. O pacote se completa com retrospectivas, homenagens e apresentações especiais.
A 34a. Mostra promoverá também o 11º Festival da Juventude, que exibirá -- exclusivamente para estudantes -- filmes de temática jovem, em sessões gratuitas no Cine Livraria Cultura, no Cine Sabesp e no MIS (Museu da Imagem e do Som). E pode-se acompanhar o festival até mesmo sem sair de casa: pelo segundo ano consecutivo, uma seleção de filmes estará disponível para streaming no Festival Online, hospedado no Mubi. Cada título será visto pelos primeiros 500 acessos, e apenas depois da primeira exibição na Mostra.
Além do Festival da Juventude, a entrada será gratuita também em todas as sessões do Centro Cultural São Paulo, do Cine Olido, do CEU Perus, do MIS, da Matilha Cultural e do vão livre do Masp. Nos outros espaços, os ingressos custam R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia), de segunda a quinta; e R$ 18 (inteira) e R$ 9 (meia), de sexta a domingo. Quem não comprou permanentes ou pacotes de vale-ingresso, que permitem retirada antecipada, tem garantida uma cota mínima de entradas para todas as sessões, disponível no horário de abertura da bilheteria de cada sala -- mas que se esgota rapidamente no caso dos filmes mais procurados.
Duas exposições também integram a programação da 34ª Mostra. "Kurosawa – Criando Imagens para Cinema" reúne 80 storyboards (desenhos de produção) criados pelo japonês Akira Kurosawa (1910-1998) para “Kagemusha” (1980), “Ran” (1985), “Sonhos” (1990), “Rapsódia em Agosto” (1991), “Madadayo” (1993) e “Sob o Olhar do Mar” (2002), de Kei Kumai, com roteiro de Kurosawa. Aberta nesta sexta (22), ela permanecerá em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 28 de novembro. Inaugurada nesta quinta (21), a exposição "Lugares, Estranhos e Quietos" reúne fotografias inéditas do cineasta alemão Wim Wenders no Masp, até 9 de janeiro. Ao menos nesses dois casos, ninguém precisa se estressar nas próximas semanas.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

'Cidade de Deus' é 6º melhor filme de ação da história, diz 'Guardian'


O filme "Cidade de Deus" (2002), do diretor brasileiro Fernando Meirelles, foi incluído na sexta posição em uma lista com os 25 melhores filmes de ação de todos os tempos, divulgada nesta terça-feira pelo jornal britânico The Guardian. Desde o último sábado, os jornais The Guardian e The Observer vem publicando listas com os 25 melhores filmes que seus críticos consideram os melhores em sete gêneros, um por dia, entre eles ação, romance e policial.

O filme de Meirelles, que recebeu quatro indicações ao Oscar em 2004, divide a lista de filmes de ação com clássicos como "Apocalypse Now" (1979, do diretor Francis Ford Coppola), em primeiro lugar, "Intriga Internacional" (1959, de Alfred Hitchcock), em segundo, e "Era Uma Vez no Oeste" (1968, de Sergio Leone), em terceiro.

A lista também inclui o clássico de 1938 "As Aventuras de Robin Hood", de Michael Curtiz e William Keighley, na 15ª posição, e sucessos contemporâneos como "O Tigre e o Dragão", do diretor Ang Lee, lançado em 2000, na nona posição. "Goldfinger" (1964), filme do diretor Guy Hamilton com o agente 007, é 17º na lista.
Outras categorias
Os jornais também já publicaram listas com os 25 melhores filmes nas categorias romance, policial e comédia. A lista de romance é liderada por "Desencanto" (1945), de David Lean, seguido de "Casablanca" (1942) e "Antes do Amanhecer" (1995). "Chinatown" (1974), de Roman Polanski, foi considerado o melhor filme policial, superando "A Marca da Maldade" (1958), em segundo lugar, e "Um Corpo que Cai" (1958), em terceiro.

Na categoria comédia, "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977), de Woody Allen foi considerado pelo The Guardian o melhor, à frente de "Borat" (2006) e "Quanto Mais Quente Melhor" (1959), respectivamente em segundo e terceiro lugares. Nos próximos dias, o jornal deve publicar suas listas com o que considera ser os 25 melhores filmes nos gêneros terror, drama e ficção científica.
Nos próximos dias, o jornal deve publicar suas listas com o que considera ser os 25 melhores filmes nos gêneros terror, drama e ficção científica.
Os melhores filmes de ação, segundo o The Guardian
1. "Apocalypse Now" (1979)
2. "Intriga Internacional" (1959)
3. "Era Uma Vez no Oeste" (1968)
4. "Meu Ódio Será Sua Herança" (1969)
5. "Amargo Pesadelo" (1972)
6. "Cidade de Deus" (2002)
7. "Glória Feita de Sangue" (1957)
8. "O Salário do Medo" (1953)
9. "O Tigre e o Dragão" (2000)
10. "Além da Linha Vermelha" (1998)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A crise americana explicada por Michael Moore



Não sei se Michael Moore pode ser definido como um grande cineasta. Acredito mais na hipótese de ele ser um grande contador de histórias, com muita coragem, e uma câmera na mão. A diferença? Bom, sem discutir a qualidade das suas produções, sempre impecáveis, diga-se de passagem, ele vende a história que ele quer, do jeito que ele quer, e faz com que você termine de assistir seus filmes acreditando no seu discurso de protesto. Isso é errado? Não! Mas é somente uma das formas em que o cinema, e os documentários podem ser explorados.

Nada contra. Sou até um grande admirador de suas produções, e compartilho de várias de suas opiniões. E, por isso mesmo acho que em Capitalismo: Uma história de Amor, Michael adotou uma postura mais conservadora, diferente dos seus primeiros filmes, em que ele queria colocar o dedo na ferida, independente de QUEM fosse essa ferida.

Claro que ele continua um cara muito corajoso com uma câmera na mão. Resultado, muito provavelmente, do seu sucesso em filmes anteriores. Como pode ser visto na cena em que ele isola a bolsa de valores de NY e outras empresas com uma fita de polícia com a inscrição "cena de crime", e com um megafone pede para que todos saiam com as mãos para cima pois aquele local aconteceram crimes e todos devem ser presos. Qualquer outro documentarista talvez não se arriscasse tanto.

O documentário explora as raízes da crise financeira global, no período de transição entre a saída de George Bush e a posse de Barack Obama no governo dos EUA, as falcatruas políticas e econômicas que culminaram no que o diretor descreve como "o maior roubo da história dos EUA": a transferência de dinheiro dos contribuintes para instituições financeiras privadas.

Fantástico talvez, pois suas produções têm a sua "cara", e mais do que mostrar a realidade, ele mostra o seu ponto de vista, e a sua contribuição numa situação com a qual não concorda.

Um documentário não é pra qualquer audiência, assim como não o é Michael Moore. Sua visão política e de protesto pode ser um pouco assustadora, mesmo para os já acostumados com suas peripécias. Sua produção é impecável, com grande cuidado com fotografia e áudio (grande parte com sua própria narração e entrevistas diversas com especialistas ou envolvidos nas questões apontadas). Uma grande pedida para quem busca um pouco mais de informação além do entretenimento, mas fica a ressalva de ser assistido com a cabeça aberta, uma vez que a realidade de Michael Moore pode ser mais chocante do que aquilo que estamos acostumados a ver nos telejornais.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Michael Moore
Elenco: -documentário-
Produção: Kathleen Glynn, Michael Moore
Roteiro: Michael Moore
Duração: 120 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Documentário
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Dog Eat Dog Films / Overture Films / Paramount Vantage