quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Edwin Boyd - A Lenda do Crime

Edwin Boyd - A Lenda do Crime, não chega a ser um filme surpreendente. Na verdade, ele não apresenta nada fora do usual. É a velha fórmula de transformar o vilão em herói, e fazer o espectador torcer por ele. Funciona? Claro que sim. E nesse caso também. Por isso mesmo, o filme apresenta elementos agradáveis, que atingem quem o assiste e até permite uma interação, daquelas que faz a pessoa pensar o que ela faria se estivesse na mesma situação.

É interessante por fazer essa troca. Mas apela mas algumas situações que já são lugar comum em muitas outras produções existentes. É o fato de transformar o vilão em herói, ou transformar um pai de família, trabalhador, em vilão, e a partir daí usar as questões familiares e de amizade para dar sequência à trama.

O elenco, com nomes como os de Scott Speedman, Kelly Reilly, Kevin Durand, Joseph Cross e William Mapother, é que seguram a história. Estilizado como uma história dos anos 40, o filme tem um visual antigo funcional, mas não exagera no aspecto de efeitos ou fotografias. Seu problema, nesse caso, é mesmo seu roteiro fraco. E a tradução, que o coloca como uma lenda do crime (fala a verdade, antes de ver esse filme ou ler esse post você nem imaginava quem era Edwin Boyd, não é mesmo?).

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Edwin Boyd, um ladrão de bancos que virou lenda nos Estados Unidos depois de uma sequência de assaltos, prisões e fugas da cadeia. Mas Edwin não era um ladrão qualquer. Charmoso, ele ganhou fama ao se destacar no mundo do crime, além de escolher uma vida cheia de perigos.

De verdade, essa sinopse não retrata fielmente o filme. Era uma outra época. As prisões não eram tão bem controladas, o camarada serrava as grades de várias celas sem ser percebido. Então, essas fugas nem eram tão espetaculares assim e, em todo contato que Boyd teve com a polícia, acabou levando a pior, sem nem pensar em fugir.

Acima de tudo, é um filme que trata relações familiares e de amizade, e as decisões tomadas a partir de acontecimentos inusitados em nossas vidas. Tem toda uma lição de moral (e de vida) que funciona, ao envolver o espectador na trama, fazendo com que ele reflita sobre os rumos a se seguir. É uma produção interessante, que se segura na atuação de seu bom elenco, mas que não apela para cenas de ação, perseguição ou tiroteio que fariam parte de qualquer outro filme do mesmo estilo. Boa pedida para quem procura um filme mais cabeça, sem necessariamente se importar com o roteiro mais fraco.

FICHA TÉCNICA

Drama/Policial - 14 ANOS | (Citizen Gangster) Canadá, 2011. Direção: Nathan Morlando. Elenco: Scott Speedman, Kelly Reilly, Kevin Durand, Joseph Cross, William Mapother, Brendan Fletcher, Brian Cox. Duração: 105 min.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vizinhos Imediatos de 3º Grau

253992Bom... não sei o que acontece com as comédias atuais. Grande parte delas precisa apelar para o escatológico para tentar agradar seu público, e mesmo assim não conseguem. Vizinho Imediatos de 3º Grau não chega a esse extremo (ok, só em algumas partes), mas não consegue ir além das poucas risadas de simpatia, e não por ser uma comédia impressionantemente engraçada.

A reunião de três grandes nomes em seu elenco (Ben Stiller, Jonah Hill e Vince Vaughn) talvez fosse uma tentativa de salvar o filme, mas no geral, a reunião deles, e de todo o elenco, não consegue agradar muito. Confesso não ser muito fã do estilo de Ben Stiller, embora reconheça que ele foi muito bem em outros filmes de sua carreira. Mas apostar na união de grandes nomes da comédia parece ser um jeito de pensar que a audiência só quer ver nomes de estrelas, sem se importar com o conteúdo da produção.

E o filme nem é tão ruim na parte técnica. Tem boa fotografia, bons efeitos visuais, e até uma boa trilha. Mas seu roteiro é fraco, previsível, e cheio de piadas prontas (e copiadas em excesso). Talvez esse seja o grande ponto negativo. Tudo mais seria colocado de lado se a trama tivesse sentido, e não abusasse de situações absurdas. No geral, faltou mesmo um acerto em seu roteiro.

No filme quatro sujeitos comuns unem-se para formar um grupo de vigilância comunitária. Na verdade, a reunião do quarteto não passa de uma desculpa para escaparem de suas vidas sem graça. Mas tudo muda quando eles, acidentalmente, descobrem que a sua cidade foi invadida por extraterrestres. 

