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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Guru em Hollywood, Robert McKee diz que roteiristas brasileiros devem aprender a não explicar tudo

Robert McKee diz que a melhor escrita dos EUA está na televisão atualmente

No filme “Adaptação”, de Charlie Kaufman, o protagonista, um roteirista em meio a uma crise de inspiração, decide se inscrever num famoso curso de roteiro: trata-se de “Story”, de Robert McKee. Conhecido como uma espécie de guru dos roteiristas de Hollywood — seus alunos já ganharam mais de 60 Oscars e 170 Emmys —, ele esteve no Brasil pela primeira vez em 2010 para ministrar as aulas do mesmo curso. Agora, em 2014, pelo segundo ano seguido, passou pelo país dentro do Programa Globosat de Roteiristas, projeto que aposta na formação para o crescimento do mercado audiovisual no país.

No filme, McKee é interpretado por Brian Cox e, embora não seja nada raivoso como o personagem — construído com sarcasmo por Kaufman — ele é sincero ao dizer quais são os principais pontos fracos nos roteiros das séries brasileiras.

— Os roteiristas precisam aprender a não explicar tudo. No Brasil, os personagens dizem exatamente o que estão pensando. Não existe subtexto. É preciso confiar que o ator e o público vão entender o que está sendo dito sem precisar de todas as palavras. Isso é absolutamente fundamental na hora de criar uma série com padrão internacional —afirma.

Já a indústria televisiva dos EUA não tem muito do que reclamar há pouco mais de uma década, quando uma leva de séries encabeçadas por “Família Soprano” deu início à uma Era de Ouro. McKee concorda com a afirmação de que a melhor escrita dos EUA hoje está na TV. E não apenas em comparação com o cinema: com a literatura e o teatro também, diz ele. E os motivos principais para os melhores roteiristas terem migrado do cinema para a TV (e, aos poucos, terem levado diretores e atores também) são dois: poder e liberdade.

— No cinema, o roteirista não tem a liberdade de que gostaria. Ele precisa agradar ao diretor, ao produtor, ao dinheiro. E o trabalho fica comprometido. Na TV, o roteirista manda. Porque o tempo para preencher é infinito, mas os verdadeiros talentos são poucos. Para aceitar escrever uma série, além de pedir muito dinheiro, o roteirista normalmente acumula o cargo de produtor-executivo. Além disso, na TV, é possível contar histórias que o cinema não ousaria. Há mais liberdade de criação e experimentação.

Em suas aulas sobre TV, o ensinamento mais valioso é que a chave de tudo é o personagem. Afinal, numa trama que pode chegar a durar 10 anos ou mais, é preciso que o público se mantenha interessado no protagonista.

— A complexidade psicológica é essencial. O personagem precisa ter contradições. Alguém como Dexter, por exemplo. É um cara legal, todos na polícia o adoram, faz bem seu trabalho, é bom pai.... E é um serial killer de precisão nazista. Essa contradição nos fascina. Não é fácil, mas é simples criar isso. Você precisa ter um insight para bolar a ideia, mas a técnica eu explico em dois minutos.

Isso nunca será diferente, ele defende. Mesmo com toda a tecnologia que vem mudando a forma com que os espectadores assistem à TV. No caso de uma série como “House of cards”, cuja temporada inteira fica disponível para quem quiser assisti-la de uma vez só, ele destaca o risco trazido pelo novo formato, já que não é possível “estrear dois ou três, ver a reação do público, e talvez ajustar algo”. Mas ressalta que manter o espectador querendo ver episódios sem parar sempre foi papel dos roteiristas.

— Meu filho insistia para eu assistir a “24 horas”, e eu não queria. Um dia, fui à locadora e aluguei 4 episódios. Comecei a assistir às 20h. À meia-noite, estava pronto para invadir a locadora. A série nos deixa de um jeito que você não consegue parar. Esse é o trabalho do roteirista.

Por Thaís Britto, para O Globo, em 10/02/2014.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Edwin Boyd - A Lenda do Crime

Edwin Boyd - A Lenda do Crime, não chega a ser um filme surpreendente. Na verdade, ele não apresenta nada fora do usual. É a velha fórmula de transformar o vilão em herói, e fazer o espectador torcer por ele. Funciona? Claro que sim. E nesse caso também. Por isso mesmo, o filme apresenta elementos agradáveis, que atingem quem o assiste e até permite uma interação, daquelas que faz a pessoa pensar o que ela faria se estivesse na mesma situação.

É interessante por fazer essa troca. Mas apela mas algumas situações que já são lugar comum em muitas outras produções existentes. É o fato de transformar o vilão em herói, ou transformar um pai de família, trabalhador, em vilão, e a partir daí usar as questões familiares e de amizade para dar sequência à trama.

