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segunda-feira, 5 de março de 2012

O Segredo de Beethoven



Gosto muito desses filmes metidos a biografias, mesmo que nem sempre retratem com fidelidade fatos da vida de seus retratados. É o caso de O Segredo de Beethoven, que acaba criando uma situação inédita na vida desse grande compositor, para fazer valer o filme. Talvez não seja o tipo de homenagem ideal, mentir quando se poderia criar uma produção fantástica baseada nos grandes feitos de Beethoven, mas ao mesmo tempo é um jeito de apimentar a sua vida com algo inusitado, fazendo do mito um personagem comum, que pode sofrer a inferência de um observador externo, e mudar radicalmente a história. Nesse caso, o filme perde seu tom de biografia, e serve mais como uma ficção com personagens históricos de nome, igualmente interessante, no meu modo de entender.

Fato é que O Segredo de Beethoven é sim um grande filme. Inquieto, como deveria ser o grande compositor, que investe em Ed Harris e Diane Kruger como seu casal protagonista, e que funcionam bem. O filme investe forte na qualidade da fotografia, com belas seleções de cenários, e ótimo figurino. Tudo isso serve para enriquecer ainda mais a trama.

No mais, somente a seleção musical do filme já vale assisti-lo. Grandes músicas clássicas do começo ao fim. Sem dúvida, um achado para quem curte o estilo e aprecia uma seleção assim, de altíssimo nível.

No filme, Ed Harris interpreta o compositor Ludwig van Beethoven em seu último ano de vida. Nessa época, ele mantinha um tórrido romance com sua assistente, enquanto compunha sua famosa Nona Sinfonia. Mais do que isso, o filme apresenta uma surpresa quanto ao envolvimento de sua assistente em seu trabalho.

Uma belíssima produção, com algumas passagens mais lentas e com diálogos mais longos, que deixam o filme um pouco cansativo, mas independente disso, uma grande pedida para quem curte uma seleção musical de primeira. A produção investe bem na questão histórica da época em que se passa o filme. Um belo filme, que cumpre bem seu papel e garante boa dose de entretenimento ao seu espectador.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Agnieszka Holland
Elenco: Ed Harris, Diane Kruger, Matthew Goode, Phyllida Law, Nicholas Jones, Ralph Riach.
Produção: Sidney Kimmel, Stephen J. Rivele, Michael Taylor, Christopher Wilkinson
Roteiro: Stephen J. Rivele, Christopher Wilkinson
Fotografia: Ashley Rowe
Trilha Sonora: Ludwig van Beethoven
Duração: 104 min.
Ano: 2006
País: EUA/ Alemanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Sidney Kimmel Entertainment
Classificação: 10 anos

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Desconhecido



Fazia algum tempo que eu não assistia um filme tão inteligente e com qualidade tão acima da média. Verdade. Tirando as animações, poucos filmes tem, de fato, mostrado uma qualidade boa ou ótima. E Desconhecido supera a média da mesmice, com uma produção que consegue agradar todos os tipos de público.

Conversei com algumas pessoas que assistiram ao filme, e também li algumas críticas, que apontavam a semelhança com a história da trilogia de Jason Bourne ou, mais especificamente, Identidade Bourne. Acho até que existe alguma semelhança. Mas tirando o elemento de perda de memória, e o personagem correr atrás da sua identidade, as semelhanças se encerram por aí. Identidade Bourne é um filme inteligente, com uma combinação de roteiro, elenco, e doses de ação, que tornam a pedida excelente.

Não que isso não aconteça com Desconhecido. Considero a produção uma pedida imperdível para quem curte um bom thriller de ação. Mas aqui a qualidade da trama acaba superando a ação.

O filme é inquieto do começo ao fim, com uma narrativa rápida, que não permite cansar seu espectador em quase duas horas de filme. As surpresas que surgem ao longo da história, de fato, mostram elementos bem amarrados. E as sequências de ação são um detalhe à parte. Não é um filme repleto de lutas e efeitos mirabolantes, mas as cenas de perseguição deixam qualquer um mordendo o braço da poltrona.

