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terça-feira, 7 de agosto de 2012

A maldição das trilogias no cinema

As trilogias cinematográficas costumam abocanhar boas somas em bilheterias e, por isso, são um bom negócio para os estúdios. Não é à toa que a adaptação do livro "O Hobbit", inicialmente programada para ser adaptada em dois longas, acaba de ganhar uma terceira parte.

Mas quase sempre o terceiro filme não cumpre a expectativa de encerrar em alta uma história - frequentemente, o longa derradeiro é o pior da franquia.

O mais recente integrante da lista é "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge". O terceiro filme dirigido por Christopher Nolan tem dividido críticos, mas é quase unânime o fato de que a produção não está à altura da anterior, "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008).

Enquanto o longa de 2008 teve a elogiada atuação de Heath Ledger como o Coringa, tido pelos fãs como o melhor vilão das histórias de Batman, o atual perde com a falta de carisma do vilão Bane.

No caso de "Batman", os executivos da Warner já haviam revelado planos de reiniciar a série. Mas com o "Homem-Aranha", da Sony, a história foi diferente. Após os bem-sucedidos "Homem-Aranha" (2002) e "Homem-Aranha 2" (2004), o estúdio perdeu a mão em sua terceira parte, lançada em 2007.

O excesso de vilões em "Homem-Aranha 3" (Duende Verde, Homem-Areia e Venon) é um dos problemas mais citados. Nas palavras do crítico Roger Ebert, o filme "é uma bagunça com muitos inimigos, subtramas, desentendimentos românticos, diálogos e multidões olhando para o céu e alternando gritos de 'oooh!' e 'aaah!'".

As críticas foram tantas que o diretor da série, Sam Raimi, desistiu de dirigir uma quarta aventura do herói. A solução encontrada pela produtora foi recontar sua origem em "O Espetacular Homem-Aranha" (2012).

Algo semelhante aconteceu com "Piratas do Caribe". A escala grandiosa de seu terceiro filme, "No Fim do Mundo" (2007), fez com que o estúdio deixasse de lado muitos de seus acontecimentos na quarta parte, "Navegando em Águas Misteriosas" (2011). O filme foi encarado como um tipo de recomeça, mas sem a necessidade de apresentar o protagonista, Jack Sparrow.

Tida como uma das trilogias clássicas do cinema, "O Poderoso Chefão" amargou críticas severas com o lançamento de sua terceira parte, em 1990. Com dois longas elogiados e vencedores do Oscar de melhor filme, o cineasta Francis Ford Coppola acabou saindo da cerimônia sem nenhum prêmio para o último filme.

Outras duas trilogias que tiveram as partes finais criticadas foram "Matrix" e "X-Men". Ambas não conseguiram superar os filmes anteriores, utilizando finais megalômanos, mas pouco satisfatórios.
No caso de "Matrix", muitas das críticas apontam o terceiro filme, "Matrix Revolutions" (2003), como o menos filosófico de todos. Já os fãs de X-Men reclamaram das mortes de Ciclope e Jean Grey, dois dos personagens mais importantes para a equipe nos quadrinhos.

Diferentemente dos casos citados, existem trilogias em que o último filme supera as expectativas. Em "O Senhor dos Anéis" e "Toy Story", por exemplo, as partes finais são consideradas excepcionais. A franquia "Bourne", estrelada por Matt Damon, também tem no seu terceiro filme o mais elogiado.

Outro exemplo bem-sucedido é a "Trilogia dos Dólares", do cineasta Sergio Leone. O clímax de seu último longa, "Três Homens em Conflito" (1966), é considerado por muitos como um dos mais tensos da história do cinema, com a disputa entre os pistoleiros interpretados por Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach.

Dividida em duas trilogias, a série "Star Wars" é um caso à parte. A trilogia clássica, que compreende "Uma Nova Esperança" (1977), "O Império Contra-Ataca" (1980) e "O Retorno de Jedi" (1983), sofre críticas com seu terceiro filme por causa dos ewoks. As criaturas, semelhantes a ursos de pelúcia, são hostilizadas por boa parte dos fãs da franquia.