Não é o pior filme que eu já vi em minha vida, mas também está longe de ser o melhor. Acredito até que ele cumpra seu papel de entreter seu espectador, mas no fim deixa aquela sensação de que alguns detalhes aqui ou ali poderiam melhorar, e muito, a coisa toda. O elenco não parece entrosado, apesar dos grandes nomes, e mesmo o esmero visual não salva do fraco produto final. Se você procura um filme pra passar tempo, talvez seja uma boa pedida, mas se você busca uma boa comédia, fique longe.
 

FICHA TÉCNICA

Diretor: Akiva Schaffer
Elenco: Jonah Hill, Ben Stiller, Vince Vaughn, Billy Crudup, Will Forte, Richard Ayoade, Nicholas Braun, Rosemarie DeWitt, Doug Jones, Jorma Taccone, Joe Nunez, Carissa Capobianco, Patricia French, Willam Belli, Cait Johnson, Justin Wheelon, Mel Rodriguez, Jonathan Hart, Bonnie Johnson, Erin Moriarty, Zack Mines, Alexander Isaiah Thomas, Jade Nicolette, Bradford Haynes, Hillary Brant, Jill Jane Clements, Joel Rogers, Thomas Elliott, Timothy J. Richardson, Liz Smallwood, Harley Max Shellhammer, Todd Maynor, Jaye Tyroff, Eric Goins, Kathlene Huslin, Canute Brown-Morgan, Taylor Prezzano, Dan Center
Produção: Shawn Levy, Tom McNulty
Roteiro: Seth Rogen, Evan Goldberg
Fotografia: Barry Peterson
Trilha Sonora: C. Douglas Cameron
Duração: 102 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: 21 Laps Entertainment / Twentieth Century Fox Film Corporation
Classificação: 12 anos

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Plano de Fuga

238831Apesar das pretensões que o filme possa ter (como qualquer filme), não acho que o resultado tenha sido tão ruim. Mel Gibson ainda é um grande astro, principalmente por seus filmes mais antigos, e mesmo tendo participado de produções menos apreciadas e de menor qualidade nos últimos tempos, ainda tem o seu charme.

Fato é que Plano de Fuga nem chega a ser um filme fora de série. É uma produção que utiliza alguns bons artifícios, como algumas (e também absurdas) cenas de perseguição e luta, mas investe na atuação de Gibson para segurar a trama. No geral é um filme que começa em ritmo acelerado, e não diminui a velocidade até o fim. Tudo é muito dinâmico, e parece exigir uma pronta resolução. Melhor para o espectador, que recebe a dose certa de entretenimento e tem acesso a um filme bastante agradável.

Até mesmo a fotografia de Plano de Fuga ajuda. Retrata com detalhes impressionantes o que seria a vida em um presídio. No mais, o elenco não deixa a peteca cair e vai bem durante todo o longa (apesar de alguns personagens serem meio caricatos). Arrisca ainda com algumas pílulas de humor que funcionam e agradam. Consegue até fugir de clichês de pontos previsíveis.

No filme, um criminoso americano (Mel Gibson) que foi preso pelas autoridades mexicanas e enviado para um presídio lotado de bandidos de alta periculosidade. Não bastasse essa experiência bizarra, ele acaba se envolvendo com uma família local e se metendo numa grande enrascada em terras estrangeiras porque a bandidagem agora quer a pele dele.

É uma boa pedida para quem procura um filme que investe em ação, humor, e na dinâmica de uma história que funciona bem e é agradável. Ponto forte é a velocidade da trama, que não se prende a detalhes desnecessários. Mel Gibson volta à forma em um filme de ação e lidera bem o elenco. Boa pedida para a matinê do fim de semana.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Adrian Grunberg
Elenco: Mel Gibson, Peter Stormare, Dean Norris, Bob Gunton, Kevin Hernandez, Scott Cohen, Stephanie Lemelin, Patrick Bauchau, Sofía Sisniega, Aaron Cohen, Jesús Ochoa, Denise Gossett, Gustavo Sánchez Parra, Daniel Giménez Cacho, Tenoch Huerta, Jace Jeanes, TomSchanley, Dolores Heredia, Zak Knutson, Dalibor Jajcanin, Roberto Sosa, Fernando Becerril, Omar Ayala, Paloma Arredondo, Clayton J. Barber, Blue Demon Jr., Aarón I. Campos, Manuel Domínguez, Boris Milaszenko.
Produção: Bruce Davey, Mel Gibson, Stacy Perskie
Roteiro: Mel Gibson, Adrian Grunberg, Stacy Perskie
Fotografia: Benoît Debie
Trilha Sonora: Antonio Pinto
Duração: 96 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Icon Productions
Classificação: 16 anos
 




