quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Até que a sorte nos separe

261549Até que a sorte nos separe atende um pedido meu ao cinema brasileiro: mais ficção e menos histórias reais. Até por isso, já é um grande começo. No geral, o filme é médio, com alguns clichês comuns às comédias atuais (não só brasileiras), um roteiro equilibrado, e aquele acabamento de novela.

Isso não quer dizer que a parte técnica seja ruim. Muito pelo contrário. É aquilo ao qual já estamos acostumados quando assistimos uma produção com o nome da Rede Globo vinculado. Cara de novela, trejeitos de novela, personagens que lembram novela. Mas, repito, nem por isso ruim. É a marca da Rede Globo, sendo assim, difícil mudar.

Leandro Hassum e Danielle Winits, lideram o elenco e até que não vão mal. Confesso que não conheço muitos trabalhos em cinema ou filmes dos dois, e acredito que para uma comédia, até que as coisas caminharam bem. Hassum é o estilo de comediante físico. Suas caretas lembram até o adorável Jerry Lewis em algumas passagens. Pena que em alguns momentos isso fique um pouco forçado, a ponto de querer tirar o riso do espectador a troco de nada, entende? Winits acabou entrando nessa onda em alguns momentos, mas para o estilo dela, a coisa não funcionou tão bem. Mesmo assim, ela não perde espaço e consegue dividir a tela em pé de igualdade com qualquer outro elemento do elenco.

O roteiro é extremamente funcional. Consegue ser divertido, superficial, oferecendo entretenimento agradável sem exigir muito de seu espectador. É mesmo o caso de um filme para uma sessão matinê com a família ou amigos.

No filme, Tino (Leandro Hassum) é um pai de família de classe média que vê sua vida e, especialmente, seu casamento com Jane (Danielle Winits), completamente transformados após ganhar na loteria. O problema é que ele acaba perdendo tudo em dez anos de uma vida de ostentação. A partir daí, com a ajuda do vizinho Amauri (Kiko Mascarenhas) e de seu melhor amigo Adelson (Aílton Graça), ele cria uma série de situações hilárias para que sua esposa, grávida do terceiro filho, não perceba que está falido.

Não é um filme fantástico, mas é uma produção interessante, que se esforça na intenção de oferecer ao seu espectador uma boa dose de divertimento. Acho que funciona, à medida que você assiste o filme de coração aberto, sem criar muitas expectativas ou imaginar que esse será o melhor filme assistido em sua vida. A produção segue todos os moldes e o acabamento de uma novela, e o elenco até que é bastante equilibrado. Sai da velha máxima do "cinema verdade" tão fortemente impregnado nos filmes brasileiros. No geral, é uma comédia leve, que não se prende em detalhes desnecessários. É uma pedida interessante, mas não entra na lista de imperdíveis.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Roberto Santucci
Elenco: Leandro Hassum, Danielle Winits, Ailton Graça, Kiko Mascarenhas, Rita Elmôr, Henry Fiuka, Maurício Sherman, Carlos Bonow, Julia Dalavia, Julio Braga, Marcelo Saback, Vitor Maia
Produção: Fabiano Gullane, Caio Gullane, Debora Ivanov, Gabriel Lacerda
Roteiro: Paulo Cursino, Angelica Lopes
Fotografia: Juarez Pavelak
Duração: 104 min.
Ano: 2012
País: Brasil
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme
Estúdio: Gullane Filmes / Globo Filmes
Classificação: 12 anos

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Substituto

269713Considero clichê começar uma análise falando o que já foi falado em outros sites ou blogs, mas nesse caso, fica difícil não sair dessa "opinião comum". O Substituto não é o tipo de filme ao qual estamos acostumados, que trata a relação entre professores e alunos, e como cada lado transforma a vida do outro, sempre positivamente. Ok, dito isso, vamos partir para as minhas próprias impressões. O Substituto não é um filme fácil. É uma produção séria. Uma história pesada, que exige atenção e boa vontade de seu espectador.

É o tipo de filme que investe na força do seu roteiro e no poder de atuação de seu elenco, com grandes nomes, e liderados pelo igualmente grande Adrien Brody, que segue sério e dramático ao longo de toda a história.

