Mostrando postagens com marcador alice no país das maravilhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alice no país das maravilhas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de abril de 2011

Alice no País das Maravilhas





Demorei algum tempo para criar coragem e assistir esse filme. Não pela produção em si, mas pela história de Alice que, confesso, nunca me chamou a atenção. Não me sentia confortável com toda aquela nova perspectiva de mundo que seu criador, o autor Lewis Carroll, me empurrava com seus personagens desajeitados (aquele coelho do relógio sempre me irritou) e sem relação. Mesmo agora, entendendo a coisa toda, continuo não gostando, mas o filme de Tim Burton me deixou surpreso.


Outro dia falei dos filmes com o DNA de Clint Eastwood, e acho que o mesmo se aplica a Tim Burton. Seus filmes contêm seu jeito, sua fotografia e paleta de cores especial, que permite o destaque e o reconhecimento de que existe ali algo especial.


É isso mesmo o que é aplicado em Alice no País das Maravilhas. O filme tem a cara das produções de Tim, e representa exatamente tudo aquilo que é Alice. Uma história com personagens amalucados, situações sem muita explicação, e um tom sombrio que agrada bastante (mesmo para quem não é muito fã da história original).


Nada de diálogos exageradamente rebuscados, Johnny Depp na melhor versão do Chapeleiro Maluco, Helena Bonham Carter muito bem no papel da Rainha Vermelha e até a novata Mia Wasikowska, atuando como uma Alice nem tão inocente assim, garantem um bom resultado final.


Um filme cheio de efeitos e personagens distorcidos, que encaram de boa suas diferenças, e fogem dos modismos da história original sem perder a referência.


No filme, Alice (Mia Wasikowska), aos 19 anos de idade, volta ao País das Maravilhas, fugindo de um casamento arranjado. No mundo mágico, ela reencontra os personagens estranhos, como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), a Rainha Branca (Anne Hathaway) e a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), inspirados na obra de Lewis Carroll. É nessa jornada fantástica que a jovem tentará encontrar seu verdadeiro destino e acabar com o reino de terror da Rainha Vermelha.


Um filme diferente, no final das contas. Uma versão mais dark do conto infantil, e com isso, uma leitura muito mais agradável deste clássico. O filme é bastante rápido, partindo logo para as soluções, sem detalhes longos e cansativos. Uma boa pedida para quem procura um filme alternativo. Para minha surpresa, muito agradável.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Tim Burton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Michael Sheen, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Matt Lucas, Alan Rickman, Christopher Lee, Crispin Glover, Stephen Fry
Produção: Richard Zanuck, Joe Roth, Jennifer e Suzanne Todd
Roteiro: Linda Woolverton
Fotografia: Dariusz Wolski
Duração: 109 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Fantasia
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Classificação: 10 anos

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

OS 10 MAIS: Veja os filmes que mais arrecadaram em 2010

Os números alcançados pelas bilheterias dos filmes lançados em 2010 foram dignos de uma listagem. Este foi um anos de recordes, com direito a animação, ação, romance, remakes e, claro, com a ajudinha do 3D, herança de Avatar, de James Cameron. Destes 10 longas, seis foram convertidos para a nova tecnologia que enche os bolsos dos executivos hollywoodianos. Conheça os filmes que mais arrecadaram no mundo em 2010:


10º) Dragões podem conviver muito bem com vikings. Esta é a conclusão a qual chega o jovem Soluço, de Como Treinar o Seu Dragão. Mas, antes de entender isso, o filho do maior viking se atrapalha e arruma confusões. Com esta história, a produção da DreamWorks faturou US$ 493,20 milhões.


9º) Apesar de ter sido muito criticado pela imprensa especializada – parte dos comentários negativos foram por causa do mau uso do 3D –, Fúria de Titãs faz parte da lista dos filmes que mais renderam em 2010: US$ 493,21 milhões .


8º) A primeira animação da Illumination Entertainment, braço da Universal Pictures, já teve resultado positivo. Meu Malvado Favorito conseguiu US$ 538 milhões e, com isso, aqueceu os ânimos e planos da empresa para futuros investimentos.