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

269001Simplesmente fantástico! Isso, só pra começar. Difícil não se encantar com O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. O filme atende as expectativas de quem esperava a continuação (ou a explicação inicial) da igualmente fantástica trilogia de O Senhor dos Anéis. Mas para quem está preocupado por não ter assistido os outros filmes, é possível assisti-lo sem perder detalhes importantes. E pra quem já viu, será possível fazer ligações importantes (e entender) na trama.

Importante destacar que assim como a trilogia que deu origem à série, O Hobbit também foi dividido em 3 filmes, o que animou ainda mais os fãs de O Senhor dos Anéis. O filme se destaca em vários aspectos. Primeiramente é uma adaptação fora de série do livro O Hobbit, que não é assim um livro tão agradável. Ele envereda por detalhes minuciosos e acaba explicando em várias páginas o que poderia ser falado em algumas linhas. Esse desafio foi vencido, apesar do olhar mais ácido de alguns críticos, que avaliam não ser possível colocar em 3 super produções o conteúdo do livro original.

Enfim, isso não interfere em nada o resultado final. A produção consegue sim transferir para as telonas todos os elementos importantes da literatura, e consegue traduzir em imagens algumas passagens bem importantes. Nesse ponto, o roteiro parece ter a dose certa do sucesso. Prense a atenção do espectador, e em uma crescente evolução, deixa o gosto de quero mais no final.

Tecnicamente, o filme é outro encanto. A fotografia da produção, com suas locações externas, e efeitos visuais criam uma atmosfera perfeita para toda a trama. Ponto extra. Apesar de um início mais lento, que lembra um pouco o ritmo do primeiro filme da série (A Sociedade do Anel), o filme recupera a velocidade a partir da metade, e segura com maestria a atenção do espectador.

O elenco, com os nomes que participaram dos outros 3 filmes, vai bem do começo ao fim. Momento de matar a saudade de vários personagens que acabaram se tornando queridos, ou alguns que não chegaram a tanto. Mais um ponto forte do filme é o fato de retratar a história dos outros filmes, mas como se fosse um reinício. Isso significa que não há necessariamente a necessidade de você assistir em determinada ordem, mas entender que no final, todos eles se completam.

No filme, Bilbo Bolseiro terá de enfrentar uma jornada épica para retomar o Reino de Erebor, terra dos anões que foi conquistada há muito tempo pelo dragão Smaug. Com o apoio do mago Gandalf e um grupo de 13 anões, liderados pelo lendário guerreiro Thorin Escudo-de-Carvalho, Bilbo terá grandes desafios contra os poderosos Goblins e Orcs, além do traiçoeiro Gollum. Neste caminho, ele ganhará a posse do "precioso" anel, que está ligado ao destino de toda a Terra-Média, de uma maneira que não poderia imaginar.

Excelente pedida para toda a família. Melhor ainda se você ainda conseguir assistir no cinema (o filme está em cartaz desde o fim de 2012 e deve sair do circuito a qualquer momento). A produção valoriza as questões visuais e encanta seu espectador com paisagens e efeitos deslumbrantes. O elenco dos filmes anteriores dá um extra e consegue ser mais um ponto positivo a se considerar. Tudo favorece esta fantástica produção e tem tudo para agradar a todos os espectadores, quer sejam grandes fãs ou estejam tendo o primeiro contato com a história só agora. Grande pedida. Ótimo programa para toda a família.