O filme conta a história de Dr. Martin Harris (Liam Neeson), que entra em coma após um grave acidente de carro em Berlim. Ao acordar, ele descobre que sua esposa (Jenuary Jones) não o reconhece e um desconhecido (Aidan Quinn) assumiu sua identidade e vive ao lado dela.

Ação do começo ao fim. Velocidade incessante. Bela fotografia. Uma história inteligente. Um elenco que funciona bem. E um Liam Neeson como não se via já fazia um tempo. Isso é o que pode se esperar dessa bela produção. Uma excelente pedida para quem procura uma produção que entrega ao espectador mais do que promete, com uma história e elementos que agradam do começo ao fim. Vale assistir e até repetir.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Jaume Collet-Serra
Elenco: Liam Neeson, January Jones, Diane Kruger, Frank Langella, Aidan Quinn, Bruno Ganz, Sebastian Koch, Mido Hamada, Karl Markovics.
Produção: Leonard Goldberg, Andrew Rona, Joel Silver
Roteiro: Oliver Butche, Stephen Cornwell
Fotografia: Flavio Martínez Labiano
Trilha Sonora: John Ottman
Duração: 113 min.
Ano: 2011
País: EUA/ Reino Unido/ França/ Alemanha
Gênero: Suspense
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Dark Castle Entertainment / Studio Babelsberg / Studio Canal
Classificação: 14 anos

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um filme de Tarantino com cara de filme de Tarantino



Creio que o meu título resuma bem o filme Bastardos Inglórios. Sem diminuir seu valor, ou colocá-lo em um pedestal como muitos outros. O que esperar de Tarantino em um filme? Uma combinação de violência com um excelente roteiro, boas atuações, uma narração surpreendente e, de uma maneira geral, uma surpresa em cada cena.

Isso não quer dizer que o filme seja um marco do cinema. Creio que deva se transformar em um cult, como tudo aquilo em que Quentin Tarantino põe a mão, mas a história piegas do sucesso americano na guerra contra os alemães tira alguns pontos da produção, e o fim com cara de fim de filme de Quentin Tarantino (não preciso dar detalhes, até para não estragar para quem não assistiu, mas se você já viu algum filme dele, vai entender) também deixa o espectador com aquela sensação desanimada.

A trama é bastante divertida. Imagine um esquadrão de "mercenários" à caça de nazistas, e que faz parte do atentado que mata Hitler em uma sessão de cinema. Mais hilário seria imaginar Bin Laden em uma situação parecida. Embora absurda, a história é envolvente, e entretem na medida certa. Só não espere um filme com começo, meio e fim, já que essa não é exatamente a proposta dos filmes de Quantin Tarantino.

A história se passa durante a Segunda Guerra, na França ocupada pelo exército alemão, em que a jovem Shosanna Dreyfus (Mélaine Laurent) testemunha a execução da família pelo coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). Porém, ela consegue escapar e passa a viver sob a identidade de uma proprietária de cinema em Paris, enquanto aguarda o momento certo para se vingar. Ainda na Europa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) organiza um grupo de soldados judeus para lutar contra os nazistas. Conhecido pelo inimigo como "Os Bastardos", o grupo de Aldo recebe uma nova integrante, a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), que tem a perigosa missão de chegar até os líderes do Terceiro Reich.

É um filme bem produzido, bem dirigido e, até, inovador. Não partilho a opinião a respeito de ser merecedor do Oscar de melhor filme, mas ainda assim não deixa de ser uma boa produção. Não espere um filme tradicional de guerra. A ideia aqui é explorar sensações. Pra quem não gosta do tema ou prefere algo mais light, é desaconselhável. No mais, é um filme interessante.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Diane Kruger, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Daniel Brühl, Eli Roth, Samm Levine, Michael Fassbender, B.J. Novak, Til Schweiger.
Produção: Lawrence Bender
Roteiro: Quentin Tarantino
Fotografia: Robert Richardson
Duração: 153 min.
Ano: 2009
País: EUA/ Alemanha
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Lawrence Bender Productions / Universal Pictures / A Band Apart / The Weinstein Company / Studio Babelsberg / Zehnte Babelsberg
Classificação: 18 anos