Há exatos 14 anos morria Akira Kurosawa, um dos diretores mais influentes do cinema, que inspirou uma geração de cineastas e abriu as portas do mundo à cultura oriental.
Nascido em Tóquio em 23 de março de 1910, Kurosawa era o mais jovem de oito irmãos de uma família descendente de samurais. Ele tentou ser pintor e fez exames para o Centro de Pesquisas de Arte Proletária no ano de 1928, porém foi reprovado. Em 1935 fez seu primeiro ensaio cinematográfico, cujo tom crítico lhe rendeu um convite para trabalhar no novo estúdio de filmes Photo Chemical Laboratories, que mais tarde se tornaria o grande estúdio Toho.
Com cinquenta anos de carreira, Kurosawa dirigiu 30 filmes, clássicos como Yojimbo - O Guarda-Costas (1961), Os Sete Samurais (1954), sua obra-prima, Ran (1985) e Rashomon (1950). Por seus trabalhos, ganhou prêmios como o Leão de Ouro (por sua carreira), Palma de Ouro, o Bafta e foi indicado a vários Oscars. Em 1989 ele foi homenageado com o Oscar pelo conjunto de sua obra.
Seus filmes procuram criar um mundo de sonhos, ao dar valor às pequenas coisas da vida, como lindas paisagens, sons de rios, pássaros e também tratam de questões filosóficas como honra, amizade e outros valores da cultura oriental. Kurosawa sempre gostou também de mostrar o mal que a humanidade é capaz, mas sem descartar a bondade do homem que diante de escolhas morais cumpre seu papel diante do mundo.
O reconhecimento internacional não garantiu a Kurosawa sucesso em seu próprio país, sendo considerado um cineasta de segunda categoria no Japão. Chegou a ter dificuldades para conseguir financiamento para um de seus filmes nos anos 1970, mas foi auxiliado por jovens cineastas norte-americanos, hoje grandes nomes do cinema, como Steven Spielberg, George Lucas, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola.
O sucesso internacional garantiu que alguns trabalhos de Kurosawa ganhassem versões ocidentais, como Os Sete Samurais, refilmado como Sete Homens e um Destino (1960), e Yojimbo, que inspirou Por Um Punhado de Dólares (1964).
Em 1993, foi lançado o seu último filme, Madadayo, sobre a vida de um professor que se aposenta e apenas espera a morte chegar. Esse filme deixava claro que o gênio ainda não estava pronto para morrer. Entretanto, Kurosawa faleceu por hemorragia cerebral cinco anos depois, em 06 de setembro de 1998, aos 88 anos, em sua casa, após passar três anos em uma cadeira de rodas.
Até hoje o diretor continua a inspirar cineastas e existem projetos para refilmar alguns de seus maiores trabalhos.
Por Daniel Reininger, em 06/09/2012, no link http://www.cineclick.com.br/noticia/carregar/titulo/ha-14-anos-morria-akira-kurosawa-um-dos-cineastas-mais-influentes-do-mundo/id/35070
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Há 14 anos morria Akira Kurosawa, um dos cineastas mais influentes do mundo
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Mostra de SP: Megaevento, Mostra de Cinema exige disposição e paciência

A história da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo teve início em 21 de outubro de 1977, quando o auditório principal do Masp (Museu de Arte de São Paulo) exibiu, em duas sessões noturnas, "O Enigma de Kaspar Hauser", do alemão Werner Herzog. Nos dez dias seguintes, o público assistiu no mesmo local a outros 18 filmes. O voto popular foi caseiro e premiou "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia", de Hector Babenco.
A 34ª edição da Mostra, que será aberta ao público nesta sexta-feira (22) e se estenderá até 4 de novembro, lembra apenas vagamente aquele evento de dimensões modestas criado pelo crítico Leon Cakoff, então responsável pela programação de cinema do Masp. Cakoff continua à sua frente, mas agora o festival programa cerca de 450 títulos em 25 salas (incluindo uma instalada no terreiro "A Pele do Invisível", na Bienal de São Paulo) e no vão livre do próprio Masp.
Não há como acompanhar por inteiro um megaevento dessa natureza. Cada espectador é obrigado a fazer o seu recorte da programação, com base nas sugestões da imprensa, nas indicações de amigos, nos comentários trocados nas filas das salas e, por que não, em apostas -- calibradas ou cegas. A oferta combina longas que serão lançados em breve no circuito comercial com outros que talvez jamais sejam exibidos outra vez por aqui, em espécie de mosaico gigantesco do estado das coisas no cinema internacional hoje.
Inicialmente organizada em torno de uma única seleção, a Mostra divide-se agora em seções. Na competição Novos Diretores, cineastas que estejam no máximo em seu terceiro longa-metragem disputam os prêmios do júri oficial, que faz suas escolhas a partir de recorte determinado pelo voto do público. Os títulos estrangeiros fora de competição compõem a Perspectiva Internacional. A Mostra Brasil engloba três subseções: Competição (com o voto popular também restringindo o universo de candidatos), Perspectiva e Curtas. O pacote se completa com retrospectivas, homenagens e apresentações especiais.
A 34a. Mostra promoverá também o 11º Festival da Juventude, que exibirá -- exclusivamente para estudantes -- filmes de temática jovem, em sessões gratuitas no Cine Livraria Cultura, no Cine Sabesp e no MIS (Museu da Imagem e do Som). E pode-se acompanhar o festival até mesmo sem sair de casa: pelo segundo ano consecutivo, uma seleção de filmes estará disponível para streaming no Festival Online, hospedado no Mubi. Cada título será visto pelos primeiros 500 acessos, e apenas depois da primeira exibição na Mostra.
Além do Festival da Juventude, a entrada será gratuita também em todas as sessões do Centro Cultural São Paulo, do Cine Olido, do CEU Perus, do MIS, da Matilha Cultural e do vão livre do Masp. Nos outros espaços, os ingressos custam R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia), de segunda a quinta; e R$ 18 (inteira) e R$ 9 (meia), de sexta a domingo. Quem não comprou permanentes ou pacotes de vale-ingresso, que permitem retirada antecipada, tem garantida uma cota mínima de entradas para todas as sessões, disponível no horário de abertura da bilheteria de cada sala -- mas que se esgota rapidamente no caso dos filmes mais procurados.
Duas exposições também integram a programação da 34ª Mostra. "Kurosawa – Criando Imagens para Cinema" reúne 80 storyboards (desenhos de produção) criados pelo japonês Akira Kurosawa (1910-1998) para “Kagemusha” (1980), “Ran” (1985), “Sonhos” (1990), “Rapsódia em Agosto” (1991), “Madadayo” (1993) e “Sob o Olhar do Mar” (2002), de Kei Kumai, com roteiro de Kurosawa. Aberta nesta sexta (22), ela permanecerá em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 28 de novembro. Inaugurada nesta quinta (21), a exposição "Lugares, Estranhos e Quietos" reúne fotografias inéditas do cineasta alemão Wim Wenders no Masp, até 9 de janeiro. Ao menos nesses dois casos, ninguém precisa se estressar nas próximas semanas.
Por Sérgio Rizzo, em 21/10/2010, no link http://cinema.yahoo.net/noticia/carregar/titulo/mostra-de-sp-megaevento-mostra-de-cinema-exige-disposi-o-e-paci-ncia/id/27379
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