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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Paramount celebra 100 anos e lança 'Asas' em Blu-Ray
Primeiro filme inteiramente feito em Hollywood - "The Squaw Woman", de Cecil B. De Mille. Primeiro vencedor do Oscar - "Asas", de William A. Wellman. A história de Hollywood passa por um estúdio que nesta quinta-feira, exatamente, completa 100 anos e, se é verdade que Hollywood foi um sonho de imigrantes judeus fugidos de progroms na Europa, a Paramount foi uma criação do lendário Adolph Zukor. Ele passou os primeiros 15 de seus 103 anos na Hungria e os últimos 64 anos na Califórnia, lutando para consolidar e, finalmente, num cargo honorífico, desfrutando da benesse de ter sido o idealizador da marca que é chamada ''das estrelas''.
Parabéns a você! A Paramount do Brasil comemora o centenário da matriz lançando em Blu-Ray o primeiro filme oscarizado da história, o clássico de aviação "Asas" (Wings). A especialista Andrea Kalas conta como restaurou a obra famosa e também que finaliza, atualmente, o restauro de "Crepúsculo dos Deuses" (Sunset Boulevard), de Billy Wilder, para o fecho das comemorações dos 100 anos. A empresa disponibiliza um catálogo de clássicos e cults para cinéfilo nenhum botar defeito. Haja emoção - thrillers de Alfred Hitchcock, westerns de Howard Hawks, Henry Hathaway e John Ford e os blockbusters dos anos 1970 ("Love Story" e "O Poderoso Chefão 1 e 2", de Francis Ford Coppola) e 80 ("Os Caçadores da Arca Perdida", de Steven Spielberg, o primeiro "Indiana Jones").
Durante parte da década de 1910, o nome Paramount era apenas um braço da companhia cinematográfica chamada Famous Players-Lasky, que pertencia a Jesse Lasky. O húngaro Zukor, que atravessara o Atlântico na esperança de fazer a América, começou como faxineiro, mas se integrou à parceria criando uma rede de distribuição para os filmes que, da base na Melrose Avenue, em Hollywood, incluía centenas de salas - formando, já na origem, uma gigantesca corporação. Em 1925, a Famous Players-Lasky virou definitivamente Paramount, mas a história oficial do estúdio começa quando o primeiro filme - "Rainha Elizabeth", com Sarah Bernhardt - estreou no Lyceum Theatre, em 12 de julho de 1912.
É a data que se comemora nesta quinta e, dois anos mais tarde, estreava o primeiro filme completamente hollywoodiano da Paramount, "The Squaw Woman". Cecil B. De Mille deveria realizá-lo em New Jersey, mas como a produção envolvia um ataque de índios, o diretor convenceu Lasky de que a filmagem deveria ser no Arizona. Foi parar na Califórnia, no sítio chamado de Hollywood, onde alugou o que lhe parecia a extensão apropriada de terra para a cena por US$ 75. Como diretor, De Mille virou a cara da Paramount e permaneceu no estúdio até sua morte, em 1955. Bem antes disso, sucessos de Mae West e dos Irmãos Marx nos anos 1920, somados ao fato de que a Paramount possuía a própria rede de salas, fizeram do estúdio o mais rentável de Hollywood.
Em 1927/28, a recém-formada Academia de Cinema instituiu um prêmio - e o primeiro Oscar foi para "Wings". Veio a crise e a Paramount sobreviveu à crise e à depressão econômica pós-1929. Baque maior sofreu em 1949, quando a Suprema Corte dos EUA, que julgava a empresa por formação de truste, ordenou que se desfizesse das salas de cinema. A Paramount diminuiu os lucros que o controle da cadeia cinematográfica lhe davam, ficando só com a produção e distribuição de filmes. Os êxitos dos anos 1980 e 90 recuperaram os grandes números. Tudo isso compõe a história destes 100 anos, mesmo que, para o público, o que importa sejam os filmes. E os astros e estrelas.
