terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Falta de distribuição ou planejamento deixam filmes nacionais sem salas

"Insônia", novo filme protagonizado por Luana Piovani, estreou nesta sexta-feira (14) após mais de cinco anos do início das filmagens. Em 2008, quando a equipe registrou a última cena sobre a história dos conflitos de uma adolescente, as redes sociais não tinham o papel que tem hoje e Luana, agora mãe, ainda namorava Dado Dolabella.
Remontagens, problemas na captação de recursos e conversões técnicas fizeram com que o longa empacasse, mas outra questão, bastante conhecida de produtores e cineastas brasileiros, também colaborou para a demora: a dificuldade de se distribuir e lançar o filme.

"Ficamos quase um ano com o filme parado. Já sabíamos que teríamos o problema da distribuição pelo fato do filme não ter tanto apelo", conta o produtor de "Insônia", Beto Rodrigues.

O que poderia ser um acidente de percurso, na verdade assola a produção nacional. Uma lista imensa de filmes aguarda o parceiro ideal que "compre" a ideia do longa e se arrisque a lançá-lo. Foi assim com a coprodução sino-brasileira "Destino", com Lucélia Santos e direção de Moacyr Góes. O filme estreou em Xangai em 2009 e passou pelo festival de Paulínia no mesmo ano. No entanto, não se tem notícia de quando ele realmente será lançado. Outro exemplo é o experimental "As Tentações do Irmão Sebastião", de José Araújo, que passou na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2006 e desde então nunca mais se ouviu falar.

Filmado em 2009, "A Primeira Missa", com a filha de Charlie Chaplin, Geraldine Chaplin, no elenco, a volta às telas da diretora Ana Carolina já foi exibido em Portugal. Nas telas brasileiras, por enquanto, nenhum sinal.

"A distribuição é o único problema do cinema brasileiro. É uma tragédia, uma falta absoluta de critérios", reclama o produtor executivo do filme "Anita e Garibaldi", Rubens Gennaro. O filme, protagonizado por Ana Paula Arósio, demorou oito anos para encontrar um lugar seu nas telas. Na época da estreia, o produtor criticou a atriz, que após as filmagens, abandonou a vida de estrela para viver em uma fazenda. Longe da vida pública, Arósio não foi ao lançamento e nem participou de entrevistas que poderiam ajudar na publicidade do filme.

Com o filme em cartaz, Gennaro não aplacou. "Colocaram o filme um dia na sessão das 18h, e no dia seguinte mudaram para às 13h. 90% do interesse é voltado ao cinema americano". Faltou um trabalho de publicidade? Gennaro admite que sim, mas aponta o que considera ser o maior problema: "Eu não tenho dinheiro para pagar mídia, comercialização".
"Anita e Garibaldi", de Alberto Rondalli, retrata a chegada de Giuseppe Garibaldi (Gabriel Braga Nunes) no Brasil, seu encontro com Anita (Ana Paula Arósio) e o aprendizado humano e militar com Luigi Rossetti na luta pela libertação do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina do Império Brasileiro Divulgação

Procurada pelo UOL, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) não respondeu aos questionamentos dos produtos ouvidos pela reportagem. Sabe-se, no entanto, que o órgão possui duas linhas de investimento, dentro do Fundo Setorial, para distribuição e comercialização, mas muitas vezes a distribuidora precisa investir recursos também.

Dependendo do filme, o custo na divulgação é considerado um risco, principalmente se for um filme menor, autoral e distante de blockbusters, como "Tropa de Elite", "Se Eu Fosse Você" ou "De Pernas Pro Ar", títulos cujo gêneros já foram experimentados e que são considerados as verdadeiras galinhas dos ovos de ouro – não à toa, as três sequências figuram entre os 20 filmes nacionais com maior bilheteria da história.
Com "Insônia", foi a mesma coisa. "Tentamos o caminho com muitas distribuidoras, mas não tínhamos um recurso substancial", conta Beto. "Hoje, se você não tem perfil definido como uma comédia de costumes, sem a Globo Filmes e uma distribuidora grande por trás, você quase não tem chances", explica.

