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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Encurralado



Esse surgiu do especial de 50 filmes que você deveria assistir antes de morrer, que é apresentado no canal TCM, e já está em dua quinta edição.

Comentava em outros dois posts meus (Enterrado Vivo e 127 horas) o poder aflitivo de um filme. Encurralado se encaixa nesse estilo de filme que causa aflição, é inquietante, nervoso, a ponto de deixar qualquer telespectador irritado. Por isso mesmo não é para qualquer audiência.

No filme, David Mann (Dennis Weaver) está dirigindo seu carro, atravessando a Califórnia. Quando ele tenta ultrapassar um caminhão-tanque, é ofendido pelo motorista. David não dá ouvidos e continua tentando ultrapassá-lo. A partir daí, tem início uma verdadeira guerra entre os dois. A história é contada do ponto de vista de David, mostrando os comentários que faz pra ele mesmo, enquanto vive essa situação.

Imagine só o transtorno desse camarada. E mais, imagine que o filme trata única e exclusivamente essa disputa entre motoristas. No deserto, onde uma vez ou outra cruzam um posto de gasolina, ou outro motorista que nem liga para a perseguição dos dois. E é assim o filme inteiro. Acontece que o filme é tão latente. Tão nervoso. Que você fica preso a toda loucura que existe no sentimento dos dois protagonistas.

Dizer também que são dois protagonistas é bondade demais. O foco principal é em David Mann, cuja história segue seu ponto de vista. No mais, apenas um esboço do motorista do caminhão, o vilão dessa trama absurda.

No mais, um filme extremamente normal, principalmente se considerarmos o ano de seu lançamento (1971). Nada de efeitos especiais magníficos. Nada de tomadas de perseguição invocadas. Apenas uma direção apurada (esse é o terceiro longa dirigido por Steven Spielberg), que faz com que o filme pareça ainda mais inquietante.

Não sei se é o tipo de filme a constar em uma lista pra se assistir antes de morrer, mas é um tipo de filme muito interessante, que apesar das suas limitações (por opção), consegue prender a atenção, e fazer com que o espectador faça parte do sofrimento de David Mann. Uma produção interessante, que vai muito além da sua simplicidade. Vale assistir, principalmente por efeito de curiosidade. É uma produção inquieta e que provoca inquietação.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Steven Spielberg
Elenco: Dennis Weaver, Jacqueline Scott, Eddie Firestone, Lou Frizzell, Gene Dynarski, Lucille Benson, Tim Herbert, Charles Seel, Shirley O'Hara.
Produção: George Eckstein
Roteiro: Richard Matheson
Fotografia: Jack A. Marta
Trilha Sonora: Billy Goldenberg
Duração: 90 min.
Ano: 1971
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Universal TV

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Enterrado vivo



Curioso assistir esse filme após ter assistido 127 Horas. Os dois filmes se equivalem em nervosismo e força. Mas o mais interessante, pelo menos com quem conversei, foi que para 127 Horas você não espera que o personagem se salve, mas torce para que ele seja resgatado em Enterrado Vivo. Claro que não estragarei a surpresa ao contar o final do filme para quem não assistiu, mas o caminho é longo, e o espectador chega a sofrer junto com o protagonista.

Aqui, acho que vale uma ressalva. Não se trata de uma questão de gostar do filme e do seu enredo, mas conseguir assimilar bem os sentimentos e as sensações que ele exige de você a todo instante.

O filme se destaca pela música, de alto nível, e que dita a velocidade da trama. No mais, é Ryan Reynolds quem segura o filme com sua atuação, que se concentra dentro do caixão durante a longa hora e meia que dura a história.

Diferente de 127 Horas, por pouco não abandonei o filme. É que no outro filme ainda existia um "jogo" de cenas que tirava a sensação desconfortável e claustrofóbica ao passar pelos momentos de lembrança. Dessa vez, você vai enfrentar junto com Reynolds todo o sofrimento que é ser enterrado vivo.

No filme, Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um caminhoneiro e pai de família que, um dia, acorda dentro de um caixão: ele foi enterrado vivo. Sem saber quem o enterrou e o porquê de terem feito isto, Paul tem um celular com bateria e sinal fracos, além de pouco oxigênio, o que acelera a corrida para que ele consiga se salvar.

Mais uma produção forte, que assusta pelo tema e que provoca em seu espectador uma série de sensações angustiantes. Obviamente, a produção tem uma direção impecável. Nada mais justo, uma vez que seria muito difícil segurar a trama com argumentos fracos e uma direção atrapalhada.

Não é uma produção para todos os públicos. Seu desconforto é muito forte e chega a incomodar. Se você é fã do gênero, e quer dividir o espaço no caixão vá em frente, mas se o tema não faz seu gosto, fique longe.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Rodrigo Cortés
Elenco: Ryan Reynolds, Robert Paterson, José Luis García-Pérez, Stephen Tobolowsky, Samantha Mathis, Warner Loughlin, Erik Palladino.
Produção: Adrián Guerra, Peter Safran
Roteiro: Chris Sparling
Fotografia: Eduard Grau
Duração: 97 min.
Ano: 2010
País: Espanha
Gênero: Suspense
Cor: Colorido
Distribuidora: Califórnia Filmes
Estúdio: Versus Entertainment
Classificação: 14 anos