O filme tem um visual bastante interessante, com um jogo de câmeras e ângulos inusitados, variação de cores, para demonstrar tempo, lembranças, enfim, toda imagem serve para ilustrar um lado mais artístico da produção. Algumas vezes funciona bem, outras chegam a ser um desperdício. Mesmo assim, ainda é uma fotografia interessante.

Mas o ponto forte do filme é mesmo seu roteiro. Que provoca, que quer um espectador participante, que exige reflexão, que o tira do conforto de assistir um filme, de entreter, e faz com que o espectador avalie seu entorno. De uma maneira geral, o filme serve como alerta para a situação do ensino, e a maneira como professores, pais, alunos, e governo, estão envolvidos nisso. Apesar do ambiente americano, a situação não chega a ser tão diferente daquela que temos aqui no Brasil.

No filme, Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor brilhante com um verdadeiro talento para se conectar com seus alunos. Em outro mundo, ele seria um herói para sua comunidade. Mas, assombrado por um passado conturbado, ele escolhe ser professor substituto - nunca na mesma escola por mais que algumas semanas, nunca permanecendo tempo suficiente para formar qualquer relação com os alunos ou colegas. Uma profissão perfeita para alguém que busca se esconder ao ar livre. Quando uma nova missão o coloca numa decadente escola pública, o isolado mundo de Henry é exposto por três mulheres que mudam a sua visão sobre a vida: uma estudante, uma professora e uma adolescente fugitiva.

Uma produção bastante interessante, séria, que provoca muito, principalmente quando mescla momentos da história com momentos que seriam declarações daqueles que vivem aquelas passagens. Apesar de muito falado, não chega a ser tão cansativo. Claro que poderia ser mais curto, talvez um pouquinho mais leve, mas no geral, é um bom drama. O elenco consegue carregar bem o peso do drama real. Se você procura um filme inteligente, mas que ultrapassa a intenção de entreter, O Substituto é uma excelente pedida, mas se não curte dramas reais e histórias com um conteúdo mais sério, talvez não seja a sua pedida.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Tony Kaye
Elenco: Bryan Cranston, Christina Hendricks, Adrien Brody, Lucy Liu, James Caan, Renée Felice Smith, Blythe Danner, Marcia Gay Harden, William Petersen, Tim Blake Nelson, Sami Gayle, Doug E. Doug, Isiah Whitlock Jr., Josh Pais, Patricia Rae, Louis Zorich, Brennan Brown, Reagan Leonard, Lucian Maisel, Samantha Jade Logan, Mary Joy, Jonathan Gutierrez, Aaron Sauter, Betty Kaye, Michael Morana, Justin Campbell, Chris Papavasiliou, Kevin T. Collins, Celia Au, Heather Pence, Kwoade Cross, Jerry Walsh, Nancy Rodriguez, Ralph Rodriguez, April Maxey, Celia Schaefer, Tiffani Holland, David Hausen, Rebecka Ray, Eli Massillon, Mike Biskupski, Tarikk Mudu, Elvis Muccino, Greg Batie, Melvin Breedlove, Jeremy McLain
Produção: Bingo Gubelmann, Benji Kohn, Carl Lund, Chris Papavasiliou, Greg Shapiro, Austin Stark
Roteiro: Carl Lund
Trilha Sonora: The Newton Brothers
Duração: 97 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Califórnia Home Vídeo
Estúdio: Kingsgate Films / Paper Street Films / Appian Way


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Resident Evil 5: Retribuição

246480Ao assistir Resident Evil 5: Retribuição, fico imaginando quando foi que a série Resident Evil se perdeu?!?! Ainda achava um dos filmes menos ruins de zumbis, por envolver boas doses de ação, uma atmosfera dark que realmente funcionava, e até assustava mas, assim como a série de jogos, Resident Evil parece ter se perdido no desejo de se tornar muito complexo.

A parte visual e técnica ainda é um grande destaque para o filme. Excelente fotografia, grandes efeitos visuais, e que realmente dão valor ao produto final. No mais, o filme é só um grande apanhado de gente tentando explicar algo que ia bem enquanto ninguém explicava nada.