Adhemar Oliveira conhece as duas etapas do processo de lançamento de um filme mais importante. Ele é fundador da rede exibidora Espaço de Cinema com salas em Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, e também é distribuidor, com a Espaço Filmes, onde se dedica a exibição de filmes especiais, como o experimental "Viajo Porque preciso, Volto Porque Te Amo", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, e agora com "Insônia".

Programa premia distribuidoras para lançar filmes no exterior



O programa Cinema do Brasil, pilotado pelo cineasta e diretor-executivo do MIS (Museu de Imagem e de Som, em São Paulo) André Sturm, desenvolve um trabalho forte de incentivo às distribuidoras que querem lançar filmes nacionais. Mas no exterior. "A gente oferece às distribuidoras que vão lançar filmes brasileiros um valor em dinheiro para ele gastar com despesas do lançamento. Ano passado tivemos 40 inscritos e conseguimos contemplar 20 lançamentos de filmes brasileiros com apoio do Cinema no Brasil". Prova do sucesso do prêmio são os filmes "Praia do Futuro", de Karin Aïnouz, e "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", de Daniel Ribeiro, todos contemplados pelo programa, e atrações no Festival de Berlim. Guardada as devidas proporções, o risco de lançar uma produção no exterior encontra semelhanças no trabalho de lançamento de um filme no Brasil. "Para lançar um filme no cinema, você tem que correr todos os riscos antes, fazer cópias. Não tem essa coisa de 'não deu certo, vamos guardar o filme e lançar de novo'. Não é uma loja, não tem estoque. Com esse recurso, o distribuidor diz 'meu risco agora é só uma parte'" explica Sturm
 
No entanto, ele não engrossa o coro dos descontentes e aponta falta de planejamento como motivo para os filmes não chegarem ao público. "Há uma produção nacional muito forte, mas não se pensa no público, no lançamento, no mercado, no marketing. Existir produção é bom, mas existir produção e não ter escoamento, é ruim. O que não dá é gerar um filme num formato que não tem futuro", ele explica.

"Você tem uma concorrência violenta de salas, ainda mais no Brasil onde temos 5 mil salas. Dependendo do tipo de filme, ele tem mais resistência ainda. Você acha que a gente não discute com as pessoas: olha o filme vai chegar apenas até aqui [de público e bilheteria]? A vontade do artista é ser visto por milhões"

Especialista em mercado cinematográfico, o jornalista Pedro Butcher avalia que anos atrás a situação era mais drástica. "Filmes que não estreiam existiram e sempre vão existir. Mas a situação já foi muito mais grave. O Fundo Setorial tem complementações e o aumento das salas dá uma respirada. Tem muitas distribuidoras que estão fazendo um movimento bom com o cinema nacional", explica.

Longe dos blockbusters, Pedro dá exemplos de filmes que ficariam restritos aos amigos do diretor em outros tempos, mas que hoje ganham repercussão dentro do seu nicho. "[O documentário] 'O Renascimento do Parto' foi feito via crowdfunding e ganhou uma super adesão. Foi distribuído pelo Espaço Filmes e foi um sucesso. Um filme com financiamento coletivo através de um site".

Outras soluções estão sendo testadas para que os filmes tenham vida pelo menos na tela da TV e do computador. O diretor Roberto Santucci, eleito o atual midas do cinema nacional, pelo estrondoso sucesso de "De Pernas Para o Ar" e "Até que a Sorte Nos Separe" – com média de 4 milhões de espectadores cada um --, tem um filme de 2008 não lançado, "Alucinados", realizado na época em que ele corria de um lado para o outro buscando parcerias com distribuidoras e exibidores, mantém a fé de que o longa pode finalmente ver à luz com um lançamento online.

Filmes como " Não Se Pode Viver Sem Amor", de Jorge Duran, com Cauã Reymond no elenco, não conseguiu espaço na programação das salas e estreou direto em DVD e na grade do Canal Brasil. O segundo filme de Oswaldo Montenegro, "Solidões", com Vanessa Giácomo, é o próximo título da parceria com a emissora de TV por assinatura.