Em tempo... alguns críticos chutaram o balde de O Hobbit, como se não fosse um filme agradável, que não justifica a espera de tantos anos, ou que ele não é capaz de ser "eficiente" e retratar a história agradável, como foi sua trilogia inicial (ou final). Fato é que talvez tenha se criado uma expectativa muitíssimo alta. Não que o filme não mereça essa cobrança. Pela qualidade crescente de sua trilogia, é possível que algumas pessoas esperassem o mesmo pique, mas na verdade trata-se de um recomeço, e por isso mesmo o ritmo é um pouco mais morno. Se é ruim? Não acredito. É uma grande produção, e uma excelente dose de entretenimento. Creio que as coisas aquecerão nas continuações, mas para um reinício, o produto final está muito acima do que poderia ser imaginado. Assista sem medo, você não se arrependerá.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Peter Jackson
Elenco: Cate Blanchett, Saoirse Ronan, Elijah Wood, Martin Freeman, Christopher Lee, Ian McKellen, Andy Serkis, Richard Armitage, Aidan Turner, James Nesbitt, Bret McKenzie, Luke Evans, Hugo Weaving, Evangeline Lilly, Orlando Bloom, Benedict Cumberbatch, Lee Pace, Iam Holm, Graham McTavish, Mikael Persbrandt, Barry Humphries, Ken Stott, Conan Stevens, Sylvester McCoy, Jed Brophy, Jeffrey Thomas, Stephen Hunter, Renee Cataldo, JohnCallen, Peter Hambleton, William Kircher, Adam Brown, Mark Hadlow, Michael Mizrahi, RobinKerr, RyanGage, Ray Henwood
Produção: Peter Jackson, Fran Walsh, Carolynne Cunningham
Roteiro: Peter Jackson, Philippa Boyens, Guillermo del Toro, Fran Walsh
Fotografia: Andrew Lesnie
Trilha Sonora: Howard Shore
Duração: 169 min.
Ano: 2012
País: EUA/ Nova Zelândia
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / New Line Cinema / WingNut Films / 3Foot7
Classificação: 12 anos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Globo de Ouro perde prestígio e influencia menos na corrida pelo Oscar

Começando do alto, à esq., em sentido horário: cenas de As Aventuras de Pi, O Lado Bom da Vida, Indomável Sonhadora e Lincoln, candidatos ao Oscar de melhor filme

A expressão de espanto de Ben Affleck quando foi anunciado como o vencedor do Globo de Ouro de melhor diretor rapidamente se transformou em felicidade pela vitória. O galã provavelmente não acreditava que sairia da festa com o prêmio depois de ter sido esnobado pelo Oscar. Seu trabalho à frente de “Argo”, um dos filmes mais elogiados do ano, sequer é finalista na categoria de direção, embora o longa tenha recebido sete indicações.

Os resultados de 2013 parecem apontar que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a dona do Oscar, e Associação de Imprensa Estrangeira nos Estados Unidos, a mãe do Globo de Ouro, que sempre foi considerado uma prévia do prêmio da Academia, caminham por estradas cada vez mais diferentes. Apenas dois cineastas concorrem na categoria de direção nas duas premiações: Steven Spielberg e Ang Lee.

“Argo” ainda foi eleito como melhor filme dramático pelo Globo de Ouro. Em outras épocas, ele seria o franco favorito para o Oscar de melhor filme, mas se o resultado se repetir na festa da Academia, será a primeira vez em 23 anos que um filme ganha o prêmio principal sem ter o diretor indicado. Em toda a história do Oscar, isso só aconteceu três vezes: com “Asas” (1927), de William Wellman, “Grande Hotel” (1932), de Edmund Goulding, e “Conduzindo Miss Daisy” (1989), de Bruce Beresford.

Durante muito tempo, a vitória no Globo de Ouro era uma espécie de carimbo para o prêmio da Academia. Os produtores de filmes como “Ben-Hur”, “A Noviça Rebelde”, “Um Estranho no Ninho”, “Laços de Ternura” e “Titanic” passaram pelo palco do prêmio dos jornalistas estrangeiros antes de receber o Oscar. Dos 69 anos em que os prêmios coexistem, os vencedores se repetiram 45 vezes. Número que só não é maior porque, nos últimos dez anos, a Academia resolveu ignorar o resultado do Globo de Ouro.

Dos dez últimos vencedores do Oscar de melhor filme, apenas quatro levaram o prêmio dos jornalistas estrangeiros: “Chicago”, “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”, “Quem Quer Ser um Milionário?” e “O Artista”. E isso porque, teoricamente, o Globo de Ouro tem duas chances de “adivinhar” o ganhador do Oscar, já que premia os filmes em duas categorias separadas: melhor filme dramático e melhor comédia ou musical.

E quando acontecem os desencontros, eles mostram que as duas premiações seguem lados praticamente opostos. O melodrama “O Segredo de Brokeback Mountain” ganhou o Globo de Ouro em 2006, ano em que a Academia elegeu o urbano “Crash”. Em 2008, foi a vez do drama de época, “Desejo e Reparação”, levar o Globo de Ouro, enquanto o Oscar preferiu o independente “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Já em 2011, o moderninho “A Rede Social” ficou com o prêmio dos jornalistas, enquanto os acadêmicos escolheram o tradicional “O Discurso do Rei”.

