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quarta-feira, 12 de março de 2014

Mesmo sem a lei, produtores já reduzem oferta de meia-entrada

 
Casas de show e produtores culturais já estão reduzindo a oferta de meias-entradas antes mesmo de estarem valendo as leis que criaram a cota de 40% do total para a venda de ingressos mais baratos.

Mas o governo ainda não soltou a regulamentação definindo como e por qual órgão será feita a fiscalização. O show do músico britânico Elton John, realizado dia 22 de fevereiro em Salvador, para 40 mil pessoas, limitou a venda das meias-entradas.

"Da nossa parte jurídica, o entendimento é que está valendo. Adotei os 40% para planejar melhor o preço dos ingressos, mas deixei extrapolar esse limite em alguns setores", diz Aluizer Malab, da Malab Produções, responsável pelo evento.

Segundo ele, o limite na venda de entradas pela metade do valor ajudou a reduzir o preço de todos ingressos. "Posso calcular a venda sem penalizar tanto quem não tem direito à meia", diz.

Os ingressos para a apresentação custaram de R$ 60 a R$ 750. Entradas para o mesmo show, em Fortaleza, custaram de R$ 100 a R$ 800.

"Trinta reais, que é o preço da meia-entrada do setor cadeira superior, é tão barato quanto o preço de um ingresso de futebol", afirma Malab.

Segundo o Procon da Bahia, restringir meias-entradas para estudantes e idosos afronta a legislação estadual, que não impõe limite quantitativo aos ingressos.

O órgão informa que notificará a produção do show para que esclareça, em dez dias, sobre a venda das entradas.

 

O limite foi aprovado em uma lei sobre a meia-entrada em geral, sancionada em dezembro. É a primeira legislação federal sobre o tema, que hoje é regulado por meio de leis municipais e estaduais.

O Estatuto da Juventude, sancionado em 2013, também estabelece limite de 40% de meias-entradas. Tecnicamente, as leis já estão em vigor. A restrição na venda da meia-entrada deveria estar valendo desde dezembro, mas falta a regulamentação.

"A restrição não poderia estar sendo aplicada agora. Quem está aplicando não está acobertado pela lei", diz advogado Rodrigo de Mesquita Pereira, especialista em direito do consumidor.

Também dois eventos de música sertaneja programados para março e abril em Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG) já limitaram as meias-entradas a 40% das vendas.

A BCG Eventos, que organiza o festival Villa Mix, em Vitória, com shows de Gusttavo Lima e outros, disse em nota ter sido orientada pelo Procon a aplicar a nova lei. Os preços dos ingressos variam de R$ 80 até R$ 400.

O Procon do ES negou ter dado a recomendação. Informa por e-mail que apenas "enunciou tópicos" da lei, em "caráter meramente de esclarecimento". Informou ainda que iria fiscalizar a venda dos ingressos após o Carnaval.

"A lei não está em vigência. Deve ter havido equívoco das casas de show", diz Denize Izaita, diretora jurídica do Procon do Espírito Santo.

O Pedro Leopoldo Rodeio Show também anunciava no seu site a venda de acordo com a lei sancionada em 2013, até a reportagem da Folha entrar em contato, na semana passada, com a Rope Eventos, produtora do festival, em Belo Horizonte.

A empresa não quis se pronunciar, mas retirou do site a política de venda de meias-entradas com a cota de 40%.

Com cinco dias de duração, o festival inclui shows de Victor e Leo e Luan Santana. As entradas custam de R$ 40 a R$ 990. Em 2012, o público desse evento foi estimado em 110 mil pessoas.
O Procon de BH disse não ter posição sobre as novas leis.

Hoje, na maioria dos Estados e municípios, não há limite para meias-entradas. Eventos têm de vender entradas pela metade do preço a quem tem direito, caso de estudantes e idosos.

Segundo o Ministério da Cultura, a restrição só passa a valer quando o texto da regulamentação, que será uma só para as duas leis, for publicado no "Diário Oficial da União". A pasta informa que o texto está pronto, em fase de consulta a outros ministérios e "aguardando reunião a ser convocada pela Casa Civil para fechar a versão final".

RESTRIÇÃO NÃO VALE PARA COPA E OLIMPÍADA

A cota de 40% para a venda de meias-entradas sobre o total de ingressos — assim como as novas regras sobre a emissão de carteirinhas estudantis não estão valendo para jogos da Copa do Mundo deste ano nem para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

Por Juliana Gragnani, para o jornal Folha de São Paulo, em 11/03/2014.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Gnomeu e Julieta



Confesso que quando vi o trailer achei o filme meio bobo, talvez parecido com Deu a Louca na Chapéuzinho Vermelho, ou até pior. Não entusiasmei. Mas após algum esforço, criei coragem e enfrentei a produção de quase duas horas de duração. Após muitas passagens e boas doses de risadas preciso dizer que estava completamente enganado. Gnomeu e Julieta é uma produção divertida e de ótima qualidade.

Para ser sincero, em alguns momentos lembrei de Toy Story, com sua simplicidade, mas inteligência e ótimo aproveitamento dos seus personagens. Não é o tipo de filme que abusa dos efeitos visuais deslumbrantes, daqueles que beiram o realismo, mas nem precisa. É o lado colorido que mais chama a atenção. A distinção do vermelho e do azul, para delimitar a diferença entre as duas famílias da história de Shakespeare é fantástica. Funciona muito bem, ainda mais colocando os dois grupos em quintais vizinhos, e também associando à comum briga entre vizinhos.