Por Tiago Dias, para o UOL Entretenimento, em 17/02/2014.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

"12 anos de Escravidão" é o melhor filme no BAFTA 2014; "Gravidade" lidera

O filme "12 anos de Escravidão" foi escolhido como melhor filme na 67ª edição dos prêmios BAFTA, da Academia Britânica de Artes da Televisão e do Cinema. Com direção de Steve McQueen, o longa também recebeu o prêmio de melhor ator, que foi para Chiwetel Ejiofor. A cerimônia aconteceu na Royal Opera House de Londres, neste domingo (16), e foi apresentada pelo ator Stephen Fry.

Durante discurso de McQueen ao ganhar a estatueta, o diretor destacou o problema da escravidão no mundo. "21 milhões de pessoas em escravidão enquanto estamos aqui sentados", disse ele.

"12 Years a Slave", de Steve McQueen, é baseado nas memórias -- lançadas em 1853 -- de um negro livre que é vendido como escravo. O longo foi eleito o melhor filme do Festival de Toronto e é um dos favoritos na corrida pelo Oscar Divulgação
 
No entanto, "Gravidade", do diretor mexicano Alfonso Cuarón, liderou o ranking de premiações. O longa metragem recebeu seis e foi indicado em 11 categorias. O longa levou o prêmio de melhor filme britânico e concorreu com "Mandela: Long Walk to freedom","Philomena","Rush: No Limite da Emoção","Walt nos Bastidores de Mary Poppins" e "The Selfish Giant".

Já Cuarón tambpem foi premiado como melhor diretor por "Gravidade". O BAFTA de ouro das categorias melhores efeitos visuais, fotografia, música original e som também foram para o longa.  Durante a cerimônia, ele disse que se considerava parte da indústria cinematográfica do Reino Unido, já que tinha vivido na Grã-Bretanha por 13 anos e feito metade de seus filmes no país.

                  
Imagens de "Gravidade", do cineasta Alfonso Cuarón. No longa, Sandra Bullock e George Clooney vivem astronautas. Estreia no Brasil em 11 de outubro Divulgação/Warner Bros. Pictures

Já o prêmio de melhor atriz foi para Cate Blanchett, de "Blue Jasmine". Jennifer Lawrence também foi premiada como melhor atriz coadjuvante em "Trapaça". O longa recebeu outra premiação nesta noite: melhor roteiro original. Já para melhor ator coadjuvante, a estatueta foi para o ator somali-americano Barkhad Abd em sua estreia, em "Capitão Phillips", de Paul Greengrass.

Considerado uma prêvia inglesa do Oscar, o Bafta premiou "Fronzen - Uma Aventura Congelante" como o melhor longa-metragem animado.

Leonardo di Caprio, Judi Dench, Helen Mirren, Tom Hanks e a serena Cate Blanchett estavam presentes na premiação e passaram pelo tapete vermelho.

Veja o resultado da premiação:

Melhor filme

    12 Anos de Escravidão
    Trapaça
    Capitão Phillips
    Gravidade
    Philomena

Melhor diretor

    12 Anos de Escravidão - Steve McQueen
    Trapaça - David O. Russell
    Capitão Phillips - Paul Greengrass
    Gravidade - Alfonso Cuarón
    O Lobo de Wall Street - Martin Scorsese

Melhor ator

    Bruce Dern - Nebraska
    Chiwetel Ejiofor - 12 Anos de Escravidão
    Christian Bale - Trapaça
    Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
    Tom Hanks - Capitão Phillips

Melhor atriz

    Amy Adams - Trapaça
    Cate Blanchett - Blue Jasmine
    Emma Thompson - Walt nos Bastidores de Mary Poppins
    Judi Dench - Philomena
    Sandra Bullock - Gravidade

Melhor ator coadjuvante

    Barkhad Abdi - Capitão Phillips
    Bradley Cooper - Trapaça
    Daniel Brühl - Rush - No Limite da Emoção
    Matt Damon - Behind the Candelabra
    Michael Fassbender - 12 Anos de Escravidão

