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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A invenção de Hugo Cabret

254130Às vésperas da premiação do Oscar 2013, nada mais justo do que assistir a um dos ganhadores do último ano. A invenção de Hugo Cabret é o cinema batendo palmas para o próprio cinema. Justo? Talvez. O produto final é muito interessante, e visualmente fora de série. Por isso mesmo levou todas as estatuetas de efeitos visuais.

Mas o meu talvez não se refere ao produto final do filme, que é muito bem produzido, com esmero visual, musical, e histórico. Trata-se de uma produção que valoriza os tempos áureos do cinema, mas com o acabamento atual. E nese sentido, tem toda aquela atmosfera antiga, com vestimentas e objetos de época. Tudo para simular da melhor maneira possível, a época em que o cinema surgia.

A história leva um tempo para engrenar, você é capaz de sentir falta de uma pimentinha de ação, e no fim, apesar do belo filme, fica uma certa sensação de exaustão, principalmente por causa dos muitos detalhes, e pelo fato de o filme ser um pouco mais longo do que poderia.

No geral, detalhes bobos, para o tamnho da produção. O elenco é liderado por 4 grandes nomes, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield e Chloë Grace Moretz. Um ator clássico, um desajeitado fanfarrão (que abandonou totalmente esse lado nesse papel) e duas novas (prováveis) estrelas. Eles funcionam perfeitamente em seus papeis e no conjunto, dando muito valor à trama.

Realmente, como apontado e premiado pela própria Academia, a parte técnica é um primor, com grandes efeitos visuais, cores efervescentes, tudo combinado para agradar o olhar até do espectador mais crítico.

No filme, Hugo Cabret (Asa Butterfield) é um menino de 12 anos que vive escondido em uma estação de trem na Paris dos anos 30, onde cuida da manutenção de gigantescos relógios, função anteriormente exercida por seu tio desaparecido (Ray Winstone). À noite, usando peças de brinquedos que ele furta de uma loja da estação, o menino tenta consertar um autômato, única lembrança que herdou do pai, para desvendar um enigma. Seus planos, porém, correm perigo quando ele é descoberto pelo dono da loja e pela curiosa Isabelle (Chloë Grace Moretz).

Uma belíssima produção, que tem tudo para encantar. O visual do filme é incrível, e a seleção de atores muito bem feita. Tudo parece funcionar bem, com um ou outro porém em sua história, que acaba tirando um pouco da nota no final. O filme peca pelo excesso de detalhes, e por apostar em explicar o já explicado. Seus instantes finais valem muito mais do que a hora inicial, por exemplo. Mesmo assim, um belo filme para toda a família.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Martin Scorsese
Elenco: Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ray Winstone, Emily Mortimer, Christopher Lee, Helen McCrory, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour, Richard Griffiths, Jude Law, Kevin Eldon, Gulliver McGrath, Shaun Aylward, Emil Lager, Angus Barnett, Edmund Kingsley, Max Wrottesley, Marco Aponte, Ben Addis, Robert Gill, Ed Sanders, Terence Frisch, Max Cane, Frank Bourke, Stephen Box, Mihai Arsene, Eric Haldezos, Alexandra Metaxa, Martin Scorsese
Produção: Johnny Depp, Tim Headington, Graham King, Martin Scorsese
Roteiro: John Logan
Fotografia: Robert Richardson
Trilha Sonora: Howard Shore
Duração: 126 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: GK Films
Classificação: Livre

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Ditador

Achar que o humor de Sacha Baron Cohen é ousado ou ofensivo vai do repertório de cada espectador. Imaginar que seu "protesto" em forma de filme serve para algum propósito político é, no mínimo, valorizar demais a força de sua atuação. Ao mesmo tempo, se ofender com as tiradas nem sempre politicamente corretas de Sacha é bancar o inocente, em uma época que o humor abandonou o lado engraçadinho para atingir o espectador de uma maneira mais racional. Nem sempre o humor tem apenas a intenção de fazer seu espectador rir, mas também refletir a respeito do que acontece no seu entorno. É o que acontece com os filmes de Sacha, em seu jeito peculiar de criticar o mundo, e a partir disso, colecionar fãs ou alguns não tão fãs assim.