Óbvio que Milla Jovovich ainda é um grande destaque dentro do elenco. Elenco? Pois é... adicionaram vários personagens, que pouco acrescentam à trama. Você sabe que boa parte deles morreu ou ainda morrerá, mas isso também não importa, já que agora a história está repleta de clones e "ressuscitados" que uma hora ou outra ressurgirá no meio de toda a ação.

A história se perdeu. Eu ainda prefiro um filme que segue em 5, 7, ou 10 partes sem querer se explicar, a outro que depois do terceiro capítulo decide mostrar todas as suas origens, para justificar o que aconteceu em sua primeira parte, que rolou 5 (ou mais) anos atrás. Lastimável! O roteiro segue detalhando acontecimentos que pouco explicam e, no final, termina sem ter feito nada.

É muito simples. Quem gosta de Resident Evil o faz por causa de sua ação, de ver como os zumbis podem ser ágeis e até inteligentes, apesar de mortos, de seus movimentos e jogadas de câmera à la Matrix, mas com uma personalidade própria, sem se apegar a detalhes como saber que antes do episódio ZERO do filme existia um vírus que misturado à água salgada e nitrogênio líquido poderia criar um zumbi mutante de oito braços que parecia o super homem (OK, essa foi por minha conta, você não encontrará esse cara no filme...). Enfim... mais ação, e menos explicação. Isso faria, ou deixaria, a série Resident Evil ainda agradável aos seus espectadores, mesmo aqueles que nem curtem tanto assim o gênero terror (ou quase isso).

No filme, o mortal vírus T, da Umbrella Corporation, continua a desvastar o planeta Terra, transformando a população em mortos-vivos. A última esperança da raça humana, Alice (Milla Jovovich), acorda no coração de um escritório clandestino da Umbrella e revela mais de seu passado misterioso. Sem um refúgio seguro, Alice continua sua busca pelos responsáveis pelo surto na Terra; uma busca que a leva de Tóquio para Nova York, Washington e Moscou, culminando em uma revelação que a forçará a repensar tudo o que um dia achou que fosse verdade. Auxiliada por novos aliados e velhos amigos, Alice precisa lutar para sobreviver e escapar de um mundo hostil à beira do esquecimento.

A promessa é de muita ação, muita luta, muito zumbi, e muita porrada em zumbi. No entanto o filme se perde em explicações filosóficas de existência após a invasão zumbi. Talvez para os grandes fãs da série sejam detalhes imperdíveis, mas para quem procura entretenimento, e um filme com bons sustos, a coisa toda fica chata e sem sentido. O aspecto visual ainda é o ponto mais forte. Se é a sua praia, vá em frente. Se você nem é tão fã assim, ou procura algo mais assustador, passe longe.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Paul W. S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Sienna Guillory, Michelle Rodriguez, Aryana Engineer, Bingbing Li, Boris Kodjoe, Johann Urb, Robin Kasyanov, Kevin Durand, Ofilio Portillo, Oded Fehr, Colin Salmon, Shawn Roberts, Toshio Oki, Takato Yamashita, Mika Nakashima, Megan Charpentier, Ave Merson-O'Brian, Ryan Olubowale, Kevin Shad, Razaaq Adoti, Kim Coates, Martin Crewes, Iain Glen, Sandrine Holt, Thomas Kretschmann, Ali Larter, Spencer Locke, Eric Mabius, Wentworth Miller, James Purefoy, Norman Yeung, Anna Bolt, Indra Ové, Joseph May, Heike Makatsch, Liz May Brice, Pasquale Aleardi, Parys Sylver, Amanda Dyar, Chris Sullins
Produção: Paul W. S. Anderson, Jeremy Bolt, Don Carmody
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Fotografia: Glen MacPherson
Trilha Sonora: tomandandy
Duração: 97 min.
Ano: 2012
País: Alemanha/ EUA
Gênero: Terror
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Constantin Film International / Davis Films/Impact Pictures (RE5)
Classificação: 16 anos


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Conheça os vencedores do Screen Actor Guild Awards 2013

Aconteceu neste domingo (27), final de noite aqui no Brasil, a cerimômia de premiação do Screen Actors Guild Awards (SAG 2013) no Shrine Auditorium, em Los Angeles, Califórnia (EUA).