Melhor atriz coadjuvante

    Jennifer Lawrence - Trapaça
    Julia Roberts - Álbum de Família
    Lupita Nyong'o - 12 Anos de Escravidão
    Oprah Winfrey - O Mordomo da Casa Branca
    Sally Hawkins - Blue Jasmine

Melhor filme britânico

    Gravidade
    Mandela - Long Walk to Freedom
    Philomena
    Rush - No Limite da Emoção
    Walt nos Bastidores de Mary Poppins
    The Selfish Giant

Melhor filme britânico de estreia de um roteirista, diretor ou produtor

    Good Vibrations - Colin Carberry (roteirista), Glenn Patterson (roteirista)
    Walt nos Bastidores de Mary Poppins - Kelly Marcel (roteirista)
    Kelly + Victor - Kieran Evans (diretor/roteirista)
    For Those in Peril - Paul Wright (diretor/roteirista), Polly Strokes (produtora)
    Shell - Scott Graham (diretor/roteirista))

Melhor filme em lingua não-inglesa

    O Ato de Matar (Dinamarca)
    Azul é a Cor Mais Quente (França)
    A Grande Beleza (Itália)
    Metro Manila (Filipinas)
    O Sonho de Wadjda (Arábia Saudita)

Melhor longa animado

    Meu Malvado Favorito 2
    Frozen - Uma Aventura Congelante
    Universidade Monstros

Melhor documentário

    O Ato de Matar
    The Armstrong Lie
    Blackfish
    Tim's Vermeer
    We Steal Secrets: The Story of Wikileaks

Melhor roteiro original

    Trapaça
    Blue Jasmine
    Gravidade
    Inside Llewyn Davis - Balada de Um Homem Comum
    Nebraska

Melhor roteiro adaptado

    12 Anos de Escravidão
    Behind the Candelabra
    Capitão Phillips
    Philomena
    O Lobo de Wall Street

Melhor trilha sonora original

    Hans Zimmer - 12 Anos de Escravidão
    John Williams - A Menina que Roubava Livros
    Henry Jackman - Capitão Phillips
    Steven Price - Gravidade
    Thomas Newman - Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Melhor fotografia

    Sean Bobbit - 12 Anos de Escravidão
    Barry Ackroyd - Capitão Phillips
    Emmanuel Lubezki - Gravidade
    Bruno Delbonnel - Inside Llewyn Davis - Balada de Um Homem Comum
    Phedon Papamichael - Nebraska

Melhor edição

    Joe Walker - 12 Anos de Escravidão
    Christoper Rouse - Capitão Phillips
    Alfonso Cuarón e Mark Sanger - Gravidade
    Dan Hanley e Mike Hill - Rush - No Limite da Emoção
    Thelma Schoonmaker - O Lobo de Wall Street

Melhor design de produção

    Adam Stockhausen e Alice Baker - 12 Anos de Escravidão
    Judy Becker e Heather Loeffler - Trapaça
    Howard Cummings - Behind the Candelabra
    Andy Nicholson, Rosie Goodwin e Joanne Woodlard - Gravidade
    Catherine Martin e Beverley Dunn - O Grande Gatsby

Melhor figurino

    Michael Wilkinson - Trapaça
    Ellen Mirojnick - Behind the Candelabra
    Catherine Martin - O Grande Gatsby
    Michael O'Connor - The Invisible Woman
    Daniel Orlandi - Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Melhor som

    Richard Hymns, Steve Boeddeker, Brandon Proctor, Micah Bloomberg e Gillian Arthur - All is Lost
    Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith, Chris Munro e Oliver Tarney - Capitão Phillips
    Glenn Freemantle, Skip Lievsay, Christopher Benstead, Niv Adiri, Chris Munro - Gravidade
    Peter F. Kurland, Skip Lievsay e Greg Orloff - Inside Llewyn Davis - Balada de Um Homem Comum
    Danny Hambrook, Martin Steyer, Stefan Korte, Markus Stemler e Frank Kruse - Rush - No Limite da Emoção

