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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Casal de surdos ganha indenização de cinema que não tinha 'Shrek' legendado

 
Um casal de surdos entrou na Justiça contra o Cineart Multiplex porque não encontrou o filme “Shrek” legendado no cinema do Shopping Cidade, em Belo Horizonte. Os dois alegaram no processo que foram comemorar o aniversário de namoro, em 2010, mas no dia e no horário escolhidos por eles não havia nenhuma sessão legendada do filme.

O juiz Fabrício Simão da Cunha Araújo, do Juizado Especial das Relações de Consumo, condenou a empresa a pagar R$ 10 mil como dano moral à deficiente auditiva e outros R$ 10 mil como parcela pedagógica. O último valor será destinado à Creche Agostinho Cândido de Souza, que fica na capital mineira.

Os dois autores ajuizaram ações separadas, sendo que no caso do deficiente, um juiz julgou improcedente o dano moral, em 2011. Este mês, Cunha Araújo teve um entendimento diferente e condenou o Cineart dando à mulher o direito de indenização. A empresa informou que irá recorrer da decisão, que é de primeira instância.

No processo, a surda juntou a grade de exibições da Cineart e fotos dos filmes em cartaz na data em que compareceu ao cinema, comprovando que não havia sessão legendada para o filme escolhido.

Ela e o namorado fizeram um boletim de ocorrência em uma delegacia no dia do ocorrido. O Cineart afirma que havia uma sessão legendada à noite, mas o casal escolheu ir ao cinema à tarde, quando não encontrou o filme do jeito que gostariam.

A empresa de cinema contestou o pedido de indenização alegando que a jovem não provou os danos materiais e morais sofridos. De acordo com o advogado do Cineart, Erasmo Cabral, a ausência do filme com legenda não tem relação com a deficiência do casal, é apenas uma questão de oferta.

Ele explica que havia informações suficientes sobre as sessões, por isso os deficientes não foram enganados. De acordo com o advogado, não está previsto em lei que deve haver sessão legendada em todos horários, dias e salas. O Cineart tentou conciliação oferecendo ingresso em outras sessões para o casal, mas não conseguiu impedir o andamento da ação.

Decisão

O juiz Cunha Araújo argumentou na decisão que é dever das empresas disponibilizar, ainda que em quantidade mínima, salas e filmes legendados, para assegurar o acesso efetivo da totalidade das pessoas, especialmente dos deficientes auditivos. Ele ressaltou que a inexistência de regulamentação específica quanto ao percentual mínimo de filmes legendados não impede a proteção do direito.

O magistrado citou a Constituição e a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência para justificar que "o portador de deficiência auditiva tem direito de acesso à cultura e ao lazer, devendo tal acesso ser interpretado, no que tange à cultura cinematográfica, não só como acesso físico às salas de exibição, mas também como direito de compreensão linguística das interações culturais que ali se realizarem”.

Para o juiz, a surda sofreu com o sentimento de discriminação e descaso. “Bastava ter um pouco mais de atenção, respeito e solidariedade ao consumidor”, disse. Assim, o magistrado fixou indenização.
 
Em 31/10/2012, no Portal UOL.
 
Meus 2 centavinhos..........
 
Não cabe a mim julgar se a decisão foi certa ou errada, nem se o caso é correto ou incorreto (nem sei se cabe avaliar se algo assim é correto ou não), no entanto percebo que no processo de americanização da nossa cultura, algumas características, nem sempre positivas, são as que mais têm se destacado. E uma delas é o desejo de enriquecimento fácil via processos dessa natureza. A pessoa escorrega no supermercado, então processa o supermercado, bate o rosto na porta do hotel, então processa o hotel, e nesse caso, não encontra a sessão desejada, então processa o cinema.
 
Claro que existe um constrangimento pela situação, porém, mais do que isso, existiu, do meu ponto de vista, um grande equívoco na comunicação. Se o gerente do cinema, ou os atendentes, tivessem um pouco mais de calor humano, talvez a situação tivesse sido diferente. Não que não tenham tido, eu não posso julgar sem ter vivido a situação. Mas existiu sim, um problema de relação com o cliente, ou a situação não teria chegado a esse estágio.
 
A respeito da situação do cinema, falo como consumidor, e percebo que já faz um tempo, que muitas sessões não apresentam mais legenda. Em desenhos e animações, então, é certeza que não existam. Creio ser uma escolha do consumidor, se ele quer ou não que o filme seja legendado ou dublado. O mesmo processo acontece na TV a cabo, com a dublagem de muitas séries e, assim, a perda significativa da qualidade do áudio ou, no mínimo, o desrespeito àquele que prefere assistir o seu programa com legendas e áudio original.
 
Sei que em São Paulo existe um movimento que incentiva a aplicação de legendas inclusive em filmes brasileiros. A princípio, isso ocorre em filmes patrocinados por determinadas empresas (a Sabesp é uma delas), que buscam atender a todo tipo de público, inclusive o de deficientes auditivos. Acredito que é um importante movimento de inclusão, e aredito que isso seja muito importante para toda a sociedade, sem distinções.
 