O SAG Awards, em sua 19ª edição, é uma das prévias mais importantes do Oscar nas categorias ator/atriz.

O prêmio oferecido pelo Sindicato dos Atores de Hollywood trouxe Lincoln e O Lado Bom da Vida com maior número de indicações: cada um concorrendo em quatro categorias. Além de prêmios voltados para indústria cinematográfica, séries e programas de TV também foram prestigiados.

Atores e atrizes se apresentaram no início da cerimônia, contando histórias comuns sobre suas vidas. Nicole Kidman abriu o evento apresentando a categoria de Melhor Ator Coadjuvante. O prêmio inesperado foi para o ausente Tommy Lee Jones por seu papel em Lincoln. Como já era esperado, Anne Hathaway ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante por Os Miseráveis, em sua 2ª indicação ao SAG.

Robert DeNiro apresentou a categoria de Melhor Atriz, na qual Jennifer Lawrence foi premiada, aos 22 anos. Muito emocionada e atrapalhada, ela subiu ao palco para fazer seu discurso. E como previsto, Daniel Day-Lewis foi eleito Melhor Ator por protagonizar Lincoln.

Por fim, Ben Affleck levou mais um prêmio para casa: Argo faturou a categoria Melhor Elenco e o ator se mostrou muito surpreso com mais esse feito. Pelo visto, o longa é mesmo favorito ao Oscar 2013. 

Confira a lista completa dos vencedores do SAG Awards 2013:

Melhor Elenco
Argo

Melhor Ator
Daniel Day-Lewis (Lincoln)

Melhor Atriz
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

Melhor Ator Coadjuvante
Tommy Lee Jones (Lincoln)

Melhor Atriz Coadjuvante
Anne Hathaway (Os Miseráveis)

Melhor Ator de Minissérie ou Filme para TV
Kevin Costner - Hatfields & McCoys

Melhor Atriz de Minissérie ou Filme para TV
Julianne Moore - Game Change

Melhor Ator em Série Dramática
Bryan Cranston - Breaking Bad

Melhor Atriz em Série Dramática
Claire Danes - Homeland

Melhor Ator em Série Cômica
Alec Baldwin - 30 Rock

Melhor Atriz em Série Cômica
Tina Fey - 30 Rock

Melhor Elenco em Série Dramática:
Downton Abbey

Melhor Elenco em Série Cômica
Modern Family

Menções Honrosas para Elenco

-Melhor Elenco de Dublês no Cinema
007: Operação Skyfall

-Melhor Elenco de Dublês em Série Televisiva:
Game of Thrones

Prêmio pelo Conjunto da Obra
Dick Van Dyke

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Edwin Boyd - A Lenda do Crime

Edwin Boyd - A Lenda do Crime, não chega a ser um filme surpreendente. Na verdade, ele não apresenta nada fora do usual. É a velha fórmula de transformar o vilão em herói, e fazer o espectador torcer por ele. Funciona? Claro que sim. E nesse caso também. Por isso mesmo, o filme apresenta elementos agradáveis, que atingem quem o assiste e até permite uma interação, daquelas que faz a pessoa pensar o que ela faria se estivesse na mesma situação.

É interessante por fazer essa troca. Mas apela mas algumas situações que já são lugar comum em muitas outras produções existentes. É o fato de transformar o vilão em herói, ou transformar um pai de família, trabalhador, em vilão, e a partir daí usar as questões familiares e de amizade para dar sequência à trama.

O elenco, com nomes como os de Scott Speedman, Kelly Reilly, Kevin Durand, Joseph Cross e William Mapother, é que seguram a história. Estilizado como uma história dos anos 40, o filme tem um visual antigo funcional, mas não exagera no aspecto de efeitos ou fotografias. Seu problema, nesse caso, é mesmo seu roteiro fraco. E a tradução, que o coloca como uma lenda do crime (fala a verdade, antes de ver esse filme ou ler esse post você nem imaginava quem era Edwin Boyd, não é mesmo?).