O elenco, com nomes como os de Scott Speedman, Kelly Reilly, Kevin Durand, Joseph Cross e William Mapother, é que seguram a história. Estilizado como uma história dos anos 40, o filme tem um visual antigo funcional, mas não exagera no aspecto de efeitos ou fotografias. Seu problema, nesse caso, é mesmo seu roteiro fraco. E a tradução, que o coloca como uma lenda do crime (fala a verdade, antes de ver esse filme ou ler esse post você nem imaginava quem era Edwin Boyd, não é mesmo?).

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Edwin Boyd, um ladrão de bancos que virou lenda nos Estados Unidos depois de uma sequência de assaltos, prisões e fugas da cadeia. Mas Edwin não era um ladrão qualquer. Charmoso, ele ganhou fama ao se destacar no mundo do crime, além de escolher uma vida cheia de perigos.

De verdade, essa sinopse não retrata fielmente o filme. Era uma outra época. As prisões não eram tão bem controladas, o camarada serrava as grades de várias celas sem ser percebido. Então, essas fugas nem eram tão espetaculares assim e, em todo contato que Boyd teve com a polícia, acabou levando a pior, sem nem pensar em fugir.

Acima de tudo, é um filme que trata relações familiares e de amizade, e as decisões tomadas a partir de acontecimentos inusitados em nossas vidas. Tem toda uma lição de moral (e de vida) que funciona, ao envolver o espectador na trama, fazendo com que ele reflita sobre os rumos a se seguir. É uma produção interessante, que se segura na atuação de seu bom elenco, mas que não apela para cenas de ação, perseguição ou tiroteio que fariam parte de qualquer outro filme do mesmo estilo. Boa pedida para quem procura um filme mais cabeça, sem necessariamente se importar com o roteiro mais fraco.

FICHA TÉCNICA

Drama/Policial - 14 ANOS | (Citizen Gangster) Canadá, 2011. Direção: Nathan Morlando. Elenco: Scott Speedman, Kelly Reilly, Kevin Durand, Joseph Cross, William Mapother, Brendan Fletcher, Brian Cox. Duração: 105 min.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Meu Monstro de Estimação

Não sou muito fã de filmes com crianças ou animais. A combinação dos dois, então, costuma me afastar logo de cara. Seguindo esse gosto, fugi durante um bom tempo de Meu Monstro de Estimação, mas ao assistir este longa, preciso confessar, antes tivesse sido pego antes. O filme é uma grata surpresa e, muito contrário do que pensei, não tem nada daqueles detalhes "melosos" que costumam infestar produções nesse estilo.

Existe uma certa atmosfera de previsibilidade, mas no fundo, com seu roteiro bem elaborado, o filme garante boas doses de entretenimento. Tudo se deve à boa relação criada entre seu elenco e o tal monstro, que é feito em animação digital.

Nesse ponto, a produção é bem ambientada, mesclando de maneira muito eficaz, o real e o fictício. Os efeitos surpreendem e enriquecem a trama. Tudo vai bem e ilustra de maneira bastante funcional o que seria a época da Grande Guerra.

O elenco também trabalha muito para ajudar na qualidade do filme. São bons nomes, que funcionam bem em conjunto, e que fazem a história dar muito certo. Nesse ponto, a recriação do "mito" do Lago Ness, na Escócia, é uma tremenda sacada. É até possível acreditar que toda a narrativa do filme tenha de fato acontecido, obviamente com algum exagero aqui ou ali. Esses detalhes fazem o espectador viajar na história, que não fica preso em detalhes desnecessários e enfadonhos.

O filme conta que Angus MacMorrow (Alex Etel) é um solitário garoto que vive com sua mãe e sua irmã e espera seu pai retornar da guerra. Um dia, descobre um misterioso ovo na beira da praia, que dá origem a uma estranha criatura, que o levará a uma jornada inesquecível e única.

Apesar de algumas ressalvas próprias em filmes com crianças e animais, devo dizer que Meu Monstro de Estimação é uma grande pedida para toda a família. As boas atuações, combinadas com efeitos equilibrados, e uma trama bem construída e com um bom começo, meio e fim, deixam a produção bem animada. Existe um pouco de ação, um pouco de comédia, um pouco de drama, enfim, pitadas de bons elementos, capazes de construir um bom filme. Para o público infantil, pedida certa, para os adultos, também vale a sessão.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Jay Russell
Elenco: Alex Etel, Brian Cox, Emily Watson, Joel Tobeck, David Morrissey, Ben Chaplin, Craig Hall, Marshall Napier, Geraldine Brophy, Priyanka Xi, Jessica Kaczorowski
Produção: Robert Bernstein, Charlie Lyons, Barrie M. Osborne, Douglas Rae
Roteiro: Robert Nelson Jacobs, Dick King-Smith
Fotografia: Oliver Stapleton
Trilha Sonora: James Newton Howard
Duração: 111 min.
Ano: 2007
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Blue Star Pictures / Revolution Studios / Walden Media
Classificação: Livre