Melhores efeitos visuais

    Tim Webber, Chris Lawrence, David Shirk, Neil Corbould e Nikki Penny - Gravidade
    Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton e Eric Reynolds - O Hobbit - A Desolação de Smaug
    Bryan Grill, Christopher Townsend, Guy Williams e Dan Sudick - Homem de Ferro 3
    Ben Grossmann, Burt Dalton, Patrick Tubach e Roger Guyett - Além da Escuridão - Star Trek

Melhor maquiagem

    Evelyne Noraz e Lori McCoy-Bell - Trapaça
    Kate Biscoe e Marie Larkin - Behind the Candelabra
    Debra Denson, Beverly Jo Pryor e Candace Neal - O Mordomo da Casa Branca
    Maurizio Silvi e Kerry Warn - O Grande Gatsby
    Peter Swords King, Richard Taylor e Rick Findlater - O Hobbit - A Desolação de Smaug

Melhor curta animado britânico

    Everything I Can See From Here - Bjorn-Erik Aschim, Friederike Nicolaus e Sam Taylor
    I Am Tom Moody - Ainslie Henderson
    Sleeping with the Fishes - James Walker, Sarah Woolner e Yousif Al-Khalifa

Melhor curta britânico

    Island Queen - Ben Mallaby e Nat Luurtsema
    Keeping Up with the Joneses - Megan Rubens, Michael Pearce e Selina Lim
    Orbit Ever After - Chee-Lan Chan, Jamie Stone e Len Rowles
    Room 8 - James W. Griffiths e Sophie Venner
    Sea View - Anna Duffield e Jane Linfoot

Melhor atriz/ator em ascensão

    Dane DeHaan
    George MacKay
    Lupita Nyong'o
    Will Poulter
    Léa Seydoux

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Comcast compra Time Warner Cable por US$ 45,2 bilhões



A Comcast, maior operadora de cabo dos EUA, anunciou nesta quinta, 13, que irá adquirir a Time Warner Cable, segunda maior operadora.  O negócio foi confirmado pelas duas companhias após ter sido antecipado pelo canal CNBC(do grupo Comcast) na noite de quarta, 12.

Se o negócio se concretizar, já que há necessidade de aprovação regulatória, será a maior operadora de cabo dos EUA, em uma transação que resultará em uma mega-operadora de 30 milhões de assinantes (22 milhões da Comcast e 12 milhões da TWC, mas a Comcast anunciou que deve abrir mão de cerca de 3 milhões de clientes). A oferta da Comcast para a Time Warner Cable seria bem acima da oferta feita recentemente pela Charter, mas seria apenas em uma troca de ações, ou seja, os acionistas da TWC não receberiam dinheiro em troca da transação. A avaliação feita pela Comcast estabeleceu um valor de US$ 159 por ação, ou US$ 45,2 bilhões no total de participação adquirida (100% das ações).
Naturalmente, o negócio só sai depois de passar pelo crivo das autoridades norte-americanas. Apesar da grande concentração do mercado como um todo, os problemas concorrenciais imediatos não seriam tão grandes, já que nos EUA não existem duas operadoras de cabo operando nas mesmas cidades. Assim, a cobertura da Comcast se complementaria à da TWC. Mas existem preocupações em relação ao poder de mercado que pode se estabelecer na negociação de conteúdos (inclusive porque a Comcast é uma grande programadora de TV paga e também controladora da rede aberta NBC), na definição de preços para o mercado de banda larga e na compra de equipamentos. Segundo o relato da CNBC, a transação teria como cronograma final o segundo semestre deste ano.
Também favorece a intenção da Comcast o fato de que a Time Warner Cable, apesar de ser a segunda maior operadora de cabo, é apenas a quarta maior operadora de TV paga, atrás da DirecTV (20 milhões de assinantes) e da Dish (14 milhões de assinantes. As duas operadoras de DTH são as maiores competidoras das empresas de cabo, e há ainda, em algumas cidades, concorrência com as empresas de telefonia Verizon (4,7 milhões de clientes de IPTV) e AT&T (4,5 milhões).
A nova companhia será dirigida por Neil Smit, atual CEO da Comcast Cable.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Guru em Hollywood, Robert McKee diz que roteiristas brasileiros devem aprender a não explicar tudo