Por fim, e para registrar minha opinião, ao mesmo tempo em que eu defendo a escolha, acredito que o cinema tenha a obrigação de possuir salas com o filme em formato dublado, ou com legendas. Claro que na situação deles, isso não acontecia, mas desde que o cinema ofereça as duas versões, em horários compatíveis, é do consumidor o poder de escolher entre um ou outro, como acredito que, de fato, deva ser.
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nova geração de espectadores prefere filmes dublados a legendados



De acordo com El País, com o envelhecimento do público que frequenta as salas de cinema, enfrentamos um fenômeno, no qual a nova geração prefere assistir a filmes dublados a produções em sua língua original.

Na Espanha, existem mais de quatro mil salas de cinema, nas quais apenas 80 são dedicadas a filmes legendados. Esse número é difícil de precisar porque mudam todos os dias e as salas que exibem filme legendado em uma semana podem optar pelo dublado na semana seguinte. Há mais de uma década, o público fiel à legendagem era de 4% do total. Já em 2010, a porcentagem gira em torno de 1,2% de espectadores espanhóis.

Para Enrique González Macho, distribuidor espanhol da Alta Films e presidente da Academia de Cinema, o empobrecimento se deve ao fato que a nova geração cresceu em locadoras de vídeo: “Há uma diferença: esse público mais velho é mais culto que a maioria. Creio que isso esteja relacionado ao empobrecimento geral em que vivemos, incluindo o cultural.”

Segundo Josetxo Moreno, da distribuidora e exibidora Golem, outro fator que contribui para a situação é o preço. Na Espanha, “uma cópia dublada custa em média 700 euros, enquanto a legendada, 3 mil euros” compara Moreno. Ele também destacou a importância da educação e da televisão para um maior apreço do público espanhol ao cinema europeu.

Enrique Pérez, dos cinemas Verdi, é mais enfático ao comentar o assunto: “As pessoas não são estúpidas, e nesses meses houve uma série de filmes ruins. Claro que, quando chega um bom Woody Allen, arrasa. Com a nova tecnologia, nasce uma nova matiz: quem quer ver uma película, vê; agora, onde ele vê é outra coisa. Para mim, não é difícil entender, mas para outros colegas sim. É certeza que o público envelhece. Por isso, devemos buscar filmes como Trabalho Interno, que atraiam gente jovem. E estreiar clássicos restaurados [a cadeia de cinema atualmente exibe a cópia restaurada de O Leopardo, além de os dois primeiros filmes da franquia O Poderoso Chefão e a trilogia dos dólares de Sérgio Leone]. Façam seus cinemas serem atraentes”.

No Brasil, a preferência por filmes dublados já foi mapeada em pesquisa encomendada ao Datafolha em 2008: 56% dos frequentadores ocasionais (aqueles que vão ao cinema, em média, uma vez por mês) preferem assistir a filmes dublados.

Em 2006, Nilson Mourão, na época deputado do PT, apresentou um projeto de lei que tornava obrigatória a dublagem de todas as obras cinematográficas produzidas em língua estrangeira e exibidas em salas comerciais (PL 6741/2006). Em 2008, foi aprovado um requerimento para uma audiência pública com o objetivo de discutir a viabilidade do projeto. Após dois anos inativo e sem algum interesse declarado sobre ele, foi arquivado pela Câmara dos Deputados em janeiro deste ano.

O próximo blockbuster a estreiar no Brasil com cópias dubladas será Carros 2. Nele, contaremos com a participação de Cláudia Leite, dublando um carro de corrida feminino, a Carla Veloso.

Os meus dois centavos...

Particularmente, sou grande fã de filmes legendados. O som original, em muitas produções, é fantástico, e perde muito no processo. Isso, sem contar o bairrismo irritante que rola nas dublagens nacionais. Ou, até mesmo, a voz de determinado artista, que não me atrai na TV, e sou obrigado a ouvir em um filme.

Claro que existe o lado de se perder detalhes dos filmes, mas nada que um pouco de treino não venha compensar.

Me irrita um pouco a questão das cores das legendas, que de acordo com um representante da rede de cinemas Cinemark, por uma questão de custo são brancas, por causa de um processo de raspagem dos filmes, ao contrário das legendas amarelas dos meios digitais.

Se você já teve a curiosidade de ouvir o som original e o som dublado em um DVD, deve ter percebido que existe uma perda no áudio (mesmo que ambos em 2.0), tanto no volume quanto a alguns efeitos, que simplesmente se perdem na dublagem.

Mesmo assim, é importante reconhecer que o processo de dublagem melhorou muito, sendo apontado por alguns estúdios como um dos melhores do planeta (a Disney, mesmo, gosta muito das dublagens brasileiras). No mais, tirando alguns detalhes técnicos, trata-se mesmo de uma questão de preferência.

E você, leitor, prefere filmes legendados ou dublados?