Já os filmes mais recentes, "A Ameaça Fantasma" (1999), "Ataque dos Clones" (2002) e "A Vingança dos Sith" (2005), passam por uma situação inversa. Com roteiros inferiores aos dos longas clássicos, a nova trilogia melhora com o avanço da trama, pois se aproxima dos personagens antigos e afasta a presença de Jar-Jar Binks, o alienígena mais criticado pelo público.

Entre as futuras trilogias que devem surgir nos cinemas estão as adaptações de "Jogos Vorazes", cujo primeiro filme estreou neste ano, e "Cinquenta Tons de Cinza", fenômeno erótico que vai ganhar uma versão cinematográfica.

Além destes, "Homem de Ferro 3", com estreia marcada para 16 de abril de 2013 no Brasil, vai tentar recuperar a franquia, que sofreu críticas após sua segunda parte e ganhou um novo diretor, Shane Black.


'Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge'. Foto: DivulgaçãoExcesso de vilões prejudicou "Homem-Aranha 3" (2007). Foto: DivulgaçãoTerceiro "Piratas do caribe" foi tão grande que tiveram que limpar alguns personagens para seguir a franquia. Foto: DivulgaçãoDiferentemente dos filmes anteriores, "O Poderoso Chefão 3" (1990) não ganhou nenhum Oscar. Foto: DivulgaçãoMesmo com Schwarzenegger, "O Exterminador do Futuro 3" (2007) não superou as demais partes. Foto: DivulgaçãoFalta de reflexões fez de "Matrix Revolutions" (2003) mais criticado que os demais filmes da série. Foto: Divulgação"X-Men 3 - O Confronto Final" desagradou os fãs das HQs ao matar personagens importantes. Foto: DivulgaçãoO último filme de "O Senhor dos Anéis" (2003) agradou fãs, críticos e Academia. Foto: Divulgação"Toy Story 3" (2010) é sem dúvida o melhor da trilogia da Pixar. Foto: Divulgação"O Ultimato Bourne" (2007) encerrou com classe a trilogia de Matt Damon. Foto: Divulgação"Três Homens em Conflito" (1966) é o melhor dos três filmes da "Trilogia dos Dólares". Foto: DivulgaçãoOs ewoks são o problema em "O Retorno de Jedi" (1983), terceiro filme da trilogia clássica de "Star Wars". Foto: Divulgação"A Vingança dos Sith" (2005) é o melhor filme da nova trilogia de "Star Wars". Foto: Divulgação

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Paramount celebra 100 anos e lança 'Asas' em Blu-Ray


Primeiro filme inteiramente feito em Hollywood - "The Squaw Woman", de Cecil B. De Mille. Primeiro vencedor do Oscar - "Asas", de William A. Wellman. A história de Hollywood passa por um estúdio que nesta quinta-feira, exatamente, completa 100 anos e, se é verdade que Hollywood foi um sonho de imigrantes judeus fugidos de progroms na Europa, a Paramount foi uma criação do lendário Adolph Zukor. Ele passou os primeiros 15 de seus 103 anos na Hungria e os últimos 64 anos na Califórnia, lutando para consolidar e, finalmente, num cargo honorífico, desfrutando da benesse de ter sido o idealizador da marca que é chamada ''das estrelas''.

Parabéns a você! A Paramount do Brasil comemora o centenário da matriz lançando em Blu-Ray o primeiro filme oscarizado da história, o clássico de aviação "Asas" (Wings). A especialista Andrea Kalas conta como restaurou a obra famosa e também que finaliza, atualmente, o restauro de "Crepúsculo dos Deuses" (Sunset Boulevard), de Billy Wilder, para o fecho das comemorações dos 100 anos. A empresa disponibiliza um catálogo de clássicos e cults para cinéfilo nenhum botar defeito. Haja emoção - thrillers de Alfred Hitchcock, westerns de Howard Hawks, Henry Hathaway e John Ford e os blockbusters dos anos 1970 ("Love Story" e "O Poderoso Chefão 1 e 2", de Francis Ford Coppola) e 80 ("Os Caçadores da Arca Perdida", de Steven Spielberg, o primeiro "Indiana Jones").