No caso de O Ditador, creio haver uma diferença com suas outras produções. Em Borat, ou mesmo Bruño, Sacha tenta aplicar uma cara de documentário às suas produções. Agora a trama segue de maneira diferente, com um enredo e uma história como coluna para sua produção.

O filme capricha na fotografia, e consegue criar uma atmosfera bastante curiosa a respeito da sua história. Com pitadas de realidade aqui e acolá, O Ditador critica abertamente os EUA e sua política internacional. Seu jeito de lidar com as minorias, imigrantes ilegais, trabalho escravo, e como o governo observa e age com cada caso envolvendo estrangeiros. Não deixa de ser um ponto de vista, mas se é o mais correto, ou o mais incorreto, cabe a cada um dos espectadores julgar. O filme é capaz de provocar algumas boas risadas e também alguns bons momentos de reflexão.

O filme conta sobre um ditador árabe (Sacha Baron Cohen) que tenta fazer de tudo para que a democracia não chegue ao seu país. Durante uma reunião da ONU, nos Estados Unidos, ele conhece um sósia e acaba se apaixonando pela dona de uma loja de alimentos, a partir daí, seu governo é colocado em uma situação de risco. Perdendo a cadeira de governante para seu sósia, talvez apenas a democracia, tão odiada e evitada anteriormente, possa ajudá-lo a recuperar seu governo, e também o seu amor.

Não se trata de uma comédia para todos os públicos. Pensar no jeito peculiar com que muitas situações são apresentadas, pode parecer ofensivo em vários momentos. Isso também não transforma o filme em um lixo total. O espectador precisa saber escolher o que vai assistir, e se optar por uma produção desse tipo, preparar seu coração e espírito para a visão crítica de seus produtores, diretores e porque não, até de seu elenco. O Ditador consegue ser mais agradável que os filmes anteriores de Sacha, mas a todo instante rola uma pitadinha de crítica politicamente incorreta. Humor? Talvez. O filme consegue arrancar algumas risadas, mas nem sempre tem apenas a intenção de fazer rir. Uma pedida interessante para quem curte uma comédia mais ácida, ou para quem gosta do estilo de filme feito por Sacha. No geral, embora não seja um filme para toda a família, é menos pesado e mais "atraente" que outras tantas produções que também tentam ser críticas e engraçadinhas.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Larry Charles
Elenco: Megan Fox, Sacha Baron Cohen, Anna Faris, John C. Reilly, Ben Kingsley, B. J. Novak, Kevin Corrigan, J.B. Smoove, Jim Piddock, Aasif Mandvi, Danielle Burgio, Ross Ryman, Fred Melamed, Niyi Oni, Adeel Akhtar, Jeff Grossman, Chris Gethard, Rock Kohli, Pean T. Krishnan, Peter Conboy, Moe Hindi, Joanna Moskwa, Natasha Ononogbo, Tracey Ruggiero, Andrew Rogers, Tony Joe, Loukas Papas, Eliyas Qureshi, Daniel Burress, Mohamed Alshami, Jasmine Hope Bloch, Anton Obeid, Larry Gevirtz, Jenny L. Saldaña, Mahmoud Atry, Carmel Amit, Glenn Andreiev, Ari Barkan, Akim Black, Ivan Cardona, Sheena Colette, Tara Copeland, Barbara Ann Davison, Kevin Dedes, Stephen Dexter, Amanda Dutton, Marshall Factora, Aja Frary, Shawn Gonzalez, Sean Grady, Michael C Hoaglin, Peter Iasillo Jr., Sam Ibram, Ebrahim Jaffer, Sondra James, Alex Kruz, Arash Mokhtar, Dushawn Moses, Michelle Nagell, Kelsey O'Brien, Melina Paez, Catherine Pierce, Dennis Rees Sardor Sodikov, Naeem Uzimann, Steven Weisz
Produção: Sacha Baron Cohen, Alec Berg, David Mandel, Scott Rudin, Jeff Schaffer
Roteiro: Sacha Baron Cohen, Alec Berg, David Mandel, Jeff Schaffer
Fotografia: Lawrence Sher
Trilha Sonora: Erran Baron Cohen
Duração: 94 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Four by Two / Kanzaman
Classificação: 14 anos 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Visite a ilha do medo


