No ano em que completa 18 anos, o festival de documentários É Tudo Verdade reúne em sua programação um apanhado diverso do que vem se produzindo no Brasil e no mundo no cinema documental. Este ano o evento ocorre simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre os dias 4 e 14 de abril. Em seguida segue para Brasília (de 16 e 21 de abril) e Campinas (entre 23 e 28 de abril).
“Nesta edição reunimos uma safra muito madura de filmes. Isso nos deu muito trabalho para chegar à seleção que, por isso mesmo, é muito forte”, disse o diretor e criador do festival, Amir Labaki, em evento de divulgação em São Paulo na manhã desta terça-feira (19). Labaki não escondeu a satisfação de ver o É Tudo Verdade chegar à sua 18ª edição: “O Brasil não é um país que rotineiramente não tem eventos tradicionais. Cada vez que a gente consegue levar a pedra lá no topo novamente é motivo de orgulho”.
Acompanhando de perto a produção nacional nestas quases duas década, Labaki diz ter percebido muito mais do que o aumento na qualidade e número de produções. “Vi com prazer, ao longo desses anos, documentarista brasileiros conseguirem fazer a manutenção da carreira, o que é importante para a criação de uma linguagem própria”, avaliou.
Mostras competitivas
Na seleção internacional, 41 filmes serão exibidos entre as mostras competitivas e as informativas. Ao todo, 12 obras disputarão a competição de longas-metragens. Entre eles, estreias como Antes e Depois do Jantar, em que o ator e diretor teatral André Gregory é retratado pela mulher, a cineasta Cindy Kleine, e destaques de festivais internacionais como Primo de Segundo Grau, de Alan Berliner, e A Máquina que Faz Tudo Sumir, de Titatin Gurchiani, prêmio de direção em Sundance.
Entre os brasileiros, sete filmes serão apresentados em première mundial. Entre eles A Alma da Gente, de Helena Solberg e David Meyer; O Universo Graciliano, de Sylvio Back; e Serra Pelada – A Lenda da Montanha de Ouro, de Victor Lopes.
Golpe de 1964
O É Tudo Verdade se adiantará ao aniversário dos 50 anos do golpe militar de 1964 com a exibição do documentário Jango, de Silvio Tendler, de 1984. Paralela à exibição do longa estão programadas duas mesas-redondas para discutir a importância histórica de João Goulart e do filme de Tendler. Serão apresentados também série de curtas feitos pelo IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) nos anos 1960 que serviram de base para converncer a população da necessidade de uma intervenção militar no país.
Homenagem
Este ano o festival presta homenagem a Dziga Vertov, cineasta russo e um dos pais do formato documental. A retrospectiva internacional traz oito cópias em 35mm de filmes do diretor. Serão exibidos, entre outros, clássicos como O Homem da Câmera de Filmar, Três Canções Sobre Lenin e Cine-Olho. A exibição dos filmes só foi possível graças a uma parceria com o Austrian Film Museum, detentor das cópias. A curadora da coleção, Adelheid Heftbeger, virá ao Brasil para conversar com os espectadores sobre a obra de Vertov.
Filmes em competição no É Tudo Verdade:
INTERNACIONAIS
- Antes e Depois do Jantar, de Cindy Kleine (EUA)
- Estou no Espaço, de Dana Ranga (Alemanha)
- Filha Problema, de Stéphanie Argerich (França/Suíça)
- A Máquina que Faz Tudo Sumir, de Tinatin Gurchiani (Geórgia/Alemanha)
- Minha Revolução Roubada, de Nahid Persson Sarvestani (Suécia/Noruega/Inglaterra/EUA)
- Nascido na USSR - Geração de 28, de Sergei Miroshnichenko (Rússia/Inglaterra/Alemanha)
- Não Me Esqueça, de David Sieveking (Alemanha)
- Nosso Nixon, de Penny Lane (EUA)
- Parque do Povo, de Libbie D. Cohn e J.P. Sniadecki (EUA/China)
- Salma, de Kim Longinotto (Inglaterra)
- Uma Vez Entrei num Jardim, de Avi Mograbi (França/Israel/Suíça)
- Universo Particular , de Helena Trestikova (República Tcheca)
NACIONAIS
- A Alma da Gente, de Helena Solberg e David Meyer (RJ)
- Antártica, de Evaldo Mocarzel (SP)
- Em Busca de Iara, de Flavio Frederico (SP)
- Mataram Meu Irmão, de Cristiano Burlan (SP)
- Ozualdo Candeias e o Cinema, de Eugênio Puppo (SP)
- Serra Pelada - A Lenda da Montanha de Ouro, de Victor Lopes (RJ)
- O Universo Graciliano, de Sylvio Back (RJ)
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terça-feira, 19 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
Festival "É Tudo Verdade" anuncia filmes nacionais escolhidos em 2013
O festival de cinema "É Tudo Verdade", a ser realizado entre 4 e 14 de abril de 2013, divulgou nesta segunda-feira (11) a lista de produções nacionais selecionadas para exibição na 18ª edição. As cidades que contemplarão o evento serão São Paulo e Rio de Janeiro, mas Brasília e Campinas contarão com itinerâncias logo após o festival.
