Percebi algumas pessoas incomodadas com Espelho, espelho meu. De início, também fiquei com uma pulga atrás da orelha. Imaginei que o filme seria muito melado, ou que seguiria o mesmo molde do inúmeros filmes que tentaram imitar Branca de Neve. Mas confesso que tive uma grata surpresa. Não, o filme não é fantástico. Está longe disso. Mas cumpre muito bem o seu papel e garante boas doses de entretenimento para todos os públicos.
É uma desconstrução muito divertida do clássico Branca de Neve, e como desconstrução, a não ser pelos elementos básicos (o príncipe, a rainha/bruxa malvada, a princesa mocinha, os anões - bem diferentes, diga-se de passagem, o espelho), todo o resto é diferente. A história é explicada do ponto de vista da rainha malvada. Só isso já dá uma narrativa completamente diferente ao filme. E a história não se prende a detalhes. É curta e grossa. Independente de ser o que o espectado quer ver ou não.
Toda a fantasia do roteiro original foi deixada de lado. Em Espelho, espelho meu, a realidade é muito mais crua, e até cruel. O roteiro tenta forçar algumas passagens mais engraçadas. Tem sucesso em algumas delas, em outras nem tanto. Mas nada que faça o filme perder totalmente o seu contexto. A parte visual do filme é bem diferente, com cores fortes e sobressaltadas, sempre com a intenção de dar destaque a certos detalhes da cena. Algumas cenas foram feitas para o mercado 3D. O momento em que a rainha entra no espelho, com certeza é um deles.
Julia Roberts e Lily Collins tomam conta da trama. Uma como rainha má, e outra como a princesa do bem. Não dão muito espaço aos demais personagens. Mas também não acho que isso seja um problema. Cada uma, ao seu estilo, tenta valorizar um pouquinho mais o filme. Julia Roberts parece bem solta em seu papel, se divertindo bastante, a invés de super valorizar seu personagem.
O filme conta que era uma vez uma bela princesa chamada Branca de Neve (Lily Collins). Tudo ia bem até sua madrasta, a Rainha Má (Julia Roberts), assumir o controle do Reino Encantado. A Rainha Má precisa casar com o rico Príncipe (Armie Hammer) para salvar seu reino que está indo à falência. Mas o Príncipe está apaixonado por Branca de Neve e, para conquistá-lo, a Rainha expulsa Branca de Neve para a floresta, onde ela terá a ajuda de divertidos anões para lutar e reconquistar seu trono, além de recuperar o amor de sua vida.
Entendo que algumas mudanças podem ser encaradas como negativas, mas é muito divertido observar uma reformulação da história como nesse caso. A história perde seu encanto como conto de fadas, mais voltada ao público infantil, no entanto recebe uma energia nova, e tenta alcançar um público mais maduro. Embora use elementos e nomes conhecidos, como Branca de Neve e os próprios 7 anões, o filme conta uma nova história, ou recicla a antiga. Não se trata de uma produção impecável, mas é uma filme que garante bom entretenimento. Atuações leves e desapegadas. Efeitos visuais bastante interessantes. E, por fim, uma história que não se prende ao clássico. Boa pedida para a sessão de vídeo em família. A única sugestão talvez seja a de assistir ao filme sem a exigência de compará-lo ao clássico do desenho Disney. É uma tarefa difícil, mas com certeza permitirá que você enxergue mais diversão ao invés de criticar as diferenças.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Tarsem Singh
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Sean Bean, Nathan Lane, Mare Winningham, Michael Lerner, Robert Emms, Martin Klebba
Produção: Bernie Goldmann, Ryan Kavanaugh, Brett Ratner
Roteiro: Melissa Wallack, Jason Keller
Fotografia: Brendan Galvin
Trilha Sonora: Alan Menken
Duração: 106 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Relativity Media / Rat Entertainment / Citizen Snow Film Productions
Classificação: Livre
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sexta-feira, 25 de maio de 2012
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Depois de comer, rezar e amar... ejetar...

Acabo de assistir Comer Rezar Amar e, confesso, não me surpreendi. A fotografia do filme é maravilhosa, com locações fantásticas, mas a história tem uma lição de moral meio esquisita. Como se tudo se resumisse a uma boa refeição, a força da sua fé, e um amor que surge num país exótico, vindo de outro país exótico. E quem pode dizer que a vida não se resume a isso? Na minha opinião, infelizmente, não é bem assim que as coisas funcionam.
Baseado no livro homônimo de Elizabeth Gilbert, o filme tem uma narrativa lenta e longa, tornando-se cansativo e repetitivo. As atuações de Julia Roberts e Javier Bardem funcionam bem, mas não creio que sejam os momentos máximos de suas carreiras.
Ñão li o livro, e o filme me deu a impressão de tentar servir como uma auto ajuda (talvez para a própria escritora), com uma visão bastante americanizada dos países que fazem parte do roteiro, e até de alguns personagens, como é o caso do "brasileiro" (???) interpretado por Javier. A Itália se transformou na capital gastronômica do Mundo, a Índia é o centro religioso, e Bali, por incrível que pareça, a região das curas milagrosas. Essas "qualidades" poderiam ser atribuídas a qualquer lugar do planeta, imagino eu...
No filme, Liz Gilbert (Julia Roberts) tinha tudo o que uma mulher moderna deve sonhar em ter “um marido, uma casa, uma carreira bem-sucedida” ainda sim, como muitas outras pessoas, ela está perdida, confusa e em busca do que ela realmente deseja na vida. Recentemente divorciada e num momento decisivo, Gilbert sai da zona de conforto, arriscando tudo para mudar sua vida, embarcando em uma jornada ao redor do mundo que se transforma em uma busca por auto-conhecimento. Em suas viagens, ela descobre o verdadeiro prazer da gastronomia na Itália, o poder da oração na Índia, e, finalmente e inesperadamente, a paz interior e equilíbrio de um verdadeiro amor em Bali.
Para os fãs de Julia Roberts, talvez seja um bom filme, mas na minha opinião, exceto pelas belas paisagens e tomadas bem exploradas, não é uma história que acrescente muito em qualquer currículo. Não chega a ser um filme para se evitar a qualquer custo, mas também não chega a ser uma obra de arte. Assista, mas mantenha a mente aberta.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Ryan Murphy
Elenco: Javier Bardem, Julia Roberts, James Franco, Billy Crudup, Richard Jenkins, Viola Davis, Tuva Novotny, Ali Khan, Lidia Biondi, Arlene Tur, Luca Argentero, James Schram
Produção: Dede Gardner, Brad Pitt
Roteiro: Ryan Murphy, Jennifer Salt
Fotografia: Robert Richardson
Trilha Sonora: Dario Marianelli
Duração: 133 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Plan B Entertainment
Diretor: Ryan Murphy
Elenco: Javier Bardem, Julia Roberts, James Franco, Billy Crudup, Richard Jenkins, Viola Davis, Tuva Novotny, Ali Khan, Lidia Biondi, Arlene Tur, Luca Argentero, James Schram
Produção: Dede Gardner, Brad Pitt
Roteiro: Ryan Murphy, Jennifer Salt
Fotografia: Robert Richardson
Trilha Sonora: Dario Marianelli
Duração: 133 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Plan B Entertainment
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