Instigante e irritante. Assim podemos resumir Ilha do Medo. A trama do filme surpreende, mas num certo momento (se você decidir bancar o detetive por conta, e estiver prestando atenção aos detalhes) torna-se previsível possibilitando ao seu espectador, que antecipe algumas passagens. Não que isso vá estragar o seu final, ou até pode acontecer, mas torna a jornada levemente frustrante. Isso acontece também quando se chega ao desfecho final. Após tantos detalhes, em um enredo bem construído, com uma excelente pitada de suspense, a conclusão lhe dá um tapa na cara e desmente tudo o que foi visto até então.

Ruim? Não penso assim. O filme é uma boa pedida para quem curte um suspense, mas o desenvolvimento da história se torna menos surpreendente em alguns momentos e até chega a decepcionar (ao menos de leve).

No filme, retratado em 1954, o detetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de uma assassina, que fugiu de um hospital psiquiátrico e está supostamente foragida na remota Ilha Shutter. Quanto mais perto da verdade ele chega, mais enganosa ela se torna.

O elenco funciona bem, e conta com nomes consagrados, como é o caso do próprio Leonardo Dicaprio, Ben Kingsley e Max von Sydow.

No geral, Ilha do Medo é um bom filme. Melhor ainda se você curte um suspense bastante razoável. Novamente fica o conselho de assistir com a mente aberta.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Emily Mortimer, Michelle Williams, Max von Sydow, Jackie Earle Haley, Dennis Lynch.
Produção: Brad Fischer, Mike Medavoy, Arnold Messer, Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis, baseado em obra de Dennis Lehane
Fotografia: Robert Richardson
Duração: 148 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Phoenix Pictures / Sikelia Productions / Appian Way / Hollywood Gang Productions / Paramount Pictures
Classificação: 14 anos

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O príncipe dos games na telona


Príncipe da Persia – As Areias do Tempo é mais um daqueles filmes adaptados dos games, mas dessa vez parece que acertaram na dose. Particularmente, destaco poucos filmes de games como fiéis à sua história (já expliquei isso neste blog), e achei que Príncipe da Persia poderia se perder em um enredo genérico e sem sentido.

Ledo engano, o filme supera as expectativas, em todos os detalhes. São excelentes doses de ação, belíssima e bem cuidada fotografia, uma trilha sonora perfeita, e um elenco que funciona muito bem sem apostar em estrelas super ultra consagradas.

Com boas doses de ação, uma trama bem estruturada, um tempero de romance, além de personagens bem definidos, o filme agrada bastante. Sem exagerar na dose e deixando no ar aquela sensação de continuação (que virá em breve, com certeza).

O filme conta a história do príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal) que precisa ajudar seu pai na luta contra inimigos que ameaçam seu reinado. Mas tudo se complica, porém, quando ele encontra uma adaga mágica, capaz de mudar a história. Induzido por um feiticeiro moribundo, Dastan acaba transformando todo o reino em um lugar demoníaco e agora somente ele poderá desfazer a maldição.

Um super filme para ser assistido e repetido até cansar por toda a família. Diversão garantida com direito a gostinho de quero mais. Não foi tão explorado pelos marketeiros, mas ainda assim deve se transformar num dos destaques do ano. Grande pedida.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Mike Newell
Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Toby Kebbell, Richard Coyle.
Produção: Jerry Bruckheimer
Roteiro: Carlo Bernard, Jordan Mechner, Doug Miro, Boaz Yakin
Fotografia: John Seale
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams
Duração: 116 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Buena Vista Pictures
Estúdio: Jerry Bruckheimer Films / Walt Disney Pictures
Classificação: 12 anos