Robert McKee diz que a melhor escrita dos EUA está na televisão atualmente

No filme “Adaptação”, de Charlie Kaufman, o protagonista, um roteirista em meio a uma crise de inspiração, decide se inscrever num famoso curso de roteiro: trata-se de “Story”, de Robert McKee. Conhecido como uma espécie de guru dos roteiristas de Hollywood — seus alunos já ganharam mais de 60 Oscars e 170 Emmys —, ele esteve no Brasil pela primeira vez em 2010 para ministrar as aulas do mesmo curso. Agora, em 2014, pelo segundo ano seguido, passou pelo país dentro do Programa Globosat de Roteiristas, projeto que aposta na formação para o crescimento do mercado audiovisual no país.

No filme, McKee é interpretado por Brian Cox e, embora não seja nada raivoso como o personagem — construído com sarcasmo por Kaufman — ele é sincero ao dizer quais são os principais pontos fracos nos roteiros das séries brasileiras.

— Os roteiristas precisam aprender a não explicar tudo. No Brasil, os personagens dizem exatamente o que estão pensando. Não existe subtexto. É preciso confiar que o ator e o público vão entender o que está sendo dito sem precisar de todas as palavras. Isso é absolutamente fundamental na hora de criar uma série com padrão internacional —afirma.

Já a indústria televisiva dos EUA não tem muito do que reclamar há pouco mais de uma década, quando uma leva de séries encabeçadas por “Família Soprano” deu início à uma Era de Ouro. McKee concorda com a afirmação de que a melhor escrita dos EUA hoje está na TV. E não apenas em comparação com o cinema: com a literatura e o teatro também, diz ele. E os motivos principais para os melhores roteiristas terem migrado do cinema para a TV (e, aos poucos, terem levado diretores e atores também) são dois: poder e liberdade.

— No cinema, o roteirista não tem a liberdade de que gostaria. Ele precisa agradar ao diretor, ao produtor, ao dinheiro. E o trabalho fica comprometido. Na TV, o roteirista manda. Porque o tempo para preencher é infinito, mas os verdadeiros talentos são poucos. Para aceitar escrever uma série, além de pedir muito dinheiro, o roteirista normalmente acumula o cargo de produtor-executivo. Além disso, na TV, é possível contar histórias que o cinema não ousaria. Há mais liberdade de criação e experimentação.

Em suas aulas sobre TV, o ensinamento mais valioso é que a chave de tudo é o personagem. Afinal, numa trama que pode chegar a durar 10 anos ou mais, é preciso que o público se mantenha interessado no protagonista.

— A complexidade psicológica é essencial. O personagem precisa ter contradições. Alguém como Dexter, por exemplo. É um cara legal, todos na polícia o adoram, faz bem seu trabalho, é bom pai.... E é um serial killer de precisão nazista. Essa contradição nos fascina. Não é fácil, mas é simples criar isso. Você precisa ter um insight para bolar a ideia, mas a técnica eu explico em dois minutos.

Isso nunca será diferente, ele defende. Mesmo com toda a tecnologia que vem mudando a forma com que os espectadores assistem à TV. No caso de uma série como “House of cards”, cuja temporada inteira fica disponível para quem quiser assisti-la de uma vez só, ele destaca o risco trazido pelo novo formato, já que não é possível “estrear dois ou três, ver a reação do público, e talvez ajustar algo”. Mas ressalta que manter o espectador querendo ver episódios sem parar sempre foi papel dos roteiristas.

— Meu filho insistia para eu assistir a “24 horas”, e eu não queria. Um dia, fui à locadora e aluguei 4 episódios. Comecei a assistir às 20h. À meia-noite, estava pronto para invadir a locadora. A série nos deixa de um jeito que você não consegue parar. Esse é o trabalho do roteirista.

