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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Compramos um zoológico



Achei muito interessante a definição do gênero do filme. Comédia dramática é uma forma suave de definir esta interessante produção. Sim, porque na realidade, o filme não é bem uma comédia, passando muito mais para o lado dramático. Embora crie uma expectativa de que toda a ação acontecerá por causa do zoológico, o roteiro trata a relação interfamiliar e seus problemas.

Em vários momentos o filme lembra O Campo dos Sonhos, bem no estilo de "se você construir, eles virão". A ideia é mais ou menos essa, ter o zoológico como um pano de fundo, que resolverá todos os problemas de uma família que acaba de perder a matriarca. Na verdade, a coisa vai um pouco mais além, e exige que cada elemento/personagem, reavalie seus conceitos e trate adequadamente aquilo que lhe causa algum tipo de insatisfação.

É um filme interessante. Com elenco esforçado, encabeçado por Matt Damon e Scarlett Johansson, com um destaque para a atuação de Elle Fanning. Personagens bem definidos e equilibrados, que agregam bom valor à trama. No mais, o filme tem uma fotografia muito bonita. Belas paisagens, um ótimo trabalho com as passagens do dia (luzes e sombras), o que também acrescenta um extra à produção.

No filme, Benjamin Mee (Matt Damon) é um homem que, ao lado de sua família, encontra uma bela casa no interior, mas é surpreendido ao descobrir que o lugar é um zoológico abandonado. Assim, ele aceita o desafio e compra a casa, na esperança de restaurar a antiga glória do local.

Confesso que me surpreendi um pouco com o filme. Em uma comédia dramática, esperava um pouco mais de comédia, mas o filme segue muito mais para o lado dramático. O zoológico é apenas um coadjuvante de luxo. Toda a ação depende da relação entre as pessoas e como elas eliminarão seus fantasmas pessoais. O filme entretem seu espectador, mas é, em alguns momentos, mais lento, o que o torna cansativo. Mesmo assim é uma boa pedida. Talvez mais dirigido ao público adulto, mas ainda assim, vale assistir pela beleza visual que o filme proporciona.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Cameron Crowe
Elenco: Matt Damon, Scarlett Johansson, Elle Fanning, Patrick Fugit, Stephanie Szostak, Thomas Haden Church, Carla Gallo, Desi Lydic, John Michael Higgins
Produção: Julie Yorn
Roteiro: Aline Brosh McKenna, Cameron Crowe, baseados na obra de Benjamin Mee
Fotografia: Rodrigo Prieto
Trilha Sonora: Jon Thor Birgisson
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Comédia Dramática
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Twentieth Century-Fox Film Corporation

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Luz, câmera, suor!

Por Sérgio Rizzo, especial para o Yahoo! Brasil (em http://br.noticias.yahoo.com/s/14042010/48/entretenimento-luz-camera-suor.html , nesta data)

Espetáculos de massas, o cinema e o esporte costumam se encontrar com regularidade em filmes sobre dramas e triunfos vividos em campos, quadras, pistas e ringues. A lista abaixo, que procura contemplar o maior número possível de modalidades, traz dez exemplos do que esse casamento trouxe de melhor.

O ranking relaciona somente longas-metragens de ficção (os documentários sobre esporte merecem uma lista à parte), mas foram privilegiadas as histórias baseadas em fatos verídicos. O critério decisivo foi a capacidade de recriar na tela as sensações experimentadas por atletas e também por torcedores.
10 - "Wimbledon - O Jogo do Amor" (Wimbledon, 2004) O maior templo do tênis mundial ambienta a jornada heroica de um veterano em decadência (Paul Bettany) que encontra forças para avançar no torneio graças ao romance com uma jovem atleta (Kirsten Dunst). As cenas de partidas são impecáveis.

9 - "Um Domingo Qualquer" (Any Given Sunday, 1999) A temporada de um fictício time de futebol americano, Miami Sharks, tratada como espiral de emoções, rivalidades e disputas de bastidores. Destaque para o técnico veterano (Al Pacino), o quarterback afastado por contusão (Dennis Quaid) e a filha do proprietário (Cameron Diaz).

8 - "Grand Prix" (idem, 1966) Imagens de corridas da Fórmula 1 em 1966 foram usadas nessa recriação do circo do automobilismo, mas os carros dos personagens (interpretados por James Garner e Yves Montand, entre outros) eram de Fórmula 3. Na trama, toda a adrenalina que circula em autódromos.

7 - "O Vencedor" (Breaking Away, 1979) O ciclismo na perspectiva de jovens amigos de uma pequena cidade de Indiana (Dennis Christopher, Dennis Quaid, Daniel Stern e Jack Earle Haley) que se espelham, de maneira obsessiva, na vitoriosa equipe italiana da época. Assim, sonham com um futuro longe dali.

6 - "Momentos Decisivos" (Hoosiers, 1986) A história verídica do treinador Norman Dale (Gene Hackman), que conseguiu em 1954 a proeza de levar o time de basquete masculino de uma escola de ensino médio no interior de Indiana às finais estaduais -- no mesmo ginásio onde o Brasil viria a bater os EUA nos Jogos Pan-Americanos de 1988.

5 - "O Campo dos Sonhos" (Field of Dreams, 1989) "Construa-o, e ele virá": ao ouvir essa mensagem em seu milharal, um fazendeiro de Iowa (Kevin Costner) não sabe inicialmente o que fazer. Mais tarde, entende que deve construir na propriedade um campo de beisebol - e um evento sobrenatural confirma que estava certo.

4 - "Invictus" (idem, 2009) Adaptação do livro "Conquistando o Inimigo", de John Carlin, sobre como o então presidente sul-africano Nelson Mandela (Morgan Freeman) enxergou a oportunidade de cimentar a identidade nacional com a seleção do país que disputou, em casa, a Copa do Mundo de rúgbi de 1995.

3 - "O Milagre de Berna" (Das Wunder von Bern, 2003) A surpreendente vitória da Alemanha na Copa do Mundo de 1954, na Suíça, recriada com perícia rara em filmes sobre futebol. Entre os diversos personagens verídicos, duas figuras lendárias do esporte alemão: o treinador Sepp Herberger (Peter Franke) e o capitão Fritz Walter (Knut Hartwig).

2 - "Carruagens de Fogo" (Chariots of Fire, 1981) O atletismo em visão espiritualizada, com célebre trilha sonora de Vangelis, a partir da vitoriosa participação da equipe britânica nos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris. A história se concentra no missionário escocês Eric Liddell (Ian Charleson) e no estudante judeu Harold Abrahams (Ben Cross).

1 - "Touro Indomável" (Raging Bull, 1980) Como o boxe é o esporte que melhor tratamento recebeu do cinema, a liderança no ranking fica, em nome de todos os outros grandes filmes sobre boxeadores, com a também espiritualizada visão da trajetória verídica do meio-pesado Jake LaMotta (Robert De Niro), da sarjeta ao triunfo, dali novamente à sarjeta, e por fim até a redenção.