Os personagens são um caso à parte. Mesmo se ignorarmos os protagonistas, Gnomeu e Julieta, que já seguram bem a produção por conta, a seleção de personagens complementar é pra lá de hilária. Destaque para a sapa que faz o estilo dama de honra de Julieta, ou o cogumelo metido a cachorro de Gnomeu. Todos combinam perfeitamente e enriquecem a história.

Detalhes não faltam, e o filme é muito inteligente. Algumas passagens podem ser mais previsíveis que outras, mas já estamos acostumados a isso no cinema. Importante destacar que isso não reduz a qualidade do filme. Ainda assim o resultado final é surpreendente. A trilha sonora, com músicas de Elton John, anima ainda mais a coisa toda. O cantor até ganhou um gnomo que o representa no filme.

O filme traz o romance entre o jardineiro gnomo Gnomeu e a jovem Julieta. O casal enfrenta muitos obstáculos para concretizar seu amor: o principal deles é que a moça é da família Capuleto, enquanto o rapaz pertence aos Montecchio, eternos rivais. Com humor, os dois gnomos de jardim vão enfrentar tanto a oposição da família quanto os perigos do mundo dos humanos.

Muito colorido, com personagens fortes e que combinam perfeitamente à trama, o filme garante boas risadas e diverte os públicos infantil e adulto. A seleção musical (ou adaptações) funciona muito bem, e a produção agrada do começo ao fim. Grande pedida para quem busca uma animação inteligente, baseada em um roteiro que, de tão bem construído faz o tempo passar sem que se perceba. Imperdível para quem procura diversão de alta qualidade.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Kelly Asbury
Elenco: Vozes originais de Jason Statham, James McAvoy, Emily Blunt, Michael Caine, Maggie Smith, Patrick Stewart, Julie Walters, Stephen Merchant, Matt Lucas. Na versão brasileira: Daniel Oliveira, Vanessa Giácomo, Ingrid Guimarães.
Produção: Baker Bloodworth, David Furnish, Steve Hamilton Shaw
Roteiro: Rob Sprackling, John R. Smith, Andy Riley, Kevin Cecil, Kelly Asbury, Steve Hamilton Shaw, MArk Burton, Emily Cook, Kathy Greenberg, baseado na peça de William Shakespeare
Fotografia: - Animação -
Trilha Sonora: James Newton Howard, Chris Bacon, Elton John
Ano: 2011
País: EUA/ Reino Unido
Gênero: Animação
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Rocket Pictures / Touchstone Pictures / Miramax Films / Starz Animation / Arc Productions
Classificação: Livre

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O caminho para El Dorado



Um dos desenhos animados mais fantásticos de todos os tempos. O caminho para El Dorado é um filme fora do comum, muito acima da média, com tudo para entrar no topo da lista de qualquer espectador. Mesmo dos mais exigentes. História inteligente, excelente humor, personagens cativantes, ótima técnica, direção perfeita, ótima trilha sonora, e uma narrativa que acerta o timing, que deixa aquele delicioso gostinho de quero mais.

O roteiro é brilhante, uma sacada perfeita, inteligente, que leva o espectador para dentro da trama. Piadas engraçadas na medida certa. Sem exageros ou momentos sem sentido. Envolvente, assim como seus personagens. Destaque especial para o cavalo que acompanha os protagonistas (e que se parece demais com o cavalo de Enrolados), com suas feições e atitudes pra lá de engraçadas.

O filme é muito colorido e tem tudo para agradar a criançada, mas o público mais velho também vai aprovar esta produção deliciosa. Outro destaque é para a trilha sonora, com músicas de Elton John, que se encaixam perfeitamente no teor latino da história.

No filme, Túlio e Miguel são dois vigaristas que acabam presos no navio de Cortez, legendário conquistador espanhol, enquanto este procurava o caminho para El Dorado, a cidade perdida do ouro. A sorte sorri para os dois rapazes e eles encontram um povoado no México que acreditam ser El Dorado; no entanto, apesar de acolhidos pelo povo Maia, eles chegaram justamente no momento em que o povo local realiza sacrifícios humanos. O filme é repleto de confusões.

Um filme fantástico, para ser assistido e fazer parte da coleção de todos os cinéfilos. História de alto nível, personagens de primeira linha, excelente música, boa animação, que acerta nas piadas, e supera as espectativas. Diversão e entretenimento de qualidade altíssima para todos os espectadores. Para assistir, repetir até cansar, e voltar a ver mesmo depois disso. Classe A********** !!!

FICHA TÉCNICA
Diretor: Eric Bergerone e Don Paul
Elenco: Vozes na versão original: Kevin Kline, Kenneth Branagh, Rosie Perez, Armand Assante, Edward James Olmos.
Produção: Bonne Radford, Brooke Breton
Roteiro: Ted Elliot e Terry Rossio
Fotografia: Animação
Trilha Sonora: Elton John, John Powell, Hans Zimmer
Duração: 89 min.
Ano: 2000
País: EUA
Gênero: Desenho Animado
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Dreamworks
Classificação: Livre