Durante parte da década de 1910, o nome Paramount era apenas um braço da companhia cinematográfica chamada Famous Players-Lasky, que pertencia a Jesse Lasky. O húngaro Zukor, que atravessara o Atlântico na esperança de fazer a América, começou como faxineiro, mas se integrou à parceria criando uma rede de distribuição para os filmes que, da base na Melrose Avenue, em Hollywood, incluía centenas de salas - formando, já na origem, uma gigantesca corporação. Em 1925, a Famous Players-Lasky virou definitivamente Paramount, mas a história oficial do estúdio começa quando o primeiro filme - "Rainha Elizabeth", com Sarah Bernhardt - estreou no Lyceum Theatre, em 12 de julho de 1912.

É a data que se comemora nesta quinta e, dois anos mais tarde, estreava o primeiro filme completamente hollywoodiano da Paramount, "The Squaw Woman". Cecil B. De Mille deveria realizá-lo em New Jersey, mas como a produção envolvia um ataque de índios, o diretor convenceu Lasky de que a filmagem deveria ser no Arizona. Foi parar na Califórnia, no sítio chamado de Hollywood, onde alugou o que lhe parecia a extensão apropriada de terra para a cena por US$ 75. Como diretor, De Mille virou a cara da Paramount e permaneceu no estúdio até sua morte, em 1955. Bem antes disso, sucessos de Mae West e dos Irmãos Marx nos anos 1920, somados ao fato de que a Paramount possuía a própria rede de salas, fizeram do estúdio o mais rentável de Hollywood.

Em 1927/28, a recém-formada Academia de Cinema instituiu um prêmio - e o primeiro Oscar foi para "Wings". Veio a crise e a Paramount sobreviveu à crise e à depressão econômica pós-1929. Baque maior sofreu em 1949, quando a Suprema Corte dos EUA, que julgava a empresa por formação de truste, ordenou que se desfizesse das salas de cinema. A Paramount diminuiu os lucros que o controle da cadeia cinematográfica lhe davam, ficando só com a produção e distribuição de filmes. Os êxitos dos anos 1980 e 90 recuperaram os grandes números. Tudo isso compõe a história destes 100 anos, mesmo que, para o público, o que importa sejam os filmes. E os astros e estrelas.

História

A história da Paramount Pictures se confunde com a do próprio cinema. Ela nasceu sete anos depois da inauguração da primeira sala de exibição de filmes americana, quando esses espaços ainda eram chamados de nickelodeons – uma alusão ao preço do ingresso, que custava um níquel, ou seja, meros cinco centavos de dólar.

Por ser proprietário de um cinema em Nova York, o húngaro Adolf Zukor conquistou o direito de distribuir, nos Estados Unidos, quatro rolos da produção Queen Elizabeth, estrelado pela atriz Sarah Bernhardt. Foi assim que, de forma tímida, a Paramount deu seus primeiros passos, no mesmo dia em que estreava o longa-metragem sobre a rainha inglesa, em 12 de julho de 1912.
 
Ano após ano, a empresa foi ampliando o seu catálogo e, em 1927, já comemorava o primeiro Oscar. O filme mudo Wings (Asas), sobre pilotos de caça da Primeira Guerra Mundial, ficou nada menos que 63 semanas em cartaz e, até 2012, tinha sido a única produção sem áudio a levar a estatueta de Melhor Filme. Feito que, hoje, divide com o francês O Artista, o último vencedor nessa categoria.

Na década de 40, apesar do caos mundial instalado pela Segunda Guerra, a empresa viveu a sua “Era de ouro”. Ela teve o maior faturamento já registrado até então por um estúdio hollywoodiano – quase 40 milhões de dólares – e passou a acumular Oscars em sua estante: Going My Way (O Bom Pastor) e The Lost Weekend (Farrapo Humano), conquistados em anos consecutivos, foram apenas dois deles.
 
De lá para cá, o lançamento de sucessos não parou mais. Desde Queen Elizabeth, a biblioteca de Paramount contabiliza mais de 900 títulos. Bonequinha de Luxo, a primeira versão de Romeu e Julieta e Chinatown, de Roman Polanski, são alguns dos clássicos produzidos entre os anos 60 e 70.
 