História
A história da Paramount Pictures se confunde com a do próprio cinema. Ela nasceu sete anos depois da inauguração da primeira sala de exibição de filmes americana, quando esses espaços ainda eram chamados de nickelodeons – uma alusão ao preço do ingresso, que custava um níquel, ou seja, meros cinco centavos de dólar.
Por ser proprietário de um cinema em Nova York, o húngaro Adolf Zukor conquistou o direito de distribuir, nos Estados Unidos, quatro rolos da produção Queen Elizabeth, estrelado pela atriz Sarah Bernhardt. Foi assim que, de forma tímida, a Paramount deu seus primeiros passos, no mesmo dia em que estreava o longa-metragem sobre a rainha inglesa, em 12 de julho de 1912.
Ano após ano, a empresa foi ampliando o seu catálogo e, em 1927, já comemorava o primeiro Oscar. O filme mudo Wings (Asas), sobre pilotos de caça da Primeira Guerra Mundial, ficou nada menos que 63 semanas em cartaz e, até 2012, tinha sido a única produção sem áudio a levar a estatueta de Melhor Filme. Feito que, hoje, divide com o francês O Artista, o último vencedor nessa categoria.
Na década de 40, apesar do caos mundial instalado pela Segunda Guerra, a empresa viveu a sua “Era de ouro”. Ela teve o maior faturamento já registrado até então por um estúdio hollywoodiano – quase 40 milhões de dólares – e passou a acumular Oscars em sua estante: Going My Way (O Bom Pastor) e The Lost Weekend (Farrapo Humano), conquistados em anos consecutivos, foram apenas dois deles.
De lá para cá, o lançamento de sucessos não parou mais. Desde Queen Elizabeth, a biblioteca de Paramount contabiliza mais de 900 títulos. Bonequinha de Luxo, a primeira versão de Romeu e Julieta e Chinatown, de Roman Polanski, são alguns dos clássicos produzidos entre os anos 60 e 70.
A lista de filmes marcantes da década de 80 é ainda mais extensa: Jornada nas Estrelas, Sexta-Feira 13, Top Gun - Ases Indomáveis, Curtindo a Vida Adoidado, Flashdance, Ghost e Grease – Nos Tempos da Brilhantina. Sem contar Forrest Gump e Coração Valente, nos anos 90, e Kung Fu Panda, O Curioso Caso de Benjamim Button e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, a partir de 2000.
Ao completar seu 100º aniversário, os negócios da Paramount vão além da produção e distribuição de filmes. O grupo também integra outras empresas de entretenimento, como a MTV Films, a Nickelodeon Movies e a Paramount Home Entertainment – esta última, representada no Brasil desde 1985. É, ainda, a distribuidora oficial dos quadrinhos de heróis da Marvel e a principal produtora da DreamWorks Animation, um dos maiores estúdios de animação do mundo.
Para celebrar o centenário, desde abril, a Paramount tem lançado a Coleção The Best Of Paramount. Isso significa que, até novembro, edições limitadas e restauradas de produções memoráveis estarão disponíveis em Blu-Ray - todas acompanhadas com um ímã exclusivo do filme, para colecionadores. Chinatown, Ladrão de Casaca, Armações do Amor e Uma Mente Brilhante foram os primeiros a ganhar a versão especial. Para este mês, é a vez de Escola do Rock e Desventuras em Série. Também fazem parte da seleção Náufrago, Sabrina, Prenda-me se For Capaz e a quadrilogia de Indiana Jones, que chegarão em breve. Até mesmo o épico Wings (Asas) terá suas cenas aéreas transportadas para alta definição. Afinal, a intenção da Paramount é fazer o que já era bom ficar ainda melhor.
Cartaz
Um cartaz minimalista foi criado para ilustrar esse século de vida. Será que você conhece todos os filmes que aparecem na imagem? Tente!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Pipoca e cinema: casamento perfeito para uns, terror para outros
O ato de ir ao cinema mudou no decorrer das últimas décadas. As salas de cinema migraram das ruas para os shoppings e a tecnologia melhorou consideravelmente a qualidade de projeção e de som. O que não mudou ao longo dos anos foi o hábito de comer pipoca assistindo a um filme. Entrar numa sala de exibição e não sentir o aroma - para muitos irresistível - de pipoca quentinha é quase impossível na maior parte do mundo.Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que a iguaria não era vista com bons olhos pelos donos de cinema, preocupados em manter a limpeza de suas salas. Foi necessário um homem e sua invenção prática para chamar a atenção dos empresários sobre as possibilidades de lucro com esse costume aparentemente inofensivo. De lá pra cá, a pipoca tornou-se carro-chefe de bombonières sofisticadas responsáveis pela maior parte do lucro de um cinema.