7º) Tony Starks voltou ambicioso depois da revelação sobre seu alter ego. Homem de Ferro 2, protagonizado por Robert Downey Jr., arrecadou US$ 621 milhões. O sucesso até levantou hipóteses de mais uma sequência, mas Jon Favreau já anunciou que está fora.


6º) Vampiros, lobos, luta e uma história de amor. Esses são os ingredientes de A Saga Crepúsculo: Eclipse, filme que fez a alegria dos Twilighters de plantão e conquistou US$ 693 milhões nas bilheterias.


5º) Ogros também fazem sucesso, e a prova disso é a franquia Shrek. A terceira sequência, entitulada Shrek para Sempre, arrecadou US$ 737 milhões ao mostrar a angústia de Shrek em reaver seus dias de glória como um monstro assustador e o medo de perder sua família.


4º) A Origem despertou o interesse de críticos e dos espectadores. Não foi à toa que o longa dirigido por Christopher Nolan fez US$ 825 milhões. A arquitetura e a proposta de ideias que são extraídas ou inseridas por meio dos sonhos são o carro-chefe do roteiro deste filme, o quarto com maior bilheteria de 2010.


3º) O penúltimo capítulo da saga de bruxinho Harry Potter estreou em novembro e, ainda assim, garantiu seu lugar entre os filmes mais rentáveis do ano. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I faturou US$ 826 milhões.


2º) As expectativas eram imensas para Tim Burton dar o seu toque de excentricidade a Alice no País das Maravilhas. Com Johnny Depp no papel de Chapeleiro Maluco e qualidades visuais bem bacanas – além do 3D, claro –, o segundo filme de maior bilheteria arrecadou US$ 1,02 bilhão.


1º) Toy Story 3 foi o grande lançamento do ano. A animação da Disney/ Pixar divertiu crianças e emocionou os mais crescidinhos que deixaram seus brinquedos de lado. Resultado: US$ 1,06 bilhão e o título de animação mais rentável.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lista de indicados ao People’s Choice Awards 2011

Depois de uma série de premiações voltadas tanto para a cena musical, quanto a cinematográfica – entre VMA, EMA, Oscar e tantas outras – chegou a vez so People’s Choice Awards apontar os queridinhos do público nesse último ano. E entre o diferencial dessa premiação é justamente que ela reúne música, cinema e televisão em um único evento em que revela àqueles que foram os mais votados por vocês, fãs e espectadores reais, como os destaques da temporada!

Foi divulgada a esperada lista dos indicados a todas as categorias do People’s Choice Awards 2011, que anunciará, em um evento com direito a muitos flashes, tapete vermelho e inúmeras celebridades, os vencedores no próximo dia 05 de Janeiro. E nessa 37ª. Edição da premiação, quem lidera a quantidade de indicações é a equipe da Saga Crepúsculo que, com o filme “Eclipse” acumulam oito chances de saírem como os preferidos do público em categorias como: Filme favorito, Drama Favorito, Melhor Ator, Melhor Atriz, entre outros.

Já nas categorias televisivas, é a série médica “Grey’s Anatomy” a que mais acumula indicações; enquanto na música; nomes como: Lady Gaga, Katy Perry, Eminem e Taylor Swift se destacam entre os demais concorrentes. Para saber se o seu ídolo, filme ou série preferido está entre os indicados, confira abaixo a lista na íntegra e para dar o seu voto e aumentar as chances dos seus favoritos saírem vencedores, basta acessar o site Peopleschoice.com e começar a votar!

CINEMA

Melhor Filme
-Alice no país das Maravilhas
-Toy Story 3
-Saga Crepúsculo: Eclipse
-Homem de Ferro 2
-A Origem

Melhor filme de Ação
-Kick-Ass
-Salt
-Robin Hood
-Homem de Ferro 2
-Príncipe da Pérsia: As areias do Tempo

Melhor filme de Drama
-Alice no país das Maravilhas
-Querido John
-A Origem
-Saga Crepúsculo: Eclipse
-A Rede Social

Melhor filme de família
-Meu malvado favorito
-Como treinar o seu Dragão
-Karatê Kid
-Toy Story 3
-Shrek para Sempre

Melhor filme de Comédia
-Sex and the City 2
-Uma noite fora de Série
-Gente Grande
-A Mentira
-Idas e vindas do Amor

Melhor filme de Terror
-A hora do Pesadelo
-O Último Exorcismo
-Residen Evil 4 – Recomeço
-Let me In
-A Epidemia

Melhor ator – Filme
-Taylor Lautner
-Robert Pattinson
-Leonardo DiCaprio
-Johnny Depp
-Robert Downey Jr.