O evento, voltado para documentários, contará com 13 estreias, com títulos que estarão tanto na mostra competitiva como em exibições informativas (veja lista de filmes brasileiros que serão exibidos abaixo). Ao todo, foram anunciados 22 filmes nacionais até o momento.
O vencedor da disputa entre longas e médias-metragem nacionais vai receber um prêmio de R$ 110 mil, além do troféu "É Tudo Verdade", concebido pelo artista plástico Carlito Carvalhosa. Já o campeão entre os curtas vai arrecadar R$ 10 mil.
Competição brasileira - média e longa-metragem
"A Alma da Gente", de Helena Solberg e David Meyer
"Antártica", de Evaldo Mocarzel
"Em Busca de Iara", de Flavio Frederico
"Mataram Meu Irmão", de Cristiano Burlan
"Ozualdo Candeias e o Cinema", de Eugênio Puppo
"Serra Pelada - A Lenda da Montanha de Ouro", de Victor Lopes
"O Universo Graciliano", de Sylvio Back
Competição brasileira - curta-metragem
"Alexina - Memórias de um Exílio", de Claudio Bezerra e Stella Maris Saldanha
"Coração de Estudante", de Emílio Gallo
"Gericinó - Do Lado de Fora", de Gabriel Medeiros e Maria Clara Senra
"Um Filme de Bonecos", de Tulio Viaro
"O Pai do Gol", de Aly Muritiba
"Saña", de Marcos Pimentel
"São Paulo Miniatura", de Wiland Pindsdorf
"Simulacrum Praecipitti - A Visão do Abismo", de Humberto Bassanelli
Curta Hors Concours
"A Guerra dos Gibis", de Thiago Brandimarte Mendonça e Rafael Terpins
Programas Especiais
"O Fim do Esquecimento", de Renato Tapajós
"Sinfonia Paulistana, Um Novo Olhar", de Rogério Zagallo
Mostra "O Estado das Coisas"
"Cidade Cinza", de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo
"Das Almas", de Tiago Tambelli e Guilherme Canton
"Louceiras", de Tatiana Toffoli
"Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes", de Bruno Polidoro e Cacá Nazário
O evento, voltado para documentários, contará com 13 estreias, com títulos que estarão tanto na mostra competitiva como em exibições informativas (veja lista de filmes brasileiros que serão exibidos abaixo). Ao todo, foram anunciados 22 filmes nacionais até o momento.
O vencedor da disputa entre longas e médias-metragem nacionais vai receber um prêmio de R$ 110 mil, além do troféu "É Tudo Verdade", concebido pelo artista plástico Carlito Carvalhosa. Já o campeão entre os curtas vai arrecadar R$ 10 mil.
Competição brasileira - média e longa-metragem
"A Alma da Gente", de Helena Solberg e David Meyer
"Antártica", de Evaldo Mocarzel
"Em Busca de Iara", de Flavio Frederico
"Mataram Meu Irmão", de Cristiano Burlan
"Ozualdo Candeias e o Cinema", de Eugênio Puppo
"Serra Pelada - A Lenda da Montanha de Ouro", de Victor Lopes
"O Universo Graciliano", de Sylvio Back
Competição brasileira - curta-metragem
"Alexina - Memórias de um Exílio", de Claudio Bezerra e Stella Maris Saldanha
"Coração de Estudante", de Emílio Gallo
"Gericinó - Do Lado de Fora", de Gabriel Medeiros e Maria Clara Senra
"Um Filme de Bonecos", de Tulio Viaro
"O Pai do Gol", de Aly Muritiba
"Saña", de Marcos Pimentel
"São Paulo Miniatura", de Wiland Pindsdorf
"Simulacrum Praecipitti - A Visão do Abismo", de Humberto Bassanelli
Curta Hors Concours
"A Guerra dos Gibis", de Thiago Brandimarte Mendonça e Rafael Terpins
Programas Especiais
"O Fim do Esquecimento", de Renato Tapajós
"Sinfonia Paulistana, Um Novo Olhar", de Rogério Zagallo
Mostra "O Estado das Coisas"
"Cidade Cinza", de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo
"Das Almas", de Tiago Tambelli e Guilherme Canton
"Louceiras", de Tatiana Toffoli
"Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes", de Bruno Polidoro e Cacá Nazário
quarta-feira, 6 de abril de 2011
No princípio, era tudo verdade
Sábado à noite, Rio de Janeiro. Depois de assistir a “Carne, Osso”, que disputa a mostra competitiva nacional de médias e longas-metragens do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, cerca de 60 espectadores participam de um debate por mais de uma hora e saem do cinema pouco antes de meia-noite. O que os fez permanecer ali todo esse tempo? Resposta de quem teve a oportunidade de apresentar a sessão e mediar em seguida o debate: a força do cinema documental. “Carne, Osso” investiga as condições de trabalho em frigoríficos do país. Para quem nunca foi contratado por um deles ou não conhece alguém que tenha sido, as informações são terrivelmente impactantes.