A pipoqueira elétrica de Charles Manley
No início do século passado era comum nos Estados Unidos que ambulantes vendessem petiscos como amendoins nas portas de estádios e locais de grande aglomeração. O cinema, por essa época, tornava-se um desses pontos de concentração de público e não demorou muito para que os vendedores de rua oferecessem pipoca e outras guloseimas em frente às salas de projeção.
Para os donos de cinema, o hábito que se criava só começou a ser bem visto a partir de 1925, quando o norte-americano Charles Manley criou a primeira pipoqueira elétrica. Astuto, Manley foi oferecer seu invento justamente para os exibidores, que, a despeito da sujeira e do incômodo causado pelo barulho das mastigadas, perceberam rápido a fonte de receita que tinham em mãos. Diferente da renda obtida com ingressos, dividida com os estúdios e distribuidoras, o faturamento com alimentos ficava inteiramente com o proprietário da sala.
Muitos optaram inclusive por baixar o preço dos ingressos, conseguindo assim mais audiência - que gastava o dinheiro sobressalente com pipoca, bebidas e demais guloseimas. O casamento entre pipoca e cinema estava selado e sobreviveu mesmo nos tempos da Grande Depressão, quando o cinema serviu como fuga da dura realidade, e a pipoca, alimento barato, enganava a fome dando uma falsa sensação de saciedade.
Barulhentas e incômodas
Em Crepúsculo dos Deuses (1950), Gillis, personagem de William Holden, diz em dado momento: “...foi aí que o negócio da pipoca entrou, você compra um saco e tapa as orelhas”. A frase ácida já revelava certa preocupação em combater o ruído vindo da plateia em um ritual que ganhava contornos de hábito. Mas, muitas décadas depois, o que pensam os frequentadores das salas de cinema?
Uma rápida passagem pelos cines da região da Avenida Paulista, em São Paulo, mostra opiniões divididas. “Eu acho que não dá pra ir ao cinema e não comprar uma pipoquinha”, brinca a estudante Mariana Lima, de 21 anos, contrariando seu namorado, o advogado Guilherme Mesquita. “Eu falo pra ela que, além de ser mais caro que o ingresso, isso faz mal, mas ela é teimosa e não me escuta”, diz Mesquita, que revela não gostar nem do cheiro da pipoca.
Cinéfilos tradicionais parecem unânimes no repúdio ao som das mastigadas. “Pra filme com muito barulho, tiro, explosão, pode até ser legal, mas quando a gente quer assistir a algo mais calmo, introspectivo, o barulho da pipoca só serve pra atrapalhar, te tirar do momento, da magia”, afirma a professora aposentada Maria da Graça, de 53 anos. Ela, que tem como filme preferido O Poderoso Chefão II, diz não imaginar como alguém pode apreciar filmes que prezam pelo silêncio, como Gritos e Sussurros, ou até mesmo o recente Homens e Deuses, sufocado pelo ruído da mastigação constante.
Ame-a ou odeie-a, o fato é que a pipoca está indissociavelmente ligada ao hábito de ir ao cinema. Para os desafetos da iguaria, resta ir a salas frequentadas por partidários do “Fora, Pipoca!”. Já para os entusiastas, a receita é a mesma desde o início do século passado: pegar um balde de pipoca quentinha, um copo de refrigerante e se divertir em frente à telona.
Por Paulo Gadioli, em 28/04/2011, no link http://cinema.cineclick.uol.com.br/noticia/carregar/titulo/pipoca-e-cinema-casamento-perfeito-para-uns-terror-para-outros/id/30434/
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