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Edwin Boyd, um ladrão de bancos que virou lenda nos Estados Unidos depois de uma sequência de assaltos, prisões e fugas da cadeia. Mas Edwin não era um ladrão qualquer. Charmoso, ele ganhou fama ao se destacar no mundo do crime, além de escolher uma vida cheia de perigos.

De verdade, essa sinopse não retrata fielmente o filme. Era uma outra época. As prisões não eram tão bem controladas, o camarada serrava as grades de várias celas sem ser percebido. Então, essas fugas nem eram tão espetaculares assim e, em todo contato que Boyd teve com a polícia, acabou levando a pior, sem nem pensar em fugir.

Acima de tudo, é um filme que trata relações familiares e de amizade, e as decisões tomadas a partir de acontecimentos inusitados em nossas vidas. Tem toda uma lição de moral (e de vida) que funciona, ao envolver o espectador na trama, fazendo com que ele reflita sobre os rumos a se seguir. É uma produção interessante, que se segura na atuação de seu bom elenco, mas que não apela para cenas de ação, perseguição ou tiroteio que fariam parte de qualquer outro filme do mesmo estilo. Boa pedida para quem procura um filme mais cabeça, sem necessariamente se importar com o roteiro mais fraco.

FICHA TÉCNICA

Drama/Policial - 14 ANOS | (Citizen Gangster) Canadá, 2011. Direção: Nathan Morlando. Elenco: Scott Speedman, Kelly Reilly, Kevin Durand, Joseph Cross, William Mapother, Brendan Fletcher, Brian Cox. Duração: 105 min.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vizinhos Imediatos de 3º Grau

253992Bom... não sei o que acontece com as comédias atuais. Grande parte delas precisa apelar para o escatológico para tentar agradar seu público, e mesmo assim não conseguem. Vizinho Imediatos de 3º Grau não chega a esse extremo (ok, só em algumas partes), mas não consegue ir além das poucas risadas de simpatia, e não por ser uma comédia impressionantemente engraçada.

A reunião de três grandes nomes em seu elenco (Ben Stiller, Jonah Hill e Vince Vaughn) talvez fosse uma tentativa de salvar o filme, mas no geral, a reunião deles, e de todo o elenco, não consegue agradar muito. Confesso não ser muito fã do estilo de Ben Stiller, embora reconheça que ele foi muito bem em outros filmes de sua carreira. Mas apostar na união de grandes nomes da comédia parece ser um jeito de pensar que a audiência só quer ver nomes de estrelas, sem se importar com o conteúdo da produção.

E o filme nem é tão ruim na parte técnica. Tem boa fotografia, bons efeitos visuais, e até uma boa trilha. Mas seu roteiro é fraco, previsível, e cheio de piadas prontas (e copiadas em excesso). Talvez esse seja o grande ponto negativo. Tudo mais seria colocado de lado se a trama tivesse sentido, e não abusasse de situações absurdas. No geral, faltou mesmo um acerto em seu roteiro.

No filme quatro sujeitos comuns unem-se para formar um grupo de vigilância comunitária. Na verdade, a reunião do quarteto não passa de uma desculpa para escaparem de suas vidas sem graça. Mas tudo muda quando eles, acidentalmente, descobrem que a sua cidade foi invadida por extraterrestres. 

Não é o pior filme que eu já vi em minha vida, mas também está longe de ser o melhor. Acredito até que ele cumpra seu papel de entreter seu espectador, mas no fim deixa aquela sensação de que alguns detalhes aqui ou ali poderiam melhorar, e muito, a coisa toda. O elenco não parece entrosado, apesar dos grandes nomes, e mesmo o esmero visual não salva do fraco produto final. Se você procura um filme pra passar tempo, talvez seja uma boa pedida, mas se você busca uma boa comédia, fique longe.
 