Melhor atriz – Filme
-Kristen Stewart
-Julia Roberts
-Angelina Jolie
-Jennifer Aniston
-Katherine Heigl

Melhor estrela – Filmes de Ação
-Jackie Chan
-Jake Gyllenhaal
-Robert Downey Jr.
-Angelina Jolie
-Bradley Cooper

Melhor estrela – Filmes de Comédia
-Drew Barrymore
-Tina Fey
-Adam Sandler
-Steve Carell
-Will Ferrell

Melhor estrela com menos de 25 anos
-Kristen Stewart
-Robert Pattinson
-Zac Efron
-Vanessa Hudgens
-Emma Watson

Melhor elenco
-Uma noite fora de Série - Tina Fey e Steve Carell
-A Origem – Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Tom Hardy, Dilepp Rao e Ellen Page
-Karatê Kid – Jaden Smith e Jackie Chan
-Homem de Ferro 2 – Robert Downey Jr. E Don Cheadle
-Saga Crepúsculo: Eclipse – Robert Pattinson, Taylor Lautner e Kristen Stewart

TELEVISÃO

Melhor série de Drama
-Grey’s Anatomy
-Gossip Girl
-House
-The Vampire Diaries
-The Good Wife

Melhor série de Comédia
-Modern Family
-How I Met your Mother
-The Big Bang Theory
-Two and a Half Men
-Glee

Melhor série Policial
-Lie to Me
-Law & Order: Special Victims Unit
-NCIS
-Criminal Minds
-Bones

Melhor programa de Competição
-So you think you can Dance
-Dancing with the Stars
-American Idol
-America’s Got Talent
-Hell’s Kitchen

Melhor série Sci-Fi
-True Blood
-The Vampire Diaries
-Fringe
-Smallville
-Supernatural

Melhor filme para TV
-Camp Rock 2: The Final Jam
-Starstruck
-Beayty & the Briefcasei
-Carly: iPsycho
-Revenge of the Bridesmaids

Melhor nova série de Drama
-Nikita
-The Event
-The Defenders
-Blue Bloods
-Hellcats
-Law and Order: Los Angeles
-Hawaii Five-O
-Detro1t 1-8-7
-Chase

Melhor nova série de Comédia
-Better with You
-Mike & Molly
-Raising Hope
-No ordinary Family
-Running Wilde
-Outsourced
-S#*! My Dad Says

Melhor ator – Drama
-Patrick Dempsey
-Hugh Laurie
-Chace Crawford
-Ian Somerhalder
-Taye Diggs

Melhor atriz – Drama
-Kate Walsh
-Lisa Edelstein
-Blake Lively
-Julianna Margulies
-Sandra Oh

Melhor ator – Comédia
-Neil Patrick Harris
-Jiim Parsons
-Alec Baldwin
-Matthew Morrison
-Steve Carell

Melhor atriz – Comédia
-Courtney Cox
-Tina Fey
-Eva Longoria Parker
-Alyson Hannigan
-Jane Lynch

Melhor ator/atriz – Criminal
-Emily Deschanel - Bones
-Simon Barker – The Mentalist
-Tim Roth – Lie to Me
-Mariska Hargitay – Law & Order: Special Victims Unit

Melhor apresentador de Talk Show
-Oprah Winfrey
-Ellen DeGeneres
-George Lopez
-Chelsea Handler
-Conan O’Brien

Melhor médico na TV
-Derek Shepherd – Patrick Dempsey
-Cristina Yang – Sandra Oh
-Meredith Grey – Ellen Pompeo
-Gregory House – Hugh Laurie
-James Wilson – Robert Sean Leonard

