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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Além da vida





Além da Vida é um drama diferente, que retrata a morte de um jeito diferente. Na verdade, por ser um filme de Clint Eastwood, o mínimo que pode ser esperado é uma produção de muita qualidade. E isso não é diferente neste belo longa.


Confesso que depois de Cartas de Iwo Jima, Gran Torino e Invictus, eu esperava um pouco mais desse filme, mas o resultado não chega a ser decepcionante.


Acontece que a qualidade de direção, elenco, fotografia e efeitos é surpreendente, mas a história se alonga demais, e o final, embora atenda a demanda da história, não chega a empolgar.


Mesmo assim, Matt Damon, Cécile de France, e os irmãoes Frankie e George McLaren superam em suas atuações, com personagens fortes e envolventes.


Como já tratado em outras críticas, a cena do tsunami retratada logo no início do filme é uma das mais incríveis produzidas. E a fotografia (em conjunto com a iluminação) tem o DNA de Clint.


O filme gira em torno de três pessoas que são afetadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um operário norte-americano que tem uma conexão especial com o além. Em outro ponto do planeta, a jornalista francesa Marie (Cécile De France) acaba de passar por uma experiência de quase-morte que muda sua visão diante da vida. E, quando Marcus (Frankie/ George McLaren), um garoto londrino, perde uma pessoa muito próxima, começa uma procura desesperada por respostas. Enquanto cada um segue o caminho em busca da verdade, suas vidas se cruzam e são transformadas para sempre pelo que eles acreditam que possa existir, ou realmente exista - a vida após a morte.


Apesar de tratar um assunto tão em pauta no cinema ultimamente (a morte), o filme se preocupa mais com o lado daqueles que sobrevivem ou devem seguir suas vidas após a perda de alguém querido. No fundo, a mensagem de que é necessário seguir a vida, independente do que acontece está latente em vários momentos.


O filme é bastante agradável, embora lento em algumas passagens. Um drama de qualidade, com muitos pontos positivos. Atuações de peso, qualidade cenográfica, e uma trama bem trabalhada. Enfim, um filme com a qualidade da direção de Clint Eastwood. Mesmo sendo um drama e tratando um tema tão delicado, o filme não chega a ser um dramalhão. É forte na medida certa. Pra quem curte um filme inteligente, com bons elementos e uma boa trama, é imperdível. Pra assistir e se emocionar.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Clint Eastwood
Elenco: Matt Damon, Cecile de France, Frankie McLaren, George McLaren, Jay Mohr, Bryce Dallas Howard
Produção: Kathleen Kennedy, Robert Lorenz
Roteiro: Peter Morgan
Fotografia: Tom Stern
Trilha Sonora: Clint Eastwood
Duração: 129 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Suspense
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: The Kennedy/Marshall Company / Malpaso Productions
Classificação: 12 anos

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Luz, câmera, suor!

Por Sérgio Rizzo, especial para o Yahoo! Brasil (em http://br.noticias.yahoo.com/s/14042010/48/entretenimento-luz-camera-suor.html , nesta data)

Espetáculos de massas, o cinema e o esporte costumam se encontrar com regularidade em filmes sobre dramas e triunfos vividos em campos, quadras, pistas e ringues. A lista abaixo, que procura contemplar o maior número possível de modalidades, traz dez exemplos do que esse casamento trouxe de melhor.

O ranking relaciona somente longas-metragens de ficção (os documentários sobre esporte merecem uma lista à parte), mas foram privilegiadas as histórias baseadas em fatos verídicos. O critério decisivo foi a capacidade de recriar na tela as sensações experimentadas por atletas e também por torcedores.
10 - "Wimbledon - O Jogo do Amor" (Wimbledon, 2004) O maior templo do tênis mundial ambienta a jornada heroica de um veterano em decadência (Paul Bettany) que encontra forças para avançar no torneio graças ao romance com uma jovem atleta (Kirsten Dunst). As cenas de partidas são impecáveis.

9 - "Um Domingo Qualquer" (Any Given Sunday, 1999) A temporada de um fictício time de futebol americano, Miami Sharks, tratada como espiral de emoções, rivalidades e disputas de bastidores. Destaque para o técnico veterano (Al Pacino), o quarterback afastado por contusão (Dennis Quaid) e a filha do proprietário (Cameron Diaz).