Produzido pela ONG Repórter Brasil, o filme de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros cumpre missão jornalística. Traz relatos de trabalhadores (alguns dos quais aposentados por invalidez), mostra imagens de linhas de produção (com rotinas estressantes que geram diversos problemas motores e psicológicos), apresenta dados que permitem compreender o cenário.
Mais do que um filme-denúncia voltado contra os frigoríficos, “Carne, Osso” lembra como o trabalhador continua frágil diante da força do capital, e também como o “rombo” da Previdência Social está relacionado, entre outros fatores, com doenças e acidentes de trabalho e aposentadorias precoces, que custam mais ao sistema do que o valor da contribuição previdenciária dos empregadores responsáveis por elas.
Cada um dos mais de 90 documentários de 29 países exibidos na 16a edição do É Tudo Verdade abre, a exemplo de “Carne, Osso”, uma janela própria para a leitura do real. Alguns são mais jornalísticos (e portanto informativos), como o filme de Cavechini e Barros; outros, mais experimentais e provocadores, como “Aterro do Flamengo”, de Alessandra Bergamaschi, e “Homem Erótico”, de Jorgen Leth.
No conjunto, o festival lembra o que perdemos quando o cinema de ficção se tornou hegemônico no circuito comercial, a partir do início do século 20, e deixou apenas migalhas para a produção documental e experimental. Nem sempre foi assim: nos primórdios do cinema, ainda no século 19, o princípio dominante era o de abordar diretamente o real para buscar uma compreensão mais ampla do mundo.
Hoje, documentários circulam, com raras exceções, apenas em festivais e salas específicas de grandes cidades. É bem verdade que encontraram na TV uma vitrine generosa (fenômeno muito mais forte na Europa e nos EUA do que no Brasil), ampliada nos últimos 15 anos pela internet. Mas, perto da ficção, continuam a ser o “patinho feio”.
O É Tudo Verdade prossegue até domingo, em São Paulo e no Rio de Janeiro. De quinta a sábado, o festival promoverá também a 11a. Conferência Internacional do Documentário, na Cinemateca Brasileira (SP). Ambos os eventos são gratuitos; para ver a programação completa, que inclui sessões em Brasília e Recife, clique aqui.
Uma boa maneira de checar o seu repertório nessa área é conferir abaixo a lista de 25 principais documentários da história, eleita em 2007 pela International Documentary Association (IDA). Pela lembrança, meu agradecimento ao blog da 2001 Vídeo, que informa quais deles estão disponíveis em DVD no Brasil e traz links para trailers. Não é uma lista “científica” e, evidentemente, gera debates, mas funciona como referência de partida.
1. “Basquete Blues” (Hoop Dreams, 1994), de Steve James.
2. "A Tênua Linha da Morte" (The Thin Blue Line, 1988), de Errol Morris.
3. “Tiros em Columbine” (Bowling for Columbine, 2002), de Michael Moore.
4. “Spellbound” (2002), de Jeffrey Blitz.
5. “Harlan County, uma Tragédia Americana” (Harlan County, 1976), de Barbara Kopple.
6. “Uma Verdade Inconveniente” (An Inconvenient Truth, 2006), de Davis Guggenheim.
7. “Crumb” (1994), de Terry Zwigoff.
8. “Gimme Shelter” (1970), de Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin.
9. “Sob a Névoa da Guerra” (The Fog of War, 2003), de Errol Morris.
10. “Roger e Eu” (Roger & Me, 1989), de Michael Moore.
11. “Super Size Me” (2004), de Morgan Spurlock.
12. “Bob Dylan – Don’t Look Back” (Don’t Look Back, 1967), de D. A. Pennebaker.
13. “Caixeiro-Viajante” (Salesman, 1968), de Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin.
14. “Koyaanisqatsi – Uma Vida Fora de Equilíbrio” (Koyaanisqatsi, 1983), de Godfrey Reggio.
15. “Sherman’s March” (1986), de Ross McElwee.
16. “Grey Gardens” (1976), de Albert e David Maysles, Ellen Hovde e Muffie Meyer.
17. “Na Captura dos Friedmans” (Capturing the Friedmans, 2003), de Andrew Jarecki.
18. “Nascidos em Bordeis” (Born into Brothels, 2004), de Zana Briski e Ross Kauffman.
19. “Titicut Follies” (1967), de Frederick Wiseman.
20. “Buena Vista Social Club” (1999), de Wim Wenders.
21. “Fahrenheit 11 de Setembro” (Fahrenheit 9/11, 2004), de Michael Moore.
22. “Migração Alada” (Le Peuple Migrateur, 2001), de Jacques Perrin.
23. “O Homem Urso” (Grizzly Man, 2005), de Werner Herzog.
24. “Noite e Neblina” (Night and Fog, 1955), de Alain Resnais.
25. “Woodstock – 3 Dias de Paz, Amor e Música” (Woodstock, 1970), de Michael Wadleigh.
Por Sérgio Rizzo, em 05/04/2011, no link http://cinema.yahoo.net/coluna/titulo/no-princ-pio-era-tudo-verdade/id/37
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