Melhor “Guilty Pleasure”
-The Real Housewives of New Jersey
-Tosh O
-Keeping up with the Kardashians
-Jersey Shore
-Kathy Griffin: My life on the D-List

Série – obsessão
-Pretty Little Liars
-Dexter
-True Blood
-Burn Notice
-White Collar

Melhor participação especial em Série
-Britney Spears – Glee
-Neil Patrick Harris – Glee
-Demi Lovato – Grey’s Anatomy
-Carrie Underwood – How I met your Mother
-Betty White – Community

Família preferida das series
-The Scavos – Desperate Housewives
-The Simpsons – The Simpsons
-The Pritchetts/Dunphys – Modern Family
-The Harpers – Two and a half Men
-The Griffins – Family Guy

Chef preferido da TV
-Gordon Ramsay
-Jamie Oliver
-Bobby Flay
-Paula Deen
-Rachael Ray

MÚSICA

Melhor cantor
-Eminem
-Usher
-Michael Bublé
-Tim McGraw
-Enrique Iglesias

Melhor cantora
-Lady Gaga
-Katy Perry
-Taylor Swift
-Carrie Underwood
-Pink

Melhor banda de Rock
-Paramore
-Nickelback
-Linkin Park
-Daughtry
-Maroon 5

Cantor/cantor Revelação
-Justin Bieber
-Ke$ha
-Bruno Mars
-B.O.B
-Selena Gomez & The Scene

Melhor cantor Pop
-Lady Gaga
-Katy Perry
-Beyoncé
-Pink
-Rihanna

Melhor cantor/cantora Country
-Taylor Swift
-Carrie Underwood
-Keith Urban
-Rascal Flatts
-Lady Antebellum

Melhor cantor/cantora R&B
-Alicia Keys
-Beyoncé
-Ne-Yo
-Usher
-Mary J. Blige

Melhor cantor Hip-hop
-Eminem
-Drake
-Jay-Z
-Snoop Dogg
-Ludacris

Melhor música
-Telephone – Lady Gaga & Beyoncé
-Love the way you lie – Eminem e Rihanna
-Calinforna Gurls – Katy Perry e Snoop Dogg
-OMG – Usher e Will.I.Am
-Airplanes – B.O.B e Haylay Williams

Melhor video
-Baby – Justin Bieber e Ludacris
-Telephone – Lady Gaga e Beyoncé
-Teenage Dream – Katy Perry
-Love the way you Lie – Eminem e Rihanna
-Waka Waka – Shakira e Frshlyground

Celebridade na Web Preferida
-Alicia Keys
-Katy Perry
-Teri Hatcher
-Jimmy Fallon
-Betty White

Estrela de video viral preferida
-Tarp Surfing
-Madison Sq. Park Proposal
-“Single Ladies” -Devastation
-Greyson Chance “Paparazzi”
-Giant Double Rainbow

quinta-feira, 10 de junho de 2010

"3D não é um modismo", diz executivo de Hollywood

Na temporada pipoca de 2012 – entre maio e agosto, verão no hemisfério norte – todos os grandes lancamentos serão em 3D. Entre eles: novos "MIB-Homens de Preto", "Fúria de Titãs", "X-Men", "Constantine", "Godzilla", "Batman", "O Exterminador do Futuro" e "Homem Aranha", refilmagens de "O Chamado", "Hellraiser", "Duna", "Tartarugas Mutantes Ninja", "Jetsons", "20 mil Léguas Submarinas" e "Flash Gordon", relançamento de "Titanic" com visão tridimensional, e, na animação, "An African Tale" e "Paws & Wires".

A razão é muito simples: em dezembro de 2009, os lançamentos em 3D já haviam contribuído com US$ 1,3 bilhões em receita – e isso antes do lançamento mundial de "Avatar", o filme que mudou para sempre as regras do jogo em termos de 2D versus 3D. “Hoje, todo mundo tem que ter pelo menos um filme 3D em sua carteira”, diz um agente de vendas com grande experiência no mercado internacional. Recém-chegado de Cannes, onde fechou bons negócios com "Space Dogs", um longa de animação em 3D produzido na Rússia, o agente (que, como quase todos os ouvidos pelo UOL Cinema para esta matéria, preferiu se manter anônimo), o agente tem certeza de que “3D não é um modismo passageiro, não com o atual padrão de produção.” E que apenas uma coisa pode de fato comprometer a riqueza do filão: exatamente a má qualidade do acabamento. “É muito fácil colocar um adesivo '3D' em qualquer lançamento, depois de uma conversão às pressas. Mas se o mercado for invadido por esse tipo de produto, poderemos ver o esgotamento do formato e a desilusão do público.”