A lista de filmes marcantes da década de 80 é ainda mais extensa: Jornada nas Estrelas, Sexta-Feira 13, Top Gun - Ases Indomáveis, Curtindo a Vida Adoidado, Flashdance, Ghost e Grease – Nos Tempos da Brilhantina. Sem contar Forrest Gump e Coração Valente, nos anos 90, e Kung Fu Panda, O Curioso Caso de Benjamim Button e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, a partir de 2000.

Ao completar seu 100º aniversário, os negócios da Paramount vão além da produção e distribuição de filmes. O grupo também integra outras empresas de entretenimento, como a MTV Films, a Nickelodeon Movies e a Paramount Home Entertainment – esta última, representada no Brasil desde 1985. É, ainda, a distribuidora oficial dos quadrinhos de heróis da Marvel e a principal produtora da DreamWorks Animation, um dos maiores estúdios de animação do mundo.

Para celebrar o centenário, desde abril, a Paramount tem lançado a Coleção The Best Of Paramount. Isso significa que, até novembro, edições limitadas e restauradas de produções memoráveis estarão disponíveis em Blu-Ray - todas acompanhadas com um ímã exclusivo do filme, para colecionadores. Chinatown, Ladrão de Casaca, Armações do Amor e Uma Mente Brilhante foram os primeiros a ganhar a versão especial. Para este mês, é a vez de Escola do Rock e Desventuras em Série. Também fazem parte da seleção Náufrago, Sabrina, Prenda-me se For Capaz e a quadrilogia de Indiana Jones, que chegarão em breve. Até mesmo o épico Wings (Asas) terá suas cenas aéreas transportadas para alta definição. Afinal, a intenção da Paramount é fazer o que já era bom ficar ainda melhor.

Cartaz

Um cartaz minimalista foi criado para ilustrar esse século de vida. Será que você conhece todos os filmes que aparecem na imagem? Tente!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CANNES 2012: jornalistas abandonam sessão de Os Infratores


O filme americano de gângster Os Infratores, estrelado por Shia Labeouf (Transformers) e Tom Hardy (A Origem) chocou e fez jornalistas abandonarem sessão em Cannes neste sábado. O longa é um dos mais violentos que já competiram no festival francês.

Ambientado nos anos 30, época da Lei Seca nos EUA, mostra como os irmãos Bondurant comandam uma destilaria de uísque nas proximidades de Virgínia. Quando um oficial corrupto (Guy Pearce) ameaça os irmãos com extorsão, eles não cedem e a guerra toma proporções cada vez mais violentas.

Para o papel, Shia Labeouf e Hardy e foram pra academia malhar juntos. "O filme tem esse clima bagunçado, sujo, mais realista. As brigas não são coreografadas como num balé, e a violência vai aos extremos", disse Labeouf em entrevista coleiva.

O britânico Tom Hardy agradeceu a comparação com Marlon Brando feita por um jornalista. "Não posso dizer que me inspiro nele. Não vi O Poderoso Chefão, nem Sindicato de Ladrões, nem ‘Um Bonde Chamado Desejo. Mas fico feliz, claro."

O roteiro é do músico Nick Cave, que comentou sobre a obra. "O livro tem um sabor que me pegou logo de cara. A violência por si só é entediante, mas essa história tem uma boa mistura de violência e sentimentalismo", explicou.

Ele comparou a época da Lei Seca com os dias de hoje. "Proibição ainda existe, e continua a falhar absurdamente no seu cerco às drogas", declarou na entrevista coletiva.

Os Infratores estreia no Brasil em 14 de setembro.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nova geração de espectadores prefere filmes dublados a legendados



De acordo com El País, com o envelhecimento do público que frequenta as salas de cinema, enfrentamos um fenômeno, no qual a nova geração prefere assistir a filmes dublados a produções em sua língua original.

Na Espanha, existem mais de quatro mil salas de cinema, nas quais apenas 80 são dedicadas a filmes legendados. Esse número é difícil de precisar porque mudam todos os dias e as salas que exibem filme legendado em uma semana podem optar pelo dublado na semana seguinte. Há mais de uma década, o público fiel à legendagem era de 4% do total. Já em 2010, a porcentagem gira em torno de 1,2% de espectadores espanhóis.