De uns tempos para cá, a Associação da Imprensa Estrangeira tem demonstrado uma preocupação com o show televisivo que é a festa de entrega dos prêmios. Quantos mais astros e estrelas no palco e na plateia, melhor. Um caso clássico é o de Sharon Stone, que venceu o Globo de Ouro por “Cassino”, única vez em que concorreu ao Oscar, mas recebeu ao todo quatro indicações. Duas delas por filmes que caíram no esquecimento ou que ninguém chegou a ver, “Sempre Amigos” e “A Musa”. Tom Cruise nunca ganhou um Oscar, mas tem três indicações. O prêmio dos jornalistas ele já levou três vezes (de um total de nove candidaturas).

A manutenção de duas categorias (drama e comédia)  para atores e atrizes protagonistas garante que haja 30 intérpretes indicados a cada ano, em vez dos 20 nos quatro quesitos de atuação no Oscar. Por causa de opções como esta, Meryl Streep, que ganhou 3 e foi indicada 17 vezes ao Oscar, já levou 7 Globos de Ouro e foi finalista 25 vezes (sem contar os prêmios de TV). Leonardo Di Caprio, indicado neste ano, já concorreu 9 vezes ao Globo de Ouro e ganhou numa delas, mas tem apenas 3 indicações ao Oscar.

Essa preocupação com a presença de estrelas ajuda a decifrar algumas vitórias na edição 2013 do Globo de Ouro. Na categoria de roteiro, “Lincoln” e “Argo” eram favoritos, com “O Lado Bom da Vida” correndo por fora, mas o vencedor foi “Django Livre”. Curiosamente, Quentin Tarantino era o único “astro” entre os indicados. Bradley Cooper, elogiadíssimo, era o preferido nas apostas para ator em comédia ou musical, mas ter Hugh Jackman, de “Os Miseráveis”, no palco foi irresistível para o Globo de Ouro.

Diante do choque entre os dois prêmios, o que podemos esperar que aconteça na noite de entrega do Oscar?

Filme -- “Argo” ganhou o Globo de Ouro de filme dramático. “Os Miseráveis” foi eleito na categoria comédia ou musical. Os dois longa concorrem, mas nenhum tem o diretor indicado ao Oscar, o que enfraquece suas candidaturas. Será que isso vai beneficiar “Lincoln”, de Steven Spielberg? 

Diretor -- Ben Affleck ganhou o Globo de Ouro e sequer é finalista para o Oscar. Pela lógica da popularidade, Spielberg já ganhou.

Daniel Day-Lewis, ganhador do Globo de Ouro de melhor ator de drama por "Lincoln", é o favorito ao Oscar de melhor ator

Ator -- Daniel Day-Lewis (“Lincoln”), repetindo toda a temporada de prêmios, foi o melhor ator dramático. Parece imbatível.

Atriz -- Jessica Chastain (“A Hora Mais Escura”) e Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”) ganharam o Globo de Ouro. Seriam as favoritas, mas o Oscar indicou Emmanuelle Riva, de “Amor”. Só duas atrizes estrangeiras ganharam o Oscar falando seus idiomas nativos, Sophia Loren e Marion Cotillard, mas será que a Academia vai resistir a uma velhinha de 86 anos, lenda viva do cinema, por um filme que teve surpreendentes 5 indicações?

Ator Coadjuvante -- Christoph Waltz (“Django Livre”) levou o Globo de Ouro, mas taí uma categoria em que qualquer um (Philip Seymour Hoffman, Robert De Niro, Alan Arkin e Tommy Lee Jones) tem chance de ganhar. Todos já levaram pelo menos um Oscar.

Atriz Coadjuvante -- Anne Hathaway (“Os Miseráveis”), outra aposta pop do Globo de Ouro, mas esta parece ser mesmo a favorita ao Oscar.

Resta aguardar as especulações e o lobby que vão correr soltos nos próximos dias e terão influência decisiva nos votos dos integrantes da Academia. A única certeza na festa deste ano é que esse “racha” com o Globo de Ouro deixou a festa do Oscar menos previsível e, como o que interessa em Hollywood é o espetáculo, a noite do dia 24 de fevereiro promete muito mais surpresas do que nos últimos anos.