Por Thaís Britto, para O Globo, em 10/02/2014.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Aos 85 anos, morre Shirley Temple

Shirley Temple em 1935 (Foto: Getty Images/Agência)
 
Shirley Temple morreu nesta segunda-feira, 10, nos Estados Unidos, segundo informações da BBC.

De acordo com um comunicado enviado pela família e divulgado pela emissora de TV, a mais famosa estrela infantil de todos os tempos estava em sua casa, em Woodside, na Califórnia, e morreu de causas naturais: "Ela estava cercada por sua família e pessoas que a amavam. Nós a saudamos por sua vida e por toda sua inesquecível história como atriz, diplomata, amada mãe, avó e bisavó".

A atriz e diplomata começou a fazer aulas de dança com apenas 3 anos. Em 1935, aos 6 anos, ela ganhou uma miniestatueta simbólica do Oscar por sua contribuição ao cinema.

Em 1972, aos 44 anos, Shirley descobriu que tinha câncer de mama e foi a primeira celebridade a admitir em público a sua doença. A razão para isso, foi encorajar outras mulheres a prevenirem este problema.

Em 2006 a atriz recebeu uma homenagem no SAG Awards.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Shia LaBeouf vai à sessão de gala de Ninfomaníca com saco na cabeça

Depois de abandonar a coletiva de imprensa do filme Ninfomaníaca - Parte 1, no Festival de Berlim, Shia LaBeouf chegou à avant-première do filme “quase” como manda o figurino. Estava de smoking, gravata borboleta e… um saco de papel na cabeça. “Não sou mais famoso” – estava escrito no “disfarce”.



Horas antes, Shia LaBeouf provocou mais constrangimento durante o encontro com a imprensa. O diretor, Lars von Trier, estava em Berlim, mas não compareceu. Ao ser questionado sobre as cenas de sexo com sua parceira, Stacy Martin, Shia respondeu: “Quando as gaivotas seguem a traineira é porque pensam que as sardinhas serão jogadas ao mar”. E retirou-se do recinto sem mais explicações.

Stacy Martin e Shia em cena de Ninfomaníaca

Sua resposta é exatamente o que disse o jogador de futebol e ator francês Eric Cantona, em 1995, a respeito da condenação a 120 horas de serviço comunitário por causa de uma agressão durante um jogo. Ou seja: Shia, que ficou famoso pela cinessérie Transformers, também pecou pela falta de originalidade. O Festival de Berlim está exibindo as duas partes sem cortes de Ninfomaníaca. A Parte 2, com cortes, estreia no Brasil dia 21 de março.

Por Miguel Barbieri Jr. no site Tudo sobre Cinema, em 09/02/2014.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Quase 80% dos brasileiros não conhecem vídeos ‘on demand’


Os serviços de vídeo “on demand” (sob demanda), VOD, não param de crescer, mas quase 80% dos brasileiros não têm a menor ideia do que é um vídeo “on demand”.

Pelo menos é isso que aponta a 20ª PayTV pop, pesquisa realizada pelo Ibope, que pretende mapear e analisar as transformações nos hábitos dos assinantes de TV por assinatura no país.

Realizado anualmente, o estudo, que entrevistou mais de 18 mil pessoas, em 13 metrópoles do Brasil, mostrou em sua mais recente edição, em 2013, que 79% dos brasileiros desconhecem qualquer tipo de serviço de vídeo sob demanda. Apenas 20% dos entrevistados disseram conhecer o VOD e, desses, somente 2% já utilizaram o serviço. Segundo o Ibope, 1% dos entrevistados não opinou sobre o assunto.

O número de usuários é pequeno se comparado aos investimentos de empresas como Netflix e Net nesse setor.

A Net diz que o nome VOD (vídeo on demand’) é pouco difundido no Brasil pelas empresas e que isso pode ter causado confusão entre os participantes da pesquisa. Segundo a operadora, os conceitos do serviço de vídeo on demand’ já são amplamente conhecidos pelos assinantes de TV paga e por seus clientes.