As empresas de conversão, contudo, não se preocupam nem um pouco com esse fator. A cada semana assistimos o anúncio de mais uma nova companhia dedicada a transformar filmes – ao vivo e de animação – em lançamentos 3D. “É uma opção acessível para quem quer participar de um mercado cada vez mais competitivo”, diz o representante de marketing de uma “casa de conversão”, termo da indústria para empresas de finalização que cria, artificialmente o look 3D (como foi o caso de "Fúria de Titãs" e , em breve "O Último Mestre do Ar"). “Estamos repensando várias decisões criativas”, diz um executivo de produção, definindo em termos os mais vagos possíveis a tensão que se apossa de todo distribuidor que tem um filme onde um look 3D poderia ser um apelo de bilheteria.

“Mais uma vez corremos o risco de matar a galinha dos ovos de ouro”, diz um alto executivo de marketing, responsável por algumas das maiores e mais bem sucedidas campanhas internacionais dos últimos anos. “O 3D é uma excelente ferramenta de marketing. O problema é que, a partir de 'Avatar', todo mundo quer entrar na brincadeira. 'Avatar' foi extraordinário em todos os sentidos. Temo por um mercado tomado por lançamentos abaixo do nível, que certamente vão desgastar o apelo do formato.”

Se o chamariz de bilheteria aguça o apetite dos departamentos de marketing e distribuição, é a liberdade criativa que serve de atrativo a realizadores tão diversos quanto James Cameron, um dos primeiros apóstolos do 3D, e Martin Scorsese, o mais recente convertido com seu projeto "Hugo Cabret", uma fantástica história infantil que se passa na Paris dos anos 1930 e que tem lançamento previsto para dezembro de 2011.

“É estimulante poder pensar em três dimensões”, diz o roteirista Neil Landau, atualmente trabalhando no longa de animação "Tadeo Jones", baseado num premiado curta espanhol. “Você tem que trabalhar desde o início sabendo que está criando para um ambiente tridimensional e pensar em ações que ocupem todo o espaço do olhar do espectador. Mas esse mesmo recurso pode ser usado de forma excessiva e gratuita, para anestesiar a platéia – muitas coisas voando em cima dos espectadores, por exemplo, é cansativo.”

Aí está, diz Landau, a diferença entre uma moda passageira – como foram as primeiras tentativas de 3D nos anos 1950 e 60 – e um bom recurso criativo. “No fim das contas, o que vale é ainda uma boa história, bons personagens e uma visão criativa. Em 'Avatar' tudo isso existia e se completava com a experiência imersiva do 3D, utilizado de um modo genial, orgânico, dentro do próprio processo criativo. Em Álice', achei supérfluo – a visão de Tim Burton por si mesma já valia a trajetória do filme. Não se pode usar o 3D para compensar por fraqueza narrativa. Temo que esse vai ser o maior risco do 3D.”

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tim Burton, o deslocado

Kristian Dowling/Associated Press

Por Fernanda Mena
Enviada especial a Londres (para Ilustrada no Cinema - http://ilustradanocinema.folha.blog.uol.com.br/)

Tim Burton acha que estranho mesmo é o mundo fora das telas. “Tudo está cada vez mais estranho, e não mais normal”, disse Burton, 51, à Folha em Londres, às vésperas do lançamento de seu novo filme, “Alice no País das Maravilhas”.
Inspirado na obra homônima de Lewis Carroll, um dos clássicos da literatura mundial, Burton criou uma versão da história em 3D repleta de distorções bizarras, figurinos sofisticados, cenários e personagens fantásticos. “Seus personagens foram tão explorados na cultura pop que encarei a obra como aberta a interpretações.”