Para Enrique González Macho, distribuidor espanhol da Alta Films e presidente da Academia de Cinema, o empobrecimento se deve ao fato que a nova geração cresceu em locadoras de vídeo: “Há uma diferença: esse público mais velho é mais culto que a maioria. Creio que isso esteja relacionado ao empobrecimento geral em que vivemos, incluindo o cultural.”

Segundo Josetxo Moreno, da distribuidora e exibidora Golem, outro fator que contribui para a situação é o preço. Na Espanha, “uma cópia dublada custa em média 700 euros, enquanto a legendada, 3 mil euros” compara Moreno. Ele também destacou a importância da educação e da televisão para um maior apreço do público espanhol ao cinema europeu.

Enrique Pérez, dos cinemas Verdi, é mais enfático ao comentar o assunto: “As pessoas não são estúpidas, e nesses meses houve uma série de filmes ruins. Claro que, quando chega um bom Woody Allen, arrasa. Com a nova tecnologia, nasce uma nova matiz: quem quer ver uma película, vê; agora, onde ele vê é outra coisa. Para mim, não é difícil entender, mas para outros colegas sim. É certeza que o público envelhece. Por isso, devemos buscar filmes como Trabalho Interno, que atraiam gente jovem. E estreiar clássicos restaurados [a cadeia de cinema atualmente exibe a cópia restaurada de O Leopardo, além de os dois primeiros filmes da franquia O Poderoso Chefão e a trilogia dos dólares de Sérgio Leone]. Façam seus cinemas serem atraentes”.

No Brasil, a preferência por filmes dublados já foi mapeada em pesquisa encomendada ao Datafolha em 2008: 56% dos frequentadores ocasionais (aqueles que vão ao cinema, em média, uma vez por mês) preferem assistir a filmes dublados.

Em 2006, Nilson Mourão, na época deputado do PT, apresentou um projeto de lei que tornava obrigatória a dublagem de todas as obras cinematográficas produzidas em língua estrangeira e exibidas em salas comerciais (PL 6741/2006). Em 2008, foi aprovado um requerimento para uma audiência pública com o objetivo de discutir a viabilidade do projeto. Após dois anos inativo e sem algum interesse declarado sobre ele, foi arquivado pela Câmara dos Deputados em janeiro deste ano.

O próximo blockbuster a estreiar no Brasil com cópias dubladas será Carros 2. Nele, contaremos com a participação de Cláudia Leite, dublando um carro de corrida feminino, a Carla Veloso.

Os meus dois centavos...

Particularmente, sou grande fã de filmes legendados. O som original, em muitas produções, é fantástico, e perde muito no processo. Isso, sem contar o bairrismo irritante que rola nas dublagens nacionais. Ou, até mesmo, a voz de determinado artista, que não me atrai na TV, e sou obrigado a ouvir em um filme.

Claro que existe o lado de se perder detalhes dos filmes, mas nada que um pouco de treino não venha compensar.

Me irrita um pouco a questão das cores das legendas, que de acordo com um representante da rede de cinemas Cinemark, por uma questão de custo são brancas, por causa de um processo de raspagem dos filmes, ao contrário das legendas amarelas dos meios digitais.

Se você já teve a curiosidade de ouvir o som original e o som dublado em um DVD, deve ter percebido que existe uma perda no áudio (mesmo que ambos em 2.0), tanto no volume quanto a alguns efeitos, que simplesmente se perdem na dublagem.

Mesmo assim, é importante reconhecer que o processo de dublagem melhorou muito, sendo apontado por alguns estúdios como um dos melhores do planeta (a Disney, mesmo, gosta muito das dublagens brasileiras). No mais, tirando alguns detalhes técnicos, trata-se mesmo de uma questão de preferência.

E você, leitor, prefere filmes legendados ou dublados?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pipoca e cinema: casamento perfeito para uns, terror para outros

O ato de ir ao cinema mudou no decorrer das últimas décadas. As salas de cinema migraram das ruas para os shoppings e a tecnologia melhorou consideravelmente a qualidade de projeção e de som. O que não mudou ao longo dos anos foi o hábito de comer pipoca assistindo a um filme. Entrar numa sala de exibição e não sentir o aroma - para muitos irresistível - de pipoca quentinha é quase impossível na maior parte do mundo.

Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que a iguaria não era vista com bons olhos pelos donos de cinema, preocupados em manter a limpeza de suas salas. Foi necessário um homem e sua invenção prática para chamar a atenção dos empresários sobre as possibilidades de lucro com esse costume aparentemente inofensivo. De lá pra cá, a pipoca tornou-se carro-chefe de bombonières sofisticadas responsáveis pela maior parte do lucro de um cinema.

A pipoqueira elétrica de Charles Manley

No início do século passado era comum nos Estados Unidos que ambulantes vendessem petiscos como amendoins nas portas de estádios e locais de grande aglomeração. O cinema, por essa época, tornava-se um desses pontos de concentração de público e não demorou muito para que os vendedores de rua oferecessem pipoca e outras guloseimas em frente às salas de projeção.

Para os donos de cinema, o hábito que se criava só começou a ser bem visto a partir de 1925, quando o norte-americano Charles Manley criou a primeira pipoqueira elétrica. Astuto, Manley foi oferecer seu invento justamente para os exibidores, que, a despeito da sujeira e do incômodo causado pelo barulho das mastigadas, perceberam rápido a fonte de receita que tinham em mãos. Diferente da renda obtida com ingressos, dividida com os estúdios e distribuidoras, o faturamento com alimentos ficava inteiramente com o proprietário da sala.

Muitos optaram inclusive por baixar o preço dos ingressos, conseguindo assim mais audiência - que gastava o dinheiro sobressalente com pipoca, bebidas e demais guloseimas. O casamento entre pipoca e cinema estava selado e sobreviveu mesmo nos tempos da Grande Depressão, quando o cinema serviu como fuga da dura realidade, e a pipoca, alimento barato, enganava a fome dando uma falsa sensação de saciedade.

Barulhentas e incômodas

Em Crepúsculo dos Deuses (1950), Gillis, personagem de William Holden, diz em dado momento: “...foi aí que o negócio da pipoca entrou, você compra um saco e tapa as orelhas”. A frase ácida já revelava certa preocupação em combater o ruído vindo da plateia em um ritual que ganhava contornos de hábito. Mas, muitas décadas depois, o que pensam os frequentadores das salas de cinema?

Uma rápida passagem pelos cines da região da Avenida Paulista, em São Paulo, mostra opiniões divididas. “Eu acho que não dá pra ir ao cinema e não comprar uma pipoquinha”, brinca a estudante Mariana Lima, de 21 anos, contrariando seu namorado, o advogado Guilherme Mesquita. “Eu falo pra ela que, além de ser mais caro que o ingresso, isso faz mal, mas ela é teimosa e não me escuta”, diz Mesquita, que revela não gostar nem do cheiro da pipoca.

Cinéfilos tradicionais parecem unânimes no repúdio ao som das mastigadas. “Pra filme com muito barulho, tiro, explosão, pode até ser legal, mas quando a gente quer assistir a algo mais calmo, introspectivo, o barulho da pipoca só serve pra atrapalhar, te tirar do momento, da magia”, afirma a professora aposentada Maria da Graça, de 53 anos. Ela, que tem como filme preferido O Poderoso Chefão II, diz não imaginar como alguém pode apreciar filmes que prezam pelo silêncio, como Gritos e Sussurros, ou até mesmo o recente Homens e Deuses, sufocado pelo ruído da mastigação constante.

Ame-a ou odeie-a, o fato é que a pipoca está indissociavelmente ligada ao hábito de ir ao cinema. Para os desafetos da iguaria, resta ir a salas frequentadas por partidários do “Fora, Pipoca!”. Já para os entusiastas, a receita é a mesma desde o início do século passado: pegar um balde de pipoca quentinha, um copo de refrigerante e se divertir em frente à telona.

Por Paulo Gadioli, em 28/04/2011, no link http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/pipoca-e-cinema-casamento-perfeito-para-uns-terror-para-outros/id/30434/