8 - "Grand Prix" (idem, 1966) Imagens de corridas da Fórmula 1 em 1966 foram usadas nessa recriação do circo do automobilismo, mas os carros dos personagens (interpretados por James Garner e Yves Montand, entre outros) eram de Fórmula 3. Na trama, toda a adrenalina que circula em autódromos.

7 - "O Vencedor" (Breaking Away, 1979) O ciclismo na perspectiva de jovens amigos de uma pequena cidade de Indiana (Dennis Christopher, Dennis Quaid, Daniel Stern e Jack Earle Haley) que se espelham, de maneira obsessiva, na vitoriosa equipe italiana da época. Assim, sonham com um futuro longe dali.

6 - "Momentos Decisivos" (Hoosiers, 1986) A história verídica do treinador Norman Dale (Gene Hackman), que conseguiu em 1954 a proeza de levar o time de basquete masculino de uma escola de ensino médio no interior de Indiana às finais estaduais -- no mesmo ginásio onde o Brasil viria a bater os EUA nos Jogos Pan-Americanos de 1988.

5 - "O Campo dos Sonhos" (Field of Dreams, 1989) "Construa-o, e ele virá": ao ouvir essa mensagem em seu milharal, um fazendeiro de Iowa (Kevin Costner) não sabe inicialmente o que fazer. Mais tarde, entende que deve construir na propriedade um campo de beisebol - e um evento sobrenatural confirma que estava certo.

4 - "Invictus" (idem, 2009) Adaptação do livro "Conquistando o Inimigo", de John Carlin, sobre como o então presidente sul-africano Nelson Mandela (Morgan Freeman) enxergou a oportunidade de cimentar a identidade nacional com a seleção do país que disputou, em casa, a Copa do Mundo de rúgbi de 1995.

3 - "O Milagre de Berna" (Das Wunder von Bern, 2003) A surpreendente vitória da Alemanha na Copa do Mundo de 1954, na Suíça, recriada com perícia rara em filmes sobre futebol. Entre os diversos personagens verídicos, duas figuras lendárias do esporte alemão: o treinador Sepp Herberger (Peter Franke) e o capitão Fritz Walter (Knut Hartwig).

2 - "Carruagens de Fogo" (Chariots of Fire, 1981) O atletismo em visão espiritualizada, com célebre trilha sonora de Vangelis, a partir da vitoriosa participação da equipe britânica nos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris. A história se concentra no missionário escocês Eric Liddell (Ian Charleson) e no estudante judeu Harold Abrahams (Ben Cross).

1 - "Touro Indomável" (Raging Bull, 1980) Como o boxe é o esporte que melhor tratamento recebeu do cinema, a liderança no ranking fica, em nome de todos os outros grandes filmes sobre boxeadores, com a também espiritualizada visão da trajetória verídica do meio-pesado Jake LaMotta (Robert De Niro), da sarjeta ao triunfo, dali novamente à sarjeta, e por fim até a redenção.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Clint é o cara


Clint Eastwood é um profissional diferente. Um ator que participou de filmes fora de série e agora, como diretor, deixa um toque especial em cada uma das produções com que se envolve.

Diferentemente de outros diretores, os filmes de Clint se transformam em obras de arte. Pode reparar. Existe uma preocupação com todos os detalhes. A fotografia tem uma qualidade extra, o som costuma ser fantástico, o elenco vai sempre muito bem, a narrativa e a velocidade da edição não cansam, e as histórias, muitas delas baseadas em fatos reais, sempre se superam.

Invictus não é diferente. Com um elenco rico, que conta com Morgan Freeman e Matt Damon, a história acompanha o período em que Nelson Mandela sai da prisão em 1990, torna-se presidente em 1994 e os anos subsequentes. Na tentativa de diminuir a segregação racial na África do Sul, o rugby é utilizado para tentar amenizar o fosso entre negros e brancos, fomentado por quase 40 anos. O jogador François Pienaar é o capitão do time e será o principal parceiro de Mandela na empreitada.

Morgan Freeman é outro clichê de qualidade. Não canso de ver este veterano ator na tela. Ele traz uma paz aos seus papéis (até mesmo na sua participação em Batman), e no papel de Mandela mais uma vez se supera.

O filme é fantástico. Mesmo sendo um drama, a mensagem que fica é muito positiva e, embora retrate um período e ocorrências muito tristes, deixa a sensação de que o ser humano é muito melhor do que às vezes pode parecer. Vale cada centavinho do ingresso!!!