O filme custou à Disney cerca de US$ 240 milhões (ou R$ 420 milhões). Estreou nos cinemas dos EUA e da Europa na última sexta-feira, e chega ao Brasil dia 23 de abril. “Alice” bateu o recorde histórico de bilheteria de estreia em final de semana para um filme que não é continuação, arrecadando cerca de US$ 210 milhões pelo mundo.

Em uma mesa-redonda com o diretor, da qual a Folha participou, Burton falou durante 15 minutos sobre o projeto “Alice”. Ao entrar na sala, agitado, sentou-se à mesa e disparou: “De quem é essa colher aqui?”, perguntou, segurando uma colher de chá deixada sobre a mesa por sua mulher, Helena Bonham Carter, que acabara de deixar a sala de entrevistas. Carter cercou-se de uma garrafa de água, uma xícara de chá e outra de café para conversar com os jornalistas. “Alguém precisava inventar uma bebida que misturasse chá, água e café. Só assim Helena não deixaria esse tipo de vestígio por aí”, brincou ele.

Passado o entreato, teve início a entrevista. Gesticulando sem parar, com seus cabelos para cima e olhos arregalados sob os óculos de lentes azuis, o diretor discorreu sobre o fascínio pelos personagens de Carroll.

PERGUNTA - O que lhe interessou na obra de Lewis Carroll?
TIM BURTON - Não foi tanto a história que me interessou, mas seus personagens. Para falar a verdade, não me lembro de ter lido “Alice no País das Maravilhas” na infância. Mesmo assim, eu conhecia os seus personagens por meio de músicas, imagens e ilustrações. Eles estão tão arraigados na nossa cultura, são tão poderosos como imagens, que não precisei ler Carroll para saber que aquilo era fascinante.

PERGUNTA - Por que personagens têm tanto impacto até hoje?
BURTON - Aí é que está a beleza desta obra. Por mais que tenham sido feitas mil análises sobre “Alice no País das Maravilhas”, a história permanece um enigma e seu poder se mantém ao longo dos anos. Entrar em contato com essa história é como quebrar o “Código Da Vinci”. Eu amo isso! Carroll fez algo que você não consegue penetrar realmente, que não fala ao raciocínio lógico, mas que dialoga com algo profundo em todos nós, algo subconsciente. Para mim, esse é o tipo de criação mais puro e fascinante que existe.

PERGUNTA - A fronteira entre sonho e realidade, muito forte em “Alice”, é o território preferencial de seus filmes. Por quê?
BURTON - Porque o mundo está ficando mais estranho, e não mais normal. No entanto, as pessoas continuam se esforçando em separar realidade de fantasia, quando essa divisão está cada vez mais embaralhada por conta da internet, da televisão etc. Para mim, fantasia sempre foi uma forma de explorar a realidade. Essa é a razão por que gostei tanto de fazer “Alice”. Nela, a vida interior, os sonhos e as imagens bizarras que uma imaginação pode produzir são, no fim das contas, reais e se transformam em ferramentas importantes para lidar com questões concretas.

PERGUNTA - Houve algum tipo de limitação nas mudanças feitas no enredo original de Carroll?
BURTON - Existem mais de 20 versões de Alice que, a meu ver, sofrem do mesmo problema: tentam ser muito literais. É por isso que nunca me conectei com nenhuma delas. Aquilo de que gostei do roteiro de Linda [Woolverton, roteirista] foi o fato de ela ter pego o universo de Alice e o ter colocado num contexto um pouquinho diferente, criando uma Alice mais velha, com 19 anos. O meu objetivo foi tentar da melhor maneira possível ser verdadeiro com o legado e o espírito dos personagens de Carroll, e não com a história em si. Segui meus instintos e minhas emoções sem medo. E, para mim, essa é a mensagem de “Alice”: continuar a ver as coisas de formas novas, diferentes e estranhas, algo saudável e artístico ao mesmo tempo.

