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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Bravura Indômita



Bravura Indômita é um remake do filme de mesmo nome de 1969. A diferença básica entre os dois? Em 1969 o filme tinha John Wayne como seu protagonista. Ator que se destacou por papéis em filmes desse gênero. Independente de comparações, a nova versão não fica atrás na questão da qualidade. É uma bela produção e entrega ao espectador tudo o que promete. Boa dose de entretenimento em um gênero do cinema que mostra ainda ser possível apelar para os clássicos e alcançar o sucesso nas bilheterias.

Falar em gênero clássico, dois dias após a premiação do Oscar pode parecer irônico, uma vez que dois filmes que homenageiam as origens do cinema foram os maiores vencedores do prêmio, mas acredito que os estúdios têm buscado essa redenção no passado, como se quisessem retomar a sua época áurea. Também existe aquele detalhe de ser mais válido investir em uma remontagem ou regravação de sucesso, ao invés de arriscar com roteiros originais que podem não causar o mesmo impacto.

Independente desses detalhes, Bravura Indômita mostra que o estilo faroeste ainda tem força e pode vender boas histórias. Também não é o caso de ser uma trama fantástica. Existem momentos bastante previsíveis, mas a direção (irmãos Coen) consegue ditar um bom ritmo e a produção não perde velocidade, não tem momentos chatos ou cansativos, e segue em um ritmo agradável. A fotografia do filme é muito bonita. Belas paisagens enchem a tela e os olhos dos espectadores.

O elenco é um caso à parte. Matt Damon, Josh Brolin (este apenas nos poucos instantes que registram suas passagens), Jeff Bridges, e Hailee Steinfeld seguram com maestria a trama. Bridges mais uma vez se destaca e mostra que é mesmo um excelente ator. Muito se falou de Hailee Steinfeld, a garota de 14 anos, uma das protagonistas do filme, que tem em suas falas a perspicácia de um adulto experiente, mas que conduz com inteligência, e em alguns momentos até de forma divertida, seu personagem. Independente da história de fundo, a caracterização dos personagens por si só, garante um destaque especial ao filme.

O filme conta que após a morte do pai, a jovem Mattie Ross (Hailee Steinfeld) contrata, por cem dólares, o xerife "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges) para caçar e capturar o assassino. Ela exige fazer parte desta jornada para ter certeza que seu objetivo será alcançado.

Trata-se de uma produção bem dirigida, inteligente e com algumas tiradas divertidas, que garantem boa qualidade de entretenimento. O elenco é muito bom e cria um bom conjunto, dando força aos personagens e à história. Existem alguns momentos previsíveis, e alguns com cara de faroeste (revólveres cujas balas nunca acabam, tiroteios em que ninguém acerta ninguém, o mocinho que leva muitos tiros mas se mantém firme e forte, e os duelos que marcam a superioridade do inimigo, mas que nem assim conseguem tirar vantagem disso), mas tudo isso só recheia ainda mais este belo filme. É uma boa pedida para quem gosta de um filme de ação. O filme tem a dose certa para satisfazer todos os estilos de audiência.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Matt Damon, Josh Brolin, Jeff Bridges, Barry Pepper, Domhnall Gleeson, Hailee Steinfeld, Elizabeth Marvel, Ed Corbin, Nicholas Sadler, Dakin Matthews, Paul Rae, Joe Stevens
Produção: Ethan Coen, Joel Coen, Scott Rudin
Roteiro: Charles Portis, Joel Coen, Ethan Coen
Fotografia: Roger Deakins
Trilha Sonora: Carter Burwell
Duração: 110 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Scott Rudin Productions / Paramount Pictures / Skydance Productions / Mike Zoss Productions
Classificação: 16 anos

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Quanto vale o elenco?

Muitas vezes, nos meus textos, costumo falar a respeito do elenco de um filme, da atuação de determinado ator ou atriz, do peso e da força do conjunto de boas atuações, e das atuações infelizes de determinados ícones de cinema. Dia desses, em outro post meu, falei que se você tirasse efeitos especiais e "maquiagem" do filme, a atuação do elenco não serviria de muita coisa. E daí parte o meu texto de hoje. Afinal de contas, quanto vale a atuação de um elenco ou de um determinado ator?

Costumo assistir alguns filmes mais antigos, de épocas em que a tecnologia nem era tão usada nas produções, ou com determinados roteiros, e que valorizavam a atuação (real) do seu elenco. Fato é que, hoje em dia, poucos filmes conseguem ter esse apelo, essa força. Claro, ainda existem atuações fantásticas, mas dificilmente um filme se "seguraria" apenas pela atuação do seu elenco, ou mesmo de seu protagonista.

Protagonistas estes, que fazem algumas seleções muito estranhas. Atores que foram fantásticos em determinada produção, passam a fazer parte de produções de segunda linha, ou cujo papel sempre parece o mesmo. Nicolas Cage, Sandra Bullock, Keanu Reeves, Tom Cruise, Ben Stiller, e até mesmo Andy Garcia e Robert DeNiro, pra citar alguns. Nem todos eles grandes astros, mas mesmo assim, atores com certa categoria.

E é muito comum, diria até determinante, que qualquer espectador decida por assistir um filme por causa do elenco, ou de um ator ou atriz com que se identifique. Em alguns casos, mesmo que o roteiro não seja grande coisa, a pessoa acaba gostando do filme, já que pode ver o "seu" astro na telona ou na telinha.

Obviamente, a barreira entre o reconhecimento pelo bom trabalho e a admiração (que forma o fã) pode ser muito pequena, mas você já se observou assistindo um filme ruim com aquele ator ou atriz que sempre admirou? Não há o que salvar... o filme simplesmente perde força, perde a graça... mas você sai da sala de cinema prometendo que o próximo será melhor. Isso é engraçado. Baseado no currículo do cara, você acha que o próximo pode ser melhor, o que nem sempre acontece, e daí passa a questionar o seu astro.

Claro que isso também aconteceu com profissionais do passado. John Wayne, Sean Connery, Julia Roberts, Meryl Streep, e tantos outros, também já engatilharam suas carreiras em projetos estranhos ou de qualidade duvidosa.

Mas em produções como Avatar, por exemplo, como é que o elenco pode ser considerado um fator determinante para o sucesso do filme? Claro que o roteiro também pode ser um elemento importante, mas nesse exemplo, se você tirar efeitos e maquiagem, sobrará um elenco esforçado, e um roteiro previsível (no mínimo).

E o contrário também pode valer. Se você tiver um elenco cheio de estrelas, será que conseguiriam salvar uma produção. Vide o caso de Entrando numa fria (e suas continuações), com Ben Stiller, Robert DeNiro, Owen Wilson, Jessica Alba, Barbra Streisand, Harvey Keitel e até Dustin Hoffman. O primeiro filme agradou, mas suas continuações seguiram fracassando.

E você leitor, como acha que a seleção do elenco pode determinar o sucesso ou fracasso de uma produção? Qual a real importância da seleção dos nomes que estrelarão um filme? Mande sua opinião.