FICHA TÉCNICA

Diretor: Akiva Schaffer
Elenco: Jonah Hill, Ben Stiller, Vince Vaughn, Billy Crudup, Will Forte, Richard Ayoade, Nicholas Braun, Rosemarie DeWitt, Doug Jones, Jorma Taccone, Joe Nunez, Carissa Capobianco, Patricia French, Willam Belli, Cait Johnson, Justin Wheelon, Mel Rodriguez, Jonathan Hart, Bonnie Johnson, Erin Moriarty, Zack Mines, Alexander Isaiah Thomas, Jade Nicolette, Bradford Haynes, Hillary Brant, Jill Jane Clements, Joel Rogers, Thomas Elliott, Timothy J. Richardson, Liz Smallwood, Harley Max Shellhammer, Todd Maynor, Jaye Tyroff, Eric Goins, Kathlene Huslin, Canute Brown-Morgan, Taylor Prezzano, Dan Center
Produção: Shawn Levy, Tom McNulty
Roteiro: Seth Rogen, Evan Goldberg
Fotografia: Barry Peterson
Trilha Sonora: C. Douglas Cameron
Duração: 102 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: 21 Laps Entertainment / Twentieth Century Fox Film Corporation
Classificação: 12 anos

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Plano de Fuga

238831Apesar das pretensões que o filme possa ter (como qualquer filme), não acho que o resultado tenha sido tão ruim. Mel Gibson ainda é um grande astro, principalmente por seus filmes mais antigos, e mesmo tendo participado de produções menos apreciadas e de menor qualidade nos últimos tempos, ainda tem o seu charme.

Fato é que Plano de Fuga nem chega a ser um filme fora de série. É uma produção que utiliza alguns bons artifícios, como algumas (e também absurdas) cenas de perseguição e luta, mas investe na atuação de Gibson para segurar a trama. No geral é um filme que começa em ritmo acelerado, e não diminui a velocidade até o fim. Tudo é muito dinâmico, e parece exigir uma pronta resolução. Melhor para o espectador, que recebe a dose certa de entretenimento e tem acesso a um filme bastante agradável.

Até mesmo a fotografia de Plano de Fuga ajuda. Retrata com detalhes impressionantes o que seria a vida em um presídio. No mais, o elenco não deixa a peteca cair e vai bem durante todo o longa (apesar de alguns personagens serem meio caricatos). Arrisca ainda com algumas pílulas de humor que funcionam e agradam. Consegue até fugir de clichês de pontos previsíveis.

No filme, um criminoso americano (Mel Gibson) que foi preso pelas autoridades mexicanas e enviado para um presídio lotado de bandidos de alta periculosidade. Não bastasse essa experiência bizarra, ele acaba se envolvendo com uma família local e se metendo numa grande enrascada em terras estrangeiras porque a bandidagem agora quer a pele dele.

É uma boa pedida para quem procura um filme que investe em ação, humor, e na dinâmica de uma história que funciona bem e é agradável. Ponto forte é a velocidade da trama, que não se prende a detalhes desnecessários. Mel Gibson volta à forma em um filme de ação e lidera bem o elenco. Boa pedida para a matinê do fim de semana.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Adrian Grunberg
Elenco: Mel Gibson, Peter Stormare, Dean Norris, Bob Gunton, Kevin Hernandez, Scott Cohen, Stephanie Lemelin, Patrick Bauchau, Sofía Sisniega, Aaron Cohen, Jesús Ochoa, Denise Gossett, Gustavo Sánchez Parra, Daniel Giménez Cacho, Tenoch Huerta, Jace Jeanes, TomSchanley, Dolores Heredia, Zak Knutson, Dalibor Jajcanin, Roberto Sosa, Fernando Becerril, Omar Ayala, Paloma Arredondo, Clayton J. Barber, Blue Demon Jr., Aarón I. Campos, Manuel Domínguez, Boris Milaszenko.
Produção: Bruce Davey, Mel Gibson, Stacy Perskie
Roteiro: Mel Gibson, Adrian Grunberg, Stacy Perskie
Fotografia: Benoît Debie
Trilha Sonora: Antonio Pinto
Duração: 96 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Icon Productions
Classificação: 16 anos