PERGUNTA - Seus filmes sempre trazem personagens deslocados, que parecem não se encaixar no contexto em que vivem. Alice também é uma deslocada?
BURTON - Certamente! Ela não se encaixa no mundo nem na idade que tem. Está naquela fase esquisita em que não se sente confortável na própria pele. Há uma certa tristeza naquele personagem, e me identifico muito com ela nesse sentido. Acho que de tempos em tempos me sinto esquisito, desconfortável. Isso se torna mais forte em certas fases da vida. Do início da adolescência aos meus 20 e poucos anos foi um período muito complicado e difícil porque não me identificava com nada nem ninguém. É uma sensação que não abandona você nunca mais. Fica lá em algum lugar por mais que você esteja feliz e realizado. Toda vez que completo uma idade redonda, 30, 40, 50 anos, também enfrento esse desconforto por me sentir vulnerável, em transição.

PERGUNTA - Para fazer o filme, você já declarou ter se inspirado em desenhos que Arthur Rackman fez para a história de Carroll. O que há de especial neles?
BURTON - Para começar, hoje eu vivo na casa que era o antigo estúdio de Rackman. É um carma muito bizarro! Ele fez ilustrações de Alice e do Cavaleiro Sem-Cabeça, e hoje moro na casa dele! É incrível! Conheci seu trabalho ainda pequeno, quando vi algumas ilustrações que acompanhavam um conto de Edgar Allan Poe e achei que eram imagens de grande impacto. Por isso sabia de suas ilustrações para um livro de Carroll e as usei como referência.

PERGUNTA - Seu primeiro emprego foi na Disney. Como foi trabalhar novamente lá?
BURTON - Tenho uma relação engraçada com a Disney. Eles já me convidaram para projetos e depois me mostraram o caminho da porta de saída umas cinco vezes (risos). É uma relação de amor e ódio. Eles me adoram e chamam de volta, depois ficam com raiva de mim e me chutam pra fora. Eu tenho certeza de que isso vai continuar. No caso de Alice, eu disse que queria fazer esse material, sem ser muito sombrio ou fazer nada muito maluco. O material é esquisito o suficiente! É tão subversivo que, se fosse feito hoje em dia, provavelmente seria banido!

PERGUNTA - E é literatura infantil!
BURTON - Pois é! Se fosse produzido nos dias de hoje, jamais seria chamado de literatura infantil. Seria, provavelmente, proibido para crianças. E talvez para adultos também!

PERGUNTA - Você já foi visto como um cineasta underground, mas agora está fazendo um filme para a Disney. Qual é a diferença?
BURTON - Eu converso com muita gente que faz filme independente e percebo que os problemas são sempre os mesmos: você precisa da grana de alguém, seja de um estúdio ou de algum ricaço maluco, o que pode ser ainda mais complicado. A natureza do cinema é essa. Eu entendo essa natureza e aprendi a aceitá-la. Hoje consigo fazer filmes grandes ou de orçamento pequeno.

PERGUNTA - Esse é o oitavo filme que você faz com Johnny Depp. Que tipo de alquimia existe entre vocês?
BURTON - Nós nunca pensamos nisso, e talvez seja essa a mágica. Nós vivemos o presente, não pensamos no que já fizemos nem no que vamos fazer no futuro. Além disso, temos um gosto muito parecido, e isso ficou muito claro pra mim em “Edward Mãos de Tesoura”. Temos um atalho na comunicação que torna tudo mais fácil e divertido.

PERGUNTA - Como foi fazer um filme em 3D? Este é o futuro do cinema?
BURTON - Eu não sei se teria feito esse filme se não fosse 3D. A proposta me pareceu uma mistura de mídias interessante. E isso me deixou muito animado. O 3D é mais uma ferramenta. Algo que tem potencial de adicionar mais uma camada extra de sensações ao cinema. Existe a música, a cor, o movimento... e o 3D. Mas essa tecnologia não vai ser salvadora de nada nem a razão de ser do cinema. Pode acreditar que nos próximos meses será lançada uma porção de filmes 3D bem porcarias porque muita gente vai achar que basta ser 3D para ser bom. É a nova onda.

PERGUNTA - Qual será seu próximo projeto?
BURTON - Vou refilmar “Frankenweenie”, o segundo filme da minha carreira, em 3D.