Por Chico Fireman, em 16/01/2013, no link http://cinema.uol.com.br/ultnot/2013/01/16/globo-de-ouro-perde-prestigio-e-influencia-menos-na-corrida-pelo-oscar.jhtm

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Conheça os filmes mais vistos no Brasil em 2012

Os Vingadores

Mais um ano acabou e muitos filmes bons passaram pelas telonas. Alguns agradaram mais do que outros, claro, mas você sabe quais foram os longas mais vistos de 2012?

Se você chutou Os Vingadores, acertou! Mais de 10 milhões de brasileiros foram assistir ao filme dos heróis da Marvel, que faturou R$ 130 milhões nas bilheterias, segundo dados das distribuidoras.

Em segundo lugar o fenômeno adolescente, A Saga Crepúsculo - Amanhecer Parte 2, levou 9 milhões de pessoas aos cinemas e faturou R$ 104 milhões. Seguido de perto pela animação A Era do Gelo 4 e seus 8 milhões de espectadores.

O Espetacular Homem-Aranha, reboot do cabeça de teia nas telonas dirigido por Marc Webb, e Madagascar 5 fecham o top 5 do ano passado. O longa-metragem brasileiro melhor colocado foi Até Que A Sorte Nos Separe, que levou mais de 3 milhões de pessoas aos cinemas e arrecadou R$ 34,7 milhões.

Confira os filmes mais vistos em 2012 e os valores arrecadados nas bilheterias brasileiras:

1. Os Vingadores - The Avengers - R$ 130 milhões
2. Amanhecer - Parte 2 - R$ 104,1 milhões
3. A Era Do Gelo 4 - R$ 94,3 milhões
4. O Espetacular Homem-Aranha - R$ 60,4 milhões
5. Madagascar 3: Os Procurados - R$ 58,2 milhões
6. Batman - O Cavaleiro Das Trevas Ressurge - R$ 55 milhões
7. Alvin E Os Esquilos 3 - R$ 39,7 milhões
8. Valente - R$ 37,2 milhões
9. Até Que A Sorte Nos Separe - R$ 34,7 milhões
10. Os Mercenários 2 - R$ 33,2 milhões

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Linha do Tempo

9301Linha do Tempo é um daqueles filmes que promete bastante, com uma história audaciosa, elenco repleto de grandes nomes (que talvez nem fossem tão grandes à época), efeitos visuais empolgantes, e que não chega a ser tudo isso, mas entrega ao espectador a dose exata de entretenimento necessário para se tornar um filme agradável.

A história é o grange diferencial, envolvendo passado e presente, elementos da história e um grupo jovem de estudiosos, que se envolvem em uma trama para resgatar um professor (pai de um desses jovens), e que por fim, se envolvem em uma grande batalha histórica. Apesar de alguns clichês e de certa previsibilidade, o roteiro segura bem o ritmo do filme, e vai bem do começo ao fim.

O elenco é repleto de novos astros. Paul Walker, Frances O'Connor, Gerard Butler, Billy Connolly e Ethan Embry encabeçam a lista, e trabalham bem, sem exageros, sem destaques individuais. A história depende mesmo do trabalho em grupo de todos.

O filme lembra um pouco algumas antigas produções. Algumas sessões da tarde, já vistas na TV, mas não decepciona. Investe bem em alguns efeitos visuais que funcionam bem e no mais, segue por um caminho de ação, aventura, e até uma pitada de romance.

No filme, um grupo de estudantes de Arqueologia vive uma aventura do passado ao tentar resgatar o professor Johnson (Billy Connolly), que ficou preso em uma guerra feudal entre franceses e ingleses. Eles chegam ao século 14 na França e fazem de tudo para salvar o professor e voltar para o presente.
Uma boa pedida para quem procura um filme sem exageros, com uma história bem desenvolvida, bom elenco, e uma combinação adequada de ação e aventura. O filme tem alguns clichês, e em certos momentos você tem certeza de já ter visto aquilo antes, mas nem por isso perde sua capacidade de entreter. Sua narrativa é dinâmica, sem se perder a detalhes desnecessários ou firulas cansativas. Parece mesmo um filme para TV. Não decepciona, e tem tudo para agradar todo tipo de espectador.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Richard Donner
Elenco: Paul Walker, Frances O'Connor, Gerard Butler, Billy Connolly, Ethan Embry.
Produção: Richard Donner, Lauren Shuler Donner, Jim Van Wyck
Roteiro: Jeff Maguire, George Nolfi
Fotografia: Caleb Deschanel
Trilha Sonora: Brian Tyler
Duração: 116 min.
Ano: 2003
País: EUA
Gênero: Ficção Científica
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Artists Production Group / Paramount Pictures